Era Uma Outra Vez...
72 Compreensão...
Notas iniciais
Os dias passaram relativamente rápido. Uma semana se tornou duas e depois três. E sem que Sofia percebesse, agora já faziam exatos dois meses desde a partida de Flaviana. No fundo, embora estivesse morta de saudades da amiga, estava feliz por ela e por Otávio estarem gostando da viagem e se divertindo. Eles se comunicavam com frequência por vídeos chamadas e mensagens, e nesse meio tempo ela percebeu que a amiga estava mais calma em relação à discussão com a mãe. Otávio também já havia esquecido o incidente com o ex namorado interesseiro. No entanto, o assunto "desaparecimento com Sidney" ainda era uma incógnita já que Flaviana não falava sobre o assunto, e por não querer chateá-la, Sofia respeitava a privacidade da amiga. Além disso, embora a curiosidade fosse grande, ela também tinha notado uma mudança drástica no comportamento de Sidney o que aumentava suas suspeitas.
Apesar disso, Sofia resolveu não ir afundo naquela história, até porque ela também tinha que enfrentar os próprios conflitos familiares aqui no Brasil. Como era de se esperar, o término Benita caiu como uma bomba na família causando um mal-estar entre todos os moradores do casarão. Nem Anita nem Benjamim quiseram entrar em detalhes sobre o rompimento, mas estava implícito que o motivo envolvia Sofia. E isso era só confirmado pela hostilidade cada vez mais crescente de Giovana, ainda muito irritada com a loira e decepcionada com o irmão mais velho. Ronaldo e Vera tentavam remediar a situação como podiam e, por enquanto, parecia ter se estabelecido uma relativa tranquilidade entre os irmãos. Por sorte, Benjamim se manteve à distância após uma séria conversa com o pai, evitando maiores problemas. Sofia se sentia aliviada pelo rumo da situação, embora tenha passado a evitar ao máximo ir até Grajaú, somente aparecendo quando ia visitar rapidamente Vera e Pedro. Uma decisão tomada não apenas por Benjamim, mas por Anita também.
A irmã ainda não tinha superado o fim de sua relação e culpava Sofia por isso. Desde a última conversa que tiveram, elas mal se falavam e não permaneciam no mesmo espaço além do necessário. Por causa disso, Serguei e Anita acabaram se afastando com o passar das semanas. Sofia sabia que o namorado estava chateado, mas evitava tocar no assunto pois não fazia ideia de como mudar a situação. Uma vez que a irmã resolveu, ao que parecia, se agarrar a própria dor permitindo somente a aproximação de Júlia, deixando Sofia sem opções.
Apesar dessas questões, o namoro com Serguei não poderia estar melhor. Tanto ela quanto o namorado conseguiram conciliar a relação e a pressão pela qual passavam. Júlia e Sofia ainda não eram amigas, mas já se entendiam melhor e se tratavam com respeito. Em relação à Anita, ela sabia que o processo seria mais complicado, mas esperava que o tempo curasse as feridas que restavam e que elas pudessem ser felizes sem nenhuma culpa pelo passado.
— Posso saber por onde anda os pensamentos da minha linda namorada?
Sofia sorriu para Serguei quando ele entrou do escritório do salão e veio se unir a ela no sofá. Como já era hábito, ela deu um selinho nele enquanto ele a puxava para mais próximo.
— Eu só estava distraída. – Ela respondeu recostando a cabeça no ombro do namorado. — O Otávio me ligou mais cedo... eles estão planejando voltar nos próximos dias.
— Imagino que você esteja feliz com a notícia.
— Sim! Nunca fiquei tanto tempo longe da Fla. – Ela notou o semblante abatido do ruivo. – Você tá cansado? Eu pedi comida pra gente. A Vanessa comentou que você mal comeu hoje.
— Me lembre de repreender minha funcionária por ser fofoqueira... – Serguei relaxou os músculos tensos. Havia passado horas em pé e preocupado após sua conversa com Júlia. – O dia foi bem estressante, na verdade, mas melhorou muito depois que você chegou.
— Aham... sei. – Implicou. Sofia adorava as declarações do ruivo, embora ainda estranhasse um pouco. – Bom saber que minha presença sempre melhora os ambientes. É o fardo de ser muito bonita!
Serguei deu uma gargalhada profunda e em seguida puxou a loira pra sentar em seu colo. Sofia soltou um gritinho de surpresa antes de ser beijada.
— Tão modesta e implicante.
— Sim, mas você gosta.
— Gosto. – Admitiu o ruivo sem dificuldade. Ele segurou o rosto da namorada com uma mão e a fitou com olhos brilhantes. – Essas últimas semanas têm sido bem bacanas. Valeu muito a pena ter insistido pra você me aceitar.
— Eu também acho que valeu a pena eu ter cedido. Apesar dos obstáculos, eu não poderia estar mais feliz. – Sofia beijou a palma da mão dele e sorriu. Ele sempre a fazia sorrir. – Mas quero só ver se sua opinião vai continuar a mesma quando souber que meu pai quer que você vá jantar conosco, sábado lá em casa.
— Jantar? Na sua casa?
— Uhum... A Soraya comentou que a gente tava namorando e ele quer saber quais são suas intenções comigo. E eu já vou avisando que o senhor Caetano é bem difícil de dobrar.
Dessa vez foi Sofia quem gargalhou diante do semblante assustado de Serguei. Pelo visto, embora ele conhecesse sua família há anos, ser apresentado sob o status de namorado causava certa apreensão no rapaz que desejava ser aceito pelos pais dela.
— Ei, não ri.
— Amor, você já conhece meu pai. Na verdade, conhece toda a minha família... não precisa se preocupar.
— Você acha? — Indagou um pouco incerto. – É que seu pai é meio...
— Meio?
— Esnobe.
— ESNOBE?! — Sofia fingiu ficar com raiva, mas riu da apreensão de Serguei. – Ok... o senhor Caetano não é fácil, admito. Mas não se esqueça que eu também não sou.
— Você não é esnobe! – Contestou Serguei. – É fácil perceber, quando você não usa seu gênio mau. – Ele a segurou pela nunca e aproximou a boca à dela. – Um gênio talvez um pouco egoísta, mas não esnobe.
Em resposta, Sofia deu um tava de leve no braço do namorado. Era brincadeira, mas ela estava ciente sobre ter um fundo de verdade nisso. Ela estava longe de ser um exemplo de conduta, porém já não se sentia mal em admitir, porque Serguei a enxergava como era e a amava mesmo assim.
— Amor, eu sou sim... talvez não tanto quanto antes, mas já tive minha cota de escrotices.
— Mas agora você é uma pessoa em recuperação.
— Sim... porque agora eu tô aprendendo que sobre o real sentido das coisas. Como, por exemplo, o fato de que eu não troco o que sinto por você por nada. Você me faz querer ser a melhor versão de mim.
— Você é a melhor versão de si mesma e não precisa que eu te diga isso.
Serguei beijou-a no rosto quando Sofia lhe sorriu. Às vezes, ela ficava sem palavras quando ele a elogiava, mas seu olhar entregava tudo. Ele gostava muito quando ela expressava seus sentimentos. Serguei não tinha aspirações sobre quem ela se tornaria, pois sabia que já a amava agora apesar das diferenças. Tanto que ele não foi capaz de sequer cogitar a ideia de se afastar de Sofia quando Anita deu a entender que a amizade já não poderia ser a mesma por causa do seu namoro. Era algo que ele preferiu guardar para si mesmo, pois sabia que a namorada, apesar de não demonstrar, sentia-se mal com o que tinha acontecido com a irmã. Serguei não queria que Sofia tomasse pra si mais essa culpa.
— Então... você aceita jantar lá em casa?
— Não posso pensar em nada melhor pra fazer do que estar com você.
— Você vai ver, meu pai só tem cara de bravo, mas faz tudo que me faça feliz! E você me faz feliz!
A loira se agarrou ao namorado distribuindo diversos beijinhos pelo rosto dele, completamente encantada por ele ter aceito o convite. Para Sofia era bastante significativo como Serguei estava se empenhando em fazer parte da sua vida. Fazia-a se sentir especial, o contrário de como se sentia antes. No passado, ela se colocou numa posição de rejeição em diversos momentos, mas com Serguei tinha certeza que era alguém importante, independente dos seus defeitos e falhas.
— X —
— Sidney, seu pai quer falar com você!
O rapaz ouviu a mãe chamá-lo da sala, mas preferiu ignorar mais uma das constantes ligações do pai. Ele não estava com humor... ultimamente, não tinha paciência para muitas coisas, preferindo isolar-se no próprio quarto longe das reclamações de Maura e das tentativas frustradas do pai em manter contato. Depois de tanto tempo, o rapaz não via sentido em retomar uma relação já há muito desfeita. E se isso não fosse o bastante para irritá-lo, tinha o "assunto inacabado" que insistia em perturbá-lo nos momentos mais inoportunos.
Já faziam dois meses desde que Flaviana se esgueirou da sua cama e deu no pé de volta para o apartamento dos pais na Barra. Como se isso não fosse o suficiente, ela tinha pego um voo ainda no mesmo dia para Londres... milhares de quilômetros longe de onde ele estava. A princípio, Sidney se sentiu como um idiota por ser tão facilmente descartado por ela, sem ao menos uma conversa. Depois, sentiu raiva e ignorou as mensagens e ligações que ela fez. Então, veio a frustração quando ela não tentou mais nenhuma aproximação. Ele sabia que não deveria se importar, afinal não era a primeira vez que alguém ia embora sem ao menos se despedir dele. O problema é que mesmo com isso o martirizado, ele não conseguia perdoá-la ou esquecê-la.
— Sidney!
O rapaz ouviu a mãe bater à sua porta, sem paciência. Sem outra alternativa, ele levantou da cama e seguiu para porta. Quando a abriu, para seu espanto, Maura não estava sozinha. Junto a ela estava o fantasma dos seus sonhos de criança e que ele acreditou ter enterrado há muito tempo.
— Oi, Sidney... filho. Podemos conversar?
— X —
— Amiga, você precisa reagir!
Júlia suspirou cansada diante da apatia de Anita. Era a terceira vez naquela semana que ela insistia em tirar a amiga do quarto tentando distraí-la, mas Anita se recusava até mesmo a tentar. O estado da garota preocupava cada vez mais, não só à ela como também Vera e Serguei. Infelizmente, Anita tinha se afastado do amigo nos últimos meses por causa do namoro dele com Sofia e Júlia se via entre a cruz e a espada tendo que conciliar toda a situação. No final, ela não sabia muito mais o que fazer. Acreditou que o tempo melhoraria o estado de espírito de Anita, mas ela parecia ter mergulhado num poço de auto piedade após o término da relação.
— Eu tô bem Júlia, eu só não quero sair.
— Você tem dado essa mesma desculpa nas últimas semanas e não aceitou sair nenhuma vez. – Argumentou a morena. – Você passa a maior parte do tempo nesse quarto. Não é saudável amiga, você precisa sair e respirar um pouco.
Anita baixou a cabeça não querendo encarar Júlia. A sua consciência dizia que a amiga tinha toda razão, mas ela não se sentia pronta para enfrentar o mundo após sua decepção com Ben. Ela ainda estava muito magoada, até mesmo ressentida com tudo o que tinha ocorrido e por mais que tentasse retomar o controle da própria vida, ela não enxergava um meio possível.
Talvez estivesse entrando em depressão, o que a assustava ao mesmo tempo que explicava a sua situação. Já não era a mesma. Tinha se exilado dentro da própria casa e se afastado de Serguei, pois não conseguia conviver com Sofia sabendo que Ben a deixou por conta dela. Era absurdo, no entanto não podia deixar a mágoa pela irmã de lado.
— Eu andei pensando... — Júlia se sentou na cama e segurou a mão da amiga de forma afetuosa. – Talvez fosse bom você ter acompanhamento psicológico.
— Eu... já pensei nisso também. – Confessou Anita, nervosa. Era a primeira vez que admitia aquela possibilidade para outra pessoa. – Não é por mal, Júlia, eu juro que não quero estar assim... mas não sou forte.
— Não é sobre ser forte, amiga. É sobre buscar ajuda pra enfrentar situações que não podemos lidar sozinhos.
— Me sinto quebrada... culpada. Eu insisti tanto, idealizei tanto que agora não posso suportar a realidade.
— Anita... — Júlia sentiu os olhos marejarem pela amiga. Ela amava Anita como a uma irmã e lhe partia o coração ver alguém tão especial quanto ela tão machucada. – Você tem todo o meu apoio, dos seus pais e do Serguei.
— Eu sei.
— Eu realmente acredito que um profissional esteja melhor preparado para lidar com uma situação como a sua, mas independente disso... nós estamos aqui pra te ajudar também.
— Obrigada, Júlia. – Falou a Anita. deixando algumas lágrimas escaparem mais uma vez. – De verdade, eu quero melhorar... quero voltar a ter a mesma alegria que eu sentia antes de toda essa história. Por mim.
— E eu sei que você vai conseguir.
As duas garotas se abraçaram por um longo tempo. Envolvidas, não perceberam que uma terceira pessoa se afastava da porta entreaberta.
— X —
— Próximo domingo é feriado e eu não vou abrir o salão. Como meus pais estão em viajando a trabalho, prometi levar minha irmã para passear. Você quer vir com a gente?
Sofia parou com o pedaço de pizza a caminho da boca e encarou Serguei com os olhos arregalados.
— Você quer que eu saia com você e a sua irmã?
— Eu sei que não é um programa que faz o seu estilo. – Ele riu, dando de ombros. – Mas pensei que talvez seria bom. Você poderia levar o Pedro e a gente passa o dia juntos. O que acha?
— Eu acho maravilhoso! – Falou com um gritinho agudo de entusiasmo. – Mas ela sabe desse plano... que você pretende levar sua namorada?
— Sabe sim. – Serguei se serviu de mais uma fatia. – Na verdade, ela tá ansiosa pra conhecer a "garota que me deixou com cara de tonto"!
— Ela disse isso?
— Advinha... – Serguei riu, embora fosse mesmo verdade. – A Ivana é mimada, mas é bem legal. Não vamos ter problemas.
— Sendo assim, eu vou falar com o Pedro e marcamos um horário, ok?
— Combinado.
Após terminarem a refeição, Sofia se entreteve na arrumação do escritório se livrando das embalagens e descartáveis. Sem querer, seus pensamentos foram em direção ao casarão e mais uma veio a falta que ela pensou que nunca sentiria daquele lugar. Suas vindas ao Grajaú se resumiam a rápidas visitas à Pedro e Vera ou momentos em que jantava com Serguei quando ele precisava trabalhar até mais tarde. Apesar de gostar dessas ocasiões mais íntimas em que eles podiam passar horas conversando e trocando carinhos, ela optava por se encontrarem longe dali. A presença de Ben ainda a deixava apreensiva, principalmente depois que Antônio abriu seus olhos para as atitudes do irmão. Era um pensamento que ela não compartilhou com o namorado para não o perturbar.
— Sofia?
— Oi? Desculpa, eu me distraí... – Sofia balançou a cabeça afastando os pensamentos negativos para longe. – Você falou alguma coisa?
— Perguntei que horas vai ser o jantar na sua casa.
— Eu... desculpa, eu tava viajando.
Ela tentou um sorriso, sem muito sucesso e que não convenceu o ruivo.
— Vem cá... – Serguei pegou a namorada pela mão e a guiou até o sofá. Depois que ambos se sentaram, ele continuou. – Me fala, tem alguma coisa te incomodando?
— Eu... – Sofia deixou os ombros caírem em um sinal de fadiga. – Eu tô preocupada com a repercussão dos acontecimentos das últimas semanas.
— Aconteceu alguma coisa em específico? – Indagou o ruivo imaginando que Ben poderia ter finalmente feito algo. – O Benjamin?
— Não! – Sofia negou prontamente. – É que... acho que tô um pouco nervosa. Eu sei que a Anita tá mal e que ela não aceita nosso namoro.
— Amor... – O rapaz começou a falar, mas a loira levantou a mão para interrompê-lo.
— Não, por favor, não negue. No fundo, eu compreendo que mereço isso por tudo o que eu fiz a ela, mas eu realmente tô preocupada com a Anita. E eu também não quero que você fique triste por causa do distanciamento de vocês.
— Ei... – O ruivo segurou o queixo e ergueu o rosto da garota. Os olhos verdes tentavam reter as lágrimas, mas acabaram falhando. – Eu não nego que esteja chateado pela Anita, mas não quero que se preocupe com isso. Você não tem culpa pelo o que aconteceu entre nós dois.
— Eu me sinto culpada... sinto falta do Pedro, da minha mãe. Sinto até falta de morar no casarão, o que não faz sentido, porque eu fiz de tudo pra sair de lá. — Sofia respirou fundo tentando controlar a emoção. – Eu fico pensando se posso resolver tantos problemas. Às vezes, eu quero pedir perdão a ela, mas tenho medo... Eu tenho medo de por conta de toda essa pressão eu possa te perder também.
— Sofia, isso não vai acontecer! – Assegurou abraçando-a ternamente. Recostou a cabeça da namorada no próprio ombro e deixou que ela chorasse. Isso o arrasava, mas ele entendia que ela precisava extravasar suas emoções. – Eu sei que não tem sido fácil pra você... sei que você também está sofrendo, embora não demonstre. É a sua forma de lidar, mas não quero que você guarde tudo pra si mesma, entende? Você pode confiar em mim para desabafar. As coisas estão difíceis agora, mas eu sei que vão melhorar. Tudo vai ficar bem.
— Você promete?
— Prometo.
— X —
— Apreciando a paisagem, Ben?
Ben olhou o irmão de esguelha sem se preocupar responder àquela pergunta. Ficou onde estava, na entrada do casarão observando enquanto Sofia e Serguei entravam em um Uber logo após deixarem o salão. Eles mal a tinha visto nos últimos dias e nas raras ocasiões em que isso acontecia, Serguei sempre estava junto como uma segunda sombra. Isso o irritava profundamente, mesmo que não tenha feito nenhum movimento em direção a loira. As coisas continuavam estranhas em casa.
Anita nem mesmo falava com ele mais, Giovana não escondia sua decepção e Ronaldo, embora não tocasse mais no assunto, já o advertiu para não causar mais problemas para a família. Ele tinha decepcionado o pai e Vera, mas ainda assim não se sentia culpado por ter enfim admitido seus sentimentos. O problema é que agora Sofia já tinha desistido dele. Pelo o que Ben sabia, ela e Serguei estavam cada vez mais apaixonados contrariando o que ele acreditava saber sobre ela.
Por mais que tentasse, ele não encontrava uma explicação para a mudança de Sofia e estava cada vez mais certo de que tudo não passava de um jogo. Uma encenação para mantê-lo afastado. Hoje, ele entendia que Sofia dificilmente amaria alguém além de si mesma, no entanto, mesmo tendo ciência disso ele não podia sufocar o que sentia por ela. E embora não soubesse o que faria dali em diante, Ben não iria desistir até que ela admitisse que apesar de tudo eles ainda tinham uma história.
Benjamim viu o carro se afastar. Era só uma questão de tempo, disse a si mesmo. Ignorando Antônio, ele caminhou lentamente para casa.
— Você não vai desistir, não é?
— Não lembro de sermos tão próximos para que eu te fale meus planos. – Ben encarou o irmão com uma sobrancelha arqueada. – As coisas mudaram, Tony.
— Mas pelo visto, você continua igual. A Maggie não foi suficiente?
Antônio observou o irmão contrair o maxilar e cerrar os punhos em resposta à sua provocação. Maggie era a mancha que Benjamim tentava manter longe da superfície, mas os dois sabiam o que dificilmente Antônio o deixaria esquecer.
— Maggie não é assunto seu! – Irritou-se Ben encarando o irmão. – Você tem que superar o fato dela ter me escolhido ao invés de você!
— Superar? Como ela superou quando você a deixou? – Instigou Antônio colocando-se em posição de desafio. – Você nem ao menos a visitou quando ela tentou suicídio!
— Eu não teria ajudado, ela não aceitava o término!
— Essa é a sua desculpa?
— Não estou me desculpando! – Argumentou o rapaz, desconcertado. – A Maggie estava instável, ela precisava de ajuda profissional.
— E é claro, você não era responsável por ela. Mesmo tendo se envolvido enquanto ainda namorávamos.
— Você não pode me culpar por ela ter se apaixonado por mim! – Defendeu-se.
— Te culpo por ter traído a confiança dela. Por vê-la chegar ao limite e ignorar os sinais... já que não estava mais interessado. – Antônio encarou o irmão, o ódio no próprio olhar. – Você é tão prepotente que sequer se deu conta que essa história está se repetindo.
— E o que você sabe sobre qualquer coisa relacionada a mim?
— Tem razão, eu não sei de nada. Mas dessa vez você não vai me ter como bode expiatório. Então, se não quiser que as coisas acabem mal é melhor recuar do que pretende.
Pondo fim à conversa, Antônio entrou no casarão deixando o irmão abalado para trás.
Fale com o autor