Notas iniciais
Oieee... Desculpem o atraso de novo! Tô correndo com dois trabalhos para entregar essa semana. Final de período é assim... ¬¬ Enfim, hoje tem mais um capítulo! Apesar de um pouco menor, temos alguns fatos importantes. Então, calma pelo que estar por vir. Depois do nosso especial SerFia/Sidiana, as histórias paralelas vão começar a serem desenvolvida... #CoraçãoNaMão Bom, é isso! Leiam! Ps: Não deu tempo de revisar, por isso desculpa qualquer erro!

A luz incidia pela janela anunciando a chegada de um novo dia. Com um resmungo, Sofia abriu os olhos lentamente levando exatos dez segundos para reconhecer onde estava. Era o seu quarto no casarão, mas diferente do que pensou ao tatear a mão pelo colchão ela estava sozinha. Então, como se a consciência voltasse em pequenas doses recordou-se da noite com Serguei. Um sorriso desenhou-se nos seus lábios ao também lembrar do ruivo despertando-a ainda muito cedo para avisá-la que voltaria para o sofá. Ela estava tão cansada que mal registrou o beijo que trocaram antes de ele deixar o quarto voltando a dormir imediatamente. Olhou para o relógio e viu que estava atrasada para a primeira e a menos que quisesse reprovar a disciplina de João Luís por falta teria que praticamente correr para o colégio. Sem perder tempo, ela foi para o banheiro onde escovou os dentes e tomou um banho rápido.

Quando acabou de se vestir, o celular começou a tocar e ela atendeu prontamente.

— Te acordei?

— Não, eu estava no banho. – Falou feliz por escutar a voz de Otávio. – Desculpe-me ter desligado ontem sem uma explicação.

— Tudo bem, Sweetie! Com certeza foi algo importante.

— Eu nem te conto, mas o importante é que está tudo bem. Então, quando você volta?

— Hoje... a tarde. Podemos nos encontrar?

Sofia tentou não pensar na voz abatida do amigo. Desde que o conheceu, Otávio foi sempre muito alegre encarando a vida de modo despreocupado. No entanto, desde que viajou para São Paulo ele estava estranho e evitando suas perguntas. E aquilo só poderia significar que algo ruim tinha acontecido. Para completar, ainda existia a questão do sumiço de Flaviana. A amiga parecia ter evaporado e ninguém teve notícias dela desde que saiu de casa muito menos sobre quem era o sujeito que a acompanhava.

— Claro que sim! E sobre a Fla, alguma notícia?

— Até agora nada, mas eu entrei em contato com o sindico do prédio e ele aceitou me deixar ver as imagens das câmeras de segurança, mas apenas pessoalmente. Então, só quando eu estiver no Rio.

— Fico pensando no quanto ela deve estar magoada comigo para não ter me procurado. – Sofia suspirou profundamente e fez pedido silencioso de que a amiga estivesse bem. – E me preocupa muito saber que ela saiu de casa depois de brigar com a mãe.

— A Rosana é uma vaca esnobe e hipócrita! O que ela não imagina é que as coisas podem ficar muito ruins pra ela.

— Como assim? – Quis saber a loira.

— Bom, digamos na minha família todos podem se sentirem muito importantes, mas existe apenas uma pessoa que realmente é. No entanto, eu não posso dar detalhes agora, mas prometo esclarecer tudo quando nos encontrarmos. Ok?

— Tudo bem. Te vejo mais tarde.

— X –

— Eu preciso ser corajosa, Marcelo.

Raissa pôs o porta-retrato sobre a mesa e desviou o olhar da imagem. Embora houvessem se passado dezesseis anos, era inevitável controlar a melancolia pela ausência do irmão gêmeo. Nos últimos meses a orientadora pensou muito nele e no passado quando acreditou que nem mesmo a oposição do pai seria capaz de separá-la de João Luís. No entanto, agora eles não passavam de dois desconhecidos que trabalhavam no mesmo lugar. Mesmo que eles se vissem frequentemente não significava que lidavam bem com a presença um do outro, pelo menos, não para o professor. Era muito difícil para ele esconder o ressentimento que sentia por ter sido abandonado optando por manter-se distante e conversando somente o estritamente necessário com ela. Raissa não o culpava por tratá-la friamente quando tudo o que tinha feito nos últimos cinco anos foi reforçar a ideia equivocada que ele tinha sobre o que aconteceu. Se algo a confortava era saber que tinha mantido a mentira do pai somente por pena da ex amiga, Carmem, que estava enfrentando um câncer. Foi um choque reencontrá-lo e saber a verdade. Mesmo após todos aqueles anos, ela ainda sentiu o coração partir-se mais uma vez ao descobrir a mentira cruel de Raul e de que como ele a manipulou.

Após o acidente que vitimou Marcelo, o pai a levou para o interior de São Paulo com a desculpa de que a família precisava de um tempo longe das lembranças. O que ela não sabia é que ele havia descoberto sobre sua gravidez e que por isso empenhou-se em afastá-la do namorado antes que João descobrisse sobre o bebê. Naquela época, João estava em coma no hospital e não poderia saber o que se passava. Isolada do mundo, a única ligação que Raissa teve com o então namorado foi por intermédio de Carmem que furtivamente lhe enviava notícias sobre o estado do rapaz. Não demorou muito até o dia em que recebeu a carta da amiga dizendo que infelizmente João não tinha resistido. Para desespero de Raissa, no espaço de um mês ela tinha perdido o irmão e o namorado e ela sequer pôde contar a ele sobre a filha. Como foi de se esperar, Raul não a deixou ir ao enterro alegando que ela não tinha condições físicas e emocionais. Na verdade, ele apenas quis evitar que ela soubesse sobre a mentira arquitetada por ele. Nos meses seguintes, sua vida tornou-se um inferno com o pai insistindo sobre a entrega do seu bebê em adoção. Sem apoio e emocionalmente instável, Raissa se viu sem saída quando Raul deu o ultimato de que se ela não entregasse Marcela ela teria que ir embora de casa sem nada. Então, no dia que o seu bebê nasceu ela não teve escolha senão separar-se dela. Num ultimo gesto, deu a menina a assistente social junto com o colar com o pingente onde havia a foto do irmão morto. Era a última lembrança das pessoas que mais amou. E João nunca soube que teve uma filha com ela. Carmem morreu meses depois de confessar-lhe o que tinha feito com o seu pai e Raissa, sem esperança de reencontrar seu bebê, permaneceu em silêncio. Até agora.

— X –

Sidney voltou para o quarto após o banho e com um sorriso torto se pôs a observar Flaviana. Ela estava deitada de bruços sobre a cama, o lençol cobrindo-a até a cintura e os cabelos caídos pelas costas. Era uma visão perturbadora e por motivos completamente desconhecidos – ou nem tanto – ele não conseguia desviar sua atenção da figura adormecida. A culpa era sua, aceitou com certo remorso, por ter permitido que a situação escapasse ao controle e ambos tivessem sucumbido àquela atração inexplicável.

Eles não falaram muito depois da transa, cada um mergulhado nas próprias impressões e sentimentos. O rapaz lembrava-se apenas de tê-la abraçado o maior tempo possível até que ela dormiu. E naquele momento, ele que não era um cara legal, também se considerou um canalha por se aproveitar da fragilidade dela. No entanto, maior do que o arrependimento ele que sentia era a certeza que teria feito tudo de novo ou pior. A sua vontade nesse exato momento era acordá-la para que continuassem a cometer aquele irritante e delicioso erro do qual não podia, mas deveria se arrepender. Lentamente, o rapaz se aproximou-se da cama e afastou os cabelos das costas das costas dela. O hematoma no ombro estava mais visível, uma mancha rocha contrastando com a pele nua e perfeita. Ele beijou-a ali num gesto inútil e ao mesmo tempo revelador.

Flaviana sentiu os lábios roçando em sua pele entre meio sonolenta e meio desperta. De olhos fechados, resistiu a encarar o novo dia e enfrentar o rapaz ao seu lado. Mais um minuto, disse a si mesma aproveitando um pouco mais a inconsciência faltando coragem para lidar com o que estava por vir. No entanto, Sidney parecia não compartilhar do seu constrangimento.

— Eu sei que você está acordada. – Falou o loiro se afastando. – Como está o seu ombro?

Com um suspirou, Flaviana sentou-se na cama e puxou o lençol para cobrir-se corando intensamente sob o olhar avaliador dele.

— Ele já esteve melhor... mas acho que vou sobreviver. – Ela sorriu de modo descontraído tentado não pensar no fato de Sidney estar apenas com uma toalha em volta dos quadris. – Que horas são?

— Quase onze horas.

— Tão tarde?!

— Por que a preocupação? Pretende ir a algum lugar? – Sidney sorriu desconcertando Flaviana que por um instante pensou que deveria ser crime ele sorrir daquele jeito.

A garota o encarou sem saber o que dizer. Era como se tudo o que eles falassem carregasse uma segunda intenção... E afinal, até quando ela evitaria falar sobre o que aconteceu na noite anterior? O certo era agir

— Bom, você sabe que não. No entanto, isso não quer dizer que eu não deva pensar sobre isso... Tenho que ir embora.

— Para onde?

— Eu ainda não sei... – Flaviana suspirou puxando mais o lençol contra o corpo. – E depois de ontem... – Ela falou sem jeito dando de ombros incerta sobre o que dizer.

— ‘Cê’ tá arrependida?

— Não... foi bom.

Foi mais do que bom. Era o que ela queria dizer, mas o bom senso a impediu de demonstrar como se sentia. Era errado pensar na transa dos dois como algo especial e o próprio Sidney a alertou sobre não esperar nada dele. Não queria que o rapaz se sentisse responsável por ela ou pior: com pena. Na noite passada, ela deixou- guiar pelo desejo e agora teria que responder por isso agindo de maneira racional. Ela levantou da cama vagando o olhar pelo quarto até notar a camisa jogada perto da cama. Mas antes que ela conseguisse alcançar a roupa, Sidney se pôs na sua frente.

— Também foi bom pra mim.

— Hum... acho que pela primeira vez concordamos.

O riso soou falso apesar do seu esforço. Levar a situação da maneira mais simples possível parecia ser o certo a se fazer, no entanto, os seus sentimentos a impedia de alguma forma. Flaviana sabia que aquele momento não duraria e que ela precisava resolver a própria vida, por isso não deveria arriscar envolver-se ainda mais por Sidney. Só que reconhecer isso a entristecia.

— X –

— Oi!

— Sofia?!

Raissa deixou o trabalho de lado quando a loira apareceu na porta da sua sala. O seu sorriso foi o suficiente para fazer fazê-la ter certeza que já não podia mais esconder o parentesco entre as duas.

— Não tô atrapalhando, né?

— Não! Claro que não. Entra.

Sofia entrou na sala da orientadora e sentou-se diante dela. Estranhamente, ao passar pela sala da orientação a loira sentiu-se impelida a falar com a mulher por quem já havia desenvolvido certa consideração. No entanto, não foi uma ação inconsciente admitiu a garota ao relembrar os pensamentos que teve na noite anterior. Raissa parecia compreendê-la e a fazia bem conversar com a orientadora.

— Então, ao que devo sua visita? Faz tempo que não nos vemos.

— É, eu sei. É que aconteceram algumas coisas na minha vida... algumas boas e outras ruins. E é sobre essas ultimas que eu queria conversar com você.

— Eu fico feliz que você tenha me procurado. – Falou Raissa emocionada. – E sobre o que você quer conversar?

— Meus... pais biológicos.

— X –

Anita sentia-se uma idiota esperando-o no quarto garagem quando era claro que Ben a estava evitando. Angustiada, ela observou o lugar tentado distrair-se ao mesmo tempo que era impossível não pensar nos momentos que eles tiveram ali. Anita acreditava que esses momentos fossem felizes, mas dava-se conta agora que eles representavam apenas uma mentira sobre um conto de fadas que só existiu na sua cabeça. Depois de muito esperar, Benjamim finalmente chegou ao quarto.

— Anita? O que você faz aqui? – Perguntou o rapaz surpreendido.

— Não é obvio?! Não finja ser idiota! – Exclamou sarcástica, o gosto amargo da bile subindo até a boca. Ele realmente a considerava tão ingênua? Pensou a ponto de um ataque histérico. – Não depois de ontem e como você se portou! Depois do que você disse sobre a Sofia!

— Você está com raiva.

— Claro que estou com raiva, Ben! Por mais quanto tempo você ainda vai fugir de mim? Até quando vai ignorar os meus sentimentos?

— Eu não estou fugindo! – Irritou-se Benjamim sentindo-se acuado.

Anita não era aquela pessoa que o atacava tão diretamente. Ela era doce e compreensiva apesar de tudo e tê-la o julgando daquela forma o fazia se sentir o pior sujeito do mundo. O que na verdade ele era.

— Não está?! – Anita encarou o namorado não sabendo mais o que dizer. Ela estava cansada e já não suportava mais procurar desculpas que justificassem o comportamento de Benjamim. – Não é o que parece! Nossa conversa de ontem... você ainda não me respondeu. Você ama a Sofia? Você ama a minha irmã?

— Eu... – Ben fitou a namorada por um longo instante. Ele já não tinha mais forças para lutar contra o que sentia e nem mesmo o carinho que sentia pela garota era o suficiente para fazê-lo levar aquela relação adiante. – Eu lutei muito contra esse sentimento.

— Eu não quero explicações... eu só quero a verdade.

— Eu amo.

Anita sorriu entre lágrimas sentindo-se a pessoa mais miserável do mundo. No fundo, ela sempre soube sobre a forte ligação entre Benjamim e Sofia, mas preferiu ignorar por causa do amor que sentia pelo rapaz. Não existia um final feliz para a sua história e seu príncipe já não era mais encantado. Talvez a culpa fosse sua por ter insistido tanto e se colocado naquela posição quando houveram tantos sinais de alerta. E mesmo agora, com seu relacionamento ruindo ela sabia que ainda o amava.

— X –

— Não foi a primeira vez. Ontem nós concordamos em ficarmos juntos... não em palavras, mas nós dois queríamos o que aconteceu.

— Sidney, por que você tá fazendo isso? – Questionou Flaviana não conseguindo mais lidar com a situação. Ele estava agora muito próximo, bem mais alto do que ela, fazendo-a sentir-se apreensiva. – O que você quer de mim?

— Eu quero que pare de me ignorar!

— Não estou fazendo isso!

— Não?!

Irritado, Sidney puxou Flaviana e a prendeu entre os braços não deixando-a escapar. Ela estava deliberadamente mantendo-o afastado e fingindo que nada havia mudado. Ele próprio não sabia que estava diferente, no entanto, não queria que ela o tratasse como alguém insignificante de quem podia se livrar quando a luz do dia trazia a consciência do que haviam feito.

— Ontem à noite... nós transamos. Você gemeu o meu nome quando eu estava dentro de você. Então não finja que eu sou descartável, porque nós dois sabemos que eu não sou.

— Por que não? – Flaviana tentou ser sarcástica, mas o tremor da voz apenas denunciou sua insegurança. Ela não entendia porque ele estava insistindo em algo que certamente não os levaria a nada apesar de saber que era mais forte do que os dois. – Você não me quer aqui!

— Por que não?

— Não é óbvio?

— Não, não é!

Perturbado, Sidney fez a única coisa possível naquele momento e a beijou com desespero.

— X –

Giovana andava de um lado para o outro, impaciente. Estava esperando do lado de fora da sala de orientação após ser mandada para lá por uma freiras por causa do comportamento impulsivo. Há dois dias que sua mente maquinava estratégias de como manter Ben afastado de Sofia, mas nada parecia se encaixar naquela história. O namoro de Sofia com Serguei só a confundiu ainda mais sobre as intenções da loira, mas Gio não estava disposta a desistir sem lutar. Sem querer ouviu vozes alteradas vindo da sala e aproveitando-se de que não havia mais ninguém por perto ela se aproximou da porta entreaberta reconhecendo as vozes de João e Raissa.

— Como você pôde, Raissa?!

— Eu sinto muito.

— SENTE?! – Gritou João sem se importar de estarem no colégio. – ONDE ELA ESTÁ?!

Um som oco ecoou pela sala assustando Giovana. Raissa estava chorando e João parecia fora de controle. O que quer que fosse que estivesse acontecendo entre os dois era certo que era algo muito grave. Sentindo-se como uma intrusa, Giovana resolveu se retirar, no entanto, estancou no lugar ao ouvir as últimas palavras do casal.

— Ela não sabe sobre nós... a Sofia não sabe quem eu sou de verdade.

— Sofia? Ela é a minha filha?!

Notas finais
Ok... Não tivemos SerFia, mas tivemos alguns momentos tensos! Fim de namoro Benita depois de séculos... não sei se fico feliz ou com medo! ¬¬ Flaviana tentando afastar Sidney... fica logo com esse boy! Giovana descobrindo a verdade sobre os pais da Sofia... isso não vai prestar! Bem, por hoje é isso! Comentem o que acharam do capítulo e o que esperam para o próximo! Ps: Vou tirar um tempinho para responder todo mundo, eu prometo! Até domingo!