Era Uma Outra Vez...

70 Meias verdades


Notas iniciais
Oieee... Última semana de férias e tirei um tempinho para me dedicar inteiramente a Fic! Primeiro, esse capítulo era para ser dividido em dois, mas quando dei por mim já tinha escrito 4.000 palavras, então, resolvi postá-lo assim mesmo. Talvez seja um dos capítulos mais emocionantes que eu escrevi até agora e confesso que chorei em algumas partes. Quais? Bom, vocês vão ter que descobrir! :P Como o anterior, os ânimos continuam a flor da pele e temos alguns conflitos importantes acontecendo. Sei que alguns estão com saudade do nosso OTP e talvez por isso não tem se animado a comentarem, mas quero pedir paciência, pois nada nessa história é por acaso... E sim, sinto saudades de interagir com vocês! Sobre esse e os próximos capítulos eu digo apenas que: O início explica o fim! Boa leitura!

Flaviana sorriu ao fitar Sidney sobre a cama. Depois de uma noite e manhã agitadas, ele acabou caindo no sono o que a permitiu observá-lo abertamente. Os traços do rosto estavam suavizados e a respiração regular como se nada pudesse preocupá-lo. Seu sorriso se desfez ao pensar no que ela estava prestes a fazer. Mais uma vez, estava sendo covarde em tomar a decisão de ir embora sem dizer nada quando prometeu ficar com ele. No entanto, ao considerar a sua situação foi impossível ignorar as consequências que acarretaria se seus pais descobrirem que Sidney a ajudou todo aquele tempo. Eles não hesitariam – principalmente Rosana – em afastá-la dele.

Decidida sobre seus próximos passos, pegou o celular do loiro e digitou uma mensagem explicando o porquê da sua decisão. Internamente, desejou que ele fosse compreensivo, mas sabia que ele não seria. Porém, esconder-se não era mais uma opção e era chegada a hora de enfrentar as pessoas das quais ela tinha deliberadamente fugido. Com a confiança que julgou não ser capaz de sentir, deixou o quarto assim que sua motorista avisou que a aguardava do lado de fora, mas não sem antes olhar a figura adormecida uma última vez.

— É melhor assim. – Ela sussurrou após afastar-se.

Flaviana não sabia quanto tempo ficaria longe, mas esperava poder reencontrá-lo o quanto antes.

— A senhorita está bem?

— Sim. – Respondeu rapidamente assim que o carro seguiu em direção à Barra. Olhou pela janela incapaz de esconder a tristeza. — Como estão as coisas?

— Confusas... – Confidenciou a motorista. – Seus pais estão preocupados e irritados com o seu sumiço. O senhor Otávio voltou de São Paulo em busca de notícias suas e está intercedendo ao seu favor.

— Eu fiz uma grande confusão, não é?

— A senhora Rosana não está nada feliz com sua atitude. A polícia não foi acionada apenas para evitar... – A motorista se interrompeu embora a mensagem não deixasse dúvidas. Ela conhecia Flaviana há alguns anos e apesar do jeito superficial, gostava dela. Todos os empregados da família sabiam o quanto ela era solitária. – Desculpe-me.

— Não se desculpe, entendo que foi apenas para evitar um escândalo.

— Exatamente.

— Preciso resolver essa situação, mas não sei como.

— Seu primo irá ajudá-la. – Argumentou a mulher solidária.

— Onde ele está agora?

— Com sua amiga Sofia.

— X —

— O Sidney?

— Pelo o que eu vi nas imagens: sim! – Confirmou Otávio.

Sofia franziu o cenho confusa tentando entender como Flaviana e Sidney acabaram juntos uma vez que mal suportavam a presença um do outro. No entanto, maior do que sua confusão era o alívio por finalmente saber que amiga estava bem. Sem perder tempo, ela pegou o celular e mandou uma mensagem para Sidney. Esperou uma resposta e como esta não veio, fez uma ligação que também não foi atendida.

— Ele não atende.

— Não se preocupe, iremos até o Grajaú encontrá-la. Ele é seu vizinho, não é? – Perguntou Otávio enquanto pegava o próprio celular para ligar para seu motorista. – Eles estão juntos.

— Eu não sei... – Argumentou Sofia incerta sobre a possibilidade. – Eles brigam desde sempre e meu medo é que a Flaviana tenha ido para outro lugar.

— Sweetie, acredite em mim: eles estão juntos!

— Como pode ter tanta certeza? – Indagou a loira estranhando a segurança do amigo ao afirmar tal fato. O que a fez imaginar que algo tenha acontecido entre eles e ela até então não sabia. – Na festa, aconteceu alguma coisa?

— Bom... – Otávio foi interrompido pelo toque da campainha do apartamento. – Falamos sobre isso depois.

— Eu atendo! – Soraia surgiu na sala e foi atender a porta enquanto Sofia fuzilava o amigo com o olhar. – Oi, Fla!

Imediatamente, os dois se viraram surpresos em direção a entrada onde estava Flaviana. Otávio foi o primeiro a reagir indo ao encontro da prima e a abraçando com força. Embora magoada, a garota deixou-se ser envolvida pelo rapaz sentindo-se muito perto das lágrimas. Ela precisou de alguns segundos para se recuperar do momento emotivo antes de assumir o controle e desvencilhar-se do primo.

— Você sabe o susto que nos deu? – Repreendeu-a com carinho. Logo estranhou a seriedade no semblante da garota. – Você está bem?

— Eu estou... – Flaviana lançou um olhar de relance para Sofia, mas preferiu ignorá-la. Era difícil aceitar que ela tenha traído sua confiança ao omitir a relação com Serguei. – Podemos conversar? Sozinhos?

Otávio suspirou diante da pergunta e encarou Sofia. Ele não queria fazer o papel de mediador entre as duas e, em sua opinião, elas precisavam ter uma conversa sincera para assim se entenderem. Infelizmente, via-se dividido entre as amigas e previa que qualquer decisão tomada naquela ocasião poderia influenciar na relação de ambas. Deixando o habitual bom humor de lado, ele fitou Flaviana.

— Eu sei que está magoada, mas somos seus amigos. A Sofia não merece esse tratamento da sua parte.

— Por favor, Flaviana... – Sofia se aproximou da outra garota e tentou tocá-la, mas ela se afastou. – Eu sinto muito pelo que aconteceu. Fiquei tão preocupada quando soube que você saiu de casa... por que não me procurou?

— Por que eu deveria? – Indagou a morena com raiva fuzilando-a com o olhar. – Você mentiu para mim e me fez de idiota!

— Isso não é verdade!

— É a verdade que eu sei! – Exclamou Flaviana. Ainda estava com muita raiva da amiga para pensar racionalmente. – Você se calou! Não confiou em mim... agora, sou eu que não confio em você!

— Me deixa explicar! – Pediu a loira emocionada. Nunca tinha brigado com Flaviana e perceber a extensão da mágoa da amiga a fazia sentir-se ainda mais culpada. – Eu sei que errei em não falar que me apaixonei pelo Serguei, mas não sabia como você reagiria. Eu tive medo.

— Não vou ficar aqui para ouvir as explicações dela. – Flaviana voltou-se novamente para o primo. – Você foi cúmplice dessa mentira, mas eu te procurei porque preciso de ajuda. No entanto, se for defender o que ela fez, eu prefiro ir embora de novo!

Diante da intransigência da prima, Otávio não teve muita opção. Para livrar o amigo de ficar mal perante Flaviana, Sofia resolveu apaziguar a situação. Ela tinha ciência que era cedo para a amiga perdoá-la e que o importante agora era que ela estava bem.

— Tudo bem, Otávio... acho que não é o melhor momento para termos essa conversa. – Sofia fitou Flaviana e tentou um último apelo. – Eu sei que você tá chateada comigo, mas eu fico feliz que você esteja bem. Sinto muito pelo o que aconteceu com a sua mãe... e se você quiser desabafar, ajuda ou o que for eu sempre vou estar aqui se precisar.

Flaviana observou a loira se retirar em direção ao quarto sentindo-se muito mal pela forma como a tratou. Sabia que estava sendo muito dura, mas não podia simplesmente esquecer o que Sofia havia feito. A confiança que tinha na amizade das duas foi bastante abalada.

— Você está sendo injusta. – Alertou-a Otávio quando ficaram sozinhos.

— Eu sei. – Concordou a garota com um suspiro. – Eu também disse coisas que não deveria.

— Então? Por que não se desculpam?

— Eu ainda preciso de um tempo. – Pediu com lágrimas nos olhos azuis.

— X —

— Ele disse isso?

— Foi o que a Anita me contou. – Confirmou Júlia.

Serguei cerrou os punhos enquanto a raiva tomava conta do seu corpo. Naquele momento, sentia mais do que nunca vontade de agredir Ben e fazê-lo engolir todas as vezes que mentiu. Não apenas por Anita, por ele ter mentido e a usado de modo tão canalha, mas principalmente por Sofia ao deixá-la assumir a culpa pelos erros de ambos.

— Ela está inconsolável. – Júlia segurou a mão do amigo tentando acalmá-lo. Serguei estava visivelmente perturbado. – Sinto-me mal com essa situação... tenho medo do que possa acontecer daqui para frente.

— O que acha que pode acontecer?

— Bom, para o Ben ter finalmente admitido o interesse pela Sofia... – A garota se interrompeu temendo piorar o estado do ruivo. Serguei não era um cara violento, mas aquela história parecia aflorar o seu pior. – Esquece, não é nada.

— Você acha que ele vai procurá-la? – Indagou Serguei deduzindo o pensamento da amiga. – Ele não teria coragem!

— Desculpa, mas eu não tenho certeza. Eu pensei que o conhecia assim como a Anita acreditou no que ele sentia e olha só como estamos!

— Mesmo que essa seja a intenção dele, a Sofia é minha namorada. Não existe mais nada entre os dois.

Júlia meneou a cabeça em concordância. Já não desconfiava da relação do amigo e Sofia, no entanto, não estava segura que a história da loira e Benjamim tenha tido um fim definitivo. Porém, não iria externar suas dúvida para Serguei e assim dar início a mais uma briga com Ben.

— X —

João parou em frente à residência incerto do que deveria fazer a seguir. Um impulso o havia motivado a estar em frente ao casarão onde Sofia morava, mas agora não sabia como agirr. Recordava-se das palavras de Raissa sobre a filha não saber quem os dois eram, mas não aguentava mais ser atormentado com o que sabia sobre a sua relação de sangue com a garota. Ele precisava encontrá-la.

Vera o viu assim que desceu do táxi. Embora tenham se falado poucas vezes, geralmente, assuntos relacionados ao colégio lembrava-se da impressão que teve do professor. Ele era sério ao ponto de ser triste como se não conseguisse ver as cores que a vida trazia em si. Ao saber sobre a verdadeira história – confidenciada por Raissa – passou a entender um pouco a dor daquele homem. E agora podia imaginar o que ele estava sentindo ao descobrir tão repentinamente sobre a existência de uma filha. Ele devia estar perdido em meio àquela confusão.

— Oi, João. – Ela se aproximou com um sorriso acolhedor. Ele a fitou com um olhar vazio fazendo-a se compadecer por ele. – Eu sei que tem muitas perguntas e eu estou disposta elucidá-las. Por favor, vamos entrar.

João Luiz seguiu a mulher para o interior da casa. O coração batia forte enquanto um nó se formava em sua garganta. Observou em volta e foi impossível não sofrer o impacto do que aquele lugar e ela representavam para a filha: um lar e uma família. Haviam fotos sobre alguns móveis e como se olhar a buscasse visualizou imediatamente Sofia em um porta-retratos. Sem pedir permissão, pegou o objeto em mãos tremendo ao segurá-lo. A garota da imagem sorria e ele teve que fechar os olhos com força para lutar contra as lágrimas.

— A Sofia tinha sete anos quando tiramos essa foto. – O sorriso de Vera com a lembrança foi nostálgico. – Ela fez questão de ter uma foto só dela... Por favor, sente-se. – Ela indicou um dos sofás para o professor. – Eu vou servir um café para nós. – Então retirou-se em direção à cozinha.

— Eu não sabia. – Sussurrou o homem emocionado para a foto. Apertou-a contra o peito como se assim pudesse aliviar a dor e solidão que sentia. – Eu juro que não sabia.

— X —

— Precisamos conversar!

O olhar determinado de Sofia fez Sidney sorrir cinicamente, embora se sentisse... bom, ele ainda não sabia definir como se sentia. Não depois de acordar sozinho e ao procurar Flaviana por toda a casa dar-se conta de que ela havia ido embora. Ela fugiu dele sem ao menos dizer adeus ou deixar um recado, nada que explicasse a sua decisão de partir. Ele não esperava tal atitude da garota, ainda mais depois do que ela havia dito no banheiro, mas era obrigado a admitir sua frustração. Sidney acreditou nela e em suas palavras, mas provavelmente Flaviana se deu conta do que havia feito e resolveu ir embora, pensou o loiro contrariado. No fim, apesar de tudo, ele havia sido apenas um refúgio temporário para ela.

— Eu sei que a Flaviana estava escondida aqui! – Acusou a loira com raiva. Não imaginou o motivo para Sidney guardar aquele segredo. – Por que não me contou? Por que vocês estavam juntos?

— Você deveria perguntar isso a sua amiguinha, não a mim! – Falou o loiro de modo ríspido direcionando rua raiva e frustração contra Sofia. – Ela voltou para casa, não voltou? Correu o mais rápido que pôde para o conforto e segurança da familiazinha desestruturada dela!

— Sim, mas... – Sofia encarou o amigo confusa com a atitude agressiva dele. Sua intuição lhe dizia que algo tinha se passado entre Sidney e Flaviana. Algo além da implicância natural dos dois, mas ela não sabia o quê e suspeitava que ele não estava nem um pouco disposto a esclarecer. – Aconteceu alguma coisa entre vocês?

Sidney desviou o olhar de Sofia antes de dar de ombros. Ele queria gritar e dizer que sim que “alguma coisa aconteceu” entre ele e Flaviana, mas não queria que o seu ex-amor da infância soubesse que ele também havia sido chutado pela melhor amiga dela. O problema é que dessa vez, mais do que uma desilusão como ocorreu com Sofia, ele tinha lembranças bem reais para incomodá-lo. E apesar do orgulho ferido, ele queria buscar Flaviana para acusá-la de ser exatamente quem ele sempre soube que ela era: uma garota mimada e volúvel. No entanto, não faria nada disso e muito menos revelaria o que de fato aconteceu. Seria o “segredinho sujo” da patricinha.

— Aconteceu que eu não devia ter me metido nos problemas da patricinha. Desde que saímos daquele maldito apartamento que ela fez da minha vida um inferno! Estou aliviado por ela ter ido embora. – Mentiu jogando-se de maneira displicente sobre o sofá. – Se isso é tudo, você já pode ir.

— X —

— Então, foi assim que as coisas aconteceram.

Vera encerrou o relato sobre a adoção de Sofia, a vida da menina até então e como finalmente descobriu quem era a mãe biológica da filha. Encarou João Luiz à espera de uma reação, mas o professor se manteve impassível quase todo o tempo. No entanto, estranhamente continuou segurando o porta-retratos com a foto de Sofia. Conciliadora, segurou uma das mãos do homem sentindo-a fria. O sofrimento dele era visível e ela não conteve as próprias lágrimas ao ver as de João escorrerem silenciosas pelo rosto.

— Eu não tenho família. – Falou João Luiz em tom de confidência, a voz embargada pelo choro sentido. – Eu perdi meu pai ainda criança e minha mãe quando tinha vinte anos. Minha esposa morreu há quatro anos e nós nunca tivemos filhos... – Interrompeu-se por um instante fixando-se no sorriso da imagem. Seu olhar tornou-se duro assim como as palavras. – Se eu soubesse sobre ela, eu nunca teria permitido que fosse adotada. Ela teria ficado comigo.

— É natural que esteja com raiva.

— Raiva? – Exclamou João Luiz encarando a mulher pela primeira vez. – Destruíram a minha vida, me acusaram de ser um assassino e esconderam minha filha de mim. Raiva é pouco para o que estou sentindo! Eu juro que os odeio... a Raissa e o maldito pai dela!

— João, por favor, acalme-se. – Pediu Vera receosa das emoções do professor. Pela primeira vez reconheceu nele a mesma força destrutiva que via em Sofia. Eles podiam não ter semelhanças físicas, mas após uma hora ao lado do homem pôde identificar gestos e comportamentos iguais ao da garota. Ele definitivamente era pai dela. – Agir com as emoções a flor da pele só irá piorar a situação. Eu entendo, juro que entendo o que você está sentindo, mas como mãe da Sofia, preciso pensar primeiro nela.

— Ela tem o direito de saber quem eu sou! – Levantou-se nervoso deixando o porta-retrato de lado. Sentia o espaço se fechar ao seu redor e roubar o seu ar. – Eu sou o pai dela! Não vou permitir que a afastem de mim mais uma vez!

— Claro que ela tem direito e eu não nego isso! Você também tem, mas querer te conhecer deve que partir dela, caso contrário, apenas vai afastá-la com uma aproximação imposta. Escute-me João, eu conheço a Sofia há dezesseis anos e posso garantir que nada nem ninguém pode forçá-la a uma relação com a qual não concorde.

— E o que sugere?! Que eu finja que nada está acontecendo?

— Não, mas, por favor, tenha paciência. – Vera foi até o homem segurando-o pelo ombro tenso. Ficou se frente para João Luiz fazendo com que ele a olhasse nos olhos. – João, não precisa ter medo. Ela não vai a lugar algum... ninguém vai tirá-la de você, eu juro que não.

João Luiz deixou os ombros caírem ao reconhecer a razão contida nas palavras de Vera. Pelo pouco que conhecia Sofia – e isso se resumia a presença dela em sala de aula – a garota era muito independente e voluntariosa para se deixar dominar por quem quer que fosse. Com lágrimas caindo pelo rosto, ele pensou nos conflitos que teve com a garota por motivos que ele não lembrava e que já não importavam mais. Recriminou-se por não notar a semelhança física de Sofia com Marcelo, preferindo associar o incômodo que sentia quando a via com a atitude desrespeitosa que ela tinha. Talvez o reconhecimento sempre tenha estado em sua mente, mas preferiu recalcá-lo por causa do passado. Inconscientemente, protegeu-se contra a dor que o abandono de Raissa havia provocado e agora já não podia mais suportar.

— Ela é tudo o que me restou... – Com humildade, aceitou o abraço de Vera enquanto abrandava o choro. Ele tinha medo de Sofia rejeitá-lo. Medo do ódio que fincava raízes em seu coração pelas mentiras de Raissa. – Eu não posso perdê-la de novo... não posso perder minha filha.

Sem que os dois percebessem, o motivo daquele encontro passou pela porta. Sofia surpreendeu-se com a presença de João Luiz em sua casa, principalmente, por ele estar abraçado à Vera.

— Mãe? – Chamou a garota atraindo a atenção dos dois para si. – Tá tudo bem?

— X —

— Isso é ridículo! – Esbravejou Rosana diante das palavras de Otávio. – Quer que eu me desculpe com a irresponsável da sua prima?

— Por que não? Depois do que fez é o mínimo. – Falou o rapaz sem se alterar. – Não acha tio?

Flaviana suspirou temendo encarar os pais. Rosana estava visivelmente irritada e Flávio, seu pai, a fitava contrariado. Certamente estava furioso pela fuga da garota tê-lo desviado daquilo que era realmente importante: o trabalho. Nervosamente, ela apertou uma mão na outra desejando ter um pouco da confiança de Otávio ao enfrentar os tios ou mesmo que Sidney estivesse ao seu lado. Pensar em Sidney apenas a deixou mais insegura.

— Otávio, não acho que as atitudes de Rosana estejam em jogo. – O homem encarou Flaviana. – Não existem desculpas para o que você fez e tenho que concordar com a sua mãe que seu comportamento está muito aquém do esperado.

Era óbvio que Rosana tinha se encarregado de jogar o pai contra ela, pensou Flaviana nem um pouco surpresa. Flávio, apesar de ser um pai relapso, vangloriava-se de ser justo em suas decisões e tendo Flaviana dado todos os motivos para sustentar as alegações da mãe quanto a má conduta, dificilmente ela escaparia do castigo que ela pretendia. Muito perto das lágrimas, buscou o primo com o olhar em auxílio.

— A decisão está tomada: ela vai para o internato na Suíça o quanto antes. – Decretou Rosana ainda muito irritada com a cena do dia anterior. Ela sentia-se insultada com o comportamento da filha e, principalmente, com o desrespeito do acompanhante dela. – Depois do que aconteceu, eu me recuso a aceitar que você se envolva com o tipo de marginal que trouxe para a minha casa!

— O Sidney não é marginal! – Exclamou Flaviana pronunciando-se pela primeira vez. – Ele apenas me defendeu de você!

— Quem é esse rapaz, Flaviana? Que tipo de relação tem com ele? – Questionou o pai ainda mais nervoso. – Você o conhece, Otávio?

— Não... – Flaviana segurou a mão do primo para impedi-lo de falar. Como previu, Flávio exigiria saber quem era Sidney e se soubesse o que tinha acontecido entre os dois... não queria nem pensar. – Não me recordo do nome tio. Haviam muitas pessoas na festa e eu não fui apresentado ao rapaz.

Flaviana teria abraçado o primo em agradecimento se ainda não se sentisse tão amedrontada. Sua mãe a fuzilava com um olhar que dizia muito bem não acreditar na mentira dos dois. No entanto, tendo o marido ao seu favor não se preocupava com a identidade do “marginal” que a ameaçou.

— Seja quem for, não posso aceitar que entre na minha casa e desrespeite a minha esposa. Não me resta alternativa: a Flaviana vai para a Suíça. – Falou dirigindo-se à garota. – Faça as malas, você viaja ainda hoje.

— X —

— Tá tudo bem?

Sofia fitou a mãe notando a expressão emocionada dela ao se desvencilhar de João. Quando seu olhar caiu sobre o homem percebeu que ele a observava intensamente, o que gerou um incômodo em seu peito. O vestígio de lágrimas no rosto bem como os olhos vermelhos eram indícios mais do que suficientes para ela compreender que ele tinha chorado. E a questão que se infiltrava em sua cabeça era saber o porquê disso. Por que o seu professor de inglês estava em sua casa, com sua a mãe, numa situação claramente emocional?

— Pensei que você estava na Barra. – Distraiu-a Vera temerosa do que pudesse acontecer. Ela olhou para João disfarçadamente torcendo para ele não falar nada. – Vai dormir aqui?

— Não, eu só vim resolver um assunto e pegar algo que esqueci no quarto. – Falou Sofia para a mãe sentindo o olhar de João sobre si. – O que eu não esperava era encontrar os dois juntos. O que você faz na minha casa? – Perguntou diretamente ao homem.

João sustentou o olhar de Sofia por alguns instantes. As palavras pareciam presas em sua garganta, seu corpo alheio a qualquer comando, restando-lhe apenas a opção de olhá-la em silêncio. A sua reação à presença da garota era perturbadora e, embora ele quisesse dizer – gritar – a razão de estar ali, simplesmente não era capaz de fazê-lo. Ele foi àquela casa encontrá-la e lá estava ela na sua frente. Sofia era a prova viva de um passado que o atormentava e do qual fugiu desde então. Ela era a representação do amor da adolescência que tanto o fez mal. E acima de tudo, ela era sua filha.

— Alguém pode explicar o que está acontecendo? – Pediu a garota apreensiva com o silêncio de João. Buscou Vera com o olhar, mas ela tampouco era capaz de falar nada. – Você está bem? – Perguntou ao professor estranhando o comportamento dele.

Novamente movido por um impulso, João Luiz andou até a garota que o olhou assustada quando ele ficou muito próximo. Eles se olharam por um instante interminável antes que ele a abraçasse junto ao peito. Sofia não expressou reação diante do gesto do homem apenas deixando-se envolver por ele. E tão rápido como aconteceu, acabou. João se afastou um pouco desnorteado pelo o que havia feito notando o olhar assustado dela.

— Me desculpe... – Pediu ao se afastar.

Sofia o viu ir em direção a porta e sair deixando-a para trás com uma grande confusão em sua cabeça. Pensou na própria reação ao abraço e se emocionou com o estranho reconhecimento que sentiu naqueles poucos segundos.

— Vem, senta. – Vera a guiou até o sofá e a fez se sentar. – Está tudo bem. O João se emocionou com algo que nós conversamos, por isso eu o abracei.

— Sobre o que vocês conversaram? – Quis saber Sofia com um mau pressentimento.

— Conversamos sobre a filha dele.

— Filha?

— Sim... – Vera respirou fundo. Não poderia contar a verdade ainda, mas queria prepará-la para o que estava por vir. – O João descobriu que tem uma filha com a ex-namorada e que por causa de algumas questões sobre as quais não posso me aprofundar agora, a menina cresceu longe dele.

— Isso é errado... cruel! – Falou Sofia começando a entender a razão de toda a dor que viu nos olhos de João. – Mas por que ele me abraçou? O que você tem a ver com essa história?

— A ex-namorada de João é uma amiga minha... ela me pediu para conversar com ele. – Despistou Vera, embora o que disse fosse uma meia verdade. – Você tem a idade da filha dele... provavelmente ele se emocionou ao reconhecê-la em você.

— Ele vai ficar bem?

Sofia olhou em direção a porta preocupada com João Luiz.

— Sim, meu amor, todos vão ficar bem.

Notas finais
#ChorandoAtéNãoPoderMais Sim! Estou devastada, mas tão feliz por alguns encontros... Finalmente SoViana juntas! Ok que brigadas, mas enfim, nada é perfeito :P Otávio anjo da guarda: EU AMO ESSE HOMEM! Serguei no limite da paciência: AMO, mas medinho do que pode acontecer quando ele encontrar o Ben. Pais da Fla: sim, o nome dela é o shipname do casal! Por quê? POR QUE QUIS! Sidney com orgulho ferido e completamente apaixonado: MELHOR SIDNEY! AH... João e Vera! AH... JOÃO E SOFIA: EU TÔ MUITO TRISTE! EU QUERO GUARDAR ESSES DOIS NUM POTINHO E PROTEGÊ-LOS DE TODO O MAL. MEU CORAÇÃO ESTÁ QUEBRADO E SE VOCÊ NÃO CHOROU COM OS DOIS VOCÊ NÃO É HUMANO! #BrincadeiraMasVerdadeAbsoluta. Para os saudosos de SerFia: próximo capítulo teremos cena dos dois! COMENTEM! ESTOU COM SAUDADE! BEIJOS!