Notas iniciais
Oi! Mil desculpas pelo atraso, tô correndo como louca pra dar conta do curso, TCC e trabalho! Mil perdões mesmo! Mas apesar desses sustos, não se preocupem que não vou desistir da Fic. Isso é mais do que certo! Bom, vamos ao que interessa... esse capítulo traça paralelos entre passado, presente e futuro! Fiquem atentos!

De novo. E de novo. Foi só Sidney beijá-la, que Flaviana esqueceu porque estava com tanta raiva antes de chegar ali. Para sua vergonha, nem o fato dele tê-la chutado como um cão sarnento para fora da sua casa e pisado na sua dignidade era suficiente para resistir aquela conexão. Infelizmente, por mais que a humilhasse admitir isso, beijar a boca de Sidney era uma das coisas mais loucamente incríveis que já ela havia feito.

Certamente, um mal do qual ela precisava se livrar o quanto antes. Usando seu pouco senso de criopreservação, Flaviana escapou do abraço... e interrompeu o beijo, mantendo uma distância segura do rapaz. Ela precisava lembrar de todas as razões pelas quais não podia mais permitir que ele a arrastasse para aquela relação louca.

— Por que você não me deixa em paz?! — Gritou ela a pleno pulmões, deixando que a mágoa a fincasse no que era real. Sidney não sentia nada, ele já deixou claro e ela precisava tomar a frente da situação. — Que prazer você tem em brincar comigo? Eu que eu te fiz?

Sidney a viu vacilar ao se afastar, os olhos marejados repletos de acusações. A culpa era sua, praticamente gritava a postura defensiva dela. E mesmo que fosse difícil aceitar, ele realmente a magoou e continuava a magoando por sua incapacidade de afastar-se. O melhor para Flaviana era eles não se envolverem mais, mas Sidney sabia que não era um cara bom. Assim como ele também sabia que não ia abrir mão dela. Para o Bem ou para o mal, estava condenado. Precisava daquela maluca ou ele mesmo poderia perder a cabeça.

— Eu quero que você me escute.

— QUER?!

Flaviana sabia que estava parecendo histérica gritando daquela forma, mas quem poderia manter a sanidade tendo que lidar com Sidney e seu comportamento contraditório? Ele apareceu ali, na frente do seu prédio, exigindo a presença dela e sem mais nem menos a beijou como se gostasse dela. A sua confusão era tão grande que ela não conseguia raciocinar direito. Por isso, o que ela deveria faze agora era voltar para o seu apartamento ficando o mais longe possível daquele idiota e de suas "vontades".

— É loucura demais para mim... — Ela segurou o rosto nas mãos, exasperada pela conversa sem sentido. — Seja o que for que você queira, eu não vou me envolver. Não vou permitir que você apareça sempre que tiver vontade e me use dessa forma.

— Não estou te usando. — Discordou o rapaz, tentando se aproximar mas parando quando ela recuou. — Sobre hoje... eu estava chateado.

— Claro! Muito justo! Por causa disso, agiu como se eu fosse nada, mesmo depois de eu te procurar para dizer como eu... — Flaviana se calou antes que revelasse seus sentimentos. Seria como se colocar sob o poder dele. — Eu estou cansada, Sidney. Por favor, só vai embora.

— O que você queria me dizer hoje? — Sidney tentou mais uma vez, embora ela insistisse em afastá-lo. — Eu preciso ouvir.

—Já... não importa mais. — Ela desviou o olhar antes que começasse a chorar mais uma vez. Ela deu às costas ao rapaz pronta para ir embora. — Não importa.

— Para mim importa... eu disse que não te machucaria.

— Só que você não manteve a sua palavra.

Flaviana se recriminou assim que dissr aquelas palavras, porque agora ela parecia magoada como se esperasse um pedido de desculpas. No fim, ela queria que ele se desculpasse.

— Eu sei. — Sidney deixou de lado toda a marra que tinha para tentar convecê-la. — Eu andei meio confuso... com medo. Você não é fácil, eu não sou simples.

— Essa é a sua desculpa pra ser babaca comigo? — Ela voltou a encará-lo, o coração em expectativa.

— Um pouco... talvez. Eu também não estava esperando isso.

— Isso o quê? Você pode falar claramente?

Sidney ergueu o rosto para o alto, decidindo quais palavras escolher. Flaviana não estava facilitando em nada seu trabalho, mas a culpa era sua que ela não acreditasse nele, certo? Curiosamente, vendo-a enfrentá-lo com coragem o fez perceber que, no fundo, ele já sabia: foi um tremendo covarde por medo de se machucar. O problema nunca foi Flaviana e o seu jeito esnobe, mas sim o fato de ele ter se apaixonado por ela.

— Eu tô esperando.

A garota bufou, impaciente, à espera de uma resposta. Provavelmente estava perdendo seu tempo, parada ali enquanto ele parecia estar em outro mundo. O que ela esperava?

— Me desculpe.

O rapaz quase riu quando viu o choque tomar conta do rosto da garota, mas se co teve. Embora ele a tivesse pego de surpresa, seu riso seria interpretado da pior forma. Ao invés disso, o clima tenso foi quebrado pelo barulho alto do seu estômago.

— Eu tô com fome. — Dessa vez ele riu com vontade e se aproximou quase pulando de alegria quando ela não se afastou. — Eu conheço um lugar onde podemos bater um papo com calma.

— X —

— Anita?! — Antônio ergueu Anita nos braços e a levou para o sofá, onde a deixou. — Ei, você não vai me meter em problemas! Acorda!

Sem muito cuidado, ele a sacudiu esperando que assim ela voltasse a si, mas quando não teve o resultado esperado começou a ficar nervoso. De alguma forma, ele tinha se envolvido naquela situação e ele não era idiota de acreditar que não seria responsabilizado pelo o que seja lá o que tenha acontecido à ela. Anita não era alguém que ele podia tocar sem pagar as consequências.

Pensando rápido, lembrou-se que Vera guardava uma caixa de primeiros socorros no armário do banheiro. Sem demora, voltou com o objeto e tirou um vidrinho de álcool e algodão de dentro da caixa. Passando um pouco do líquido, ele aproximou o algodão do nariz da garota até ela reagir. Foi com certo alívio que o rapaz a viu voltar aos poucos à consciência.

Anita abriu lentamente os olhos, tentando se situar. Sua cabeça ainda girava enquanto ela tentava lembrar o que tinha acontecido e porque estava tão enjoada. Sua mente era um borrão de imagens e o cheiro desagradável de álcool só a deixou pior. Com dificuldade, conseguiu vislumbrar a silhueta de alguém sobre ela.

— Ben?

— Não.

A voz de Antônio soou baixa e mesmo em seu estado de desorientação, Anita pôde captar um traço de raiva. Ela também percebeu que ele praticamente se fabricava sobre ela. Com dificuldade, ela sentou-se no sofá evitando olhar diretamente para o rapaz.

— O que aconteceu?

— Você desmaiou.

— Eu... Não lembro o que aconteceu. — Nervosa, se encolheu contra o encosto esperando que o mal estar passasse. — Você me ajudou?

— Ao que parece. — Antônio se levantou, mas se manteve parado diante da garota. Ela parecia assustada, ele notou. Não era uma reação que ele gostava de provocar. — Você se sente melhor? Quer que eu chame alguém?

— Não! — Pediu em desespero. Não queria ter que explicar a razão do desmaio e provavelmente Vera insistiria em levá-la ao médico. — Por favor... eu não quero preocupar ninguém. Estou bem.

Para provar o que dizia, Anita se pôs de pé, mas o movimento rápido causou uma nova onda de náusea que a fez perder o equilíbrio. E mais uma vez, Antônio a segurou nos braços ntes que caisse. Com cuidado, a fez se sentar novamente.

— Eu... devo parecer patética. — Ela sussurrou com os olhos marejados. — É ridículo acabar doente pelo fracasso de um namoro.

— É só isso?

— Sim... Eu tenho pulado algumas refeições, dormido mal... essas coisas. —Despistou Anita tentando guardar seu segredo.

— Se você tá dizendo.

— Não é nada demais... Eu juro.

Antônio fitou a garota e sua expressão culpada com certo tédio. Ela era uma péssima mentirosa e ele nem precisaria ter encontrado o teste de gravidez jogado no início da escada quando foi ao banheiro para saber disso. Anita estava grávida de Ben e seu maninho não ia ficar nada feliz com a notícia. Se um dia ele teve esperanças de reconquistar Sofia, aquele bebê faria todas caírem por terra.

— Então, acho você tomar mais cuidado e se livrar disso.

Anita perdeu a cor quando Antônio lhe estendeu o teste e ela não precisou pensar muito para concluir que ele já sabia o resultado. Com os dedos trêmulos, ela pegou o pequeno bastão de plástico sentindo a visão ficar turva com novas lágrimas. Embora fosse só questão de tempo até ser perceptível, não queria que descobrissem sobre a gravidez agora.

— Eu... — Anita respirou fundo antes de encarar o rapaz. — Eu não quero que ninguém saiba ainda.

— Nem o meu irmão?

— Como você sabe que ele é o pai?

Olhando-a agora com os olhos marejados e os lábios trêmulos, mas tentando a todo custo proteger o próprio orgulho despertou em Antônio certa simpatia pela sua situação. Ela sabia que estava sozinha nessa e que provavelmente Benjamim não reagiria bem à gravidez. Ben não a amava da mesma forma que não amou Maggie. Apesar disso, o destino as colocava em uma posição parecida ao terem que lidar com o egoísmo do seu irmão.

— Não sei e não é da minha conta. — Falou por fim, dando de ombros. — Se você se sente melhor.

Antônio se afastou a caminho das escadas. Seus planos mudaram aquela noite e agora preferia apenas dormir. Quando subia o primeiro degrau ele sentiu sua mão ser presa por duas outras, mais pequenas e frias.

— Você vai contar para alguém? — Indagou Anita com o semblante apreensivo. — Por favor, não quero que ninguém saiba.

Ele pensou no que deveria responder, mas então se pegou questionando o que fazer com a informação da gravidez que conseguiu por acaso. Fitando-a mais detidamente, o rapaz percebeu a angústia refletida nos olhos de Anita e se compadeceu por ela. Há muito tempo, Maggie também o olhou daquela forma quando ele descobriu sobre o aborto, tão perdida que tudo o que ele fez foi se calar.

— Não é o meu segredo... Não tenho porque comentar nada com ninguém.

— Obrigada!

Emocionada, Anita abraçou Antônio num gesto de agradecimento. Foi um contato rápido e desconcertante que surpreendeu a ambos.

— É melhor eu voltar para o quarto. — Anita disse sem jeito. — Boa noite.

Antônio a viu subir apressadamente as escadas e desaparecer pelo corredor. "Noite estranha", pensou com um sorriso torto contrariado pelas próprias atitudes.

— Boa noite.

— X —

— Pra você.

Sofia respirou fundo o aroma reconfortante de hortelã após Serguei lhe entregar a xícara de chá. Afastando-se um pouco, cedeu espaço para que o ruivo sentasse ao seu lado. As taças a mais de vinho estavam cobrando seu preço agora e ela sentia sua cabeça doer como de costume. Embora ela desconfiasse que não tenha sido apenas o álcool a deixá-la daquele jeito, mas também a conversa estressante sobre potenciais inimigos. No fundo, estava um pouco apreensiva pelo rumo que a situação poderia tomar.

— Obrigada.

— Não foi nada. — Serguei a aninhou junto ao corpo fazendo-a descansar a cabeça em seu colo e beijou sua testa. — Descansa.

Sofia fechou os olhos apenas aproveitando a tranquilidade daquele momento. Sentia-se segura e aos poucos seu corpo relaxou a tensão melhorando sua enxaqueca.

— Como se sente?

— Não tão ruim como das outras vezes.

— Ainda assim... Não gosto de te ver com dor.

— Serguei, não dá pra evitar.

— Shhh... nada de discutir comigo.

Ela abriu os olhos e fitou o namorado com um sorriso. Serguei era sempre tão carinhoso com ela que às vezes se perguntava o que fez de bom para merecê-lo. Como ela podia se apaixonar por ele cada dia mais?

— Tão mandão! Agora eu entendo porque seus pais te deram esse nome.

— Nome?

— Serguei. Significa protetor.

— Verdade?

— Uhum.

— Eu não sabia. Meu nome é uma homenagem ao meu avô paterno. Ele veio da Rússia para o Brasil após a segunda guerra e construiu uma nova vida aqui. Infelizmente, não cheguei a conhecê-lo.

— Sinto muito.

Serguei beijou a testa de Sofia para espantar a tristeza que viu refletida no semblante dela. Em momentos como aquele em que falavam sobre as respectivas famílias Sofia se fechava como se não pudesse lidar com a própria tristeza.

— Não sinta. Alguns fatos não podem ser mudados.

— Infelizmente... — Sofia sorriu, apesar do nó que se formou em sua garganta. Não era o momento de ter pensamentos tristes uma vez que nada de bom poderia vir deles. — Mas tenho certeza que seu avô teria muito orgulho de você.

— Obrigado.

Dessa vez ele a beijou calmamente nos lábios. Sofia segurou seu rosto entre as mãos observando cada traço daquele rosto que ela sempre lembraria, não importa quanto tempo vivesse.

— Eu amo você.

— X —

— Demorei muito?

João virou-se assim que escutou a voz dela. Como sempre, ela o fitava abertamente e sorria. Raissa tinha o sorriso mais bonito que ele conhecia e esse era um dos muitos motivos para amá-la.

— Problemas com seu pai?

Raissa fez uma careta sem saber bem o que dizer. Infelizmente, já não era um segredo que seu pai desaprovação seu namoro com João, mas não tocaria nesse assunto essa noite. Por sorte, Raul estava de plantão no hospital e Marcelo a ajudou com uma desculpa de que estariam juntos com alguns amigos para que ela pudesse encontrar o namorado.

— O de sempre, mas não me importo. — Ela deu de ombros com simplicidade. Não tinha motivos para se preocupar, cedo ou tarde Raul teria que ceder. — Estou feliz em te ver.

João se aproximou da namorada e a puxou para um longo beijo. Amava Raissa e lutaria contra quem fosse para poder estar ao lado dela.

— A Carmem me deu se recado.

— Eu sei, ela tem ajudado muito... nem sei como agradecer.

— Ela é uma boa amiga. — Concordou o rapaz.

— Sua mãe está em casa?

— Não... ela trabalha até mais tarde hoje.

— Isso quer dizer que nós estamos sozinhos?

— Exatamente.

Sem demora, o rapaz a levou para o quarto para terem um pouco mais de privacidade caso a mãe chegasse antes do esperado. Dessa vez, Raíssa deixou-se guiar sem nenhuma resistência antevendo o que iria acontecer entre eles mesmo que João ainda não tivesse se dado conta.

Logo, um beijo se tornou mais e as carícias se tornaram mais existentes. Raissa sibilou algumas palavras enquanto ele a envolvia numa torrente de emoções. Quando João segurou a barra do seu vestido, ela não recuou.

— Tem certeza?

A sua resposta foi enlaçar o pescoço do namorado e beijá-lo como se sua vida dependesse disso. Logo, as roupas foram descartadas e em meio à toques e declarações, ela se entregou pela primeira vez para aquele que era o amor da sua vida.

— Eu amo você. — Falou João após um tempo, entrelaçando os dedos de Raissa ao seus. — Um dia, eu vou casar com você. Vamos ter uma família. É uma promessa.

— A gente é muito novo, João. — Ela riu com prazer, se aconchegado ainda mais ao corpo masculino. — Você não deveria fazer promessas que não pode cumprir.

— Não me importo, porque tenho certeza do que o destino me reserva.

— E o que seria?

— Uma vida com você.

João acordou assustado pelas lembranças. Seu coração batia forte e sua pele suava frio como se fosse desmaiar a qualquer momento. Angustiado, sentou-se na cama e olhou em volta do quarto esperando controla-se. Tudo permanecia igual, escuro e com os objetos no mesmo lugar que estavam quando foi dormir mais cedo. Nada fora do lugar, nada que já não fosse conhecido. Mas então por que ele sentia que faltava algo? Por que sentia que uma parte dele, uma importante parte sua, fazia tanta falta agora ao ponto de oprimi-lo?

"Uma vida com você".

O eco da recordação se espalhou pelo quarto, modificando-o e transformando seu refúgio em uma prisão. Segurando a cabeça entre as mãos, João Luís chorou a dor da promessa quebrada. Era inútil, mas ele ainda desejava que fosse real. Com tanto afinco que quase sentia-se esmagado por aquele desejo da juventude. E como se nada mais bastasse de todo aquele sentimento, existe para ele Sofia. Uma nova razão, a luz que o trouxe de volta a vida. Mesmo que ainda não fosse possível se revelar, ela era a sua pequena, mas necessária família.

— X —

— Como você se sente?

— Um pouco enjoada, só isso. Seu pai não deveria ter ligado.

— Não importa, você deve descansar agora.

Raissa beijou a fronte da mãe e sorriu. Pouco tempo tempo, Verônica acabou caindo num sono profundo em virtude da sedação, deixando a filha imersa nos próprios pensamentos. O som dos aparelhos que monitoravam sua mãe ecoaram pelo quarto de hospital minuciosamente esterilizado. Uma ordem do pai, com certeza. Por mais triste que pudesse soar, estava agradecida de terem tido tempo apenas para as formalidades ligadas ao procedimento de angioplastia ao qual Verônica teve que ser submetida. Fora isso, não tinham muito a dizer um ao outro.

Caminhando até a janela, Raíssa olhou para fora observando o movimento da rua. As últimas 24 horas da sua tinham sido bastante conturbadas e ela não sabia o que esperar. Primeiro, o beijo de João e aquele sentimento que teimava em não deixá-la trazendo à tona lembranças agridoces que ela acreditou ter superado. A amizade que construíram, depois o namoro, a primeira briga e reconciliação... E também a confiança com a qual um dia se entregou à um amor da juventude.

Em algum ponto, ela se afastou de si mesma e perdeu a coragem com a qual desafiou a Raul tantas vezes. No fim, o preço que pagou por isso acabou sendo alto demais e seus pecados não seriam facilmente perdoados.

— Como ela está?

A voz conhecida não poderia soar mais estranha aos seus ouvidos, pensou Raíssa virando quando o pai se aproximou.

— Bem, apenas um pouco cansada.

— Isso parece razoável.

— Acredito que sim. — Comentou Raissa.

Raul se aproximou da cama onde a esposa repousava, mas não fez menção de tocá-la. Ele analisou os sinais vitais que apareciam no monitor parecendo satisfeito. Com certa amargura, observou o pai desempenhar o papel de médico experiente como sempre. Um neurologista de sucesso, orgulhava-se Verônica, mas completamente incapaz de qualquer compaixão.

— Ela tem sentido sua falta. — Raul fitou a filha pela primeira vez desde que entrou. — Sua mãe tem estado frágil.

— Ela não comentou sobre a saúde nas últimas vezes que nos vimos.

— Verônica não quis preocupá-la. Você nunca vai à nossa casa, então... — A repreensão contida nas palavras abalou Raissa.

— Não sem motivos. — Defendeu-se.

— Somos adultos, Raissa. Quando vai assumir a responsabilidade por suas ações?

Cansada, ela deu de ombros. Não queria se desgastar em mais um embate de acusações com o pai. Raul nunca reconheceria seus erros.

— Eu nunca fugi do que fiz, pelo contrário.

— Então, por que se recusa a conviver com a sua família?

— Eu não me recuso a conviver com minha mãe, eu apenas não quero nenhum vínculo com você. Não depois de tudo.

— Você pode me culpar, mas apenas fiz o melhor para você. Pelo seu bem, sua felicidade.

— Pois saiba que não alcançou seu objetivo, pois eu nunca fui verdadeiramente feliz. — Ela deu às costas ao pai voltando-se novamente para a janela. Era a hora de ser sincera consigo mesma. — Eu ainda amo o João Luís. Mesmo que ele me odeie, mesmo assim... continuo amando-o.

— O assassino do seu irmão?! — Raul a segurou pelo ombros obrigando-a a encará-lo. Estava furioso por Raíssa admitir que ainda amava o desgraçado do João. Nem mesmo os anos apagaram o ódio que sentia pelo rapaz. — Eu não vou permitir!

— Eu não preciso da sua permissão! — Irritada, se desvencilhou do pai e o encarou com coragem. — Eu deixei que você comandasse a minha vida no passado, mas eu já não sou uma adolescente com medo! O João é o pai da minha filha e no que depender de mim, vou lutar para reaver tudo o que um dia você me tirou! Eu vou lutar por eles!

— X —

Serguei sentiu Sofia se mover inquieta durante o sono. Ainda sonolento, ele se sentou debruçando-se em seguida sobre ela e chamou seu nome, preocupado com a agitação da garota. Sofia murmurava coisas desconexas e chorava durante o que parecia ser um pesadelo. Ele a sacudiu pelos ombros tentando despertá-la.

— Sofia! Amor, acorda!

— SERGUEI!

Sofia acordou com o próprio grito de desespero. Apesar de assustada, conseguiu visualizar a imagem de Serguei sobre ela e o abraçou imediatamente como se só ele fosse capaz de confortá-la. O sonho da noite anterior a atormentou mais uma vez e a fez cair em um choro emocionado.

— Eu tive tanto medo... — Desabafou em meio à um soluço. Agarrou-sr ainda mais a Serguei temendo que ainda estivesse presa no sonho. — Tanto medo.

— Shhh... tá tudo bem, foi só um pesadelo. — Paciente, o ruivo a abraçou enquanto passava a mão ao longo de seus cabelos tentando acalmá-la.— Eu estou aqui.

Após algum tempo, Sofia se tranquilizou o suficiente para encarar o namorado. Nos olhos de Serguei, ela foi capaz de ver mais cuidado do que frustração e isso a aliviou um pouco.

— Desculpe, eu não quis te acordar. — Falou, sem jeito, envergonhada pela forma como tinha perdido o controle. — Sinto muito.

— Ei, não se desculpe. — O ruivo segurou o rosto da namorada entre as mãos e lhe deu um selinho. — Foi só um sonho ruim.

A garota acenou afirmativamente, mas não disse nada. Ela não era uma pessoa que acreditava ou buscava sentido para os sonhos, mas aquele em específico mexeu bastante com ela. Sorrindo fraco, Sofia empurrou seus receios para o fundo da mente. Serguei estava ali com ela e nenhum sonho poderia mudar isso.

Notas finais
Pai e filha tendo sonhos sobre diferentes tempos? Será? E pela primeira vez a aparição do causador de tanto sofrimento. O encontro de Sofia e Raul é só questão de tempo.... Gostaram? Críticas, elogios, teorias... é só comentar! Ps: Vou colocar as respostas dos comentários em dia, mas só avisando que leio todos e os últimos me fizeram rir e feliz demais! Beijos e até segunda (Sem atrasos!)