Notas iniciais
OI! Bom, diferente do título do capítulo eu não estou me despedindo... pelo contrário. Após um período muito longo, voltarei a atualizar a fic. Eu li alguns comentários que me deixaram realmente tocada e queria agradecer a todos que me acompanharam até aqui. Desejo que possamos continuar! Ps: Sem mais sumiços! :D Vamos ao cap!

Sofia respirou fundo. Ela sentia-se mais afetada do que gostaria pela história que a mãe havia contado, o que era muito estranho. Ela não conhecia João Luiz, ele era apenas um professor por quem tinha certa antipatia. Mas ao vê-lo tão arrasado, pela primeira vez, o enxergou como um ser humano com sentimentos. Enfureceu-a saber o quanto as pessoas podem ser egoístas ao ponto de afastar um pai da própria filha. Entretanto, como também não sabia sobre o comportamento de João, ela preferiu não fazer um julgamento sobre assunto. De toda forma, esperava que ele e a filha se entendessem. Do contrário, o mau humor do professor – algo bastante comum – não perdoaria nenhum aluno, pensou com um sorriso contrariado.

Deixou o assunto de lado e subiu as escadas indo diretamente para o quarto. Procurou pela corrente com a foto do desconhecido que a mãe havia dado: a razão de estar ali. Negava-se a usá-la, mas há alguns dias a mantinha dentro da bolsa aonde quer que fosse. Ao pegá-la na mão não resistiu a olhar mais uma vez para o rapaz na foto. A sua semelhança com ele ainda a assombrava.

— Às vezes, me pergunto se não seria melhor saber quem é você. – Falou para o objeto antes de colocá-lo dentro da bolsa. – Me livrar dessa angústia definitivamente.

Saiu do quarto quando por coincidência esbarrou em Anita no corredor. Imediatamente, a loira notou os olhos vermelhos e a expressão abatida da irmã. E por mais que não quisesse se envolver, sabia que apenas uma pessoa era capaz de deixá-la daquela forma: Benjamim. Sofia tinha problemas com Anita, mas não gostava de vê-la tão mal, principalmente, por alguém que – como ela bem descobriu – não valia a pena. Elas se fitaram por alguns instantes antes de Anita quebrar o silêncio.

— Você deve estar feliz... – Falou Anita em meio a amargura que sentia. Não conseguia não pensar que Sofia era uma das responsáveis por sua dor. O simples fato de olhá-la fazia as lágrimas voltarem aos seus olhos. – Parabéns, você estava certa o tempo todo.

— Certa sobre o quê?

— Ah... por favor! Não finja!

— Olha Anita, não estou para joguinhos! Não sei do que você está falando. – Incomodada com o olhar hostil da outra sobre si, Sofia resolveu se afastar. Podia sentir a raiva da irmã na própria pele. Era como se fossem inimigas. – Ser for sobre ontem... – Começou, mas foi interrompida por Anita.

— Não foi apenas ontem, mas o tempo todo! – Exclamou a garota já não suportando segurar o choro. – Todas as mentiras ditas e as suspeitas. Eu quis tanto não acreditar que acabei fechando os olhos para a verdade. E eu realmente deveria ter sido mais esperta como você... me poupando desse sofrimento.

Anita não precisou falar para Sofia entender o que tinha acontecido. E diante da realidade, nem ela seria tão cínica para dissimular que não sabia do que se tratava. As duas se encararam por um minuto de tensão. Sofia não sabia o que dizer. Muitas vezes tentou separar a irmã de Ben e agora que finalmente aconteceu, não tinha a reação que esperava. Não se sentia vitoriosa por ter razão ou satisfeita. Na verdade, sentia-se muito mal por ela.

— O caminho agora está livre para você... se bem que meu namoro nunca foi um problema, não é? – Desafiou-a Anita com mágoa. Ela estava cansada e tão profundamente magoada que apenas queria cuspir o veneno que a corroía por dentro. – Você venceu!

— É isso que você acha? – Questionou a loira com mais compaixão do que raiva. – Há muito tempo que o Ben não representa mais nada para mim.

— Como não? Estava tão empenhada em tê-lo. O que mudou?

— Meus sentimentos mudaram. – Falou Sofia simplesmente. Naquele estado, Anita não a entenderia, mas Sofia precisava dizer a verdade. – Não nego nada do que você disse, mas isso foi no passado. Eu segui em frente e hoje namoro o Serguei.

— Ah... o Serguei! O meu melhor amigo... – Anita enxugou o rosto com raiva. – Pretende ficar com os dois?

— Não vou ficar aqui ouvindo essa bobagem!

Sofia deu as costas à Anita pronta para ir embora, mas foi agarrada pelo braço. Mais uma vez encarou a irmã, no entanto, não conseguia dizer nada cruel que a fizesse se afastar e acabar com aquela cena.

— Ele disse que te ama... – A voz saiu num sussurro triste entrecortado pelas lágrimas. – E sabe o que é mais triste? É que ouvir isso não me faz amá-lo menos.

— Eu seria muito hipócrita se dissesse a você que sinto muito... – Sofia se desvencilhou do aperto da irmã. – Mas eu não sou tão cruel ao ponto de ficar feliz com a sua dor.

— Não?

— Não, Anita. Eu realmente lamento por muitos dos meus erros, pelo meu egoísmo.

Sofia fitou a irmã, entre culpada e aliviada. Nada seria fácil depois daquele momento, mas desejava que elas conseguissem superar.

— O Ben está no passado.

— Ele não vai desistir... – Anita desviou o olhar antes de dizer. – Ele quer você.

— Não me importa o que o Benjamim pretende fazer daqui para frente.

— Tem certeza?

— Anita, eu amo o Serguei. Eu não espero que você acredite em mim.

— Eu não acredito.

— Eu sei, mas nada do que você pense ou o Ben faça pode mudar o que eu sinto.

Com essas últimas palavras, Sofia foi embora deixando Anita imersa na própria dor.

– X –

— Eu não quero ir para lá... – Flaviana deu vasão as lágrimas embora fosse um gesto inútil. Nada convenceria o pai a voltar atrás em sua decisão. – Por favor, eu não quero.

— Não acha que é uma decisão precipitada, tio? – Tentou intervir Otávio. – A Flaviana está arrependida de ter saído de casa e reconhece isso. Não precisa chegar a esse extremo.

— Por favor Otávio, temos muito apreço por você, mas esse é um assunto particular da nossa família, por isso não interfira. – Argumentou Rosana satisfeita com o resultado da ação da filha. Não permitiria que Flaviana acabasse se envolvendo com alguém que não estava à altura dela e a envergonhasse. – É o melhor!

— Melhor para quem?

Todos na sala se voltaram para a pessoa recém chegada acompanhada pelo mordomo logo atrás. Otávio sorriu internamente aliviado que Margot tenha chegado na hora exata. Flaviana, por sua vez, surpreendeu-se com a presença sempre marcante da avó em sua casa. Ela lançou um olhar de relance para o primo não entendendo o porquê de a mulher estar ali.

— Então, do que se trata essa reunião familiar? – Questionou a mulher aproximando-se dos parentes. – Alfredo, querido pode me servir uma bebida? Às vezes me esqueço do clima tropical do nosso país.

— Olá, Margot. – Cumprimentou-a Otávio com um abraço e um beijo no rosto. – É bom que tenha vindo.

— Olhe só para você... – A mulher mais velha se afastou apreciando a aparência do neto. Disfarçadamente deu uma piscadinha para ele. – Sempre tão lindo!

— Quando chegou, Margot? – Questionou Rosana com um sorriso nervoso.

Ela realmente não esperava a visita da sogra e a julgar pela calma do sobrinho – e felicidade – era óbvio que o encontro fora planejado.

— Por que não nos sentamos?

— Oh... Flaviana, meu anjo! – Margot deliberadamente ignorou a nora e foi até a neta mais nova. – Por que está chorando? O que te fizeram, meu bem?

— Não é nada com o que deva se preocupar, mamãe. – Falou Flávio alheio ao nervosismo da esposa. – Infelizmente, Flaviana fez algo que não condiz com o comportamento que esperamos dela, mas já foi devidamente repreendida.

— É mesmo? E de que forma? – Indagou a mulher fingindo inocência. – O que você fez, meu bem?

— Ela fugiu de casa com um... um... marginal. – Exclamou Rosana irritada com a possível interferência da sogra. – Ela vai voltar para o internato!

— Isso é verdade Flaviana?

Flaviana acenou afirmativamente chorando ainda mais. Margot segurou as mãos da garota entre as suas tentando acalmá-la, nem um pouco disposta a ver a neta ser trancafiada num lugar considerado “adequado” como anos atrás. Felizmente, ela já estava a par de toda a situação e mais do que disposta a interferir.

— Nada de internato. – Decretou com a voz doce.

— Mas... – Rosana buscou o apoio de Flávio com o olhar. – Nós somos os pais dela e já decidimos.

— Mamãe, por favor, não torne as coisas mais difíceis. – Pediu Flávio. – Sabemos o que é melhor para ela.

— Nada nessa vida é tão ruim que não possa ser remediado, querido filho. – Dirigiu-se até o sofá onde sentou-se com Flaviana ao seu lado. – Você sabe que foi errado o que fez, não sabe? – Questionou a neta.

— Sim.

— Está arrependida?

— Estou.

— Pois então, problema resolvido!

Otávio quase riu das artimanhas da avó. Amava Margot e sua adorável capacidade de dissimular e dobrar qualquer situação segundo a sua vontade. Ele percebeu a hostilidade de Rosana e o desgosto do tio sabendo que eles não iriam contra a palavra da mulher mais velha. Era apenas uma questão de tempo até concordarem com o que Margot quisesse.

— Não é tão simples, mamãe... – Começou Flávio tentando fazer sua decisão ser cumprida. – A Flaviana precisa se responsabilizar pelas próprias ações.

— E o que trancafiá-la em um internato contribuíra para isso? – O tom da mulher tornou-se duro. Poucas coisas eram capazes de irritá-la e ver seus netos sofrerem com certeza era uma delas. – Já não basta a experiência de anos atrás?

Flávio e Rosana mantiveram-se calados diante da acusação. Eles recordavam do grande mal-estar que se instalou na família após Flaviana ficar doente em decorrência das horas que passou presa por acidente em um depósito no internato. Não apenas o episódio, mas como a saúde frágil da garota devido a sua recusa em se alimentar enquanto estava no colégio contribuíram para um quadro grave que a levou ficar internada algumas semanas no hospital. Margot acusou a ambos de negligência e determinou que a neta não voltaria para o internato.

— Não importa o que tenha acontecido, ela não vai para nenhum internato. – Decretou a mulher fazendo valer sua autoridade. – Se tanto os preocupa o comportamento da minha neta, eu a levarei comigo para Londres a fim de ficar algumas semanas. Garanto que ela estará em melhores mãos.

De cabeça baixa, Flaviana não se atreveu a encarar os pais. Sentia-se aliviada por não ser obrigada a voltar para o antigo colégio, ao mesmo tempo também não estava feliz com a decisão da avó de tirá-la do Brasil. No fim, não lhe restava alternativa no momento. Ela sabia que sua mãe embora nada feliz em ter a própria autoridade contestada, ela não iria contra Margot.

— Bom, me parece razoável. – Concordou Otávio. – Eu posso acompanhá-las, uma vez que estou de férias da empresa. Eu posso cuidar dela também.

— Então, estamos combinados. Vá arrumar suas coisas, meu bem. – Pediu Margot beijando Flaviana no rosto. – Agora podemos falar de negócios. – Falou para o filho dando por encerrado o assunto sobre a neta.

— X –

— Você parece culpada.

Sofia sobressaltou-se com a voz próxima ao seu ouvido. Absorta nos próprios pensamentos, ela não percebeu a aproximação de Antônio. No entanto, ela poderia jurar que a ação silenciosa fora algo proposital. Olhou-o de relance ainda abalada pela conversa com Anita a espera de que ele falasse o que queria. Porém, após a conversa do dia anterior intuía que o objetivo da abordagem era somente um: Ben.

— Já sabe da notícia? Meu irmãozinho tá solteiro. – Com um sorriso, Antônio inclinou-se sobre ela, os rostos a alguns centímetros. – Ele finalmente deu um pé na bunda da Anita.

— Por que você faz questão de ser tão odioso? – Indagou Sofia com a voz tensa. Não se sentia bem para ter que aturar os joguinhos do rapaz. – Parece feliz com o que tá acontecendo.

— Feliz? Não... apenas estou me divertindo. – Ele fitou os lábios de Sofia fixamente. – Me estranha você não comemorar que finalmente tem o caminho livre com o Ben.

— Você está louco se pensa que eu vou voltar com Benjamim.

— Estou? Bem, eu estou falando apenas o que eu sei... Não é segredo que você sempre tentou substituir a Anita na cama do meu irmão! Não era o que queria? É a oportunidade perfeita para se vingar dos dois, não acha?

A reação de Sofia foi imediata. Sua mão atingiu o rosto de Antônio com força fazendo-o se afastar dela. A garota assustou-se com a própria atitude e pôs uma mão na boca em resposta à espera do revide do rapaz. Ela estava pálida e tremia dos pés à cabeça – de raiva. Porém, diferente do que ela pensava, Antônio apenas a fitou com um sorriso sarcástico.

— Acho que isso é um não.

— Claro que é um não! Por que ninguém acredita que não era isso que eu queria? – Sofia fechou os olhos tentando conter as lágrimas magoada com a acusação infundada. – Como podem achar que eu ficaria feliz com o sofrimento da minha irmã?

Talvez Antônio estivesse certo e fosse sua culpa, pensou Sofia com um nó na garganta. Ela realmente lutou para conquistar Benjamim e até mesmo brigou com sua família por isso, mas ela não o queria mais. Em meio ao sofrimento, ela descobriu que o que existia entre eles estava muito longe de ser amor.

Tudo não passou de uma obsessão que a machucou e a fez machucar muitas pessoas, principalmente, Anita. Isso a envergonhava agora. Sofia responsabilizava-se pelos seus erros, mas não sabia se poderia enfrentar os julgamentos ao qual seria submetida a partir daquele momento. Por isso estava tão mal pela conversa com a irmã, porque quando todos soubessem do término do namoro de Anita e Ben ela seria apontada como pivô.

— Isso é só o começo... – Antônio cruzou os braços frente ao corpo a expressão em seu rosto era séria. Sofia o encarou incerta embora concordasse com ele. – Eu sei muito bem o que é ser julgado sem o direito a defesa, mas eu suportei. Se não quer vingança, pelo menos não o torne uma vítima.

— Vítima? Do que você está falando?

— Falo que talvez nós dois sejamos as únicas pessoas que realmente enxergam quem meu irmão é. Ele vai fazer com que todos acreditem que o que ele fez foi motivado por um sentimento sincero e fará todos aceitarem que não passa de uma vítima das circunstâncias. – Antônio ficou lado a lado com ela e pegou a mão da garota na sua num gesto automático. – Ele quer você e não vai desistir.

— A Anita também disse isso. – Sofia sentiu algumas lágrimas escorrerem por seu rosto. A pressão pelo que estava acontecendo a estava machucando muito. – Eu não entendo... apesar do que ele me fez, eu nunca vi o Benjamim como alguém manipulador.

— Se ele não fosse, não teria levado a história do namoro até agora mesmo interessado em você.

— Você fala como se já tivesse visto isso antes. – Sofia fitou Antônio tentando entender o que ele dizia. – O que existe por trás do seu ódio pelo Ben? O que ele te fez?

— Quer mesmo saber? – Questionou o rapaz com uma sobrancelha arqueada. Sofia acenou afirmativamente. Ela queria...não, precisava saber. – Eu conhecia uma garota... Maggie. Nós éramos vizinhos, frequentávamos o mesmo colégio e ela era minha melhor amiga. – Antônio engoliu em seco demonstrando um raro sinal de emoção. – Eu me apaixonei por ela e nós começamos a namorar. O que eu não sabia é que ela gostava mesmo era do Benjamim.

— Vocês dois brigaram por causa de uma garota?

— Não apenas por isso... Eu estava tão cego pelo que sentia por ela que não percebi que meu irmão e minha namorada passaram a ter uma relação. Quando me dei conta e o confrontei, o Ben disse que não quis me sacanear, mas que ele estava apaixonado por ela. Mas apesar da traição. eu não podia deixa-la... não podia vê-lo com ela.

— O que você fez?

— Coisas estúpidas. Eu a seguia, mandava mensagens, pedia como um imbecil para ela voltar para mim... eu me tornei obcecado por ela ao ponto de os pais dela conseguirem na justiça uma ordem restritiva contra mim. – Com um sorriso triste, Antônio fitou um ponto qualquer. – Então, numa noite eu a segui até o outro lado da cidade. Ela parecia estranha, nervosa. Eu a vi entrar num prédio e sair horas depois. Quando eu a abordei ela estava tão assustada e culpada que acabou me confessando que havia feito um aborto.

— O quê? O bebê era... seu? – A pergunta de Sofia foi sussurrada devido à gravidade do assunto. Antônio meneou a cabeça em concordância não sendo capaz de falar. – O que você fez?

— Nada. Ela não queria que o Ben soubesse e terminasse o namoro com ela... foi a maneira mais rápida dela se livrar do problema.

— Mas ainda assim... por que tem raiva dele? Afinal foi uma decisão dela.

— Eu não tenho raiva por isso e sim pelo que aconteceu depois. – Antônio suspirou fundo tentado manter-se calmo. – Com o tempo, o Ben perdeu o interesse. A paixão que ele disse sentir por ela não durou e foi fácil seguir em frente.

— Mas a Maggie não fez o mesmo, não é?

— Não... ela não aceitou o término.

Antônio cerrou os punhos quando foi tomado pelas lembranças. Maggie sentia-se culpada pelo bebê e acabou entrando em depressão. Uma noite, as coisas saíram do controle e ela tomou vários comprimidos e ligou para Ben, mas fui ele quem atendeu. Ela me pediu perdão, mas disse que não poderia viver sem o seu irmão. Desesperado, ele foi até a casa dela, mas a encontrou já desacordada. Em meio ao caos, ele acabou sendo apontado como o responsável pelo que tinha acontecido à ex por conta da sua perseguição constante. Maggie sobreviveu, mas nunca esclareceu o que realmente aconteceu entre os três. Ela se mudou semanas depois com os pais para o Canadá.

— X –

As pessoas iam e viam pelo saguão do aeroporto, mas Flaviana não notava. Após o check-in, a garota fitou outra vez o celular na esperança de receber a notificação de uma nova mensagem. Para a sua frustração, o aparelho continuava igual às outras vezes em que tinha conferido na espera de uma resposta de Sidney às suas mensagens. Ele nem mesmo se deu ao trabalho de retornar suas ligações. Isso a magoava, embora ela entendesse que o silêncio era uma resposta à forma como ela tinha partido pela manhã daquele dia. Em sua defesa, dizia a si mesma que não fugiu... Ela apenas tentava proteger Sidney dos seus problemas, o que é óbvio que ele não entendeu assim. Talvez ela estivesse ainda muito sensível pelo que aconteceu entre os dois.

Flaviana não entendia como depois de tanto tempo detestando o rapaz, ela pôde se entregar a ele sem nenhuma reserva. Flaviana não sabia exatamente como se sentir após isso, mas com certeza não teria se apaixonado por Sidney. Ela já tinha problemas demais para lidar. Os dois acabaram juntos pelas circunstâncias e por azar aquela atração que surgiu. Foi apenas uma piada de mal gosto do destino num momento de vulnerabilidade. E embora Sidney a tenha defendido e ajudado, também tinha sido grosseiro com ela. E continuava a agir como um ogro. O fato dela estar confusa era apenas porque desejava ter uma oportunidade para se explicar que "eles" foi uma colisão inesperada, mas que seus mundos não voltariam a se encontrar.

— Você está pronta? – Otávio se aproximou da prima e entregou-lhe um cappuccino. – Vamos embarcar em alguns minutos.

— Obrigada. – A morena pegou o copo nas mãos respirando o aroma gostoso. Ela precisava superar aquele episódio. – Eu queria agradecer mais uma vez a sua ajuda.

— Tudo bem... afinal, somos família. — Otávio segurou a mão da prima e sorriu conciliador. – Tem certeza que não quer se despedir da Sofia?

— Eu... eu não saberia o que dizer. Ainda está tudo tão confuso na minha cabeça.

— Eu imagino.

— Eu fui muito idiota, sabe? – Flaviana encarou o primo de modo sincero. – Eu disse coisas muito duras para ela. Desde a festa, é como se não fosse mais eu... eu não consigo explicar.

— Isso é por conta da Sofia... ou do Sidney também? – Indagou Otávio de forma neutra. – Vocês passaram os últimos dias juntos.

— Bom... talvez um pouco dos dois. — A morena corou constrangida diante do olhar curioso do rapaz. – Ele me ajudou quando eu precisei.

— Hum... entendo.

Na verdade, Otávio compreendia mais do que Flaviana acreditava, mas não iria pressioná-la sobre o assunto. Nesse momento, sua prima precisava de um pouco de espaço para assimilar os próprios sentimentos. Em instantes, o voo deles foi chamado pondo fim na conversa. Antes de embarcar, Flaviana pegou mais uma vez o celular e enviou uma nova mensagem.

— X –

"Me desculpe". ✔✔

Sofia fitou a mensagem alguns segundos antes de notar que estava chorando. Rapidamente escreveu uma resposta para a amiga.

"Eu te amo. Pra sempre ♡". ✔✔

"Te vejo em breve. ♡". ✔✔

A resposta foi imediata. Um sorriso iluminou o rosto da garota que sentiu um alívio imenso por aquelas poucas palavras. Flaviana estava a caminho de Londres e ela havia se preocupado tanto que a amiga não entrasse em contato com ela. Sofia pensou em ir ao aeroporto, mas resolveu respeitar o espaço da morena. Por fim, ela mesma tinha acalmado seu coração. Era um passo pequeno, elas precisavam conversar melhor, mas só o fato de aquela porta não ter se fechado completava a enchia de esperança.

— Demorei muito?

Sofia enxugou as lágrimas assim que Serguei se aproximou dela. Ela o abraçou e o beijou com carinho. Estava em paz agora.

— Não muito. – Ela sorriu para o ruivo. – Obrigada.

— Hum... – Serguei segurou a namorada pela cintura moldando-a a seu corpo. – Pelo quê você tá me agradecendo exatamente?

— Bom... — Sofia aproximou o seu rosto para falar ao ouvido do rapaz. – Por estar ao meu lado.

— É porque eu te amo. – Explicou o ruivo simplesmente a abraçando.

— Também te amo.

O casal se fitou com carinho antes de mais um beijo que se tornou outro beijo e mais outro. A felicidade os envolveu como um leve sopro, fazendo-os confiantes de que poderiam enfrentar qualquer obstáculo. Uma hora mais tarde, os dois saíram do salão alheios à pessoa que os observava à certa distância.

— Aproveite enquanto ainda pode, Sofia.

Notas finais
Eu não vou falar nada! *-* Ps: Pessoas, estou editando a Fic... já revisei o resumo, capa e alguns capítulos. E irei postando a medida que for terminando (são 70!). Por isso, a frequência de postagens de novos capítulos vai ser uma vez por semana. Um ou mais capítulos, vai depender do tempo disponível. Mas sempre vai ter atualização na segunda! Views, comentários, tijoladas... eu estava morrendo de saudades. Alguém ainda por aí? ♥