Era Uma Outra Vez...

21 "Morando com o inimigo"


Notas iniciais
Ultima sexta feira do ano, ultima postagem do ano... AH, o tempo pareceu voar. Só agora me dei conta de que esse é o 21º capítulo e que a Fic já contabiliza mais de 100 comentários! Tudo isso graças a vocês, que me aturam e topam ler as minhas loucuras, que comentam, participam e amam tanto essa Fic quanto eu. Esse capítulo é especial por muitos motivos: Porque temos uma Sofia decidida, finalmente o encontro dela com o Antônio, e também porque após esse, a Fic ficará um tempo em Hiatus. Pois é, final de ano e inicio de ano é complicado, viajarei e não terei como escrever, por isso a Fic terá uma pequena pausa. No mais tardar, em meados de fevereiro eu estarei de volta. Até lá, peço paciência. Bem, acho que é isso. Quero mesmo agradecer por tudo e por fim, desejar tudo de bom e que janeiro passe rapidinho. Vamos ao cap!

“Ridículo!”

Esse foi o pensamento de Sofia enquanto ela caminhava a passos lentos pela rua em direção ao casarão da família. Havia se despedido de Sidney há poucos minutos com um abraço e a ameaça de morte lenta e dolorosa no caso de ele sequer pensar em repetir o que ele julgou ser ‘uma boa ideia’. Ser vista atrelada a alguém que até outro dia ela odiava – Não tanto, admitiu – não era, em sua opinião, uma boa ideia. Mas estava feito. E sendo sincera, não foi nenhum grande sacrifício, ainda que a única intenção, da parte dela por assim dizer, tenha sido espantar o bando de curiosos que espionavam sua conversa com Sidney. Ao sair de casa hoje, ela não imaginou que terminaria a noite sendo beijada, mas aconteceu e ela não ia se lamentar. Até admitia que se ele não fosse tão ridículo, Sofia poderia se apaixonar por ele. Sidney era um cara legal que via nela mais qualidades do que realmente existiam, mas a garota não estava à procura de alguém que dissesse o que ela queria ouvir. Ela queria alguém que gostasse dela com todos os defeitos, qualidades e tudo o mais. Talvez ela nunca o encontrasse, aquele cara que apenas ia desejar sua companhia, mas ela podia se divertir por enquanto.

Que mal havia em querer aproveitar a vida? Nenhum, ela pensou enquanto fechava o portão. Ela revirou os olhos e sorriu feliz. Sidney podia ser um prego, mas era o seu amigo prego e estava disposto até as maiores loucuras por ela. Sofia esperava que não precisasse tanto, mas era grata por saber que podia contar com ele. Foi como ela disse a ele, antes de Sidney ir para casa: ela queria um amigo. E ele era o amigo que ela tanto precisava.

– Então, essa é sua nova tática?

Sofia parou imediatamente quando a figura de Ben parecendo muito zangado surgiu do nada. Assustada, ela levou uma mão ao peito para acalmar o coração que de repente resolveu bater muito rápido.

– Você me assustou! – Acusou passando ao lado dele, mas determinado a não deixá-la escapar, ele interpelou-a novamente.

– Não tão rápido! – Advertiu-a a impedindo de prosseguir.

– Qual é o seu problema, Benjamim? Eu não posso mais entrar na minha casa?

– Não! Não ate você me dizer o que pretende com o Sidney!

– O que eu pretendo ou não, com o Sidney ou com o Papa, definitivamente, não são da sua conta! Olha, tá tarde, eu estou com sono, entendeu? Aposto como você deve ter algo mais interessante para fazer do que ficar aqui me perguntando sobre Sidney, Guerra fria, a paz mundial ou seja lá o que for. Por favor, sai da minha frente!

– Você gosta dele? – Insistiu Ben impaciente pelas respostas evasivas dela. Ele a segurou pelos braços a fazendo emitir um pequeno gemido de dor que em nada o comoveu.

– Gosto! Ele é meu amigo! – Quase gritou com os olhos marejados. Ben a fitou, sarcástico.

– E você costuma beijar seus amigos?

– Beijar meus inimigos é que eu não vou, né? – Exclamou irritada não vendo sentido para todas aquelas perguntas. Ela não o estava interrogando sobre os amassos que ele e Anita estavam dando quando ela chegou à praça, estava? – Eu não to aqui te questionando sobre o os amassos que você e minha irmãzinha tavam dando, to? Pois é!

– É diferente...

– Diferente por quê? Por que ela é sua namorada? AH... Me poupe!

– Pelo menos ela e eu temos uma relação, algo verdadeiro.

– Você fala, fala e eu só escuto besteira! “Algo verdadeiro” – Sofia imitou a voz de Ben para a irritação dele – Você é tão antiquado! Tudo bem minha irmã querer casar virgem, com véu, grinalda, flor de laranjeira e não sei lá mais o quê, mas eu não sou assim! Estamos no século XXI, pelo amor de Deus! Eu não vou exigir um anel de compromisso de um cara para beijá-lo. Lamento, Ben, é só o que eu te digo!

– Você nem ao menos gosta dele, não é? – Disse soltando-a, decepcionado. Sofia tinha razão em dizer que ele era idiota. Somente sendo muito idiota para acreditar que ela negaria, que diria estar apaixonada por Sidney nem que fosse para validar o que os dois fizeram – Você está usando ele!

– Bom, nós dois bem que aproveitamos um ao outro. Ele não é criança, sabia muito bem onde tava se metendo. O que por acaso não é do seu interesse como eu já disse. Ben, você namora minha irmã. Eu não te devo nada, você não me deve nada... Boa noite e com licença!

A garota saiu em disparada antes que Ben a impedisse de entrar em casa. Foi com certo alivio que ela entrou e fechou a porta, recostando-se nela e respirando pausadamente antes de pensar em mover suas pernas momentaneamente moles, por enquanto. Vê-lo, pior, enfrentá-lo depois do que aconteceu foi duro, mas ela havia se saído muito bem para dizer a verdade. Entretanto, apesar do jogo de palavras e raciocino rápido, incluindo a raiva que sentiu, ela sabia que se ele a pressionasse mais um pouco, ela acabaria cedendo. E seria tão patético Sofia confessando que Sidney, S-I-D-N-E-Y, havia beijado-a para provar alguma teoria louca de que ela não estava disponível e muito menos ao alcance de Ben. Ela não estava, não depois de tudo o que viu e já ouviu dele. Ela não poderia estar mais distante.

Ao encontrá-lo lá fora, esperando por ela, como algum justiceiro detentor da verdade, Sofia não ficou surpresa. Ben era tão previsível que chegava a ser chato, e não por acaso ela sabia exatamente o que ele faria no instante que foi pega desprevenida e beijada por Sidney. Ele viria ate ela, a acusaria de Deus sabe lá o quê e sairia batendo o pé como o dono da razão após despejar sobre ela toda a sua repulsa e indignação. “Não hoje, querido!” Murmurou para si mesma, sorrindo zombeteira. Só por uma vez, foi bom ter sido a ultima a dar a palavra numa conversa com ele. A partir dessa noite, Benjamim não seria mais aquele que apontava o dedo em sua direção e a fazia se sentir a pior das pessoas.

Talvez, ela estivesse finalmente esquecendo-o. Sofia torcia para que fosse assim.

– Quer dizer que o Ben era disputado por duas irmãs?

Uma voz muito familiar a trouxe de volta dos seus devaneios. Com um gritinho abafado pela mão posta na boca, Sofia deu um pulo para trás. À sua frente, em algum momento, surgiu o cara que ela conheceu mais cedo e que a salvou de virar recheio de empada.

– O que você tá fazendo na minha casa? – Sussurrou espantada pela presença dele. Ela olhou em volta a procura de algo para se defender. Por que né?

– Eu não sou invasor, se é o que pensa.

Invasor? Não, ela nunca pensaria isso de um desconhecido que aparece do nada, na sua casa, durante a noite sem que mais ninguém esteja por perto.

– E como explica estar aqui? É a minha casa e eu não me lembro de ter sido informada de mais um morador... – Sofia se interrompeu abruptamente ao lembra-se da mãe falando sobre o irmão americano de Ben que iria morar com a sua família por um tempo. Só havia uma explicação: Era ele! Por que será que isso não a surpreendia? – Você é o irmão gringo do Ben? – Perguntou mais por confirmação já que a resposta era óbvia.

Antônio deu um sorrisinho igual de quando ele a salvou do atropelamento. Salvar vidas, pareceu a Sofia, ser um defeito de família. A família de Ben... Ótimo, como se um psicopata em sua vida já não fosse o suficiente!

– É o que dizem.

– E você vai morar aqui?

– É o que parece.

– E você estava ouvindo a minha conversa com seu irmão. – Ela afirmou vendo-o acenar afirmativamente. Sofia sentiu suas bochechas corarem em vergonha, mas não deixou transparecer o seu incomodo.

– Ouvi falar muito sobre você, Sofia. Mas não imaginei que a irmã mimada da Anita também fosse apaixonada pelo Ben.

– Pelo visto, já queimaram meu filme, não? E pensou certo, eu não sou apaixonada pelo Ben! Eu não sou apaixonada por ninguém... Não que isso lhe interesse.

– Tem razão, não me interessa... Mas eu fiquei curioso, sabe? Pelo pouco que eu vi e conheci de você, sem levar em conta as nada boas opiniões que têm da sua pessoa, nunca diria que você seria o tipo de garota a ser chutada, ainda mais pelo meu maninho... – Ele balançou a cabeça rindo da expressão estupefata da loira – Mas eu já tive a oportunidade de conhecer a Anita e não me admira ele ter escolhido ela.

Sofia engoliu em seco as palavras de Antônio. Suas mãos prontas para agarrar o pescoço dele e esganá-lo até apagar aquele sorrisinho idiota dele.

– Não me diga que você é o mais novo integrante do fã clube da Anita?! – Exasperou-se por tamanho absurdo. Ele a conhecia ao quê? Umas 12 horas e já a considerava a oitava maravilha do universo?! – Porra, isso já é sacanagem! – Falou por alto contrariada pela incrível capacidade da sua irmã de ‘cativar’ as pessoas – Sério, a Anita é um caso a ser estudado, porque não é possível isso!

Sem perceber, ela avançou ate ele, ficando muito próxima do mesmo. Antônio não se intimidou, e sorrindo com ironia a olhou com escárnio.

– Me diz o que eu fiz para merecer isso, hein? Primeiro o Ben, depois o Serguei, sem falar do Martin... E até um exilado que caiu aqui de paraquedas deu para achar que sabe alguma coisa da minha vida! Você não sabe, OK? Um reles esquisito que surgiu sabe-se lá de que buraco querendo me comparar a minha irmã! – Furiosa, ela o cutucou com o dedo na altura do peito.

Sim, Sofia estava com raiva, furiosa, possessa! Quem não estaria? Quantas vezes ela passou por aquilo em sua vida? Quantas vezes as pessoas a compararam a doce e meiga Anita? A vontade que ela tinha nesse momento era gritar um belo ‘FODA-SE’ para o idiota a sua frente assim como para o resto do mundo.

– Melhor você medir suas palavras... – Advertiu a segurando pelos pulsos.

– Quem você pensa que é para me mandar fazer qualquer coisa? – De tão irada, Sofia ignorou o tom de ordem dele. O que não foi uma boa ideia já que a pressão das mãos dele nos seus pulsos aumentaram consideravelmente. – Você tá me machucando... – Choramingou já menos raivosa e bem mais assustada. Antônio pareceu não ligar para a sua súplica e com força a empurrou para trás ainda mantendo-a presa.

Sofia sentiu suas costas baterem na porta e temeu acordar os demais moradores da casa. Não que fosse uma má ideia alguém a salvando daquele garoto que passou rapidamente do estágio ‘quase invasor, irmão exilado e intrometido’ para ‘cara assustador e sem piedade’. Droga, porque ela não podia manter a boca fechada? Era claro que suas palavras haviam o tirado do sério.

– Tá bom, eu já entendi o seu recado... – Falou tentando manter a voz neutra mostrando tranquilidade – Eu falo mais do que eu deveria, certamente, não foi legal dizer o que eu disse, mas já chega dessa brincadeira.

– Quem disse que eu to brincando? – Sussurrou Antônio com a boca encostada no rosto, agora muito pálido, de Sofia. O hálito quente dele roçando em sua pele em nada a lembrou o irmão dele, sempre carinhoso quando não estava sendo babaca – Talvez, eu deva te ensinar como uma garota deve se portar com um homem.

– Eu não tenho nada o que aprender com você!

– Será? Se isso fosse verdade, você estaria agora com meu irmãozinho e não aqui comigo. Você, como eu disse, é bem bonitinha, mas não sabe nada sobre o que um cara quer... Vai ser divertido, é só relaxar.

Com uma calma perversa, Antônio beijou o maxilar de Sofia que retesou todo o corpo resposta. Ela não se moveu, dura como uma estátua, ainda não acreditando no que estava acontecendo. Sem conseguir reagir, Sofia sentiu os lábios dele subirem até os seus, firmemente selados. Com um toque suave, Antônio pressionou a boca na de Sofia que nada mais sentiu do que ânsia. O que era aquilo, por Deus?! Pensou enquanto fechava os olhos com força.

– Vamos lá, gatinha... – Murmurou Antônio beijando-a novamente, apenas um selinho já que ela negava-se, com toda a razão, a entreabrir os lábios.

– Por favor... – Pediu o reabrindo os olhos e o fitando suplicante. Antônio riu do pedido dela.

– OH, estamos progredindo! Mais algumas lições, e você já vai até dizer obrigada.

– Alguém vai nos ver... – Ela tentou argumentar enquanto tentava livrar-se das mãos dele prendendo as suas.

– Ninguém vai nos ver.

– Eu vou gritar! – Ameaçou num sussurro. Ele não pareceu se importar.

– E dizer o quê? Que eu tentei te agarrar a força bem na sala da sua casa? Um pouco mirabolante demais, não acha? Ainda mais a julgar o seu histórico de armações.

– Você fez seu dever de casa direitinho, né? O que é que você sabe sobre mim? Você não está aqui nem há um dia!

– Não foi preciso muito tempo... Ironicamente, você goste ou não, as pessoas falam muito sobre você. Aquela ruivinha, Giovanna é nome dela, né? Falou muitas coisas de você, do quanto você é egoísta, fútil, venosa... Você até sabotou o casamento da sua mãe!

– Se eu sou tão horrível assim, o que é que você quer comigo?

– Eu já disse... Me divertir!

– Só que não vai ser comigo!

Enquanto conversavam, Antônio acabou se distraindo e soltando Sofia que atenta a isso, não perdeu tempo e deu uma joelhada onde doía para cacete em qualquer homem. Ele tentou agarrá-la novamente, mas a garota foi mais rápida e conseguiu correr para a escada. Ela subiu correndo e fugiu para o quarto trancando a porta com receio de que ele viesse atrás dela. Sofia escorregou até o chão onde se sentou sem forças. Nunca tinha passado por uma experiência como aquela, e nem o quase estupro que sofreu há alguns meses a assustou tanto. Lógico que na época, ela não teve muita noção do que se passava, mas agora tinha sido mil vezes mais aterrorizador, porque ela estava consciente e indefesa a ação dele. Se não fosse a joelhada... Mais uma vez as aulas de defesa pessoal a salvaram, mas por quanto mais tempo isso funcionaria?

E quando que ela pensou em se preocupar com sua integridade física dentro da sua própria casa?

– Antônio... – Deixou o nome escapar pelos lábios enquanto pensava que a frase ‘morando com o inimigo’ nunca fez tanto sentido.

Notas finais
:*( Ah... saudades antecipadas de vocês! Então, Ben todo nervosinho querendo satisfações, Sofia reencontrando o Antônio de uma forma nada agradável... Mereço reviews? Espero que sim! Até a próxima, pessoas! Beijos!