Notas iniciais
Oieeee... tô morta! Virei a noite escrevendo relatório e ainda não terminei, mas enfim! Estou aqui por um bom motivo: capítulo novo da FIC! ♥ Novas histórias sendo desenvolvidas... sim, eu estava com saudades de uma certa personagem! E hoje temos uma revelação importante. Não me matem!

O quarto estava escuro e silencioso quando Sidney voltou. Ele não sabia quanto tempo tinha ficado jogado no sofá da sala olhando pro nada enquanto era consumido por sentimentos conflitantes. Mas pelo visto havia sido tempo suficiente para que ele acabasse adormecendo mais por conta da raiva de si mesmo do que pelo cansaço. Como um idiota, ele se permitiu afetar pelas notícias do pai e direcionou seu ódio contra a pessoa mais próxima e vulnerável. Os olhos azuis magoados o perseguiram mesmo durante sono em meio a sonhos perturbadores.

— Flaviana? – Chamou num tom baixo. Mesmo na penumbra, divisou a figura encolhida na poltrona do outro lado do quarto. – Flaviana?

Não houve nenhuma resposta. O loiro esperou alguns segundos antes de sair novamente e deixá-la em paz. Talvez estivesse dormindo ou simplesmente o ignorando pelas grosserias que ele havia dito aquela tarde. Não haviam desculpas para sua atitude e em algum nível, Sidney aceitou merecer o ódio dela.

— X –

Sofia e Serguei entraram no quarto da garota ainda de mãos dadas. Não que isso significasse muito, levando-se em consideração que ela parecia furiosa. Ele não havia dito nada enquanto foi guiado por ela que por sua vez mal pensava no que fazia. A loira apenas o queria longe de Benjamim e do ódio que este parecia nutrir pelos dois. Seguros do mundo lá fora, Sofia deu margem as emoções que estava contendo.

— O que foi aquilo lá na sala?! – Indagou entre furiosa e emocionada. – Será que a cena de ontem não foi suficiente? Se quer tanto se machucar, eu mesma posso fazer isso!

Num impulso, a loira socou o peito do ruivo. Forte, mas não o suficiente para machucá-lo. Logo outros golpes se seguiram, desconexos e intercalados por soluços de um choro incontido. Serguei segurou a namorada surpreendido por sua passionalidade. Depois do que acontecera no corredor, acreditou que ela não se importaria se estava vivo ou morto. Porém, contrariando a suas crenças, lá estava ela preocupando-se por ele. Aliviado, estreitou-a entre os braços ignorando as tentativas da loira de desvencilhar-se. Não demorou até que a garota cedesse e se agarrasse ao ruivo dando ainda mais vasão as lágrimas.

— Odeio você! – Sofia afundou a cabeça no pescoço do rapaz aspirando o seu perfume. Ele era real e de repente o peso que sentia sobre o peito se desfez. – Eu odeio você e eu não sei o que fazer! Eu amo muito você!

Serguei sorriu diante da declaração ao mesmo tempo que deixava escapar algumas lágrimas. Sofia era uma confusão e ele a amava. Amou-a mais ainda por sua explosão e vulnerabilidade em meio a sentimentos que não podia esconder.

— Me perdoa. – Pediu o ruivo humildemente acariciando os longos cabelos loiros. – Não foi minha intenção te magoar. Eu fiz tudo errado e aceito que você precisa de um tempo para digerir tudo, mas por favor, não me mande embora quando tudo o que eu quero é te ter assim.

A dor contida na voz do ruivo partiu o coração de Sofia. Ele cometeu um erro e o seu arrependimento era sincero. Ela o abraçou ainda mais forte sendo prontamente correspondida por ele. Ficaram um tempo assim, juntos, perdidos um no outro enquanto o mundo deixaria de existir mais uma vez para eles.

— X —

— Ben, onde você vai? – Anita tentou deter o namorado, mas o viu sair pela porta tão rápido como havia chegado há uma hora. – Ben!

Apesar de suas suplicas, o príncipe tinha ido simplesmente embora deixando-a no olho do furacão. Serguei e Sofia tinha subido para sabe-se lá aonde e apenas Júlia permanecia para prestar-lhe algum apoio. A confusão que começou na madrugada parecia não ter mais fim.

— Ele tá de cabeça quente. – Opinou Júlia na tentativa de remediar a situação. – Todos nós estamos.

— Sim, mas nem por isso agredimos ninguém! – Argumentou a princesa farta das desculpas direcionadas ao namorado. – Você viu Júlia, ele socou o Serguei! O Ben nunca foi um cara violento.

— Depois de hoje, duvido muito que saibamos quem é quem agora.

Júlia suspirou exausta por toda aquela confusão. Estava literalmente entre a cruz e a espada: de um lado Anita e seu namoro conturbado e de outro Serguei e Sofia e a relação confusa deles. Como tomar algum partido quando nem mesmo sabia o que se passava? Ela não era nenhuma fã de Benjamim e acreditava sinceramente que a amiga estaria melhor sem ele, mas também não colocava a mão no fogo por Sofia. Em sua opinião, a loira poderia muito bem estar manipulando Serguei para colocá-lo contra os amigos. Fosse como fosse, a única certeza que tinha é que aquela história não poderia acabar bem.

– O que eu faço, Júlia?

— X —

— Eu vou fazer alguma coisa pra comer. Você quer?

Sidney encostou o rosto na porta esperando ouvir alguma coisa, mas o silêncio do outro lado foi a única resposta que obteve. Ok, ele tinha sido estúpido e dito coisas que ela não merecia, mas ser ignorado todo aquele tempo estava tirando-o do sério. Era horrível ter que admitir, mas ele preferia tê-la gritando com ele do que fingindo que não existia. Frustrado, seguiu em direção a escada.

Na cozinha, abriu a geladeira para então decidir preparar sua especialidade: macarrão instantâneo. Longe de ser um exímio cozinheiro, lidar com uma massa nada nutritiva e temperá-la com altos teores de sódio por alguns minutos era o máximo que seus talentos culinários lhe permitiam. Com a comida pronta voltou para a sala e ligou a TV, mas nada de interessante prendia-lhe a atenção. Nenhuma distração parecia capaz de tirar seus pensamentos da garota no quarto e o fato dela ter passado o dia sem comer nada.

Irritado, o loiro largou o prato de lado e foi mais uma vez ao quarto dessa vez entrando nele. Ela ainda estava no mesmo lugar que a deixou uma hora atrás. Pela posição, ele não duvidava que enfrentaria dores musculares mais tarde, por ser teimosa e não ter ido para a cama por causa da discussão deles. Observando-a, Sidney notou que ela vestia a sua camisa xadrez e que está a cobria até o meio das coxas. Os cabelos caiam parcialmente sobre o rosto adormecido escondendo sua expressão. Talvez ela tivesse adormecido enquanto chorava, pensou com remorso sentindo-se a pior pessoa do mundo.

— Flaviana? – Chamou-a outra vez. – Flaviana!

Cansado, foi até ela e a balançou levemente pelos ombros. Em resposta, ela emitiu um gemido rouco de dor. Sidney colocou a mão sobre a testa da garota notando com apreensão que ela ardia de febre.

— X —

— Me desculpa por ter batido em você.

— Eu mereci.

— Ah... mas com toda certeza! E eu até bateria mais se você já não tivesse encontrado alguém para fazer isso.

Sofia conseguiu sorrir pela primeira vez desde que chegaram ao quarto. Após o que pareceu ser muito tempo, saiu do abraço de Serguei e o encarou diretamente. Os olhos verdes se perderam no ruivo como que atraídos pela imagem dele. Depois da cena na sala, desejava apenas mantê-lo consigo e longe de qualquer mal.

— Sobre o que aconteceu hoje... – Ela respirou fundo antes de prosseguir. – Eu odiei saber que você se aproximou de mim por causa da Anita. Senti muita raiva por pensar que se apaixonar por mim não estava nos seus planos e que embora tenha acontecido, você sentia-se culpado por isso.

— Não sinto! – Respondeu Serguei rapidamente. – E se de alguma forma te fiz pensar isso, peço que me perdoe.

A garota calou-se acreditando na sinceridade estampada no rosto do namorado. Por mais difícil que tenha sido, tinha certeza de que poderiam superar aquela história e recomeçarem. Além do mais, ela própria já tinha cometido erros e não podia ser injusta ao julgá-lo por ser humano também.

— Tem mais alguma coisa que você queira me contar? – Indagou ela com a expressão neutra. – Ou eu tenho que perguntar pra Júlia?

Serguei levou alguns instantes até entender o que as palavras da loira realmente significavam. Aliviado, envolveu Sofia pela cintura unindo-a a ele. Era como tirar um grande peso do coração por saber que não estava tudo perdido e que ela lhe daria uma chance. Óbvio que Sofia ainda estava chateada, no entanto, não estava condenando sua omissão. Perceber isso o fez querer mantê-la no junto a si o máximo de tempo possível.

— Tem... – O ruivo beijou-a com todo o carinho possível naquele momento. – Eu amo você.

— X —

Vasculhando entre os armários, Sidney finalmente encontrou o que precisava. O alívio que sentiu foi indescritível comparado somente a rapidez com que voltou ao quarto. Flaviana agora estava na cama, mas ainda mantinha-se encolhida com os braços em volta do corpo. Ao aproximar-se, o rapaz percebeu que ela tremia de frio apesar da febre.

— Por hora, isso vai ter que funcionar! – Falou ajudando-a a sentar-se na cama. – Por que não pediu ajuda?

Flaviana emitiu um gemido de protesto e tentou desvencilha-se, mas com o braço Sidney a manteve sustentada parcialmente contra o seu corpo. Ela estava desorientada pela febre, mal conseguindo abrir os olhos, mas institivamente queria ficar longe dele. Perceber isso, fez o loiro sentir-se ainda mais culpado. Quanto tempo ela teria ficado jogada na poltrona? Ele não sabia, mas tinha plena consciência que, depois de como a tratou, a última pessoa a quem ela iria querer perto seria ele.

— Você precisa colaborar. – Insistiu o rapaz. – Não seja teimosa.

Ele fê-la abrir a boca e tomar o antitérmico com dificuldade. Flaviana tossiu e cuspiu um pouco da água devido a dor na garganta. Só restava agora a ambos esperarem que a medicação surtisse efeito e que a febre baixasse, caso contrário, não restaria alternativa à Sidney se não pedir ajuda. E ele aceitava que ela não o perdoaria por isso também.

— X —

Serguei estreitou ainda mais Sofia nos braços distribuindo beijos pelo seu rosto, do maxilar ao pescoço, voltando a atenção novamente para a boca. Em questão de segundos, ela sentiu as costas serem pressionadas contra colchão e o ruivo ficar sobre ela, a mão explorando seu corpo por debaixo da blusa. O clima esquentou e os carinhos desajeitados já não eram suficientes. Porém, embora a garota quisesse muito ficar ali com ele, não foi capaz de ignorar o incomodo que sentia devido a dor de cabeça.

— Para, Serguei... – Gemeu quando ele tocou um de seus seios, o corpo sensível. Por mais frustrante que fosse, não poderia se entregar ao desejo no momento. – Serguei!

— Qual o problema? – O ruivo buscou o olhar da namorada. Sua expressão era preocupada ao fitá-la. – Eu te machuquei?

— Não, amor... – Sofia segurou o rosto do namorado entre as mãos e o beijou de leve. Mal se deu conta do termo carinhoso usado de forma tão natural pensando apenas em não preocupá-lo. – É que eu não me sinto bem agora para nós... você sabe.

— Isso não importa. Eu só quero saber se você tá bem? – Serguei saiu de cima da loira de modo desajeitado. Analisou-a detidamente em busca de algum sinal de desconforto ou dor. – O que você tá sentindo?

— Serguei, eu tô bem! É apenas um dor de cabeça... não dormi bem a noite e acho que as coisas que aconteceram hoje me afetaram mais do que eu gostaria. Mas não é nada grave, eu vou sobreviver!

No entanto, a explicação despreocupada não pareceu convencer o ruivo. Sofia tentou sorrir, mas o máximo que conseguiu foi uma careta de dor. Agora que as emoções estavam sob controle, a dor de cabeça se mostrava mais intensa e dificilmente um remédio comum surtiria algum efeito. E apesar disso, ela não admitiria a fragilidade para ele nem sob tortura.

— Realmente você não parece alguém em seu leito de morte, mas não está bem.

— Eu tô bem! – Exclamou bufando por ser contrariada.

— Por que não me falou antes? Está com seu remédio? – Serguei ignorou as tentativas de Sofia de negar seu estado. – É melhor você ficar deitada.

— Eu não quero ficar deitada! E não te falei nada, porque estávamos brigando.

Sofia observou irritada o ruivo sair da cama após lhe dar ordens. Teimosa, ela tentou se levantar, mas a dor a fez tombar sobre o colchão com um gemido. Talvez ela devesse ceder aquela vez, pensou passando a mão pelo rosto. Ou possivelmente seu senso de independência a faria ignorar os sinais físicos que seu corpo emitia e agir com teimosia.

— Nós não brigamos: você brigou comigo. – Falou o rapaz aproximando-se dela outra vez. – E para de ser teimosa se não a dor vai piorar!

— Não vai... eu... – A voz da garota falhou diante de olhar irônico dele. – Olha só quem fala! Seu rosto está machucado outra vez... se continuar levando socos com a mesma frequência que tem levado vai acabar desfigurado!

Serguei riu em resposta a malcriação da garota. Ela estava determinada a contrariá-lo, mas nem toda a má vontade parecia capaz de diminuir a dor. E ele sabia que ela poderia ser bem intensa e a julgar pelo fato da garota mal conseguir abrir os olhos estava claro que a situação era grave.

— Eu tenho que cuidar do Pedro... – Choramingou uma última tentativa para convencê-lo. – Eu tenho algumas aspirinas na minha bolsa que está no quarto dos meninos.

— Você tem que cuidar de você. – Serguei beijou-a carinhosamente trazendo-a para um meio abraço com cuidado. – Você vai tomar o remédio e eu fico de olho no Pedro enquanto você descansa, combinado?

— Tenho escolha?

— Não.

— X —

— Então, mais calma?

— Sim... obrigada!

Anita sorriu fracamente para amiga devolvendo-lhe o copo que até então continha água com açúcar. O acesso de choro tinha passado, mas a tristeza que sentia não. Benjamim havia ido embora sem ao menos uma explicação e ao que parecia Serguei não estava muito disposto a esclarecer as coisas depois do incidente daquela tarde. O único apoio que lhe restou foi Júlia e sua admirável lealdade para com os amigos.

— Você acha que eles vão ficar juntos? – Indagou Júlia a certa altura quando o silêncio tornou-se opressor. – Quero dizer... em uma relação?

— Há quanto tempo nós conhecemos o Serguei, amiga? – Anita questionou de forma direta. – Ele é um cara maravilhoso e nosso amigo, mas também sei que ele pode ser bem intransigente quando quer.

— O que você quer dizer?

— No momento, nada. – Refletiu Anita. – Porém, eu me pergunto: por que a minha irmã e meu amigo estão juntos agora? Eles que nunca se suportaram e que não escondiam isso. Pelo que ela disse, eles são namorados.

— Eu não quis admitir, mas talvez eles se gostem mesmo. – Ponderou Júlia. – Se for assim, não podemos fazer nada.

— Você esqueceu quem é a Sofia?

Anita não conseguiu esconder o ressentimento que sentia. Não orgulhava-se, mas não aceitava que por culpa da irmã seu namoro estivesse por um fio. Assim como também não aceitava o fato do seu amigo e namorado se tratassem como inimigos. Intencional ou não, Sofia havia posto duas das pessoas que ela mais amava uma contra a outra.

— Amiga, eu mais do que ninguém tentei evitar isso, mas não adiantou nada. – Justificou-se Júlia ainda mal por suas atitudes. – O que quer que aconteça daqui pra frente só me resta apoiá-lo ainda que eu não concorde.

— Não vai ser fácil engolir essa relação, mas você tá certa. – Admitiu por fim.

— X —

— Ainda sinto como se ele nunca tivesse partido.

— Eu também... – Raissa colocou as flores sobre a lápide. – Sinto muito a sua falta.

— Mesmo depois de tanto tempo, seu pai não consegue vir aqui. – Sussurrou Verônica como se contasse um segredo a filha. – Ele não superou.

— Nenhum de nós superou, mas tivemos escolhas mais humanas para lidar com a dor.

— Raissa... – Verônica tocou o ombro da filha. Embora existisse afeto, os erros cometidos no passado ainda ecoavam na relação das duas. – Você precisa esquecer e seguir a sua vida. Não pode mais se prender ao que aconteceu. Não é justo com você.

Raissa olhou mais uma vez para o tumulo do irmão gêmeo e como em outros momentos perguntou-se se seu destino não teria sido diferente caso ele tivesse sobrevivido ao acidente. Ele foi o seu melhor amigo numa época em que ela acreditou ser feliz e amada pelos pais. No entanto, quando ele se foi tudo o mais também mudou do modo mais infeliz possível como se a presença dele fosse a única coisa capaz de manter a família unida. Mentiras e mágoas que transformaram as vidas de todos, principalmente, da pessoa mais inocente naquela história: Sofia.

Voltando-se em direção a mãe, Raissa encarou uma das duas únicas pessoas que além dela sabiam a verdade. Ela amava Verônica e havia perdoado a omissão da mulher diante dos atos do pai, mas não tinha intenção de poupá-la do que estava acontecendo em sua vida. Talvez as relações familiares se tornassem piores e o seu pai mais uma vez a magoasse, mas ela não tinha mais dezesseis anos ou sentia medo. Desde que soube sobre Sofia, ela havia tomado a sua decisão. Isso significaria remexer velhas feridas e enfrenar João Luís, mas independentemente de qualquer outro envolvido apenas a reação da filha lhe importava.

— Não posso. – Disse simplesmente.

— Por que não? O João Luís seguiu a própria vida enquanto você vive em função de algo que não pode ser mudado.

— Eu a encontrei... – Falou emocionada. – Finalmente encontrei minha filha.

Notas finais
Hum... pesado! Awn... SiDiana! Sidney preocupado é a coisa mais fofinha *-* SerFia AMORES DA MINHA VIDA TODINHA SIM! Anita e seu eterno complexo de donzela indefesa: minha filha vamos resolver isso que você já é bem grandinha para tá esperando que os outros resolvam seus problemas! Ai... Raissa! 3 Então, agora sabemos quem são os pais da nossa Sofia... prevendo muito sofrimento daqui para frente. Comentem e me façam feliz! Beijos e até domingo!