Era Uma Vez, Na Idade Média
44 Capítulo 44 - O Trunfo
Notas iniciais
KATE
Como eu não tinha pensado nisso antes, eu conheço aquele castelo como a palma da minha mão, sei como entrar e sair sem ser vista. Era o que precisávamos, como temos poucos soldados, temos que lutar dentro daquelas muralhas. Se ficarmos no campo, todo iremos perecer sem ao menos uma chance.
Preciso contar ao Castle, a essa altura, já deve estar morrendo de curiosidade, por isso, tenho que chegar até ele antes que ele....
— Argh! – Kate deu um forte encontrão em alguém, já que estava quase correndo. — Me descul... Castle? O que faz aqui? – levantou-se rapidamente ao vê-lo no chão.
— Ai... Desse jeito vou acabar morrendo antes da hora. Me ajude a levantar, por favor. – ela lhe estendeu a mão e, com um pouco de dificuldade, conseguiu erguê-lo. — Estava indo encontrar você. Saiu tão de repente e, eu fiquei curioso.
— Eu já estava indo conversar com você, era para você estar de repouso. – batia as mãos na roupa para tirar um pouco da sujeira.
— Eu estava, mais ou menos. – ele fez aquela cara de criança arteira.
— Como assim mais ou menos? – cruzei os braços acima do peito.
— Eu estava entediado e, sai um pouquinho mas, sem colocar o pé no chão. Encontrei o Espo e o Hunt no campo, estavam construindo um tipo de lançador de pedras gigantes. – agora parecia uma criança com brinquedo novo.
— Trabuco, eu sei Castle. Falamos disso na reunião de dois dias atrás. Vamos para nossa barraca, consegue andar ou machucou mais alguma coisa? – com essa maré de azar dele, para mantê-lo seguro, teria que trancá-lo em algum lugar e, ainda assim, não é uma garantia.
— Consigo sim, minha bunda está doendo da queda mas, acho que vou sobreviver. – sorri, com um bumbum desses, precisaria de muito mais para danificar o produto.
— Quer que eu o examine, só para garantir? – ele não esperava que eu dissesse isso então, se distraiu e colocou o pé machucado no chão, fazendo uma careta.
— Ui... Talvez depois, amor. Acho que quero descansar de verdade, desta vez. Vamos para a barraca, assim você me conta as novidades. – se ajeitou na muleta e caminhamos devagar.
— Pronto, agora você deita aqui um pouquinho, vou ver como está o seu pé. – tirei as ataduras e, fiquei feliz com o resultado. — O inchaço desapareceu, acho que agora, falta pouco. Se ficar quietinho, em poucos dias estará cem por cento.
— Sim senhora. Sabia que, ver você cuidar de mim assim, te deixa mais sexy? – me puxou de repente e, nossos lábios já estavam colados num beijo apaixonado.
— Castle, para de me provocar. – disse empurrando um pouco seu peito, muito a contragosto. — Sabe que tem que se comportar até o pé melhorar. Não me olhe assim, eu também queria mas, também quero você curado o mais rápido possível.
— E se tivermos cuidado? – ele levantou as sobrancelhas.
— Amor, você sabe que quando nós começamos, perdemos a noção de qualquer coisa e, sim, você pode se machucar ainda mais. – finalmente ele sinalizou que entendeu e, se deitou novamente e colocou o travesseiro no rosto.
— É oficial, eu odeio aquele baú. Já que não há nada mais interessante para fazer, me conte a sua ideia. – se ajeitou melhor para ouvir o que eu tinha para dizer.
— A ideia não é bem minha, foi você que questionou o significado do meu sonho. O sonho é sobre a minha fuga do castelo no dia que o Bracken roubou o trono. Eu tinha trocado ofensas com ele e, quando os guardas me levaram de volta, consegui fugir. Entrei em uma das passagens do castelo, minha intenção era pegá-lo de surpresa mas, quando eu cheguei a entrada do salão principal, ele estava com meus pais. – as lágrimas já surgiam em meus olhos, era uma lembrança dolorida. Talvez seja por isso que, até agora, não tinha ligado o sonho aquele dia.
— Kate, se não quiser falar sobre isso, eu irei entender. – Castle segurou minha mão, apertando levemente.
— Não, está tudo bem. Nunca contei isso para ninguém e eu quero contar para você. – ele assentiu mas, não soltou a minha mão e, eu agradeci por isso. — Ele estava com os meus pais, torturando-os psicologicamente para que meu pai lhe cedesse o direito a coroa mas, meu pai se recusou porque ele também queria a mim. Com a recusa, aquele desgraçado, se aproximou da minha mãe e com a espada... – Castle me abraçou, chorava livremente agora, nunca tive tempo para prantear ou ficar de luto pela minha mãe e, nunca pensei que precisava tanto de um abraço.
— Eu sinto muito, Kate. Eu nunca podia imaginar isso, que você viu tudo. – ele se desfez do abraço para olhar para mim e, ao fitar aqueles olhos azuis, uma lágrima solitária, descia por sua bochecha. A preocupação e a emoção dele, me fez sentir o quão maravilhoso era, tê-lo em minha vida. — Eu queria poder ter estado com você. Você é tão extraordinária, Kate. Nem mesmo consigo imaginar, como consegue me amar, depois de sentir toda essa dor.
— Rick. Não existe a menor possibilidade de eu não te amar. Porque eu nasci para te amar, meu amor. – ele sorria enquanto eu secava a sua lágrima com a mãe e, o beijei. Ainda pude sentir o movimento dos seus lábios, dizendo que me amava e, contra as recomendações médicas, acabamos nos estregando ao amor.
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BECKETT
Depois de ter dormido maravilhosamente bem, acordar em seus braços, me fazia esquecer por uns instantes que, isso não é um conto de fadas. Tentei me levantar mas, Castle apertou mais minha cintura, me puxando mais para junto de si.
— Onde pensa que vai? – falou com a boca próxima a minha orelha, fazendo meu corpo inteiro arrepiar.
— Preciso ir ao centro de comando ajustar alguns detalhes, aliás precisamos ir. Já que não consegue ficar quieto, pelo menos estará na minha vista. – tentei afrouxar o abraço mas, ele não cedeu.
— Diz a mulher que me fez ir contra as recomendações de, ‘nada de esforço’. – me virei e deu um tapa em seu ombro.
— Não coloque a culpa em mim, se me lembro bem, você também participou da travessura. – me puxou para um beijo e, como ainda estávamos nus, se continuasse assim, faríamos travessuras o resto da manhã.
— Castle, vamos levantar. Temos trabalho a fazer. – com um gemido, ele me soltou e, para não perder a chance, pulei da cama.
— Sorte sua que não consigo andar direito mas, se continuar a desfilar nua na minha frente, eu não respondo por mim. – sorri ao ver a excitação dele se evidenciando sob o lençol mas, procurei me vestir rapidamente.
— Se arruma enquanto eu faço o café, depois saímos para falar com a Gates. – ia dar um beijo nele mas, como eu sabia que ia me agarrar de novo, decidi ir fazer o café.
Tomamos um café rápido e saímos. Chegando ao centro de comando, encontramos Gates, Hunt e Montgomery analisando um mapa.
— Bom dia. – Castle e eu cumprimentamos a todos.
— Bom dia a vocês, venham dar uma olhada nesses mapas. – Hunt nos fez sinal para nos aproximarmos.
— Vejam, vamos colocar algumas paliçadas aqui e os trabucos ficarão aqui atrás. Teremos a primeira linha de soldados com lanças longas e a cavalaria, ficará nessa segunda linha. Além dos arqueiros, que ficarão dispostos nessas elevações no leste e deste lado, a oeste. – Montgomery tinha feito um ótimo trabalho.
— Ok. Só temos que ter cuidado, nestes três pontos aqui. São saídas de balaços de pedra e, aqui perto do portão principal, tem saída de óleo fervendo. – fiz as novas anotações no mapa.
— Parece ótimo mas, e as galerias pluviais? – Castle perguntou.
— A saída fica aqui nesse ponto da floresta, fica longe o suficiente de onde será o campo de batalha, assim ninguém nos verá. – estava apontando no mapa. — Mas, existe um porém, Bracken deve saber que eu estou a frente deste exército e, se ele não me ver, vai desconfiar. Se ele descobrir, então o plano não irá funcionar.
— Já discutimos isso, você para o campo, estará protegida e, depois sairá. Reunirá o seu grupo para entrar nas galerias. – Hunt deixava claro que, faria de tudo para que eu não me ferisse.
— Vamos atacar a noite, pois a visibilidade é menor. Depois de entrar no castelo pelos túneis, teremos que chegar até o portão principal e abri-lo. Assim, nosso pessoal poderá entrar. Com certeza, o Bracken não vai estar esperando. – finalizei o plano.
— Parece ser um bom plano, a única coisa é, todos têm que aguentar firmes até conseguirmos abrir o portão. – Castle olhou para o pai.
— Bom, garoto. Nisso você pode contar comigo e Roy aqui. Foi para isso que construímos aqueles trabucos, serão uma grande distração. – quando Hunt sorria, seus olhos ficavam pequenininhos como os de Castle.
— Já que está tudo resolvido, vamos ganhar nossa liberdade. – Gates sorria largamente, agora tínhamos uma grande chance de vitória.
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