Notas iniciais
Oieee... Não, eu não sumi! Problemas técnicos me obrigaram a postar o capítulo hoje. Então, não se preocupem caso aconteça de novo, pois garanto que não pretendo abandonar a Fic. Bom, o capítulo de hoje é um prelúdio para o que estar por vir e é essencial, por isso ficou grandinho! Fiquem atentos às entrelinhas... ;) Boa leitura!

Flash back ON [...]

João olhou mais uma vez o relógio, impaciente: Raissa estava mais de uma hora atrasada. Ele respirou fundo tentando não pensar na possibilidade que a ausência de Raissa representava. Talvez a tivesse pressionado mais do que deveria, mas a verdade era que estava farto da interferência de Raul em seu namoro. Segundo o homem, João não era suficientemente bom para a filha e por isso não poupava esforços para separá-los. No entanto, por mais que tentasse dissuadir Raissa mais determinada a filha se mostrava em ficar com ele. Então, num impulso, havia proposto aquela fuga. Ele estava sendo irresponsável e intransigente com a namorada, mas não poderia mais arriscar que Raul em algum momento conseguisse afastá-los.

Mais uma hora se passou e nenhum sinal de Raissa. Era óbvio que ela tinha desistido e sequer tentou contatá-lo. Era difícil aceitar, ela simplesmente não o abondaria sem mais nem menos... Raissa o teria buscado nem que fosse para dizer que não fugiria mais com ele. Num pedido silencioso, fitou o céu encoberto por nuvens carregadas. Uma fina garoa caía sobre sua cabeça intensificando a sensação de derrota.

“Por favor, venha!”

No momento em que ele estava prestes a ir embora, um táxi parou próximo ao seu carro. Um peso saiu do coração antes mesmo que ele pudesse vê-la, mas quem saiu do veículo não era Raissa e sim Marcelo.

— Vai a algum lugar?

— Onde ela está? – Perguntou ríspido segurando Marcelo pela gola da camisa e descontando sua frustração no amigo. – Por que você está qui?

— Ei, eu também não sei! – Marcelo o empurrou e passou uma mão pelos cabelos, um sorriso torto em sua face. O amigo parecia desesperado. – Alguma coisa deu errado.

— Seu pai?

Um arrepio subiu pela espinha de João ao pensar no que Raul poderia fazer se tivesse descoberto sobre o plano dos dois. Ele precisava encontrar Raissa onde quer que ela estivesse. Não se importava com o que pudesse acontecer, certamente teria que prestar contas por tentar fugir com uma menor de idade e acabaria muito mal. No entanto, pensar em Raissa sofrendo algum tipo de represália do pai fazia-o perder a cabeça.

— Provavelmente... – O loiro deu de ombros, embora também estivesse preocupado. – Ela me telefonou e me falou sobre o que pretendiam fazer. Não nos falamos muito tempo, mas ela me fez prometer entregar o recado.

— O que ela disse?

— “Confie em mim... não importa o que aconteça”.

Flash back OFF [...]

João abandonou as chaves sobre a mesinha que ficava na entrada do apartamento. As palavras de Raissa ecoaram em sua mente reavivando as lembranças e desestabilizando-o para a verdade cruel. Eles tinham uma filha. Uma filha sobre quem ele não sabia nada e por quem não nutria nenhum sentimento. Ainda um pouco desorientado, o professor se jogou no sofá surpreso por ter conseguido sair da sala da ex-namorada e caminhar até ali. Ele deveria sentir alguma coisa, certo? Muitas vezes ouviu dizer que o sangue “chama”, mas não havia voz nenhuma naquele momento, somente o ressentimento correndo denso por suas veias. João sentiu a raiva substituir a confusão, o seu orgulho ferido trabalhando incessantemente contra as lágrimas de dor. Se um dia ele amou Raissa, agora ele a odiava tão profundamente que somente a ideia de vê-la fazia seu estômago se contorcer em repulsa. Ela o abandonou no passado após jogar com seus sentimentos. Raissa o havia feito uma pessoa triste e vazia, e não o bastante, fez questão de se livrar da única coisa que os unia: a filha deles.

— Sofia. – Murmurou o nome em meio a uma sombra de desespero que se abatia sobre ele. – Minha filha.

Há dezesseis anos um acidente de carro havia mudado sua vida para sempre. Ele perdeu o melhor amigo e a garota que amava, mas se obrigou a seguir em frente ao lado do único apoio que teve na vida. Depois da morte de Carmem, João permaneceu sozinho... nenhum parente vivo ou amigo mais íntimo. Sua vida tinha entrado no automático e ele a levou da maneira mais impessoal possível tentando não sucumbir aos fantasmas do passado.

Ele era um assassino. Raul o acusou de ser responsável pela morte do filho e o fez pagar da pior forma possível, pensou com ódio espalhando-se e envenenado seu julgamento. Raissa colaborou com o pai permitindo que ele o privasse da companhia da filha. E João nunca saberia sobre ela, esse foi o plano desde o início ele supôs. Desde a morte da esposa, não existiu mais ninguém que representasse um laço real... e agora, depois de tantos anos, ele tinha alguém. E de maneira alguma iria abrir mão dela.

— X —

— Eu não sei o que fazer... – Anita não foi capaz de segurar as lágrimas diante da verdade inevitável. – Ele ama a Sofia... ele confessou!

— Amiga, você está apenas se torturando. Não vale a pena!

— Eu só quero entender... como eu pude me enganar tanto, Júlia?

Giovana ouviu as palavras ressentidas de Anita tomando o devido cuidado para não ser vista pelas duas garotas. A ruiva permaneceu no corredor próxima a entrada do quarto que dividia com a outra, mais uma vez escutando conversas alheias através da porta. Pelo que podia entender, Benjamim e Anita tinham posto um fim ao namoro. Ao presenciar tamanho sofrimento, Giovana admitiu com um suspiro que era tarde para tentar remediar a situação. Com aquela confissão, Ben definitivamente acabou com qualquer chance de salvar sua relação.

Com raiva, a garota seguiu pelo corredor não suportando mais ficar quieta. Convencer Anita a relevar o que foi dito não adiantaria muito, mas ela tinha que fazer algo e enfrentar o irmão, embora também não fosse resolver, pelo menos, a livraria um pouco da fúria que sentia.

Giovana chegou ao quarto-garagem em tempo recorde. Não se surpreendeu ao encontrar Ben jogado sobre a cama, um braço escondendo o seu rosto.

— É aqui que você está se escondendo? – O tom ríspido da voz da ruiva fez Benjamim sentar-se na cama com um pulo. – Covarde!

— Qual o problema, Giovana? – Quis saber assustado com a explosão repentina. – Por que esse ataque?

— Qual problema? Quer realmente saber? – Ela avançou até onde ele estava postando-se diante do irmão, a visão vermelha de ódio. – Você e sua estupidez! A Anita tá nesse exato momento chorando no quarto porque você foi burro o suficiente para cair na armadilha da Sofia!

— Anita? – O rapaz desviou o olhar, culpado. – Você não entende... eu não queria que ela sofresse.

Benjamim sentiu a garganta apertar diante da imagem mental de Anita magoada. Há menos de uma hora, ele e a namorada haviam tido uma conversa difícil, mas necessária onde finalmente ele admitiu seus sentimentos por Sofia. Anita chorou e o acusou de ser mentiroso e covarde – como Giovana havia dito – por ter levado seu namoro além do limite do aceitável quando amava em segredo a irmã dela. Sem defesa, Ben apenas permaneceu de cabeça baixa e aceitou com resignação a culpa que a ex-namorada lhe imputava sabendo ser merecedor de toda mágoa e dor que ela direcionava. Realmente, a maior responsabilidade era sua, no entanto não sentia-se menos aliviado por ter finalmente externado seus sentimentos.

— Sim, a Anita... a namorada a quem você acabou de magoar! Nossa amiga, a garota mais legal que você nunca mais vai ter a chance de encontrar igual!

— Gio... por favor, é complicado.

— Complicado? Ben, você não vê o que está fazendo à Anita? À nossa família?

— Você acha que é fácil? – Nervoso, o rapaz saiu da cama e passou a andar de um lado para o outro. Aquelas mesmas indagações foram feitas exaustivamente a si mesmo e a única resposta que obtinha ao final era a sua necessidade doentia por Sofia. Ele estava doente por ela. – Eu tentei, juro que tentei até o limite... – Lágrimas de desgosto escorreram pelo rosto do rapaz. – Por mais que eu admire e goste da Anita, eu não posso continuar mentindo para mim!

— E qual a verdade? Que você ama a falsa da Sofia?! – Giovana explodiu dando vasão as lágrimas e decepção. – É A SOFIA!

O maior sonho da garota sempre foi ter o irmão mais velho perto e convivendo com a sua família. E quando finalmente ele voltou do Estados Unidos, ela imaginou que nada poderia estragar sua felicidade. No entanto, a obsessão de Benjamim por Sofia acabara por criar um conflito na família e ela sabia que com o término da relação entre ele e Anita, Ronaldo e Vera ficariam imensamente decepcionados.

— Tá ferrando com tudo por causa de alguém que... – Giovana deixou os ombros caírem, derrotada, uma sombra de ódio sobre ela. Ben ergueu o braço para alcançar a ruiva, mas ela se afastou. – Não vou te perdoar! NÃO VOU!

— X —

Sofia se remexeu, impaciente, na cadeira que ocupava. Otávio estava atrasado e não respondia às suas mensagens, o que a fez imaginar mil coisas ruins sobre o que poderia estar acontecendo. Desconfortável, olhou em volta indiferente a decoração do seu restaurante preferido brincando com o canudo da bebida que tinha pedido. Foi com um suspiro de alívio que viu o amigo entrar no restaurante e ir direto onde estava.

— Desculpe-me o atraso. – Otávio abraçou a loira demorando-se um pouco. Era reconfortante ver um rosto amigo depois das últimas 24 horas infernais que tinha vivido. – Obrigado por estar aqui!

— Tá tudo bem? – Sofia notou os sinais de cansaço no rosto do rapaz apesar do sorriso familiar. – Você tá com uma cara péssima!

— Eu posso imaginar! – Ele riu sentindo-se menos tenso desde que deixou São Paulo. – As últimas horas foram... difíceis.

Sofia acompanhou-o até uma mesa. Os dois não demoraram a fazerem os pedidos embora ela não tivesse fome. Após serem servidos pelo garçom, a loira resolveu abordar o assunto ainda incerta até se estava preparada para más notícias.

— Por que foi para São Paulo?

— Negócios... – Apesar da fome, o rapaz deixou a refeição de lado sentindo o estômago embrulhado. – Resumindo, tive uma reunião com os advogados do meu pai sobre a negociação de algumas fotos e vídeos.

— Fotos? Pensei que seu pai trabalhasse com hotelaria.

— E trabalha... no caso, o assunto era pessoal. – Otávio desviou os olhos da garota observando um ponto qualquer da vista do restaurante. – Jordan, meu atual namorado, acreditou que conseguiria algum dinheiro se revelasse ao meu pai a “natureza” da nossa relação. Aparentemente, eu não proporcionava o suficiente.

— Otávio... – Sofia calou-se em meio a revelação. Segurou o mão de do rapaz sobre mesa apertando-a em conforto. – Sinto muito.

— Não sinta, Docinho... ele não conseguiu o que queria.

— Seu pai?

— Soube lidar muito bem com a situação. – A nota amarga na voz do rapaz foi o suficiente para Sofia saber que a situação foi bem mais séria antes mesmo dele concluir. – Ele e os advogados “persuadiram” Jordan do seu intento. Em contrapartida, meu pai me afastou da diretoria da empresa.

— Você era diretor? – A surpresa da loira arrancou um sorriso dos lábios de Otávio. – Eu não sabia.

Sweetie, eu não sou um playboy como pode parecer. Trabalho desde os 17 anos com meu pai e conheço os negócios tão bem quanto ele. No entanto, minha sexualidade parece pesar mais do que minhas qualificações... enfim, está sendo feito uma contenção de danos quanto a minha “condição não-hetera” e posição na empresa da família.

Após o desabafo, os dois voltaram a comer em silêncio. Sofia podia sentir a tensão do amigo e a mágoa que sentia por ser tratado daquela forma. Ainda por cima, havia a questão da traição que ele sofreu por parte do namorado.

— Você o amava? – A pergunta escapou sem querer, mas a loira o fitou diretamente à espera de uma resposta. – Você ama Jordan?

— Amor? – Otávio deixou escapar um riso seco. – Pode parecer despeito agora, mas não. Eu gostava dele, da companhia... éramos bons juntos, mas não o amo. Sinto-me idiota por não perceber que ele é um aproveitador barato, insultado por ter que ouvir estranhos debaterem sobre minha vida pessoal e irritado por meu pai desconsiderar meu papel nos negócios da família. Felizmente, amor não entra na equação.

A garota tomou um gole de água ponderando que o amigo parecia mais magoado do que queria admitir, mas sua postura altiva a impedia de abordar esse assunto. Talvez ele precisasse de um tempo para assimilar a traição e os problemas que esta lhe causaram.

— Mas se tem uma coisa que aprendi muito cedo, Sweetie, é que algumas vezes é mais vantajoso recuar ante uma derrota.

— O que quer dizer com isso?

— Que não importa o quanto meu pai sinta-se envergonhado por eu ser gay, eu ainda sou filho dele e sei muito bem quando atacar.

— X —

— O que está fazendo?

Flaviana soltou um gritinho quando viu Sidney entrar no banheiro e trancar a porta em seguida. Revoltada pela invasão, puxou a toalha para cobrir-se a medida que, com poucos passos, o loiro se aproximava dela. Ele a abraçou pela cintura e pôs uma mão sobre a boca da garota impedindo-a de soltar qualquer xingamento.

— Shhh... fica quieta!

Sem entender, Flaviana fitou o loiro cuja concentração estava na entrada do banheiro.

— Sidney? Você está ai? – Os dois ouviram passos no corredor e depois batidas na porta. – Responde moleque!

— Tô... vou tomar banho. – Falou o loiro soando entediado. – Qual o problema?

— Seu pai... – Apesar da madeira separando-os de Maura foram capaz de identificar a irritação da mulher ao falar do ex-marido. – Ele quer falar com você.

— Estou ocupado.

Flaviana sentiu-o estremecer a menção do pai e depois do que havia escutado sobre a relação dos dois – ou a não-relação – sentiu-se mal por ele. Já sem a mão dele em sua boca, a garota abraçou Sidney ainda mais forte escondendo o rosto no peito masculino. Por descuido, a toalha escapou e caiu no chão aos seus pés, mas ela não se importou.

— Não sou garota de recados! Diga a ele que não quer ouvi-lo e pronto.

— Eu disse da primeira vez, não tenho culpa se ele é burro para não entender!

— Ok, faça como quiser, mas estou farta disso!

— Você não é a única!

Irritada, Maura seguiu por onde veio até que sua presença não pudesse ser mais ouvida. Flaviana suspirou ao pensar que poderia ter sido flagrada pela mãe de Sidney e que isso seria mais constrangedor do que estar nua e abraçada à ele.

— Há quanto tempo ele te liga? – A pergunta inocente escapou do lábios de Flaviana por impulso obrigando-o a fita-la. Os olhos azuis pareceram inexpressivos por um momento fazendo-a se arrepender de sua indiscrição. – Desculpe... não é da minha conta.

— Três meses.

A resposta baixa surpreendeu a garota dividida entre aliviada e confusa. Lembrou-se da conversa que tiveram no quarto e das palavras do rapaz: “Eu sou tão ou mais complicado que você...”. Sidney estava certo, eles eram complicados e tinham questões familiares a serem resolvidas. Entretanto, nem isso parecia suficiente para demovê-la da ideia que se formou em sua cabeça desde que ele havia feito a proposta de terem algo a mais. O que seria? Bom, ela não se importava com rótulos no momento, concentrada apenas na necessidade de beijá-lo. Mais espontânea de que em qualquer outro momento, enlaçou-o pelo pescoço com os braços pressionando o corpo contra o dele. Sidney a encarou surpreso e, então, ela uniu os lábios ao dele num beijo possessivo.

— Eu quero ficar com você. – Flaviana segurou o rosto do rapaz entre as mãos a fim de apagar qualquer tristeza que ele pudesse sentir. – Não importa o quão complicado seja.

— X —

— Essas são as imagens de ontem. Segundo a descrição que o senhor nos passou, esse é o momento em que os dois jovens deixaram o edifício.

Otávio fez um meneio de cabeça para o sindico, ocupado em alisar as imagens das câmeras de segurança do condomínio onde Flaviana morava. Precisava encontrar a prima e garantir que ela estava bem antes que a pessoa que esperava chegasse ao Rio, o que era questão de poucas horas. Foi com surpresa que reconheceu o rapaz que a escoltava para fora do prédio. Um sorriso zombeteiro formou-se em seu rosto ao recordar de tê-lo visto beijando Flaviana na festa embora não recordasse bem o nome do loiro.

— É o suficiente. Obrigado.

Resoluto, deixou a sala de monitoramento e seguiu para o elevador. Em pouco tempo, chegou ao apartamento de Sofia onde ela o esperava sentada no sofá.

— Então? – Perguntou apreensiva, preocupada com Flaviana. – Quem estava com ela?

Porém, antes que ele pudesse responder o seu celular tocou. Olhando a identificação na tela, atendeu imediatamente.

— Você a encontrou? – Questionou diretamente a voz do outro lado. – Ela está bem?

— Suponho que sim.

— Ótimo! Por favor, mantenha-me informada sobre a situação. Eu não vou demorar.

— Ok! Até mais tarde.

— X —

— Obrigada por vir!

Raissa abraçou Vera sentindo-se culpada pelo problema que havia causado. Infelizmente, não pensou que o ódio de João por ela fosse tão grande tampouco que ele se recusaria a ouvir suas explicações sobre porquê havia entregue Sofia em adoção.

— Você estava nervosa quando me ligou. Aconteceu alguma coisa? – Perguntou a mulher mais velha sentando-se no sofá diante de Raissa. – Não me diga que... – Ela se interrompeu imaginando o pior.

— Não, eu não falei com a Sofia. – Acalmou-a Raissa. – Te liguei para conversarmos sobre o pai dela.

— Falou com o João?

— Sim... ele ficou muito abalado. – Confessou recordando-se da imagem do homem de joelhos diante dela. Então, quando tentou se aproximar, ele se afastou e foi embora sem dizer nada. – Ele recusou-se a me ouvir e eu temo que ele possa procurá-la.

— Bom, não poderemos evitar esse encontro. Talvez seja melhor que a Sofia saiba de uma vez sobre vocês.

— Ela ainda não está pronta para ouvir a verdade.

— Como assim? – Quis saber a mãe adotiva da loira. – Ela falou algo?

— A Sofia me procurou hoje.

Flash back On [...]

— É, eu sei. É que aconteceram algumas coisas na minha vida... algumas boas e outras ruins. E é sobre essas últimas que eu queria conversar com você.

— Eu fico feliz que você tenha me procurado. – Falou Raissa emocionada. – E sobre o que você quer conversar?

— Meus... pais biológicos.

A orientadora respirou fundo buscando não demonstrar o quanto estava tocada por, pela primeira vez, Sofia espontaneamente querer conversar sobre os pais. Esperou até que a garota se sentasse notando a tensão no rosto da jovem. Inconscientemente, num gesto já comum, ela massageou a fronte com os dedos.

— Ontem à noite... – Sofia evitou olhá-la e assim não deixar tão evidente o quanto os olhos estavam marejados. – Aconteceu algo que me fez pensar neles e questionar porque a adoção foi uma escolha.

— Foi uma experiência positiva?

— Não... – A loira sorriu e uma lágrima escorreu por sua bochecha. Apenas a presença de Serguei a impediu de cair em um momento de melancolia e era pensando nele que buscou ter aquela conversa. – Eu ainda não consigo assimilar a ideia de que existe alguém... pessoas que representam tanto e ao mesmo tempo nada. É tão confuso, eu nem ao menos tenho um nome.

— Ajudaria se houvesse um nome? – O coração de Raissa encheu-se de esperança à espera da resposta. – Você quer saber quem são seus pais?

Sofia a fitou, incerta sobre o que responder. Por muito tempo, recusou-se a pensar sobre o assunto e agora as dúvidas sobre a sua origem espalhavam-se por sua mente. Com coragem, aceitou que tinha alguma esperança de que nunca fosse obrigada àquele encontro e que de alguma forma poderia levar sua vida sem a sombra do passado.

— Eu não acredito que saber quem eles são possa me ajudar... eu, sinceramente só quero encontrar um meio pelo qual não me sinta tão afetada pelo passado. Eu tenho medo de que esse assunto acabe atrapalhando minha felicidade.

Flash back OFF [...]

— Ela foi sincera sobre o que sentia. – Apesar de triste, Raissa sentiu-se aliviada por Sofia tentar uma conciliação com o passado em busca da própria felicidade. – Ela é forte, mas ao mesmo tempo é muito frágil.

— Eu sei bem... – Concordou Vera com um sorriso sincero. Ela conhecia a filha como a palma da mão e entendia que apenas o amor poderia dar a garota a paz da qual precisava. – Nós passamos por momentos difíceis, mas ela ainda é generosa o bastante para colocar quem ama a frente dos problemas, embora não admita isso. No entanto, não consegue lidar com o próprio coração.

— Eu percebi. Na verdade, a cada novo encontro é como se a descobrisse mais uma vez. Ela me falou que está namorando... ela pareceu-me feliz.

— Sim... o Serguei é um bom rapaz. Eu acredito que ele possa abrandar o coração dela nesse sentido. – Vera levantou-se e Raissa fez o mesmo. – Não se preocupe, eu falarei com o João e o farei entender o quanto esse assunto é delicado.

— Mais uma vez, obrigada! Eu realmente não saberia o que fazer sem o seu apoio... a Sofia não poderia ter tido mãe melhor.

As duas mulheres se abraçaram uma última vez antes que Vera fosse embora. O que não poderiam imaginar é que momentos difíceis estavam por vir.

Notas finais
Ok... capítulo sem nosso ship, mas nem só de romance sobrevivem as Fics! E eu amo histórias que se interligam! Como eu disse, o capítulo de hoje é uma preparação que estar por vir. O "refúgio" da Flaviana tá com os minutos contados e a Sofia vai ter que enfrentar a repercussão do fim do namoro Benita. Mais uma vez temos Giovana com muita raiva da loira e do irmão, e essa garota com raiva é um perigo! Meu Otávio voltou! E vai mostrar ~comaajudadeumanovapersonagem~ que ri melhor quem ri por último! Comentários, criticas e sugestões: comentem! Beijos e até o próximo domingo!