Era Uma Outra Vez...
32 O anúncio de tempestade...
Notas iniciais
– Então, me dá a honra?
– Claro! – Exclamou Pedro fazendo uma ligeira reverencia perante a irmã. Sofia riu e bagunçou os cachos do menino.
– Espero que você me recompense por ter tirado o resto do dia para ficar com você, hein? Voltar a colocar meus pés no muquifão é algo que eu não desejaria fazer nem tão cedo.
– Implicante como sempre!
– Não é implicância, é bom senso. Eu não me esforcei tanto para sair de lá, para voltar correndo na primeira oportunidade!
– Você não precisa vir comigo, se não quiser... – Murmurou Pedro magoado com a loira. Sofia revirou os olhos impaciente consigo mesma.
– Foi mal OK? Culpe a minha TPM por esse mal humor. – Ela depositou um beijo na bochecha do menino – Lógico que eu quero ficar com você, Pedrinho! Nem que fosse no fim do mundo. E eu to com saudade da mamãe também e do bolo de chocolate dela. É contra a minha dieta, mas eu não vou poder passar mais um dia sem aquela delicia!
– Quer dizer que é só o bolo que te interessa? – Acusou com um biquinho. Sofia riu achando impressionante o fato do quanto Pedro parecia apenas um garoto comum cheio de vontades quando estavam juntos, e não uma criança superdotada.
– Ai, que apego esse menino! – Brincou fazendo cócegas no irmão – Nem parece que nós ficamos até de madrugada no Skype, né Pedro?
– Ah... Não é a mesma coisa!
– Não, nem é! Homens! Em qualquer idade, ainda são uns carentes de atenção! – Exclamou puxando Pedro pela mão.
Caminharam juntos, entre risos e brincadeiras, como há tempos não acontecia. Não havia se passado sequer uma semana desde a separação, e embora se falassem sempre, era como se precisassem compensar cada momento perdido. Pedro a deixava feliz, desarmada, como ninguém mais conseguia e para Sofia isso era ótimo. Seu irmão era o único com quem ela podia dividir suas fraquezas.
Em poucos minutos, eles chegaram ao casarão. Respirando fundo, Sofia entrou na sala e a primeira coisa que viu foi a mãe muito concentrada na decoração de um bolo. Nada havia mudado, pensou, ao vagar o olhar pela sala.
– Olha mãe quem tá aqui! – Exclamou Pedro alegre por esse importante membro da família estar de volta, ainda que temporariamente. Vera virou-se rapidamente e seus olhos ficaram marejados quando fitou a filha.
– Sofia? – Murmurou indo abraçar a loira. Sofia revirou os olhos pela o ataque de sentimentalismo da mulher mais velha, mas ela não pode esconder a sua própria emoção. E seus olhos vermelhos pelas lágrimas represadas eram prova disso. – Ai, me deixa olhar pra você! Está tudo bem? Tem comido direito? Não anda dando preocupações para seu pai e a Bernadete, não é? – Vera disparava uma pergunta atrás da outra para Sofia que apenas fitava a mãe com imenso carinho.
– Por favor, uma pergunta de cada vez! – Pediu passando o braço pelos ombros da mãe – E que cheirinho bom é esse, hein?
– O almoço! Fiz aquele filé que você adora. É só esperar seus irmãos chegarem, e poderemos comer todos juntos como uma família.
– X –
– Quer que eu concorde com essa loucura?
– Não é uma loucura.
– Certo, é uma estupidez! O que acha que vai conseguir com isso?
– Sinceramente, não sei... Mas já é alguma coisa, não? A Sofia é imprevisível e a forma como ela olhou para o Ben hoje, eu não gostei. – Falou Serguei pensativo sobre o momento em que ele e a loira chegaram juntos a área externa de alimentação do colégio.
Foi como se todos tivessem deixado de lado o que faziam na ocasião para olhá-los. Um em especial, Ben, pareceu mais irritado do que surpreso, diferente dos outros. Ele como o resto do pessoal não sabia por que Serguei e Sofia estavam de braços dados, mas não gostou do olhar interrogativo que ele lançou à loira e nem a resposta muda lançada em desafio para Ben pelos brilhantes olhos dela. Quis dizer para si mesmo que sua preocupação era Anita e sua reação, mas algo mais quente e corrosivo o queimava por dentro do que o simples pensamento da amiga magoada.
– Você acha que ela ainda quer alguma coisa com ele? – Perguntou Júlia incerta se queria ou não saber da verdade.
– Talvez... Existe mais nessa historia do que nós sabemos. E pelo visto, a Anita também não sabe. Mas eu vou descobrir, não importa o que tenha que fazer. E se for o que eu penso... – Serguei cerrou os punhos com raiva.
– Calma. – Pediu Júlia pondo uma mão em seu ombro. Ela estava surpresa pela reação do garoto e creditava isso ao amor que ele sentia por Anita e que se negava demonstrar. Talvez fosse melhor para os dois, Serguei e Anita, se a amiga correspondesse a esse sentimento, pensou consigo mesma. – Eu confio em você, mas, por favor, não faça nada do que possa se arrepender depois.
– Eu não vou.
– Assim espero.
– X –
– Pelo visto, somos somente nós. – Disse Vera recolocando o telefone no gancho. – O Vitor está na casa do Paulino, a Giovanna vai almoçar e depois ensaiar com a Clara e o Guilherme, e a Anita e o Ben... Bom, devem ter ido fazer algum programa de casal.
– Menos mal, porque já estão aqui as únicas pessoas que me interessam.
– Ela não quis dizer isso, mãe. – Falou Pedro repreendendo a irmã com o olhar. Sofia deu de ombros.
– Eu quis sim. Estou aqui por você e pela mamãe, não tem pra quê mentir. Tem?
– Certas coisas nós podemos guardar para nós mesmos.
– Por favor, não vão começar vocês dois hein? – Interferiu Vera.
– Ok... Foi mal, Pedro! – Sofia sorriu sem graça para o caçula que desfez a expressão zangada do rosto.
Enquanto a mãe colocava a mesa e Pedro foi trocar de roupa, Sofia voltou à atenção para o seu Iphone lendo o torpedo enviado por Flaviana.
“Como assim você e o Serguei de mãos dadas no colégio?! Me diz que é algum plano seu para atingir a Anita, porque se não...”
Sofia já podia ouvir ecoando na mente o ‘se não’ acompanhado de reticência. Flaviana a mataria se soubesse que ela havia beijado Serguei, era claro, no mínimo a desprezaria por ter se ‘envolvido’ com o ruivo e escondido isso dela. Mesmo que nunca tenha pretendido fazer nada do que havia feito nem levar adiante os beijos e o prazer que descobriu repentinamente sentir pela companhia dele. Serguei era simpático, comunicativo e um ótimo ouvinte. Passaram quase uma hora conversando na escola sob olhares curiosos, mas ela não notou presa ao som da voz dele enquanto ele discursava sobre Machado de Assis, Bentinho, Capitu e outros assuntos que a teria matado de tédio se fosse outra pessoa falando. Aquele era um pensamento arriscado, conclui, lembrando-se que ele era Serguei, amigo da sua irmã, seu inimigo e um ex affair da sua melhor amiga. E embora Flaviana fosse apaixonada ou obsecada por Martin, não importa qual a opção, sua amiga não era do tipo que compartilhava ex-ficantes.
E se Sofia tinha certeza que não agradaria nada a amiga saber do seu ‘deslize’ com Serguei, pior seria se ela descobrisse o que a loira foi capaz de fazer a algum tempo. Flaviana nunca mais olharia na sua cara se um dia soubesse o que ela fez e por que fez. Foi um erro vergonhoso que Sofia escondeu de todos. Não, ela nunca saberia, jurou Sofia sentido remorso por algo que ela preferia manter enterrado num passado próximo e deixá-lo lá para sempre. Ela amava demais Flaviana, mas não podia mudar o que aconteceu, pelo menos, o manteria distante da sua amizade com a garota. Custe o que custar, ela protegeria Flaviana dela mesma.
“Sem paciência para perguntas inconvenientes! O que acha que ele e eu fazíamos?... Venha até o casarão.”
Enviou a mensagem para Flaviana ainda incerta do que responderia. Não era um pedido, era mais uma ordem. Sabia como agir com amiga, lhe dar ordens, instruções, se fizesse isso, ficaria tudo bem. Agora só precisava pensar numa explicação convincente que não a entregasse.
– Oi, Vera... Então, to muito atrasado para o almoço?
– Não, claro que não! Pode se sentar.
Sofia levantou os olhos do celular e seu olhar chocou-se com o de Antônio, escuro e sarcástico, bem a sua frente. Com um leve tremor, ela deixou o aparelho de lado e fitou o rapaz sem nada dizer. Deixou o sofá e seguiu para a mesa sentando-se no lado esquerdo da cabeceira. Ele por sua vez sentou-se frente a ela em silêncio.
– Eu não esperava te ver. – Disse sem qualquer traço de emoção na voz. Sofia remexeu-se na cadeira e tentou parecer despreocupada.
– Eu vim visitar minha mãe e meu irmão. Embora não more mais aqui, ainda é a minha casa.
– Claro... Sua casa.
Um silêncio tenso se abateu sobre os dois. Sofia tamborilava os dedos sobre a superfície de madeira da mesa enquanto Antônio a fitava com os cílios semicerrados sem transparecer nada a não ser tédio. Ele não parecia assim quando me atacou, pensou mordaz Sofia, dividida entre a apreensão e a raiva pelo o que ele havia feito.
– O Antônio está trabalhando no Embaixada filha! – informou Vera alheia ao clima pesado entre os jovens.
– É temporário.
– Por quê? É bom demais para ser um simples garçom? – Perguntou debochada.
– Sofia! – Repreendeu a mãe com desgosto.
– Tudo bem, Vera! – Falou Antônio levantando uma mão para interromper a mulher, gentilmente. – Talvez possa parecer realmente isso, mas minha intenção ao vir para o Brasil era me dedicar ao desenho e já que pretendo correr atrás de cursos que me qualifiquem, pensei em conseguir um emprego mais bem remunerado. Não que eu não agradeça ao Ronaldo pelo apoio, mas não posso ficar dependente dele por mais tempo. – Completou com calma recebendo um sorriso compreensivo de Vera.
– Foi por isso que veio para o Brasil? – Questionou Sofia. Antônio acenou que sim – Ninguém te disse que a educação aqui no Brasil não é lá essas coisas? E que você poderia ter se dado muito melhor se tivesse continuado nos Estados Unidos?
– Isso não é de toda verdade. Existem sim bons cursos aqui, sem falar que o custo de vida é bem mais em conta. A crise financeira deixou um alto índice de desemprego, e é bem mais difícil para quem é imigrante ilegal. Não era o meu caso, mas meu padrasto é e se eu posso ser uma despesa a menos, não vejo porque não arriscar novas oportunidades.
– Muito altruísta da sua parte... – Disse o fitando com suspeita.
Seria Antônio uma versão masculina de Anita ou ele tinha mais algum motivo além da ‘bondade’ para com o padrasto? “Lobo em pele de cordeiro” o definia bem, em sua opinião. Ninguém tão ‘bonzinho’ a teria beijado a força da forma como ele fez. E nenhum psicopata se arriscaria a ser atropelado para salvar a vida de uma desconhecida, retrucou uma voz na sua cabeça. Qual era a verdade naquela história? Antônio era só um gringo exilado lutando por um sonho ou alguém bem mais perigoso? Sofia precisava saber mais sobre ele, suas reais intenções e se devia ou não se preocupar com a estadia dele no casarão.
– X –
– Foi ótimo passar esse tempo com você! Obrigada.
– Hey, não precisa agradecer. Afinal, você é minha namorada.
– Eu sei que estava estranha nos últimos dias, mas eu vou mudar. Sério, você vai ver!
– Não precisa mudar nada. Eu adoro você assim, como você é. – Ben deu um selinho leve em Anita que correspondeu encantada.
Os dois haviam escapado para o bosque para fazer um piquenique romântico e tudo tinha ido muito bem, apesar dos conflitos internos da garota. Ben tinha sido carinhoso, gentil, muito atencioso com cada detalhe a fazendo relaxar como há dias não conseguia. Era quase como no inicio do namoro dos dois onde os dias pareciam sempre perfeitos e Sofia não era nada além de um obstáculo superado. Bons tempos àqueles nos quais ela acreditou que a sua tranquilidade era inabalável.
– Eu também adoro você desse jeitinho. Me apaixonei no instante que ti vi, meu ‘Príncipe Sapo’. Foi amor a primeira vista... Pena que você levou mais tempo para perceber meu interesse, né?
– Eu estava... – “Fascinado pela Sofia.” Pensou com o semblante sombrio. Por culpa dela, ele quase perdeu Anita. – Confuso. Mas agora tudo está no seu devido lugar e você está ao meu lado.
– Acho melhor a gente se apressar. – Anita olhou para o céu repleto de nuvens escuras. – Vai cair um temporal e a mamãe não sabe onde nós estamos. Não quero preocupá-la. E eu ainda tenho que aprontar tudo para a festa da Júlia.
– Você sempre pensando nas outras pessoas... – Falou admirado. Anita gostou do elogio, mas não achou que fosse o tipo de coisa que gostaria de ouvir do namorado. Todas as vezes que Ben a elogiava era em relação a alguma ação que ela fazia e que ele considerava generosa, solidária. Fora isso, mais nada. – Nunca mude.
– X –
– Acho que vai chover... – Falou Vera olhando pela janela da cozinha.
Sofia e Antônio permaneciam sentados â mesa fitando-se mutuamente com hostilidade. Durante todo o tempo, ela havia feito insinuações sobre ele com o intuito de tirá-lo do sério, mas em nada as perguntas mal criadas dela o afetaram. Pelo contrário, ele parecia divertir-se o que só a irritou profundamente. A mãe tentava interferir vez ou outra, mas desistiu e se concentrou no filho mais novo. Pedro subiu para o quarto cansado de tentar conseguir o interesse da irmã resmungando que preferia ler seu dicionário. Giovanna também tinha aparecido, mas sem querer ficar na companhia da ‘irmã’ também foi para o próprio quarto e trancou-se lá.
– Vou tirar a roupa do varal. Vocês podem tirar a mesa para mim? – Vera pediu saindo logo em seguida para o quintal.
– E você não deixou ninguém lá na Califórnia que possa sentir sua falta? – Questionou Sofia tentando arrancar mais alguma informação de Antônio.
– Alguém? Não... Mas por que o interesse? – Indagou Antônio arqueando uma sobrancelha.
– Quem disse que eu me interesso? – Defendeu-se Sofia ríspida o fitando com desprezo – Eu estava apenas sendo educada. Sabe o que é isso? Ah, não diga... Eu já tive uma pequena demonstração da sua educação.
– E eu da sua.
– Você mereceu!
– Mesmo? Pensei que você seria mais receptiva a minha tentativa de nos conhecermos melhor.
– Conhecer melhor? Então se eu te conhecesse bem eu estaria o quê... Jogada numa vala?! Jeito estranho esse de conhecer alguém, a não ser é claro para maníacos sexuais. Esse é seu caso?
– Quem sabe? – Desconversou com um sorriso torto – Talvez eu tenha sido muito rápido na minha abordagem. Quer uma reparação? Garanto que posso ser carinhoso se você pedir com jeitinho... Eu posso ser muitas coisas se você quiser.
– Mas eu não quero!
– Não?
– Nem um pouquinho! Nem se a minha vida dependesse disso... – Sofia sorriu com desprezo o fitando de cima a baixo numa analise silenciosa das roupas que ele usava. Uma camiseta bem desgastada com o emblema da banda Nirvana, jeans furados, algumas pulseiras que ela julgou horrorosas e o cabelo preso no alto da cabeça. – Nunquinha eu, Sofia Toledo, ia dar trela pra um largado que nem você! Esse seu estilo ‘mendigo alternativo’ pode fazer sucesso com as tuas ‘negas’, mas pra mim é essencial que um cara saiba a necessidade de se usar xampu!
– Vai me dizer que não gostou do meu beijo? – Perguntou com malicia segurando a mão de Sofia por sobre a mesa fazendo movimentos circulares na palma da mão dela. – Eu ainda não esqueci o tremor dos seus lábios nos meus... Foi excitante.
– Pra um pervertido, com certeza! – Ela puxou a mão abruptamente fazendo com que o copo com suco caísse sobre a mesa e o liquido molhasse sua blusa branca a deixando quase transparente. – SEU ESTÚPIDO! Olha o que você fez! – Rosnou com raiva levantando-se da cadeira.
Antônio não expressou a mínima culpa pelo o ocorrido e apenas a fitou com cinismo muito interessado na imagem do sutiã vermelho rendado que a camiseta molhada deixava transparecer. Com um rápido movimento ele também se levantou e se aproximou de Sofia, que preocupada com a macha de suco, não notou o rapaz até que ele estivesse bem perto. “Certo, eu não deveria ter baixado a guarda com ele.” Admitiu com pesar ao levantar o olhar e dar de cara com Antônio despreocupado a segurando pela cintura com suas grandes e nojentas mãos. Será que estava escrito em sua testa ‘Possível vitima sexual’? Indagou-se com uma ponta de ironia. Tudo bem que ela era linda e bastante desejável, mas aquilo já estava virando palhaçada. Quantas tentativas de abuso ela teria que sofrer para aprender a não ser vulnerável?
– Isso está me parecendo um convite... – Antônio sussurrou perto dos lábios de Sofia que imediatamente os fechou numa linha fina pronta pra usar o golpe que tão bem sabia e que havia a livrado dele uma vez. Mas Antônio não seria pego desprevenido, sem chance para ela escapar. – E nem pense em me dar outra joelhada, não se quiser sair ilesa dessa sala.
– E eu posso saber o que vai fazer, ô valentão? – Falou erguendo o queixo e rezando para a voz não tremer. Com gente maluca nunca se sabe não é? E Sofia já tinha lido em algum lugar que o medo é a melhor arma para um agressor. Ele usava isso contra a sua vitima, mas ela não seria vitima de ninguém! – Você tem duas opções: ou você me solta agora ou eu vou começar a gritar e te acusar de tentar me estuprar. Quero só ver como é que vai ficar seu sonho ‘brasileiro’ de vencer na vida sem um teto nem ninguém para te apoiar!
A ameaça pareceu surtir efeito já que ele a soltou, mas não imediatamente. Antônio a fitou por alguns segundos, mas não com raiva. A emoção, se é que ele sentia alguma, que Sofia viu refletida nos olhos dele foi diversão. Definitivamente, ele não era uma pessoa normal. De forma alguma, mas quem se importaria com isso quando tudo o que ela queria era sair correndo da sala? Péssima hora para as pernas ficarem paralisadas.
– O que aconteceu aqui? – Indagou Vera entrando pela porta da cozinha e encarando os dois parados frente a frente. O copo que caiu sobre a mesa havia rolado e se espatifado no chão, mas Sofia não percebeu.
– Um acidente, mas eu já resolvo isso. – Falou Antônio se afastando e seguindo para a cozinha para pegar vassoura e pá.
– Eu vou tirar essa roupa! – Falou Sofia ofegante sem coragem de encarar a mãe. Com pressa, ela subiu as escadas.
– X –
– Vanessa você segura às pontas aqui pra mim?
– Claro chefinho! Mas fala aí... Tem algum encontro secreto há essa hora?
– Tenho! Um encontro secreto com uma festa de aniversário que não vai se realizar sozinha. Por favor, só faz o que eu pedi. – Falou Serguei contrariado para a assistente antes de lhe dar as costas.
– Quero saber qual bicho foi que te mordeu para você está tão insuportável, Serguei! Por isso continua solteiro! Quem é a mulher que vai aguentar esse seu mau humor? – Reclamou Vanessa quando ele deixou o salão
– X –
– Valeu vida! – Sofia resmungou tirando a camiseta pela cabeça.
Por sorte ela havia deixado algumas roupas no antigo quarto, porque se não seria obrigada a voltar para a Barra embaixo da chuva que finalmente resolveu cair. Bem que um raio podia cair na cabeça daquele maluco, pensou com raiva, vasculhando as gavetas a procura de algo decente para vestir. Tudo o que conseguiu foi uma saia longa drapeada de cor verde musgo e uma regata verde limão. Jogando as peças sobre a cama, tirou o restante da roupa e envolveu o corpo num roupão. E correu para o banheiro do quarto da mãe, já que por nada nesse mundo se arriscaria a ser vista nua, mas nem tanto, por aquele maníaco sexual que ela tinha certeza ainda estava na sala. Sofia podia sentir sua presença sombria no casarão. O oposto de Ben. Mas o que isso queria dizer? Quantas vezes ela e Anita foram comparadas também? Não, Benjamim não tinha espaço naquela história. Antônio era Antônio, e bem ou mal, ela teria que suportá-lo quando preciso.
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