Era Uma Outra Vez...
33 Quando a chuva cai...
Notas iniciais
– Oi Vera! – Cumprimentou Serguei ofegante pela corrida que fez do seu salão até o casarão. Por sorte, não tinha se molhado tanto durante o percurso.
– Oi querido!
– A Anita está aí?
– Não... Olha ela aí! – Falou a mulher vendo a filha e o enteado passarem pela porta completamente molhados. – Anita, Ben! O que vocês faziam nessa chuva?
– A gente tava num piquenique, mãe... – Disse pondo a sexta que havia levado para o bosque sobre a mesa. – Oi Serguei! Só não te dou um abraço, porque você ficaria ensopado! Eu vou subir para trocar de roupa e a gente pode começar a organizar a casa para a festa, Ok?
– Tudo bem! – Concordou o ruivo indo sentar-se no sofá.
– A Sofia tá demorando... – Pensou Vera em voz alta despertando interesse em Serguei e Ben que tinha ido até a cozinha beber água.
Imediatamente, ele deixou o copo de lado sentindo-se estranho. Ela estava ali, tão perto. Por que ele tinha que se importar? Mas a verdade é que ele se importava. Passando a mão pelos cabelos molhados, ele fitou Serguei que o encarava sem reservas como se imaginando o que ele faria a seguir.
– A Sofia está aqui? – Perguntou Ben após alguns segundos tentando parecer tranquilo e falhando miseravelmente. Vera acenou que sim.
– Sim lá em cima, trocando de roupa. O Pedro e a Giovanna também estão em casa... Ah, e seu irmão também. Ele acabou de subir.
– X –
Sofia olhou-se no espelho, a cabeça inclinada sem gostar do resultado. Era verde demais. Mas eram as únicas peças que havia no guarda roupa que não gritavam ‘coleção passada’. Para amenizar a sensação de se sentir um limão, prendeu o cabelo num coque e colocou uma tiara bronze e um cinto dourado na altura da cintura, mais nada. Preferia o visual que tinha quando chegou, mas teria que se virar com aquele até voltar para casa.
– Você nunca foi desastrada, mas é só aquele idiota aparecer e você perde o controle!
– Falando sozinha?
Sofia se espantou com Antônio encostado pelo ombro no batente da porta do seu quarto. Ele havia chegado sem ela perceber e parecia que ficou olhando-a por um bom tempo. O que teria ouvido? Por favor, não a sua estúpida admissão de fraqueza! Com as mãos trêmulas, ela calçou a sandália que havia escolhido quando voltou para o quarto após um rápido banho.
– Pena que não é para você, né meu querido? – Falou irônica levantando-se da cama onde estava sentada e caminhou cautelosamente até ele. – Você tá me seguindo?
– Isso é um problema?
– Não sei, vai depender da avaliação do psicólogo. Devo me preocupar?
– Você tem uma péssima opinião sobre mim.
– Era para menos? Você não se parece nada com seu irmão. Não me admira que não compartilhem os mesmos genes.
– Assim como você e a Anita? – Ele disse com um sorriso torto, a raiva contida nas palavras. – Que eu saiba você é adotada... Não tem nenhuma ligação biológica com ela.
– Isso não significa nada.
– Não? Ou você quer que não signifique? – Indagou dando um passo a frente a fazendo recuar para dentro do quarto. – Você acha que eu não sou igual ao Ben, mas você também não lembra nada a Anita.
– Por que ela é maravilhosa? Você já deixou isso bem claro na noite que me comparou a ela. – Sofia lhe deu as costas para esconder o quão fundo ele a tinha ferido. Mas ela pediu por aquilo, não? Comparou-o a Benjamim e recebeu a mesma punição.
– E na qual você negou estar apaixonada por meu ‘maninho’... Consegue ver, não somos tão diferentes no final das contas. Você vive a sombra da Anita e eu passei muito tempo sendo o irmão problemático do Ben. Porém, eu não sou o que você pensa.
– O quê? Quer dizer que você não é um maníaco sexual, maluco e pervertido que me beijou a força? Nossa, sério, isso nem me passou pela cabeça. – Sofia usou a ironia para esconder a perturbação sofrida pela a análise fria que ele tinha feito da sua vida.
Ele estava certo, ela sempre esteve à sombra da irmã perfeita. Mas isso não queria dizer que eles eram iguais.
– Certo... Nós começamos errado.
– Nós não começamos. Você me beijou na sala da minha casa sem permissão, sendo que não passa de um agregado que mora aqui de favor, porque é irmão do Ben!
– Ah... Claro, o Ben! Tudo se resume a ele, é isso? Numa coisa você tem razão, eu estou aqui graças a ele, mas não quer dizer que eu vá aceitar o papel de irmão agradecido. Eu tenho minhas próprias ideias de como vencer. E você, consegue se desvencilhar da imagem da Anita?
– Para, já chega! Você é maluco, só pode! Só sendo muito doente para fazer perguntas como essa ou mesmo pensar que nossos somos iguais em alguma coisa. Talvez eu deva falar para todo mundo o belo retardado que você é!
– E por que não faz isso? – Indagou avançando até ela, fazendo com que Sofia desce alguns passos para trás, os olhos arregalados. – Por que não falou nada a ninguém?
– Eu não sei... – Quis argumentar, mas nem ela própria tinha uma resposta para a pergunta. Ele ter salvado a sua vida deve ter influenciado na sua decisão, mas no fundo ela sabia que não falou sobre o ocorrido a ninguém, porque ele era irmão de Ben. Teve medo da reação dele, de Benjamim não acreditar nela como sempre fez. – Vai ver eu me senti em divida por você ter salvado a minha vida.
– Somente isso? – Antônio arqueou uma sobrancelha, nada covencido pela resposta.
– Sim! O que mais esperava? Não que eu me ajoelhasse a seus pés, não é?!
– Não... Ou talvez um agradecimento sincero. E já que nós dois sabemos que não vai acontecer, me vejo obrigado a cobrar.
Antônio a puxou pelo braço e a enlaçou pela cintura. Espantada pelo gesto brusco, Sofia espalmou as mãos no peito dele o empurrando em vão. Ele tinha um propósito, e ela querendo ou não, ele iria até o fim. Então, ele a beijou. Com brutalidade no inicio, os lábios dele fortemente pressionados sobre o dela. Foi como da primeira vez, invasivo, repulsivo. Entretanto, logo o beijo se tornou calmo, apenas um leve roçar de uma boca na outra como a demonstração de algo que sua mente não compreendeu naquele exato momento. A cabeça parecia rodar com mil pensamentos conflitantes sobre julgamentos e opiniões enquanto ele a soltava devagar. Sofia não sentiu medo como no primeiro beijo quando se conheceram. Pelo contrário, após o choque inicial, ela quase se sentiu capaz de responder, mas sua sanidade a impediu de fazer isso.
– Estamos quites! – Sussurrou Antônio contra os lábios entreabertos dela. Ele se afastou alguns passos e seguiu para a porta que ela notou estava aberta. Qualquer um que passasse poderia tê-los visto.
– Uma vida por um beijo? – Perguntou ela com um pouco de bom humor. Bem, ela precisava levar na esportiva não é?
– Foram dois... Se continuarmos assim, com o tempo, quem sabe você até acabe gostando. Pedindo por mais.
– Vai sonhando, esquisito! Vai sonhando! – Murmurou sem fôlego.
Ele lhe lançou um ultimo sorriso cínico em resposta e saiu fechando a porta do quarto. Parada no centro do quarto, Sofia se imaginou beijando ele outras vezes e se poderia chegar a gostar. Ela gostava de beijar, muito, quem o diga Ben, Sidney, Serguei, Antonio e até mesmo Otávio. Por que não? Ele era desimpedido, ela também... Sem falar que havia um incentivo a mais: Antônio era irmão de Ben. Como ele reagiria ao ver ela e o seu ‘maninho’, juntos? Não era uma decisão, mas poderia ser uma possibilidade. Rindo com o caminho tomado pelos pensamentos, Sofia caminhou até a saída, mas alguém abriu a porta antes que ela pudesse sair.
– X –
– Sofia!
Flaviana estacou na entrada do casarão ao ver Serguei e Anita juntos organizando o que parecia ser uma festa. Como assim festa se ela não havia sido informada de nada?
– Como assim vocês planejam uma festa e não me falam nada?
– É surpresa. – Falou Anita ocupada em encher alguns balões.
– Elementar minha cara Anita, mas surpresa é para o aniversariante, não para os convidados. Ou eu não fui convidada?!
– Foi? – Serguei olhou para Anita em busca de apoio.
– Foi... Não foi? Acho que talvez você não tenha recebido a mensagem, mas é claro que você está convidada, Flaviana. Só toma cuidado para não deixar a Júlia saber de nada. – Mentiu revertendo a situação. A verdade é quem nem havia lhe passado pela cabeça convidar a garota ou Sofia. – O Frédéric vai entretê-la até tudo estar pronto, então, por favor, nada de falar demais.
– Não direi nada, prometo! Mas então, cadê minha amiga e o resto do pessoal dessa casa?
– Lá em cima. – Respondeu Serguei. – A Vera saiu junto com o Pedro, a Giovanna tá no quarto com Ben e eu e Anita, como bem pode ver, estamos aqui.
Esquecendo-se do motivo de estar ali, Flaviana fitou Serguei, intrigada, por ele ser exatamente o a razão pela qual ela saiu Barra até o Grajaú tendo enfrentado a chuva e o transito congestionado em busca de explicações. Conveniente? Ou muito suspeito? Isso ela iria descobrir agora.
– Serguei, vamos conversar.
– Vamos?
– Sim vamos! Não me ouviu?
– Ouvi, ouvi sim... Mas quem disse que eu quero ou que eu posso largar o que estou fazendo só por que é o que você quer? – Falou com certa rispidez. Flaviana o fitou, indignada, tirou os óculos escuros que usava e o fuzilou com o olhar.
– Tudo bem... Eu queria ter essa conversa em particular, mas já que você não se importa da Anita saber... – A garota lançou mão de uma das lições que havia aprendido com Sofia: Se uma pessoa não quer te ouvir, comece a falar sobre o assunto do qual ela não quer que ninguém saiba. E ela podia jurar que ele não queria que a irmã ‘sonsa’ da sua amiga fosse informada da sua súbita e mal explicada relação com Sofia. – É até bom que você esteja aqui, porque eu pensei que teria essa conversa apenas com a Sofia, mas assim eu poupo tempo, não é?
– O que a Sofia tem a ver com vocês dois? – Indagou Anita olhando de um para o outro.
Ela sabia que o amigo e Flaviana tinha tido um rápido envolvimento que acabou sem maiores problemas. Os dois pareciam em comum acordo, sem se importarem quando se encontravam, mas a tensão entre eles era perceptível. E Sofia era o motivo. Mas como?
– E aí? – Reforçou a pergunta.
– Anita, depois eu explico. Será que você pode continuar com a decoração enquanto eu falo com a Flaviana?
– Claro... É algo que eu deva saber? – Ela segurou no braço de Serguei, uma súplica no olhar. Precisava entender, detestava ser a ultima, a saber, o que acontecia, porque ela sempre era a parte lesada na história.
– Está tudo bem... Não é nada demais. Eu juro. – Serguei mentiu, mas não deliberadamente. Ele ainda não tinha certeza se ela precisava saber. – Me acompanha até a cozinha? – Perguntou sarcástico.
– Não é meu cômodo preferido da casa, mas OK. Tudo pela minha amizade.
– X –
– Agora você entra no quarto das pessoas sem bater antes na porta? Lembra o que aconteceu da ultima vez?
“Sim... Todo o tempo.”
– Mas então, o que é que você quer? – Indagou Sofia com os braços cruzados frente ao corpo.
– Eu vi o Antônio sair daqui! – Acusou Ben com ira brilhando nos olhos, a respiração ofegante.
Após trocar a roupa molhada, ele subiu as escadas em direção ao quarto da namorada para falar com Giovanna que, segundo Anita, estava irritada com alguma coisa. Pode ter sido apenas uma desculpa, mas quando deu por si, em vez ir procurar a irmã, desviou o caminho e foi até o quarto de Sofia. Para quê? Ele não sabia, apenas foi atraído por alguma força perversa que não o deixava pensar claramente sobre o sentido da suas ações. A poucos passos, decidido a dar meia volta e retornar por aonde veio, ouviu algumas vozes. Ela não estava sozinha. A sua curiosidade mesclada ao ciúme venceu sua determinação de ir embora.
– Uma vida por um beijo?
– Foram dois... Se continuarmos assim, com o tempo, quem sabe você até acabe gostando. Pedindo por mais.
Depois mais nada. Antônio saiu e, sem tomar conhecimento de Ben no corredor, caminhou na direção oposta onde ficava o quarto dos meninos, o qual ele dividia com seus irmãos, Pedro e Vitor. Pegou só a ultima parte da conversa, mas pelo o que havia escutado, pode compreender muito bem o que eles faziam no quarto.
– Sim... E daí? É algum crime ele falar comigo?
– Vocês não estavam apenas falando... Ou eu estou enganado?
– E eu posso saber como o senhor chegou a essa conclusão? Não me diga que pode prever o futuro também!
– Também? – Questionou confuso pela referencia dela a alguém.
Que alguém? Sofia mordeu o lábio por essa mancada. Não precisava dizer nada, mas Benjamim tinha o irritante talento de fazê-la dizer coisas que não queria. Bufando, ela lhe deu as costas para esconder a fragilidade que a atacava sempre que ele estava perto. Ela não era forte o suficiente, ainda não. Mas seria, assim que ele fosse uma página completamente virada e o desejo que sentia por ele cessasse.
– Ben, por favor, foco! Diz de uma vez o que você quer aqui! – Ela voltou a encará-lo, o rosto afogueado de raiva. – Não veio me cobrar nada, não é?
– Ele é meu irmão! – Esbravejou com ira chispando dos olhos.
– E eu com isso?
– Como foi capaz de... De... – Ele não conseguia falar, pensar, ver ela e Antônio juntos. “Foram dois...” Podia imaginar o sorriso dela ao escutar isso, ao... NÃO! – Vocês se beijaram não foi? Você beijou o Antônio!
– Que droga de pergunta é essa?
– Uma bem simples... Eu ouvi o final da conversa de vocês.
– E tirou suas próprias conclusões, não é? Correndo o risco de me repetir, isso é da sua conta por quê?
– Você o beijou? – Inquiriu mais uma vez a segurando pelos braços.
Sofia abafou um gemido enquanto ele cravava os dedos em sua carne, as lágrimas prestes a caírem. Mas apesar da dor física, não era a agressão a que mais a machucava, e sim o quanto Ben exigia emocionalmente dela. Todo o estresse desde que se conheceram não podia ser visto em hematomas, mas doía mais do que o que ele fazia agora e não tinha o direito. Porque ela não devia nenhuma explicação.
– Não... – Murmurou sem fitá-lo diretamente. – Eu não o beijei.
Não era de toda a verdade, mas também não era uma completa mentira. Antônio a beijou, porém ela não retribuiu em nenhuma das duas vezes, e dada à pergunta e as circunstâncias, ela não tinha porque sentir-se devedora de alguma coisa. Ela não beijou Antônio, era tudo o que ele precisava saber. Era tudo o que ela o deixaria saber.
– Satisfeito?... Ou quer que eu te revele mais alguma coisa que acontece somente na sua cabeça?
– Desculpe... – Pediu atordoado a soltado abruptamente. Ben passou a mão pelos cabelos enquanto andava pelo quarto. Viu Sofia esfregar os braços onde ficou marcas vermelhas onde ele a tocou. Ben havia perdido o controle, algo que nunca aconteceu nem antes quando ela o levou ao limite. – Desculpa.
– Desculpa o quê? Desculpe-me Sofia invadir o seu quarto e agir como um ‘Neandertal’ ou desculpe-me Sofia não controlar o ciúme que eu sinto por você?! E não se atreva a negar, pois por qual outro motivo teria armado essa cena?
– Eu... Eu não quis. Desculpa, eu não pensei direito.
– Você nunca pensa ou quer fazer realmente alguma coisa. Apenas pede desculpas e acha que basta, que vai ficar tudo bem. Mas se minhas desculpas não têm valor para você, as suas também não têm para mim! Chega de tentar entender, de querer te manter nesse pedestal iluminado onde você mesmo se colocou... Chega Ben! Seja sincero, pela primeira vez, o que é que te incomoda tanto?
– Eu... Droga, eu não sei! Eu não pensei, eu só... Com você é tudo imprevisível, eu só ajo por impulso. Ver você beijar o Sidney, aquele mauricinho lá no colégio... E ainda teve a cena de hoje, você e o Serguei de braços dados. Eu apenas não posso pensar em você com alguém. Eu não me contive quando ouvi você e o Antônio... Ele é meu irmão! Sabe o que isso me fez sentir?
– E você ainda me pergunta? – Sussurrou deixando-se finalmente dar vazão ao choro. Uma lágrima, depois outra. – Eu tenho sentido isso há meses! Compreende isso? E quando eu pensei que tinha acabado você reatou com a Anita! Acha que é fácil pra mim?! Acha mesmo que é fácil?! Você é tão egoísta, Ben... – Sofia balançou a cabeça descrente por aquela repentina conclusão. Repentina e completamente verídica. – Tão egoísta que por não ser feliz, não suporta a ideia de eu sendo mais feliz com outra pessoa. Porque no fim, é só disso que se trata: Orgulho ferido... E se eu quiser ficar com o Antônio, com o Sidney ou quem quer que seja? Você não pode me cobrar nada, não quando namora minha irmã.
– Você não pode... Não pode! – Implorou os olhos marejados como os dela. Ele estava a tanto tempo sufocando algo dentro dele, por medo, por orgulho, por razões que ele não poderia justificar... E saber que ela seria de outra pessoa o matava de alguma forma, bem fundo.
– Você é que não pode querer controlar a minha vida!
– Diga que não vai fazer isso! Por favor, diga que não vai ficar com eles... Nenhum deles!
– Por que eu deveria? – Questionou o fitando diretamente, sem reservas, sem máscaras. Era ela, e toda ela, pedindo por uma resposta que ele não podia dar.
– Não fique, por favor, não fique! – Implorou a abraçando forte como se ele fosse alguém se afogando e ela o seu único salva vidas. Estava completamente perdido e desesperado... Por Sofia.
– Então... – Ela suspirou. – Fica comigo.
– X –
– E isso é tudo.
– Vai mesmo querer que eu acredite que você está sendo deliberadamente simpático com ela por nada?
– Ela me questionou sobre isso também! – Serguei riu dando de ombros diante a descrença de Flaviana. Não a julgava por isso, em seu lugar, ele também desconfiaria.
– E?
– Olha, eu não sou nenhum ‘armador’ como vocês duas. Se eu falo que é apenas uma ajuda com um trabalho, é uma ajuda com o trabalho. Você me conhece, Fla... Acha que eu sou capaz de fazer algum mal para a Sofia? O que eu ganharia prejudicando ela?
– Sinceramente, não sei... Mas nunca confie, é o que eu penso. Já passei pela experiência de ser traída por uma pessoa aparentemente inofensiva, mas que se mostrou bem espertinha ao pegar o que era meu!
– Ainda esse assunto do Martin e da Micaela? – Questionou Serguei com uma sobrancelha arqueada.
Ele se perguntava mentalmente até quando a garota ia insistir em ficar com o playboy que nunca lhe deu atenção. Vagando o olhar pela sala, observou Anita um pouco atrapalhada com alguns balões de festa. Estava tudo uma zona, e ele que havia se comprometido a ajudar, estava perdendo tempo com Flaviana e suas crises histéricas. Ela podia ser linda e beijar bem, mas nem isso valia a pena e a dor de cabeça que vinha depois. Sem prestar atenção ao que a garota dizia, ele fitou a escada pensando em quanto tempo Ben havia sumido para conversar com a irmã... Estava curioso sobre a demora e bastante irritado também.
– Aquela garota é uma falsa, uma fingida! Não é possível que só eu perceba isso!
– Ok, já entendi seu ponto de vista. Vamos fazer o seguinte, você ajuda a Anita a organizar a festa enquanto eu chamo a Sofia para você.
– Não precisa, eu sei o caminho... – Flaviana falou, mas Serguei já havia lhe dado às costas e seguido em direção às escadas.
Ele precisava falar com Sofia, saber se ela e Ben estavam juntos... E se estivessem, o que ele faria?
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