Notas iniciais
Hum... continuando! Sidiana sob o mesmo teto? Temos sim! Sofia decepcionada? Também... :( AnJúlia desnecessárias ao extremo? Vou nem comentar! SerFia em conflito é o que temos para hoje! Leiam!

— Você espera aqui.

Flaviana permaneceu onde Sidney ordenou sem expressar nenhum tipo protesto. Depois de finalmente chegarem ao Grajaú, a morena duvidava ter forças para nada além de assentir afirmativamente com a cabeça. A chuva ainda caia com força e não parecia haver viva alma na rua naquele momento. Todo o cenário improvável demais, onde a única coisa real parecia ser o frio que sentia e fazia seu corpo tremer da ponta dos pés à cabeça. Ela observou o loiro dar a volta na casa como se esperasse encontrar alguém e voltar instantes depois. Ele estava em um estado tão deplorável quanto o seu, alguns fios do cabelo encaracolado caindo sobre a testa e o terno que ele completamente encharcado. Eles não trocaram uma palavra sequer durante a viagem e agora a morena não se sentia capaz de falar nada, como se os motivos de terem brigado e ainda assim ele ter voltado para ajudá-la não importassem tanto.

— Vem. – Sidney estendeu a mão para a garota.

A morena levou alguns segundos até entender o que aquele gesto significava. Ao aceitar a mão de Sidney, sentiu-a tão fria quanto a sua o que a fez sorrir ao mesmo tempo que desejou chorar como nunca. E o pior ou melhor, ela não sabia, queria fazer isso por ele. Por Sidney ser um idiota e ter iniciado aquela história, mas também por tê-la defendido e voltado quando ela precisou.

Os dois entraram na casa deixando um rastro de água por onde passavam. Eles subiram a escada e andaram pelo corredor até chegarem a um quarto. Tinha uma cama de solteiro no centro, algumas roupas espalhadas, pôsteres de bandas nas paredes... Flaviana não precisou ver muito para saber que era o quarto dele. Parecia o ambiente perfeito para um ogro: sombrio e bagunçado, mas reconfortante de alguma forma.

— Dona Maura não tá em casa. – Sidney começou a se livrar da roupa molhada. – Isso nos dá algum tempo.

— Tempo?! – Exclama Flaviana não entendendo as palavras do rapaz. – Tempo pra quê?

— X —

— Desculpem-me atrapalhar a conversa.

Serguei voltou-se imediatamente na direção de Sofia, não escondendo a surpresa por vê-la. O semblante da loira não deixava transparecer nada do que se passava em sua cabeça, embora a tensão do corpo feminino fosse perceptível. Ela não precisou dizer para que ele soubesse que estava ali há algum tempo. E o fato dela simplesmente ignorá-lo apenas reforçava isso.

— Eu vim avisar que a mamãe ligou e disse que tá tudo bem com a Giovana, mas ela vai ter que permanecer em observação por mais uma hora. – Falou a loira para uma Anita calada. Dito isso, lançou um último olhar antes de voltar a subir a escada. – Podem continuar.

— Eu... – Júlia tentou se desculpar com o amigo, mas sabia que seria inútil. Talvez ela tenha ido longe demais. – Sinto muito. – Aceitou a culpa com resignação.

Serguei levou apenas um instante antes de seguir a namorada deixando as amigas para trás. No corredor, a loira não parou para olhar embora tivesse plena convicção de que ele vinha ao seu encontro. Podia sentir na pele a presença do ruivo antes mesmo dele detê-la pelo braço. Não sabia o que dizer, mas não iria fingir que não estava magoada, porque tinham prometido serem verdadeiros um com outro. E também não queria brigar com ele pelo que tinha descoberto graças a Júlia, porém naquele momento parecia inevitável.

— Acho que sua amiga não gosta mesmo de mim! – Sofia falou sarcástica antes de voltar-se para o namorado. – Não preciso dizer que ouvi tudo, preciso?

— Não e eu não nego o que disse.

— Poderia? – A voz saiu um pouco embargada e ela se detestou por isso. – De verdade, acho melhor nós não termos essa conversa agora, porque sinto que podemos acabar muito mal.

A loira deu as costas para ele na intenção de voltar para o quarto do irmão, mas o ruivo a segurou novamente. Ela o fitou incerta e pode notar o esforço que ele fazia para manter a calma. Ela própria esforçava-se para não explodir, pois apesar de tudo não queria piorar o clima entre eles. Mesmo diante do que ouviu, ela acreditava nos sentimentos de Serguei por ela. Apenas não se considerava pronta para um confronto ou perdoá-lo tão prontamente.

— Nós prometemos confiar um no outro, lembra?

— Acho que isso foi antes de saber qual o seu objetivo inicial. Então, eu não estava errada, não é? No fim das contas, a Anita foi o motivo. – Sofia tentou rir, mas o som saiu engasgado como um soluço numa mistura de raiva e tristeza. – Eu sabia que tinha um motivo... Talvez, eu sempre soube, mas quis fechar os olhos, porque... – Desviou o olhar para não encará-lo.

— Por quê?

— Eu quis saber porque de repente você pareceu muito interessado em mim. – Confessou voltando a fitá-lo diretamente. – Interessado de verdade.

— Porque eu estava! Não nego que a Anita tenha sido um dos motivos, mas me aproximei porque eu quis! Eu não conseguia parar de pensar em você, desde o nosso primeiro encontro na sala de música, eu não consegui me manter afastado!

Serguei segurou-a pelo rosto, desesperado para que a namorada acreditasse em suas palavras. Ele precisava que Sofia o perdoasse.

— Quer mesmo que eu acredite?

— Eu mesmo não acreditava! – Para o ruivo ainda era difícil compreender como tudo aconteceu, mas tinha certeza que era o destino deles. – Eu te conheço há tanto tempo e de repente, eu vi em você mais do que eu estava disposto a enxergar. E eu fiquei confundido com a diferença entre a garota que eu achava que conhecia e a garota que eu descobri em você. E pela qual me apaixonei! Eu já te falei, não é mentira!

Ele a beijou apaixonadamente numa tentativa de transmitir a verdade do que sentia. Sofia tentou resistir no início, mas acabou se entregando ao beijo. Por um tempo, nada do que havia acontecido na sala importou. Júlia e Anita tornaram-se um borrão na mente conturbada da garota. Ele a queria, isso era nítido. Ninguém poderia fingir tamanho desespero com o qual ele a beijava, no entanto nem isso parecia reconfortar seu coração. Com pesar, após minutos que pareceram durar uma eternidade para ambos, Sofia se desvencilhou de Serguei.

— Eu sei que deveria ter contado antes, mas tudo parecia ir contra nós. Tanto que só na noite passada nos entendemos pra valer.

— E isso te desculpa?

— Não, claro que não! Mas, por favor, você precisa confiar no que eu te digo... eu ia falar com você. Eu não queria nenhuma história mal contada entre nós.

— Mas a Júlia chegou primeiro... – Sofia suspirou entendo o porquê da outra garota ter iniciado aquela conversa quando sabia claramente que ela estava ouvindo. – E eu esperei que você negasse, mas apenas confirmou o que no fundo eu já sabia.

— Não acredita que eu estou apaixonado por você?

— Eu acredito sim... só não sei se você está feliz por isso. A forma que você abraçou a Anita... a impressão que eu tive foi a de que você estava se desculpando por ter feito algo errado. – E por pouco ela não voltou correndo de onde estava para longe, porém não poderia conviver com a dúvida e foi até eles somente para se decepcionar ainda mais. – E é muito difícil não pensar que o seu arrependimento era sobre se apaixonar por mim.

“Algo que não estava nos seus planos”.

Esse pensamento não foi verbalizado pela loira, mas seu olhar parecia gritar cada palavra. O silêncio caiu sobre eles de forma opressora. A garota sabia que suas palavras o haviam magoado também, mas ela não pediria desculpas por dizer como estava se sentindo. Ela realmente acreditava nos sentimentos de Serguei e queria poder apagar aquela história entre eles, mas não sentia-se capaz de fazê-lo no momento. Não quando apenas o fato de olhá-lo reavivava dores em relação a irmã que ela jurou estarem enterradas. Serguei poderia estar apaixonado, mas a razão pela qual aconteceu, o simples fato de ser Anita o motivo principal da aproximação do ruivo, manchava o sentimento de alguma forma.

— Serguei, o Pedro tá doente e eu não quero deixá-lo sozinho. – Ela tentou manter-se firme, embora estivesse à beira das lágrimas. Também sentia-se culpada por acreditar que ele ressentia-se do que sentia por ela. – Ter essa conversa agora foi um erro... você devia voltar para as suas amigas.

— X —

— Você pode usar o banheiro agora.

Flaviana sobressaltou-se com a chegada de Sidney ao quarto. Ela acabara de tirar o pijama e não conseguiu evitar que ele a visse apenas de calcinha e sutiã. Se o clima entre eles já era ruim, a tensão pareceu acentuar cem vezes mais. A cada segundo que passavam na presença um do outro, a situação tornava-se mais dramática.

— Ficou maluco? – A morena passou os braços em volta do corpo tentando esconder sem sucesso a sua semi nudez. – Você não sabe bater na porta?

— Pra entrar no meu quarto? Até parece, Patricinha!

Sidney passou por ela indo até o guarda-roupas de onde tirou uma toalha limpa e arremessou-a em seguida para a morena. Flaviana enrolou-se no tecido com certa dificuldade tentando ignorar o constrangimento que sentia e o fato de estar tão vermelha quanto a lingerie que usava. Ele vestia apenas uma toalha envolta aos quadris e, de costas para a morena, parecia completamente indiferente a sua presença no quarto. Não que ela quisesse algum tipo de atenção dele, ainda por cima alguma com teor sexual, pensou marchando para a porta. Embora, sendo sincera, ironicamente, todos os gestos e palavras que os dois trocassem estivessem carregadas com tal apelo íntimo.

— Um pouco de educação não te faria mal! – Disse entre dentes deixando-o sozinho. – Grosso!

O loiro olhou por sobre o ombro para ter certeza que ela já não estava mais lá. Com um gemido, olhou para baixo onde a toalha escondia um volume indesejado naquele momento. Diferente do que Flaviana pudesse acreditar, Sidney estava completamente afetado por ela embora não estivesse feliz com isso. Ele queria se livrar da garota o quanto antes. Por algum motivo completamente desconhecido, sentia-se cada vez mais perto de perder a cabeça e eles acabarem numa situação da qual os dois se arrependeriam. Flaviana era um meteoro colidindo em sua vida e causando todo tipo de estrago. Sidney aceitou que nada de bom poderia resultar daquela situação.

— X —

— Tá tudo bem com você?

— Tá... por que não estaria? – Sofia tentou rir para despistar Pedro, mas deixou escapar um soluço que logo desencadeou um choro emocionado. – Droga, droga... droga!

Embora debilitado, Pedro deixou a cama e foi até a irmã abraçando-a. O simples gesto intensificou ainda mais o desemparo que a garota sentia por conta de Serguei. Ela o tinha deixado no corredor, fugindo como a covarde que não era por temer que ele descobrisse a extensão da sua dor. Com apreensão, a loira deu-se conta de que as ações do ruivo tinham um grande poder de feri-la. E que nesse momento, ela não tinha nenhum controle sobre os próprios sentimentos. Somando-se ao estresse vivido, a sua dor de cabeça parecia se agravar com o passar dos minutos.

— Por que ele mentiu? Por quê?! – Lamentou-se Sofia entre soluços odiando-se por não ter extravasado sua raiva contra o namorado quando teve chance. Ao invés disso estava chorando com o irmão de nove anos por ele. – Ele mentiu! Não foi por mim... eu não fazia parte do plano.

Pedro escutava a irmã em silêncio preocupado somente em confortá-la. Não sabia a quem ela se referia, mas quem quer que fosse o responsável pela tristeza de Sofia, ela deveria amar muito essa pessoa para demonstrar tal sentimento. Após alguns minutos, o acesso de choro acabou deixando apenas um rastro de lágrimas no rosto da garota e olhos vermelhos.

— Desculpa, Pedro... – Sofia encarou o menino com pesar. Seu mal-estar emocional piorando seu estado físico numa pequena tortura a ser enfrentada. – Eu deveria cuidar de você e não te preocupar.

— Você quer falar sobre o que aconteceu?

— Não... – Negou-se pra logo voltar atrás. Tudo estava confuso e a dor a não fazia pensar com clareza. – Eu não sei.

— Não sabe? – Indagou o menino compreensivo. – A mamãe sempre diz que ajuda quando a gente fala sobre nossos problemas.

— E ela sempre está certa, não é?

— Sempre.

— X —

— Eu estava preocupada! – Júlia se aproximou de Serguei com receio. – Você está bem?

Anita, mais sensível, limitou-se ao silêncio tentando decifrar a expressão do amigo.

— Ela não quer conversar comigo.

Serguei encarou as duas amigas, desolado. No fundo, ele sabia que Sofia tinha todos os motivos para estar magoada com ele. A julgar pela forma como ela descobriu sobre o início do envolvimento dos dois, certamente seria necessário mais que um pedido de desculpas até que a loira o perdoasse. Pensar nisso o deixava ainda pior e ele aceitava que a responsabilidade por qualquer desfecho daquela história era sua.

— Eu sei o que pode parecer... – Tentou se explicar o rapaz. – Eu não fui sincero.

— Serguei não precisa se explicar! – Interrompeu-o Anita. – A Sofia... ela é uma pessoa difícil. Eu entendo que esse... – A garota fitou o amigo desconcertada com o assunto. – envolvimento entre vocês não foi proposital.

— Não foi. – Concordou Serguei nervoso passando a mão pelos cabelos. – Nenhum de nós esperou por isso.

— Bom... as vezes nos deixamos levar pelas emoções.

Anita tentou reconfortar o amigo que aparentava estar bastante abalado. “Efeito Sofia”, pensou com certo cinismo ainda não acreditando como alguém centrado como Serguei poderia ter se deixado enrolar por sua irmã. De alguma forma, ela tinha que reconhecer o talento da loira em atrair as pessoas que lhe eram importantes. Não apenas Benjamim como também seu melhor amigo estava envolvido por pela garota ao ponto de se agredirem por causa dela.

— Talvez tenha sido melhor assim. – Emendou Júlia. Apesar do mal estar que sentia, se suas ações servissem para trazê-lo de volta a sanidade, então teriam valido o risco. – Essa história já começou errada.

— Eu concordo com a Julinha! Eu não sei exatamente o que aconteceu entre vocês e apesar de agradecer suas intenções, não quero que continue com essa loucura por minha causa.

— Ela ainda é a Sofia. – Júlia pontuou como se aquele fato fosse o suficiente. – Você não pode negar isso.

O ruivo encarou Anita e depois Júlia, agora mais consternado do que abatido. A facilidade com que as duas pessoas que mais o conheciam se desfizeram dos seus sentimentos o deixou em choque. Ele sabia quem era Sofia. Ter se apaixonado por ela não fechou seus olhos para quem ela era ou os erros que um dia ela cometeu. A diferença é que agora ele enxergava mais do que apenas os defeitos dela. A namorada era uma pessoa real para ele e, no entanto, a impressão que ele passava para as pessoas era a de alguém levado pelas circunstâncias? Sofia não o havia arrastado para aquela história sem que ele próprio estivesse ciente dos seus sentimentos. Ao fim e a cabo, ela quem tentou afastá-lo desde o início quando ainda julgavam sentirem apenas uma atração inexplicável. Ele a buscou enquanto ela resistia e pensar sobre isso o fez relembrar algo que ela disse na noite antes de eles dormirem juntos pela primeira vez.

“É um erro... Você não quer fazer isso”.

Notas finais
Ai... Sofia! 3 Só mesmo o Pedro pra consolar minha bebê! Serguei vacilou, mas espero que ele enxergue o quanto as "amigas" querem que SerFia dê errado. Bom, é isso! Comentem, critiquem: me digam o que faz vocês felizes! Até a próxima postagem! ;)