Era Uma Vez ...
1 Capítulo 1 - Fuga Fracassada.
Meu nome é Alissa. Alissa D'urbi. Há exatamente uma semana, fugi da casa onde morava, em Nevada. O motivo? Minha mãe Sussana, e o namorado idiota dela, Sérgio. Eles começaram a namorar à cerca de três meses e estão "completamente apaixonados" um pelo outro. Tão apaixonados, que nem se quer lembram-se da minha existência. — No começo era tudo normal, como um casal normal. Minha mãe saia com ele uma vez por semana, trabalhava e conversava comigo todos os dias sobre o colégio e outras futilidades. — Mas depois de algum tempo, as coisas começaram ir de mal à pior. Sussana largou o emprego para dedicar-se ao namorado rico, Sérgio veio morar em nossa casa e eles passaram a falar frequentemente sobre ter um bebê. Era como se estivessem em uma dimensão diferente, que apenas eu não conseguia enxergar, muito menos participar.
O fim da minha paciência se deu quando, em uma bela e agradável manhã de sábado, após acordar e agradecer pelo lindo Sol que iluminava meu quarto, fui ao banheiro fazer minhas necessidades matinais. Ao abrir a porta, trombei com Sérgio seminu em frente a pia, escovando os dentes com a MINHA escova, enrolado na MINHA toalha rosa e encharcando o MEU tapete de veludo.
Traumatizante.
Agora, neste exato momento estou sentada dentro de um ônibus caindo aos pedaços, sozinha entre umas sessenta pessoas completamente estranhas e indo para algum lugar que nem eu mesma sei direito onde fica. — Lê-se: Casa da vovó. — Lá é meu único refúgio, o único lugar para onde eu posso ir e ter a certeza de ser aceita. E eu só preciso chegar lá.
O problema é: COMO?
Bom.. Estou improvisando. Desde que entrei nesse ônibus, venho pensando o que vou fazer quando ele chegar até o destino final. Talvez pegue outro, e mais outro.. Até que o meu dinheiro acabe, coisa que não vai demorar à acontecer. Ou então que minha mãe coloque a polícia atrás da mim, o que eu duvido muito. Acho que ela ainda nem percebeu que eu desapareci de casa.. E quando perceber, espero já ter chegado até a casa da minha avó. Aliás, se eu não chegar logo, acho que eu mesma terei de ir até a polícia fazer um B.O. — Sério, nunca vi tanta gente mal encarada e com aparência de psicopata-serial-killer juntos no mesmo lugar, como dentro dessa banheira. É assustador, principalmente pelo fato de eu, modéstia a parte, ser muito bonita e ter cara de criança, mesmo já com 17 anos. — Sim, 17 anos fugindo de casa.
Enfim, posso me considerar uma adolescente um tanto quanto... Burra. Sabe, eu poderia ter apenas dito para a minha mãe: " Aí coroa, to indo pra casa da minha avó beleza? Vou passar um tempo com ela, enquanto você e o Sérgio fazem meu irmãozinho. " Então ela me daria o endereço certo e todos seriam felizes para sempre.
Mas não. Eu sempre tenho que fazer tudo do jeito mais complicado possível: Sair sem deixar bilhete algum, sozinha, com 3 mudas de roupa e sem um endereço previamente definido. — Agora, apenas uma coisa é certa: Não posso mais reclamar das piadinhas em relação a cor loira do meu cabelo.
E o pior de tudo nem é isso.. O pior, é que estou me aguentando a não-sei-quantos-dias sem dormir, sobrevivendo a base de bolachinhas e amendoins e bebendo cerca de.. Muitos copos de café por parada. E pra que? Para não ser ESTUPRADA, ASSALTADA, ESTRANGULADA ou ESQUARTEJADA aqui dentro desse maldito ônibus de quinta categoria!!
Isso não é pra qualquer um, não mesmo. Posso ser tecnicamente burra, mas tudo o que estou passando vai compensar isso no futuro, sei que vai. Estou pensando até em mandar essa história para aquele programa "Sobrevivi", isso é, se eu realmente sobreviver. Aposto que vai ser um sucesso, e eu ainda vou poder encaixar isso no meu currículo como experiência de vida.
Ou talvez não.
Mas sabe como é, em uma situações de pânico sem chances de solução o melhor a fazer é tentar encontrar um lado positivo. E é exatamente isso que estou fazendo nesse momento. Mesmo que não exista um lado positivo, sempre podemos inventar, usar a criatividade... Tudo para não cair no desespero, ou no meu caso, no sono.
Pena que, para mim, essa tática não funciona mais tão bem...
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