Era Uma Outra Vez...

78 Cartas marcadas


Notas iniciais
Oi! Nem vou falar de atraso, porque tá chovendo no molhado já... Mas esses últimos dias passei por um put* bloqueio criativo e mergulhei numa bad. Mas apesar disso, continuei escrevendo até chegar em um capítulo que considerasse bom para Fic. E não é por nada não, mas esse tá especialmente delicioso... Sim, muito drama, amor, briga e revelações que eu acho que vocês nem esperam. Ninguém solta a mão de ninguém hoje, porque sim, senhoras e senhores, é o começo do fim da nossa paz SerFia! Vamos ao capítulo! =^-^=

— Você vai sair?

Flaviana parou com a mão na maçaneta da porta e voltou-se na direção da voz. Dissimulando uma expressão calma, encarou Rosana que a fitava de modo interessado. A mãe não parecia desconfiar de nada é talvez ela apenas estivesse se sentindo culpada pela madrugada passada e imaginando coisas demais, mas não queria levantar suspeitas. Enfim, fosse o que fosse, ela ainda precisava de uma desculpa para poder sair.

— Combinei com a Sofia de irmos ao shopping. — Emendou dando de ombros. — Fazer compras, almoçar... essas coisas.

— Sofia?

— Sim, a minha melhor amiga. Esqueceu?

— Hum... tudo bem. — Rosana voltou a atenção novamente para o tablet gesticulando para que Flaviana saísse. — Não chegue tarde.

— Ok. Até depois!

Aproveitando a desatenção da mãe, ela se despediu e seguiu para o elevador. Com um suspiro, por via das dúvidas, pegou o celular e enviou uma mensagem rápida para a amiga explicando sobre sua pequena mentira. Não precisava se preocupar, pois Sofia lhe daria cobertura e quando tivesse oportunidade explicaria à ela seus motivos para envolvê-la. No momento, estava ansiosa para reencontrar Sidney.

Flashback Flaviana ON

— Por que eu deveria ir com você? — Ela indagou, ignorando a mão que Sidney lhe estendia. Ele fazia parecer tão simples, mas ela sabia que não era. — Pode me dar bom motivo para eu te seguir?

— Eu não tenho um bom motivo. — Ela sorriu de lado, uma expressao que ja tinha se tornado comum para ela e sentiu seu coração acelerar. O maldito ficava ainda mais bonito. — Eu apenas gostaria de ter a sua companhia.

Balançada, Flaviana cruzou os braços frente ao corpo tentando não demostrar suas emoções. Estava tarde e ficar ali diante de Sidney com aquela expressão de cachorro safado minava suas defesas. Mas embora também estivesse curiosa sobre o porquê dele tê-la procurado e a verdade por trás disso, de uma coisa ela sabia... não iria a lugar algum com ele essa noite.

— Digamos que as coisas não funcionam assim... não vou sair correndo sempre que você desejar.

Sideny a fitou, dividido entre a frustração e o desejo de beijá-la tempo o suficiente até que ela concordasse com ele. Mas fazer isso só o deixaria pior aos olhos da garota, o que certamente não era sua intenção. Ele não queria mais brigar com ela. A verdade é que tudo o que desejava agora é que Flaviana o perdoasse e eles pudessem recuperar o tempo perdido. Para isso, precisava ter paciência.

— Podemos nos ver amanhã? — Tentou mais uma vez, apesar que independente de qual fosse a resposta, ele não estava nem um pouco disposto a desistir. — Por favor.

Flashback Flaviana OFF

E ali estava ela, a caminho do Grajaú como a perfeita estúpida que era, com um nó na garganta e curiosa demais pelas coisas que Sidney poderia ter a dizer à ela. E que os céus a ajudassem se tudo não passasse de mais um dos jogos dele, pois sentia-se preparada para matá-lo se assim fosse.

— X —

— Parece que eles se deram bem.

Sofia olhou na mesma direção à entrada do casarão e observou enquanto Pedro se despedia de Ivana. O dia juntos tinha se mostrado melhor do que o esperado e por algumas horas ela apenas se divertiu no boliche com Serguei e as crianças.

A princípio, a pequena de seis anos tinha a encarado abertamente assim que se encontraram, analisando-a da cabeça aos pés. Ivana a tratou de modo formal durante um tempo, sempre buscando a presença do irmão quando sentia-se desconfortável, mas relaxando quando começaram a jogar. Isso possibilitou a Sofia observar a relação de cumplicidade entre os irmãos demonstrando mais uma vez que Serguei algo que ela sempre soube: Serguei era um cara realmente especial.

Encantada, Sofia reconheceu que a cunhada era uma mini versão do seu namorado, com longos cabelos ruivos e sardas ao redor do nariz que lhe conferia um ar travesso e doce. Por fim, enquanto jogavam, a menina pareceu dar seu veredito positivo quando abraçou Sofia calorosamente e quis formar dupla com ela contra os garotos.

— Ela gostou de você. — Sussurrou Serguei beijando-a de leve no pescoço enquanto as crianças não prestavam atenção. — Isso é um grande feito em se tratando da Ivana.

— Ela é um amor.

— E você é o meu.

Sofia corou quando Serguei a beijou e imediatamente eles ouviram alguns risinhos próximos. Sem nenhum constrangimento, Peedro e Ivana fitavam o casal com divertimento. Uma espécie de calor a preencheu por dentro quando Serguei segurou sua mão e se aproximaram das crianças.

— Bonito! Bisbilhotando! — Fingiu reprendê-los, mas falhando quando riu. — Então, gostaram?

— Foi legal! — Falou Pedro.

— Eu também achei. — Concordou Ivana abraçando-se à Sofia. — Meu irmão tinha razão, você é muito bonita e divertida! E eu amei sair com vocês.

— Eu também. — Sofia beijou o topo da pequena e sorriu quando seu olhar encontrou o de Serguei. — Gostei muito!

Ele não disse nada, mas ela podia ver a mensagem silenciosa que ele passava porque era exatamente o que sentia.

— Hora de ir, Ivana.

— Mesmo? — Indagou a menina com um biquinho.

— Pelo visto, eu perdi o posto de ídolo da minha irmã.

Todos riram. Então após trocar alguns beijos com Serguei, Sofia viu o Uber com o namorado e a cunhada se afastar do casarão.

— Como foi o dia?

Sofia voltou-se assim que escutou a voz de Vera.

— Foi bacana... nos divertimos muito. — Respondeu Pedro, aproximando -se da mãe.

— Fico feliz. Você vai ficar para jantar? — Questionou fitando Sofia de forma esperançosa.

Sem querer decepcionar a mãe, a loira apenas balançou a cabeça em concordância.

— Claro.

— X —

Benjamim observou sem muita escolha o trio entrar em casa. A presença de pede o e Vera não permitiria uma aproximação imediata de sua parte, embora isso não o preocupasse uma vez que Sofia passaria mais algum tempo no casarão. E com Serguei longe, ele poderia tentar interceptá-la em algum momento sem problemas. Era um bom plano, pensou feliz consigo mesmo.

Um pouco distante, Anita esperou Benjamim seguir para o quarto garagem antes de poder entrar em casa. Por sorte, ele não a tinha visto observando-o, o que lhe permitiu presenciar Ben espionando Sofia e o namorado sem que eles se dessem conta. Anita até poderia dizer que estava fazendo a mesma coisa em relação ao ex, mas mais do que uma curiosidade mórbido em relação à vida de Ben, ela tinha uma desculpa melhor do que seus sentimentos não correspondidos.

O momento com Antônio na noite anterior havia aberto os seus olhos para a complicação que seria manter um segredo grave como o seu. Antônio pode não ter sido gentil em suas palavras, mas a fez refletir e chegar à conclusão que tanto ela quanto Ben precisavam assumir a responsabilidade pelo problrma. Ela o procurou somente por isso, mas teve seus planos frustrados ao se dar conta do modo como ele encarava sua irmã e Serguei.

Diferente do que pareceu nas últimas semanas, Ben não tinha desistido de Sofia. Pelo contrário... sem a lente rosa com o qual o idolatrava, ela finalmente pôde ver a verdadeira personalidade obsessiva de Benjamin. E por mais que isso a machucasse, só restava admitir que ele dificilmente a apoiaria quanto ao bebê. Ela estava por conta própria e precisava o quanto antes decidir qual rumo tomar agora. Com pesar, tocou a barriga já com a certeza da vida que ali se formava.

— Não importa o que aconteça, nós vamos ficar bem. Eu prometo.

— X —

— Você veio.

Flaviana respirou fundo antes de entrar na casa, evitando qualquer proximidade com Sidney ao passar por ele. Ela havia passado algumas horas adiando o tal encontro desde que deixou o seu apartamento, mas por fim estava ali e vendo-o tão ansioso não sabia bem o que fazer. Ela não estava realmente pensando em perdoá-lo, estava? Embora seu orgulho lhe obrigasse a dizer que não, era seu coração quem estava no controle.

— Eu disse que viria.

— Sim... Você disse. — Sem jeito, o rapaz passou a mão pelos cabelos bagunçando-os de modo displicente. Por um instante, ele a viu engolir em seco e cerrar os punhos como se precisasse se conter para não tocá-lo. — Podemos conversar melhor lá em cima?

— Tudo bem.

Sidney sorriu exultante enquanto guiava o caminho ouvido o som dos saltos enquanto ela o seguia de perto, apesar de manter uma distância que considerava segura. Olhando de relance, ele notou que Flaviana não estava tão indiferente quanto sua expressão corporal queria dar a enteder e perceber isso lhe deu certo ânimo para o que precisava fazer. Riu do pensamento de que talvez Flaviana se empenhasse em mantê-lo longe, mas no que dependesse dele não seria por muito tempo. Será que ela não via que, por alguma piada maluca do destino, ele tinha se apaixonado por ela?

Quando chegaram ao quarto, Sidney deu passagem para que ela entrasse primeiro. Mais uma vez Flaviana evitou qualquer contato temendo que a sua fraca resistência se quebrasse.

— Não vou transar com você.

As palavras ditas em tom agudo ecoaram pelo quarto fazendo Flaviana de encolher imediatamente. O mantra que ela repetiu desde que chegou não era para ser dito em voz alta, mas para seu horror acabou saindo na pior hora.

— Eu não... bem, eu pensei... — Ela se enrolou enquanto tentava formar uma frase coerente. Por sorte Sidney não estava debochando dela ou do seu nervosismo. — Não era pra você escutar. Não faz nem 24 horas e você me tratou de uma forma péssima... cruel até. E mesmo que você me considere manipulável o bastante para me fazer vir eu aqui, vou alertá-lo de que não sou tão estúpida.

Sidney fechou a porta e endireitou os ombros diante daquele acesso emocional. Suas ações tinham feito um estrago é ouvir Flaviana falar a extensão do mal adicionou mais culpa sobre ele.

— Você não é estúpida, Flaviana. O único estúpido aqui sou eu e peço desculpas mais uma vez por isso.

— Sério? — Indagou com a voz embargada. Ela não esperava que ele se desculpasse, mesmo que já tenha feito isso na noite anterior. — Eu não sei o que dizer.

— Imagino... — Sidney se aproximou e segurou a mão de garota na sua, fazendo-a sentar na cama. — Por isso pedi que você viesse.

— Exigiu, no caso. — Alfinetou Flaviana, sorrindo timidamente. — O que mudou?

— Não foi exatamente algo que mudou, mas sim o que eu descobri.

— Sobre?

— Sobre o quanto eu tenho sido um grande otário.

— X —

— A boa filha a casa torna.

Sofia respirou fundo tentando não se irritar com o deboche de Giovana. Ao invés de responder, concentrou-se na refeição ignorando a garota que descia calmamente as escadas.

— Giovana! — Repreendeu Ronaldo fitando a filha severamente. — Qual o seu problema?

— Meu problema? Nenhum! — Ela deu de ombros, fazendo pouco caso do clima tenso. — Quem tem um problema é a Anita que não tem estômago para jantar por causa da presença dessa aí.

— Já chega!

O barulho das mãos espalmadas sobre a mesa de jantar fez cair um silêncio incômodo entre os presentes. Sofia encarou Gioavana que por sua vez a fuzilava com o olhar. Para evitar mais problemas, ela segurou o braço de Ronaldo tentando acalmá-lo.

— Tudo bem, Ronaldo... Eu não me importo.

— Mas eu me importo! Somos uma família e você é bem vinda aqui quanto qualquer outro membro. E se isso te incomoda... — O homem encarou Giovana que corou de raiva. — É melhor se acostumar!

— Por quê?! Ela não é nada sua! Eu sou sua filha! A Sofia não é filha de ninguém!

— Giovana! — Reprendeu Vera se posicionando pela primeira vez. — Você já foi longe mais.

Infelizmente, a garota estava cada vez mais hostil e a mulher já não consegui ser tão compreensiva com a enteada e seus ataques à Sofia.

— Tudo bem, eu não vou mais atrapalhar! Mas depois não digam que eu não avisei.

Cuspindo essas últimas palavras, a ruiva deixou a sala e subiu as escadas. Sofia sorriu ao sentir a pequena mão de Pedro sentado ao seu lado, a reconfortando por baixo da mesa.

— Eu estou bem. — Ela beijou a topo da cabeça do irmão lutando contra as lágrimas.

O jantar não durou muito mais tempo e acabou com todos praticamente em silêncio. Sentindo-se mal, a garota buscou uma desculpa para ir embora e se despediu rapidamente da mãe.

— Você não vai demorar a vir, vai? — Indagou Vera abraçando Sofia na saída de casa. — Eu prometo que vou conversar com a Giovana.

— Não, mãe... Não faz isso. Infelizmente, eu e ela não nos damos bem e ela acha que precisa mostrar solidariedade pela Anita. Você sabe... Pelo fim do namoro.

— E você? Como está se sentindo com tudo o que aconteceu?

— Um pouco estressada, mas nada além do normal. — Sofia beijou Vera no rosto pondo fim à conversa. Não queria preocupar a mãe. — Eu ligo quando chegar na Barra. Eu te amo.

— Também te amo.

Após um último abraço, a mulher voltou para dentro deixando Sofia à espera do Uber que a levaria para casa. Com um suspiro, ela viu Benjamim se aproximar.

— Desculpa pela Gio... Ela não deveria ter dito aquelas coisas. — Falou o rapaz culpado, surpreendendo Sofia.

— Já estou acostumada.

— Ela também não tá sendo fácil comigo.

— Ben... — Ela se calou, quando ele levantou as mãos para o alto em sinal de derrota.

— Ei, eu estou de guarda baixa... sem recriminações, ok?

— Me desculpe.

— Eu errei muito Sofia, admito, mas nunca quis magoar ninguém.

— Algumas coisas estão fora do nosso alcance. — Disse a loira por fim. — Só nos resta fazer o melhor daqui em diante.

— Sim. — Concordou Ben, pondo as mãos dentro da calça de moletom. Com um sorriso triste, ele a fitou mais uma vez. — Eu só lamento não ter feito a coisa certa antes.

Sem saber o que dizer, Sofia observou Ben ir embora com um aperto no estômago. Por um minuto, ele pareceu o mesmo rapaz que um dia ela conheceu. Balançando a cabeça para afastar os pensamentos confusos, ela seguiu até o Uber que acabava de estacionar. Benjamim era passado.

— X —

— Sinto muito.

Sem parar para pensar no que fazia, Flaviana segurou o rosto de Sidney entre as mãos e o beijou com ternura. O gosto Salgado das lágrimas dele invadiram sua boca e ela não se afastou quando ele a abraçou forte. Depois do que tinha ouvido, não poderia estar em nenhum outro lugar que não entre os braços dele.

— Eu passei tanto tempo odiando meu pai por ter ido embora... tanta dor sem sentido. — O riso de pesar de Sidney fez o coração dela se contrair. — Eu nunca me perguntei o porquê, eu sequer lembrava que ele estava tão triste antes. E agora eu sei que ele foi embora porque não queria me envergonhar por ser quem era e pelo o que tinha feito.

Sidney sentiu mais lágrimas rolarem por seu rosto. Afundando a cabeça no ombro de Flaviana, ele aspirou o perfume tão familiar como uma forma de alento. A patricinha esnobe, a pessoa que detestou durante anos, era nesse momento seu ponto de apoio, a única pessoa a vê-lo tão vulnerável desde sempre. Mas ele não sentia mais vergonha do seu choro ou do que ela pudesse pensar sobre ele. Assim como ele não tinha vergonha do pai ser gay e que tenha enfrentado tantos demônios internos até finalmente se aceitar.

E era por essa coragem que ele precisava lutar pelo que sentia, deixando para trás um passado de dor. Já tinha sido covarde por muito tempo e não iria mais permitir que seu medo de ser magoado o impedisse de ter aquilo que ele desejava. E, Deus o ajudasse, Sidney a queria como um louco. Por muito tempo.

— Tá tudo bem agora... Você e seu pai têm uma nova chance. — Confortou-o Flaviana.

Ela estava tão emocionada quanto ele e por mais que soubesse que estava colocando o coração novamente em risco, ela não se importava mais. Precisava dizer o que sentia.

— Eu pensei muito se valeria a pena te ver outra vez. Fiquei com medo de que você me magoasse de novo, porque doeu muito quando você me mandou embora.

— Mas está aqui comigo.

— Sim... — Com carinho, ela secou as lágrimas de Sidney dando vazão as suas próprias.— E fico feliz por isso.

— Me desculpe. — Pediu o rapaz encontrando a testa na dela. — Por tudo! Por ser um grande idiota.

— Bom, eu te perdoo... afinal, eu não poderia ficar com raiva por tanto tempo. A verdade é que eu me apaixonei por um idiota... Um completo ogro. — Ela sorriu entre lágrimas, abrindo totalmente o
coração para ele. — Não foi muito inteligente, eu sei, mas não sou conhecida pelas minhas boas escolhas!

— Não foi mesmo inteligente... mas fico feliz por não ser o único ferrado nessa história.

— Você tá dizendo que... — Antes que ela concluísse a frase, Sidney a calou com um beijo. — Sidney!

— Não vou deixar você fugir de mim, patricinha.

— X —

A freada brusca projetou o corpo de Sofia para frente arrancando-a dos seus pensamentos e a assustando imensamente. Por um segundo, ela pensou ter perdido a consciência para então se ver presa ao banco do veículo. Por sorte, o cinto de segurança a impediu de se machucar mais gravemente, mas não foi muito eficaz em controlar as batidas do seu coração que parecia querer saltar pela garganta.

— Você ficou maluca?!

— Desculpa moça, um imbecil entrou na frente do carro!

Atordoada, ela olhou para frente e distinguiu em meio à luzes de faróis a razão de toda aquela confusão. Um cambaleante João Luís parado em frente ao veículo olhando-a como se não acreditasse no que visse.

— Quer morrer, meu amigo? — Gritou a motorista sendo ignorada pelo homem.

— Filha? Filha! — João tropeçou para o lado do passageiro e bateu no vidro da janela. — Eu estava procurando você. Me desculpe não ter vindo antes, me desculpe! Eu prometo que não vou te deixar novamente... Eu prometo.

— Você o conhece? — Indagou a mulher de quem ela sequer lembrava o nome. — Ele não está muito sóbrio, não é?

— Sim, tá tudo bem.

Tomando uma decisão, Sofia desafivelou o cinto e abriu a porta sendo abraçada por João. O homem estava visivelmente embriagado e a julgar pelo cheiro de álcool, não iria encontrar o caminho de casa sem ajuda. Surpreendentemente, ao invés de ficar irritada pela situação incômoda, Sofia se resignou pela própria sorte, comovida pelo sofrimento do professor. Mais uma vez, lá estava João arrasado e confudindo-a com a tal filha perdida.

— Tá tudo bem, João, vou te levar para casa.

Apoiado um dos braços do homem em seu ombro, ela o ajudou a entrar no Uber com alguma dificuldade. Após se certificar de que João estava com todos os pertences, ela buscou pelo endereço no celular dele e mudou o destino do Uber no aplicativo. Em 20 minutos, eles pararam em frente à um prédio residencial.

— Você vai ficar bem? — Questionou a motorista não muito certa em deixar a adolescente sozinha com o bêbado. — Quer que eu ligue pra polícia?

— Não, não precisa... — Interrompeu-a. Fingindo tranquilidade, ela sorriu para a mulher antes de mentir. — Ele é meu pai... está passando por um momento difícil por causa do divórcio. Você entende, né?

— Hum... tem certeza?

— Como não? Ele é meu pai.

— Certo então. Em todo caso, esse é meu cartão caso precise de ajuda. — Falou estendendo-lhe um pequeno cartão com os seus contatos. — Pode me ligar a qualquer momento.

— Obrigada.

Sem mais perguntas, o Uber partiu enquanto Sofia usava o próprio corpo para estabilizar João e o ajudava a caminhar até o seu apartamento que, felizmente, era no primeiro segundo andar o que a poupou de subir muitos lances de escada. Ela não sabia ao certo o que a tinha levado à ajudá-lo ou mentir sobre o parentesco, mas sentia que precisava fazê-lo. Talvez sua consciência estivesse pedindo para retribuir o favor que ele tinha feito ao livrá-la da presença de Ben. Só poderia ser isso, pensou com um sorriso apesar do sentimento estranho.

— Espero que as minhas notas melhorem depois disso. — Debochou a loira abrindo a porta com a chave. — O professor certinho fazendo merda... quem diria!

Com algum esforço, ela o arrastou até o sofá onde deixou o corpo quase inconsciente. João resmungou alguma coisa incompreensível e virou para o lado afastando-se à uma almofada. Era um pouco patético, mas Sofia sentia a simpatia crescer por ele.

— Que tal um café? — Perguntou para João, mas não obteve nenhuma resposta. — É, também acho uma ótima ideia. Não vá a lugar algum, ok? Eu só preciso achar a cozinha.

— X —

— Você tem certeza?

— Eu os vi hoje e parecia tudo bem entre eles... — Confirmou Giovana. Ela ouviu Amanda bufar irritada do outro lado do telefone refletindo a sua própria impaciência. — Ao que parece, o casal feliz é mais unido do que eu pensava. Precisamos mudar a tática.

Giovana não estava nenhum pouco satisfeita com a cena do jantar e não duvidava que o ar "compreensivo" de Sofia diante de Ronaldo teve como intenção apenas tirá -la do sério. Bem, ela conseguiu.

— Ela não vai acreditar que a Anita e o Serguei estão tendo um caso.

— Tudo bem, eu já esperava por isso... o Serguei sempre foi um grande idiota mesmo, não me surpreende que a Sofia esteja no controle da situação. — Desdenhou Amanda. — O que nos leva,nesse caso, à mudar o foco.

Confusa, Giovana esperorou que Amanda esclarecesse. Embora achasse que a outra estava mais com o ego ferido do que queria demonstrar e que talvez por isso tenha aceitado sua proposta de unir forças para se vingaram de Sofia, resolveu calar a própria opinião para não contrariá-la. Amanda não foi sua primeira opção, mas não podia que ter muitos escrúpulos se realmente quisesse vencer a loira e a outra era baixa o suficiente para ajudá-la nisso.

— Que seja, isso não é importante. Eu tenho outras cartas na manga.

— Cartas? Do tipo? — Indagou a ruiva, interessada. — O que você não me contou?

— Fica suave, pirralha! Logo você e todos no colégio vão saber.

Com impaciência, Amanda desligou o celular sem nem mesmo se despedir. Ter que lidar com Giovana a irritava, mas a garota era importante para que seu plano desse certo e não poderia arriscar que ela se voltasse contra ela. Em pouco tempo, felizmente, não precisaria mais da garota.

— Você parece chateada.

— O que você acha? — Bufando, ela jogou o celular sobre a cama. — Me pergunto se foi mesmo ter sido uma boa ideia nos aliar com a ruivinha.

— Claro que sim, precisamos dela.

— Ok, mas espero que não demore muito. Não vejo a hora de ver a Sofia cair.

— Tudo no seu tempo, mas lembre-se que a Gio não pode saber sobre mim... ou sobre nós.

— Ok... contanto que continuemos a nos entender bem, tudo certo para mim. — Com um sorriso malicioso, ela deslizou a mão pelo peito masculino. — Somos uma boa dupla... na cama e fora dela!

— O que você pretende fazer com as fotos?

— Hum, deixe-me ver... — Ela fitou a boca mordendo os próprios lábios. A parceria podia ser inesperada, mas o prazer conquistado não poderia ser melhor. — Vou ajudar você a ter de volta a bruxa má. O que acha, Príncipe?

— Acho que isso seria perfeito.

Satisfeito pelos rumos da noite, Ben beijou Amanda ficando por cima dela. Seu objetivo era ter Sofia e não se importava o que teria que fazer para alcançá-lo.

Notas finais
Num jogo de cartas marcadas, o final pode ser sempre previsível... ou não? Tem gente achando que é esperta, mas tá sendo feita de otária. Ouviu, Giovana? Hahaha... SidAna em sintonia, finalmente! Amém! Sofia & Pedro & Ronaldo... e não menos importante: JoFia! Baby Marcela ajudando o pai bebum sem nem imaginar que a mentirinha é total verdade! ♡ Amo! Críticas, elogios, tijoladadas... lembrem-se, o carinho de vocês me inspira. Beijos e até semana que vem!