Notas iniciais
Eu sei, faz tempo... espero que voces ainda estejam dispostos a lerem minhas loucuras.

– Oi?! O que eu queria? Sério, eu?

– Ele tem namorada! – Disse Serguei com desgosto a fuzilando com o olhar – A sua irmã, e ainda assim você...

– Ainda assim o quê? – Interrompeu Sofia com um tom de desespero – Fala! Agora que começou termina!

– Eu preciso? Alguém com bem menos inteligência já teria sacado que esse lance de vocês é bem mais sério do que querem admitir!

– Ok... – Sofia respirou fundo sentido a paciência chegar ao limite. – E segundo toda a sua grande capacidade de percepção, na certa já sabe exatamente o que tava rolando, né? Muito bem, o que será que tava acontecendo?... Será que eu estava convencendo o ingênuo Benjamim a largar tudo e fugir comigo para uma ilha deserta? Ou será que eu estava o obrigando a assumir a paternidade de um filho nosso que nem existe?

– Incrível como você é dissimulada! Incrível!

– O quê? Não vai nem chutar? Por que é isso o que eu faço, não é? É isso?

– Não sei mais do que você é capaz ou não, Sofia. – Admitiu Serguei passando uma mão pelos cabelos. Não era vulnerabilidade o que ele via nos olhos dela, era? Por que de repente ele passou a se sentir como um carrasco diante de sua vitima? – Não sei quem é você... Às vezes chego a pensar se não existe um pouco de humanidade aí dentro, mas você faz questão de provar o contrário.

“Porque não posso permitir que você se aproxime!” Pensou Sofia com um nó na garganta. Era perigoso deixá-lo ver por detrás de suas defesas. Serguei não a pouparia.

– Não me importa, realmente, o que você pensa a meu respeito. E só para você saber, foi ele que veio ate aqui. É ele quem tem compromisso, não eu. Não sou eu que tenho que pensar na Anita, é ele. Se quiser culpar alguém por alguma coisa, culpe-o e não a mim!

– Eu não estou culpando ninguém, eu só não quero ver minha amiga magoada! O que vocês fazem é problema de vocês, mas eu não vou permitir que a Anita seja feita de otária por vocês dois!

– Não me diga! – Disse a garota elevando a voz sem perceber – Porque todos têm que pensar no bem da minha irmã, não é? Dane-se o fato dela mesma estar pedindo para ter o coração partido. Mas qual o problema? A Anita é tão maravilhosa que mesmo sendo uma tapada merece toda a consideração do mundo!

– Por que eu perco tempo com você? – Serguei balançou a cabeça descrente – Ah, é... Eu vim te devolver isso! – Ele jogou a pulseira que ela havia ganhado do pai sobre a mesa – Você a deixou cair quando nós estávamos ‘conversando’. E como eu sei que você dá muito valor às coisas materiais, pensei que você certamente sofreria muito se a perdesse, não é? – Sofia olhou para o objeto brilhante com o fecho quebrado. “Puta merda de comparação!” Pensou prestes a explodir num riso histérico.

– É só isso ou você deseja falar mais alguma dispensável observação sobre mim? – “Não chore, Sofia!” – Porque todo mundo sempre tem algo a dizer sobre o quanto eu não presto! Como se por acaso todo mundo fosse perfeito... Ah não, erro meu: vocês são!

– Eu não sou perfeito, nunca disse que era.

– Não? Difícil de acreditar já que você olha para mim como se eu não merecesse nem respirar o mesmo ar que vocês, seres iluminados, abnegados de qualquer sentimento egoísta!

– Sofia... – Serguei tentou falar, mas a garota estava farta demais para permitir.

– Sofia nada, OK?! Olha, já chega disso, por favor. Se tem uma coisa que eu odeio é hipocrisia. Não me venha agora dizer que não me detesta ou que me considera uma mau caráter, tá? Eu sei que para você eu não passo de uma invejosa... Aquela que quer roubar tudo o que a irmãzinha perfeita dela tem, mas não é bem assim! Você nem ninguém faz ideia do quanto isso é mentira!

– E qual é a verdade, Sofia? Você pode me dizer?

– E do que adiantaria? – Indagou cansada enxugando uma lagrima que escorreu pelo rosto. Uma vez Ben fez aquela pergunta, e tudo o que ela mais quis foi dizer a sua verdade. Quantas vezes ela tentou contar a sua versão da história? Por que ela tinha que fazer isso mais uma vez já que ninguém acreditaria? – Sabe, eu acho que mesmo que eu diga, você não acreditaria, porque a ‘irmonstra’ só fala mentiras. Todos pensam que eu só quero machucar as pessoas, mas ninguém nunca pensou que talvez me machucasse, não é? Você, por exemplo, adora me condenar, mas como se sentiria se alguém te chamasse de monstro? – Questionou transparecendo imensa mágoa – Eu sei que você colocou esse apelido em mim, Serguei. A diferença entre você e eu é que eu posso cometer muitos erros, machucar as pessoas, mas eu admito e sofro as consequências. Você alguma vez já se arrependeu de ter me magoado?

– Eu não acho que você... – Era a primeira vez que ele não tinha uma resposta à altura para rebatê-la.

– Esquece, foi uma pergunta idiota para alguém que não faz ideia de quem eu sou. Exame de consciência... – Sofia soltou um som de escárnio dos lábios, pegou a pulseira e a guardou na bolsa junto com o celular sem olhar diretamente para o ruivo – Parabéns, Serguei, você não é o que quer aparentar ser. Talvez um dia você descubra que isso não é tão ruim. – Ela levantou-se de onde estava com calma.

Ela havia dito o que estava entalado há anos em sua garganta e sentia-se maravilhosamente bem por isso. Serguei, Anita, Benjamim... Nenhum deles tinha direito de falar nada sobre ela. O primeiro era um hipócrita, a segunda uma dissimulada e o ultimo um mentiroso. Se fossem colocados na balança os defeitos de cada um, Sofia ainda seria considerada a mais digna dos quatro.

– X –

– O que você acha que eles tanto falavam?

– Não sei, mas pelas caras, não devia ser nada amigável.

– E poderia em se tratando da Sofia? – Perguntou Júlia mordaz. Anita suspirou admitindo para si mesma que a amiga estava completa de razão. Sofia era um imã de problemas, o que não era ruim quando não a envolvia, é claro.

– Não... Eu bem que sei. Minha irmã é terrível quando quer e quando não quer também. Eu sou a sua maior vitima, esqueceu? Pelo menos, é o Serguei e não o Ben que estava com ela.

– Como assim? Vocês não estão bem, amiga?

– Sim... Eu que to meio grilada, entende? Depois de tudo, não seria por menos. Quando ele fala dela ou pergunta por ela é como se meu coração perdesse uma batida à espera dele revelar algo, deixar escapar uma declaração que eu não sei se estou preparada para ouvir.

– Ai, Anita... Eu pensei que agora fosse pra valer. Por que ainda insiste nesse namoro?

– Dizer que é porque eu o amo seria obvio demais? – Perguntou com um sorriso triste.

Júlia manteve a resposta ácida que estava na ponta da língua para si mesma. Anita já estava na fossa, não precisava que ela lhe empurrasse mais para o fundo. E tudo por causa de Sofia, pensou com ódio. Júlia não se considerava o tipo de pessoa que odiava com facilidade, mas Sofia também não era o tipo de pessoa que era fácil ser amada. Ela era o oposto de Anita, e com seus joguinhos só fazia a sua amiga sofrer.

– Quer ir lá para casa para estudar?

– Claro... Vai indo na frente, porque antes eu preciso resolver um assunto tá?

– Assunto? Que assunto? – Indagou Anita estranhado o suspense de Júlia.

– Nada não... É rápido, eu te encontro depois! – Disse evasiva se afastando de Anita e indo em direção a onde Sofia tinha passado minutos antes.

Não foi difícil encontrá-la, depois de perguntar a algumas pessoas, soube que a loira tinha ido em direção ao banheiro feminino. Júlia entrou e encontrou a loira em frente ao espelho retocando a maquiagem, algo que era bem o estilo dela. Ser linda e perfeita sempre, mesmo que por dentro fosse podre, esse era o lema de Sofia. Com os braços cruzados e cara de poucos amigos, a morena fitou o reflexo da outra no espelho.

– Estava me procurando, Júlia? – Perguntou ela despreocupada passando batom vermelho nos lábios.

– Como adivinhou?

– Eu sou vidente, não sabia? – Debochou a garota com um grande sorriso – Pergunta a seu amiguinho, Serguei, se não acredita. Não é por ele que você está aqui? Aposto toda minha coleção de louboutain como ele falou do nosso pequeno desentendimento e você, como protetora dos ‘frascos e comprimidos’ veio aqui tirar satisfações, não é?

– Você está certa... Eu vi te avisar para ficar longe dos meus amigos! Não me importa que você seja irmã da Anita, você ainda é a pessoa mais desprezível do mundo e eu estou cansada de ver você magoar quem eu amo! Fica esperta Sofia ou você vai ser ver comigo!

– Gente, todos eles são humoristas! – Ironizou olhando diretamente para Júlia. A garota estava irritada, o rosto um pouco corado e a respiração acelerada, ela parecia prestes a pular no seu pescoço. Sofia sentia-se bem com isso, pensou sádica, antes Júlia do que ela perder o controle. Os dois últimos dias já foram o suficiente, principalmente, após a ceninha anterior que protagonizou com Serguei – E o que você pretende fazer comigo, ‘coisa pequena’?

– Paga pra ver, Sofia! Só toma cuidado, porque você pode se arrepender amargamente de ter se metido comigo!

– Nossa, estou arrepiada de tanto medo!

– Você pode debochar o quanto quiser, mas eu sei que sem essa pose de garota superior, você não é nada! – Esbravejou com os olhos cheios de fúria.

– Tem certeza disso? – Sofia cruzou os braços frente ao corpo inabalável com as palavras de Júlia – Então me explica como uma ‘nada’ como eu pode ter conquistado o coração de um cara legal como o Ben, hein? Diferente da tonta da minha irmã, você já deve ter notado que na realidade é de mim que ele gosta, não? Se não, por que você estaria tão empenhada em me afastar?

– Você se sente, não é?

– Desculpa te informar, mas eu sou! Linda, rica, loira... Uma tentação quando eu assim o quero. Tanto que a qualquer momento aquele namoro encantado pode ir pelos ares, é só eu estalar os dedos e pronto, Julinha, acabou. E olha que não vou precisar nem de maçã envenenada, só preciso usar um pouco do meu charme!

– Como se você já não tivesse tentando estragar o namoro da Anita! E no fim, quem foi que o Ben escolheu? – Júlia afirmou com segurança, embora no fundo temesse que o que Sofia falou tivesse seu fundo de verdade. Não era atoa que Anita sentia tanto receio em relação ao seu namoro. A irmã dela seria capaz de tudo, mas será que Ben também não tinha culpa?

Sofia estava certa? Ela podia ter Benjamim a seus pés se assim o desejasse? Perguntou-se Júlia temendo a resposta. O que seria de Anita se Ben a deixasse? Sua amiga ficaria arrasada com toda certeza, e tudo por puro capricho da garota a sua frente. Ela não amava ninguém nem a própria irmã que sempre foi tão boa com ela. Deus, seu estômago se revirava só de estar no mesmo lugar que ela. Sofia era tão vazia que ela até poderia sentir pena, se não soubesse que até esse sentimento ela desprezaria.

– Exatamente, ele escolheu! E quem foi que disse que se manda no coração?

– Vai me dizer agora que você é apaixonada por ele? Faça-me o favor, Sofia!

– Eu não vou dizer nada, queridinha. Apenas quero frisar algo que é bem claro... Mesmo que o Ben negue, jure que ama minha irmã, não dá para lutar contra o que ele sente por mim. E se eu quiser realmente que ele seja meu, ele será! Pode estar certa!

– Não se eu não permitir! Eu sei que tudo isso não passa de um jogo para você, que o Ben é só algo que você quer ostentar para dizer que venceu a Anita! – Júlia avançou dois passos até Sofia – Você não vai conseguir, está me ouvindo? Você não vai!

– E quem é que vai me impedir? Você, coisinha? Por que ao invés de cuidar da vida amorosa da Anita não se preocupa com a sua, hein? Ah, eu me esqueci que você não tem uma! – Sofia olhou Júlia de cima a baixo – É por isso que tem tanta raiva de mim, Jujuba? Só porque eu atraio os caras e você nem sabe como ficar mais de dois minutos perto de um sem afugentá-lo para sempre?

– Cala a boca, Sofia!

– Não! Você disse o que quis, agora vai escutar também! Agora eu entendo... Você se vê realizada através do namoro perfeito da Anita? Pensa que pode ter o mesmo com o agregado da minha casa? – Ela soltou uma risadinha de sarcasmo – É tão patético te ver correndo que nem uma cachorrinha atrás do Fredérik!

Sofia sentiu o rosto ser lançado para o lado com o tapa inesperado que Júlia lhe deu. Tomada pelo choque, ela não se moveu por alguns segundos sentindo os olhos encherem de lágrimas de ódio. Por que todos sempre a agrediam quando não conseguiam rebater o que ela dizia? Com um sorriso mordaz ela fitou Júlia que olhava para a mão com a qual havia batido nela, entorpecida, como se lhe custasse acreditar que tivesse chegado a tal extremo. Bom, Sofia não teria o mesmo problema. E não teve ao devolver com força o tapa em Júlia.

– Se você encostar outra vez em mim, um tapa vai ser muito pouco perto do que eu vou fazer com você!! – Alertou a garota irada antes de sair do banheiro esbarrando na morena que estava sem ação.

– Deus...

Júlia foi até a pia e fitou seu reflexo no espelho, tocando o rosto com a ponta dos dedos, notou que chorava. Um choro sufocado, doído e repleto de sentimentos que ela jamais ousou sentir. Ela nunca tinha sido vitima de Sofia antes, e agora sabia como Anita deve ter se sentido tantas vezes. Indefesa, fraca, impotente... Era a sensação mais terrível que ela já teve em toda a sua vida.

– X –

– Você está me ouvindo?

– Estou, sim, eu concordo com tudo!

– Mesmo? E o que foi que eu acabei de dizer? – Questionou Flaviana impaciente pela distração da loira.

Estava à uma hora reunida com as Micas, e Sofia não havia dito nada ou dado uma misera ideia para o seu plano. Ela parecia perdida, envolvida num torpor mortificante enquanto a morena falava e falava. Flaviana urgiria de frustração se não soubesse que aquele não era o normal da sua amiga.

– Alguém quer algo para beber, Comer, sei lá...? – Ofereceu-se Sofia para ir buscar numa tentativa desesperada de fugir da confusão que estava sua sala.

Péssimo dia para Flaviana reunir as Micas, péssimo dia para qualquer coisa, pensou Sofia, imaginando como seria bom escapar para algum lugar para fazer nada por um bom tempo.

– Um suco seria bom! – Disse Drica surpresa pela hospitalidade da loira.

– Uma água para mim, por favor! – Falou Bruna igualmente surpresa.

– Flaviana? – Questionou Sofia diante da mudez da amiga.

– Você pode trazer de volta a minha amiga Sofia? Porque eu pensei que ela estaria aqui hoje e que me ajudaria, mas tudo o que tem feito é me ignorar. Eu estou te entediando Sofia? Se for isso, eu e as meninas iremos embora, é só dizer.

Um silêncio tenso se abateu sobre o grupo de jovens. Enquanto Drica e Luiza se entreolhavam constrangidas, Bruna fitava alternadamente de Flaviana para Sofia a espera do desenrolar daquele embate. Sofia e Flaviana discutindo não era algo que se presenciava todo dia.

– Dá pra parar com o drama?

– Se você disser que eu sou rainha do drama mais uma vez, eu nem sei do que eu sou capaz!

– Ok... O que você quer de mim? – Perguntou Sofia cansada – Você sabe o que eu penso sobre essa ideia!

– Claro que eu sei! Você faz questão de repetir a sua opinião sempre que pode. Mas você também sabe como eu me sinto, não é? Eu quero a Micaela acabada e sem o Martin! Eu pensei que você mais do que ninguém entendesse porque isso é tão importante!

– Essa história não vai acabar bem!

– Isso é problema meu! Olha, com o ‘após’ eu me resolvo, Ok? Eu quero é planejar o ‘antes e o durante’, porque eu sei que não vou ter paz até ver aquela garota arrasada, humilhada, jogada na lama que é de onde ela saiu. A Micaela não era ninguém até eu mudá-la, e ninguém é o que ela vai voltar a ser quando eu acabar. Ela se enganou muito quando pensou que ficar com o Martin de brinde fazia parte do plano, tá na hora dela saber que comigo não se brinca!

– Se é o que você quer... – Desistiu Sofia. Pedro a mataria, mas Flaviana era sua amiga e Micaela nunca fez questão de ser gentil com ela... Por que ela deveria ter remorso de alguma coisa?

– Sim, é o que eu quero!

– Ótimo... Eu pensei em algo, mas não garanto que vá dar certo.

– Verdade? – Animou-se Flaviana se enchendo de esperança – Qual é sua ideia?

– Não é bem uma ideia, mas uma constatação. Como todas vocês bem sabem, o Martin é um ‘galinha filho da mãe’ que não perde a oportunidade de paquerar uma garota, não é?

– Sim! – Concordou Bruna.

– Mas ele mudou desde que se envolveu com a Micaela. – Disse Drica.

– Isso é verdade, mas... – Sofia pausou por um momento para respirar fundo – Um canalha, regenerado ou não, sempre será um canalha. – E ela sabia bem como Martin não valia nada. – E com o incentivo certo, duvido se essa mascara de bom moço não racha em dois tempos!

– E como faremos isso? – Questionou Flaviana atenta a explicação de Sofia.

– Atacando por todos os lados, nada explicito, mas bem eficiente. Vocês sabem qual o maior medo de um traidor?

– Não trair? – Arriscou Bruna. Sofia revirou os olhos, impaciente.

– Ser traído! Se ser passado para trás já é ruim, para alguém que o faz desde sempre é mil vezes pior. Ainda mais se a traição vier de alguém que ele julgue amar. Pensem em como ficaria o Martin se por acaso a Micaela não fosse essa garota doce e amorosa que ele acha que ela é. O quanto ele se sentiria arrasado, magoado, estúpido... Um panaca por ter se prendido a uma garota quando poderia ter tantas outras a seus pés.

– Mas esse plano tem falhas, Sofia! A Micaela não trairia o Martin. Nenhuma garota o trairia, não o Martin! E eu não quero que ele volte a ser um cachorro, quero essa versão fofa dele para mim.

– Eu sei! Flaviana, não é tão complicado quanto parece... Deixem-me explicar cada detalhe, por favor! – Flaviana, Drica, Bruna e Luiza se entreolharam enquanto Sofia sentava-se no sofá frente a elas – A Micaela não precisa ter um peguete, só parecer que tem. Vocês, Drica e Bruna, vão ficar encarregadas dessa tarefa: mandar flores para o colégio, presentinhos que caras mandariam para uma garota, ligações misteriosas quando o Martin estiver com ela... Vamos deixar o Martin maluco e cheio de dúvidas, minar o relacionamento dele ao máximo para que quando ele não puder mais viver com a suspeita, ele acabe procurando alguém que sempre foi sua amiga.

– No caso eu? – Perguntou Flaviana.

– Sim! Você vai fazer à compreensiva, dar conselhos, ser aquela com quem ele pode contar. Você não pode demonstrar interesse no fim do relacionamento, apenas dar seu ombro amigo. Deixe que as Micas se encarreguem de envenená-lo contra a Micaela.

– Mas por quanto tempo isso vai durar? – Perguntou Luiza meio insegura com aquela conversa.

– Não muito... – Falou Sofia pensativa em qual deveria ser o ponto alto daquele plano – Flaviana você vai dar uma festa de aniversário, não é?

– Sim! Meus pais vão viajar mês que vem, por isso me liberaram para fazer uma festa bafônica para comemorar meus 16 anos. Mas o que isso tem a ver com o Martin e a Micaela?

– TUDO! É, é isso... A festa será a cereja em cima do bolo! Seguindo com cada ponto do plano, vamos atrair o Martin e nessa noite você vai seduzi-lo. Com o coração partido, duvido que ele resista. Será sua chance, portanto faça o melhor! Só precisamos nos certificar que a Micaela os veja juntos e fim: nunca mais ela vai querer olhar para ele na vida!

– A-D-O-R-E-I! Sofia, você é maravilhosa! – Gritou Flaviana extasiada correndo para a amiga e a abraçando.

– X –

– Por favor, me diz o que te deixou assim!

– Nada... – Júlia forçou um sorriso casual, mas os olhos vermelhos e a expressão abatida não enganaram Serguei.

– Ou você me conta ou eu mesmo vou descobrir! – Advertiu entre carinhoso e autoritário.

– Por favor! – Pediu entre soluços escondendo o rosto entre as mãos.

– Julinha, por favor, me diz quem te deixou assim... – Insistiu mais uma vez. Júlia o olhou triste deixando escapar algumas lágrimas.

– A bruxa má da história.

– Sofia.

Notas finais
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