Era Uma Outra Vez...
64 Oficial
Notas iniciais
— Hey, vem cá! – Serguei puxou Sofia e a beijou pondo fim a discussão. – Para de brigar comigo.
— Eu não estou brigando com você.
— Está sendo deliberadamente irritante?
— Só um pouquinho... – Sofia empurrou o namorado fracamente, o que não adiantou em nada para afastá-lo. E afinal, não era o que ela queria. – Desculpa, é força do hábito!
Rindo da expressão zangada do ruivo puxou-o para outro beijo. Se Serguei era um cara antiquado, bem, ela poderia sobreviver a isso. Principalmente quando ele a fazia sentir-se tão feliz quando estavam juntos. E embora existissem momentos em que não conseguiam se entender de alguma forma eles encontravam um meio pelo qual se perdoarem.
— Você é muito engraçadinha! – Falou o ruivo apertando-a contra o corpo. – Muito divertida.
— Bom humor sempre foi uma grande qualidade minha. Entre outras, é claro.
— E a modéstia?
— Ah... eu sou muito modesta.
— Verdade? – Serguei ergueu uma sobrancelha de modo irônico.
— Claro que sim! Até aceitei namorar contigo mesmo você após você ter me acusado de ser uma mente criminosa que mandou o Otávio te bater no meu aniversário.
— Aniversário? – O ruivo encarou Sofia perdendo o bom humor lembrando-se exatamente do dia que foi confrontá-la. – Era o seu aniversário?
— Serguei, tudo bem. Eu tô brincando.
— Por que não me disse?
— Amor, é brincadeira! – Ao dar-se conta do semblante fechado do ruivo, a garota repreendeu-se mentalmente por ter tocado naquele assunto. – Não é importante.
— Você devia ter me contado. Eu queria ter feito algo especial.
— Escuta... – Ela segurou o rosto do namorado entre as mãos antes de falar seriamente. – A Flaviana e o Otávio fizeram uma surpresa para mim, foi a primeira vez que eu falei sobre nós dois. Eu estava triste e com raiva por muitos motivos. E então você apareceu e me fez encarar o que existia entre nós. Aquilo foi especial. Termos passado a noite juntos foi especial. Sem falar que... – A loira riu antes de encerrar o assunto com um selinho. – Ah... Amor, você ficou muito bonitinho com raiva.
— Bonitinho? – Foi a vez do ruivo puxar Sofia para outro beijo, bem mais quente do que os anteriores. – Minha vontade era te sacudir até você admitir que não podia ficar longe mim enquanto me mandava embora do seu apartamento.
— Mas você ficou.
— E foi especial.
— É especial.
Novamente eles entregaram-se a novos beijos. Passados os dez minutos, com muito custo, resolveram pôr fim aos “carinhos” e deixarem o quarto. Vera poderia ter tolerado o flagra dos dois na cama, mas ela não seria condescendente ao ponto de não se importar que a filha estivesse transando com o namorado enquanto a família jantava na sala. E considerando a facilidade com que os dois perdiam o controle após apenas alguns beijos, era melhor não arriscar. De mãos dadas, eles caminharam pelo corredor até chegar à sala. Lá encontraram Ronaldo, Giovana, Vitor, Júlia, Anita e Vera sentados à mesa.
— Boa noite. – Falou a loira diante do silêncio de todos. – Mãe você quer ajuda com o jantar?
— Não... não precisa. Porque você e o Serguei não se sentam? Eu já vou servir a comida.
Como sugerido, Sofia sentou-se ao lado de Ronaldo enquanto Serguei ficou com o lugar vazio ao lado de Anita e de frente para ela. A loira preferiu ignorar o olhar irônico que a irmã lhe lançou assim como os demais presentes. Ao fitar Serguei, sua atenção concentrou-se nele e em como ele lhe sorria de maneira confiante.
— É isso mesmo que eu tô pensando? Vocês tão se pegando? – Indagou Vitor de modo direto. – Cara, isso é estranho!
— Muito estranho! – Concordou Giovana olhando desconfiada para Sofia.
— Oh... é mesmo? – Exclamou a loira de modo sarcástico. – Pena que ninguém te perguntou nada, não é?
— Ai, que mal humor! – Queixou-se a ruiva fitando Serguei. – Foi ela quem te bateu também?
— Uau, cinquenta tons de cinza! Não... de roxo! – Brincou Vitor irritando Sofia. – Mas fala Serguei, já tomou o seu soro antiofídico?
— Já chega, Vitor e Giovana! – Interviu Ronaldo não gostando do rumo da conversa. – Será que não podemos deixar nossas diferenças nem na hora do jantar?
— Tudo bem Ronaldo... eu já tô acostumada com tanto carinho. – Falou Sofia revirando os olhos com tamanha infantilidade dos irmãos. – E afinal, minha relação com quem quer que seja não está em discussão.
— Eu e a Sofia somos namorados. – Afirmou Serguei prontamente para surpresa dos demais presentes. Ele fitou a loira com um sorriso desafiante já prevendo a irritação da namorada. – Oficialmente.
— Hum... isso explica algumas coisas. – Ponderou Ronaldo pensando sobre o fato da enteada e o ruivo terem chegado de mãos dadas. – Fico feliz por vocês.
— Obrigado. – Agradeceu o ruivo fitando a namorada mais uma vez. – É muito importante para nós.
Vermelha, Sofia desviou o olhar do rapaz, mas sem conseguir esconder o sorriso. Todo o tempo Anita e Júlia mantiveram-se caladas preferindo não participar daquela interação. Se existia alguma possibilidade de o amigo voltar atrás naquele relacionamento, esta foi completamente extinta com a declaração do mesmo. Para ter anunciado o namoro para Vera e Ronaldo, significava que Serguei levava a namoro dos dois muito a sério. E embora alguém mais sensível fosse capaz de reconhecer a sinceridade dos sentimentos deles, a maioria dos presentes tinham suas próprias convicções formadas.
— X —
— Flaviana!
Sidney insistiu novamente diante da porta trancada. Após passar mal, a morena tinha praticamente corrido ao banheiro e se trancado lá sem emitir nenhum sinal de vida. E para piorar a situação uma queda de energia deixou a casa e o bairro em completa escuridão. Mais preocupado do que irritado, o rapaz bateu mais uma vez na madeira
— Flaviana abre essa porta ou eu juro pelo que é mais sagrado que eu vou levar ela abaixo. – Ameaçou o loiro preparando-se para forçar a entrada no lugar. Contou até dez antes de avançar sobre a mesma. – Eu avisei!
O impacto que se seguiu não tirou o objeto um milímetro do lugar servindo apenas para lesionar o ombro de Sidney e jogar para longe a lanterna que ele segurava. Com um gemido de dor, ele recostou-se à parede culpando-se por ser idiota o suficiente ao pensar que algo que só via em filmes poderia dar certo na vida real. O problema é que ela e sua teimosia o fazia agir estupidamente.... pelo menos, mais que o habitual.
— Porra Patricinha, eu acabei de deslocar meu ombro por sua causa!
Apesar da reclamação, nada foi dito pela garota. Realmente preocupado, Sidney pegou a lanterna e foi a cozinha onde sabia existir chaves reservas de todas as portas da casa: uma mania de Maura. Quando ele finalmente entrou no banheiro surpreendeu-se ao ver Flaviana sentada no chão enlaçando as pernas com os braços. O corpo da garota era sacudido por tremores e o olhar demonstrava grande terror.
— Flaviana? — Sidney se aproximou devagar e ficou na mesma altura que ela, mas não a tocou. – Você precisa voltar para o quarto.
— Escuro... muito escuro. – Sussurrou a garota encarando o nada em uma espécie de transe. – Muito escuro.
— Faltou energia, mas eu tenho uma lanterna. Tá tudo bem, não vai demorar até que a companhia elétrica restabeleça a energia. – Sidney esforçou-se para soar tranquilo. Ela estava visivelmente abalada e o que ele menos precisava agora era que ela se sentisse ameaçada por ele. – Tem algumas velas lá embaixo e lanternas no meu quarto. Está frio, você precisa voltar para cama.
— Acho... que não... posso.
— Não tem problema.
E com mais paciência do que pensou possuir, sentou-se ao lado dela e estendeu-lhe a mão. Após um minuto de hesitação, Flaviana segurou a mão de Sidney sentido o contraste entre o frio da sua mão e o calor dele. O medo a tornava impotente embora ela soubesse exatamente o que se passava, as lembranças ainda insistiam em atormentá-la naquele momento. Era como ter sete anos de novo e sentir o mundo se fechar ao seu redor. No entanto, agora ela não estava mais sozinha. Então, sem que nada fosse dito, ficaram um ao lado do outro como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— X —
— Pelo visto, está tudo bem entre vocês.
Serguei meneou a cabeça em concordância as palavras de Júlia. Ele estava na cozinha acendendo algumas velas por causa da queda de energia quando a morena se aproximou. Era a primeira vez que eles conversavam desde a confusão da tarde e mesmo gostando da garota, não pôde ignorar o fato de sua briga com Sofia foi motivada por ela.
— Está sim, embora ache que isso represente um problema para você.
— Serguei... – Começou Júlia desconcertada diante das palavras do amigo. Nunca tinha se sentido culpada em relação a qualquer assunto com ele, mas agora era como se fossem desconhecidos. – Eu não me orgulho do que fiz, mas se isso importa... quero que saiba que fiz isso pensando em você.
— E de que modo você pensou em mim ao tentar arruinar meu namoro? – Serguei não amenizou o tom duro das palavras. Lembrar de como Sofia estava magoada ao confrontá-lo o irritava profundamente. – Talvez eu não tenha sido claro: eu não preciso que ninguém me proteja de nada. Eu amo a Sofia e isso é algo que você nem ninguém pode mudar.
— Eu entendo isso agora e por isso peço desculpas pelo o que eu fiz. Espero que isso não mude a nossa amizade, mas caso aconteça eu vou entender.
O ruivo respirou pesadamente ao fitar a amiga. Ele sabia que Júlia era uma pessoa maravilhosa e que, infelizmente, teve alguns conflitos com Sofia, portanto, não queria julgá-la. Se fosse justo, admitiria que ele próprio não confiava na namorada até pouco tempo e que por isso não podia esperar que as opiniões que as pessoas tinham sobre ela mudassem drasticamente. No entanto, ele também não estava disposto a permitir que Júlia ou outra pessoa interferirem em suas escolhas.
— Há quanto tempo nos conhecemos, Júlia?
— Muito tempo. – Falou a morena com um sorriso triste. – Você é o meu melhor amigo.
— Então, como pode acreditar que nossa amizade pode mudar por causa de um erro?
— Bem, é que... – Garota calou-se por não ter o que dizer. Eles nunca tinham passado por uma situação como aquela e ela não esperava muita compreensão depois do que fez. Sem falar que Sofia certamente teria se encarregado de colocá-lo contra as amigas. – A Sofia... vocês estão juntos.
Com um sorriso irônico, Serguei encarou Júlia adivinhando os pensamentos da garota.
— O fato de eu namorar a Sofia não significa que não podemos ser mais amigos.
— É isso que ela acha? Amizade estranha a de vocês.
Júlia virou-se imediatamente em direção a pessoa que estava logo atrás dela. Surpresa, a morena entreabriu a boca uma ou duas vezes, mas não foi capaz de formar uma frase diante de Sofia. Em vez disso, apenas observou a loira se aproximar de Serguei que por sua vez passou um braço ao redor dela.
— Como está o Pedro?
— Melhor e, graças a Deus, sem febre. Ele me contou que você cuidou muito bem dele. – Ignorando o olhar constrangido de Júlia, Sofia deu um selinho no namorado. – Enfim, eu não atrapalhei a conversa de vocês, não é?
— Não, eu estava explicando para Júlia que o que aconteceu hoje é passado e tentando fazê-la entender que nosso namoro não interfere nas minhas amizades.
— Hum... – Sofia encarou Júlia diretamente. Ela não tinha vontade de ser legal com a outra garota, mas sabia o quanto a amizade dela era importante para namorado. Por isso resolveu ceder, por mais que existissem questões não resolvidas entre as duas. – Eu acho que podemos esquecer o que aconteceu. Sei que você não é minha maior fã e eu nunca fiz questão de ser legal também, mas eu sei que você gosta do Serguei. E por causa dele acho que podemos nos tratar civilizadamente.
Novamente, Júlia não soube o que dizer. Ela sinceramente não esperou que a Sofia fosse ser a primeira a tentar uma reconciliação, pelo contrário, quando ela mesma já acreditava que a loira tivesse se encarregado de fazer sua “caveira” contra Serguei. No entanto, contrariando todas as expectativas lá estava ela colocando as cartas sobre a mesa e pondo o que o amigo sentia em primeiro plano. Júlia poderia confiar?
— Sei que está pensando se pode confiar em mim ou não. – Falou Sofia, perspicaz fazendo a morena corar. – Você seria terrivelmente ingênua se esquecesse tudo o que eu fiz, mas... – Ela fitou o namorado com um sorriso sincero. – Digamos que eu tenho um bom motivo para não cometer velhos erros.
Júlia considerou tudo o que viu e ouviu da loira. Recordou-se dos confrontos e as vezes que enxugou as lágrimas de Anita por causa dela. Mas ainda ela não pode ignorar o modo como ela fitava Serguei. Ninguém poderia fingir aquele sentimento e dar-se conta da profundidade da ligação dos dois reforçou a decisão a ser tomada.
— Acho que... Podemos tentar.
Talvez estivesse ficando louca, mas depois de tantos acontecimentos quem ela era para julgar ou condenar alguém? Provavelmente Anita ficaria chateada, mas Serguei merecia um voto de confiança também. E se ele foi capaz de enxergar algo de bom em Sofia ao ponto de se apaixonar por ela, então, a loira não deveria ser de todo mal.
— X —
— Flaviana?
Convencido de que Flaviana adormecera em seu ombro, Sidney a segurou nos braços levando-a de volta para o quarto. Em resposta, a garota aninhou-se a ele como se buscasse proteção. Com um sorriso torto, afastou alguns lençóis e depositou-a sobre cama. “O que droga tá acontecendo comigo?” Perguntou-se o rapaz indeciso em continuar olhando Flaviana ou buscar o remédio para a febre que tinha voltado. Eles haviam ficado quase uma hora no banheiro e em nenhum momento sentiu-se irritado ou com raiva. Tudo o que pensou naquele tempo foi em acalmá-la e que o medo fosse apagado de suas feições. Balançando a cabeça, tentou não se aprofundar nos pensamentos sobre o que estava sentido por ela. Era errado e perigoso. E ao mesmo tempo, inevitável. Mais uma vez, deixou o quarto guiando-se pela luz da lanterna. Encontrou o remédio, gaze e esparadrapo além de álcool. Ele também aproveitou para pegar algumas velas, um copo de leite e algumas bolachas na cozinha. Não eram grande coisa, mas pelo menos ela não morreria de fome.
De volta, encontrou-a ainda deitada na mesma posição. Ele aproximou-se da cama e deixou o que tinha sobre a mesinha de cabeceira. Com uma mão, sacudiu-a levemente para que despertasse. Após insistir algumas vezes, Flaviana abriu os olhos, a princípio desorientada para logo em seguida dar-se conta de onde estava. E principalmente de quem estava com ela.
— Sua febre voltou e por isso precisa tomar mais uma dose do remédio. Preciso trocar o curativo da sua mão também. – Sidney falou com calma como se fosse comum ele cuidar dela. – E tem leite e bolacha já que você não se alimentou o dia todo.
— Não consigo comer nada agora. – Falou Flaviana com uma careta.
— Você precisa fazer um esforço.
— Eu nunca fico doente. – A garota baixou a cabeça envergonhada e sem conter as lágrimas. Por mais que tentasse evita, sentia-se emocionada com o que o rapaz fazia naquele momento. – Eu disse que não iria incomodar e que não precisava de uma babá, mas aqui está você tendo que lidar com esse problema. Me desculpe, eu sou mesmo patética.
— Quer dizer que eu fui premiado? – Brincou Sidney. Segurando-a pelo queixo a fez olhar diretamente para ele. – Você não é patética e não precisa se desculpar. Agora você toma o remédio e come o que eu trouxe, pois embora tenha dito que não queria ser babá eu não falei nada quanto a ser enfermeiro.
Flaviana sorriu entre lágrimas e fungou o nariz de um modo nada bonito. Estranhamente, seu coração passou a bater mais rápido e por um minuto pensou que poderia realmente gostar de Sidney. E isso era errado e perigoso, mas também inevitável.
— X —
— Obrigado.
— Pelo quê?
— Pelo o que você disse à Júlia.
Sofia desvencilhou-se do abraço do namorado antes de encará-lo abertamente. Eles continuavam na cozinha, mas agora sozinhos. Enquanto isso, Júlia tinha ido para o quarto com Anita e a loira desconfiava que não demoraria muito até a irmã saber sobre a trégua proposta por ela. Os demais moradores buscavam algum meio de distração em meio ao tédio e a escuridão
— Serguei, você precisa entender que eu não tenho intenção de ser amiga da Júlia ou da Anita. O que eu quero é que a nossa convivência seja pacifica, porque elas são importantes para você. Mas é só.
As palavras ditas de modo direto não desconcertaram Sofia, apesar do semblante decepcionado do ruivo. Embora não fosse fácil, era óbvio para ela que o namorado precisava aceitar o quanto antes que não era capaz de manter relações apenas obrigação. No entanto, tentaria fazê-lo entender os seus motivos.
— Seria tão difícil assim ser amiga delas? – Indagou o ruivo, sério. – Deu certo entre nós dois.
— Não é questão de ser fácil ou não. E no nosso caso foi diferente... – Sofia deu de ombros, cansada. Afinal, existiam mais barreiras do que àquelas que Serguei enxergava. – Eu estou sendo realista ao dizer que mesmo que eu quisesse muito, não posso apagar o passado. Ele existe e seria preciso muita boa vontade de ambas as partes para pensar além dele, o que eu duvido muito que vá acontecer.
— Mas você e a Anita são irmãs.
— O que não significa nada! Eu e ela nunca nos demos bem.
Sem querer, a garota tinha elevado o tom de voz arrependendo-se em seguida. Acontece que ela considerava a sua relação com Anita um caso complicado, por isso não gostava de falar sobre ela.
— Eu e ela somos... diferentes. Sempre foi assim. E sem falar que o fato da Anita priorizar o namoro “encantado” dela com o Ben só torna a situação pior.
— Isso só seria um problema se você sentisse algo por ele. – Serguei odiou que Sofia tenha tocado naquele assunto, embora soubesse que ela o amava. A antiga relação da garota com Ben era algo que ele não poderia superar facilmente. Não por Sofia, mas por saber que Benjamim era um grande hipócrita por usar os sentimentos da amiga e procurar sua namorada. – O que não é o caso.
— É o que você acha? Por favor, eu não estou me eximindo da culpa, mas sempre foi conveniente pra ela aceitar que eu era a “bruxa má” e ignorar completamente os erros do namorado. Hoje mesmo, ela viu ele te agredir mais uma vez e se importou apenas em apaziguar a situação com medo de comprovar o que eu e você já sabemos: o Ben não a ama.
— Ele ama você. – A afirmação foi dita em um tom baixo, mas grave como se o ruivo precisasse se esforçar para dizê-la. Era uma verdade contra a qual não podia lutar e que o irritava profundamente. – Ele perdeu completamente o controle por sua causa.
— E a culpa é minha? – Sofia olhou fixamente para o namorado fuzilando-o com o olhar. – Não sou responsável pelos atos do Ben.
Irritada, ela encaminhou-se para a sala e foi seguida por Serguei. Ele alcançou-a perto da saída e a segurou pela mão impedindo-a de se afastar.
— Não foi o que eu disse.
— Serguei, eu já te falei tudo o que aconteceu. Eu abri meu coração para você e embora eu te ame muito, não vou aceitar que você desconfie de mim. Isso eu não vou admitir!
— Sofia, fica calma. – O ruivo a segurou entre os braços impedindo-a de se afastar. – Me escuta?
A garota respirou fundo tentando controlar-se. Fixou o olhar no namorado e acenou afirmativamente.
— Não disse que você provocou a reação dele. Eu confio plenamente em você e no que nós sentimos, mas eu vi o que aquele cara fez ontem e não posso ficar tranquilo sabendo que ele está tão perto de você.
— Não acho que ele vá se arriscar a tentar algo. O Benjamim gosta demais do papel de bom moço para abrir mão dele com tanta facilidade. E também não acho que o que ele sinta seja amor, mas eu sinceramente não me importo. No entanto, eu estou farta dessa história e ser colocada como a vilã de tudo. Se a Anita não é capaz de tirar o namorado do pedestal onde o colocou, eu não posso fazer nada.
— Tudo bem... você está certa. – Concordou o ruivo por fim. Tudo o que eles menos precisavam nesse momento era mais uma briga por conta de Ben. – Mais cedo ou mais tarde a Anita vai se dar conta de quem ele é.
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