Notas iniciais
Oieeee... *-* Como prometido, acá estou para mais um capítulo da Fic! Mas antes de qualquer coisa eu quero muito agradecer a todos os que comentaram ou apenas leram minhas últimas postagens. Depois de tanto tempo longe, foi tão bonito saber que ainda existem pessoas que torcem pelas ideias doidas que eu tenho... sério, todo amor do mundo por vocês! Bem, mas vamos ao que interessa: Sidiana OTPzinho cheio de conflitos sim! AnJúlia sendo desnecessárias sim! Serguei ferrado? Provavelmente! É isso! Me amem ou odeiem, mas fiquem perto!

Flaviana olhava pela janela do taxi sem realmente ver nada. Na sua cabeça, as imagens das últimas horas zombavam dela. Sidney no seu banheiro. Sidney e ela no seu sofá. Sidney e ela no chão do apartamento. Então, a voz e o olhar furioso da mãe ao flagrá-los... cenas das quais ela não podia escapar agora.

Foi uma loucura desde o início. E acabar fugido daquela maneira só acrescenta mais confusão ao caos em que se encontrava. Flaviana não tinha ninguém a quem pudesse recorrer, dinheiro ou mesmo o celular. Nem mesmo roupa ou sapatos. Ela estava no fundo do poço, cansada e magoada, e seu único apoio no momento era a pessoa mais improvável sobre a face da terra.

— Obrigada. – Murmurou sem tirar o olhar da janela.

— Outro agradecimento?

Sidney riu apesar do clima tenso. Era uma risada estranha, mas reconfortante em meio ao desastre, pensou Flaviana. Ela passou a mão machucada pelo rosto ainda em choque. Devia estar horrível, mas pelo menos não estava chorando.

O gesto não passou despercebido ao loiro que, apesar da aparente indiferença, a observava atentamente. Ele estava ferrado. Ele não tinha um plano. Ele não gostava dela. No entanto, nem mesmo a hostilidade que sentiam refreou sua determinação de levá-la com ele. De forma brusca, puxou a mão examinando-a.

— Você precisa de outro curativo. – Disse abruptamente sem soltá-la. – A Sofia cuida disso quando chegarmos ao Grajaú.

— Essa pessoa não tem nada a ver com minha vida. – Falou a morena se desvencilhando. – E eu não vou pro Grajaú.

— E aonde você pretende ir?

Flaviana encarou Sidney com raiva. Ele sabia que ela não tinha opção no momento e dependia dele até mesmo para pagar a droga do táxi. No entanto, por mais desesperada que estivesse recusava-se terminantemente a aceitar a ajuda de Sofia.

— Para o táxi! – Ordenou com fúria.

O veículo diminuiu a velocidade e antes mesmo de parar, sem dizer nada, Flaviana saltou para fora do carro. Era uma atitude impensada, dada a sua situação, mas ela não estava raciocinando bem naquele momento. Só queria manter distância de todos aqueles que a magoaram.

— Ficou maluca?! – Sidney esbravejou após agarrá-la pelo braço.

— Eu não vou para o Grajaú! – Gritou alterada. – A culpa é sua! Por sua causa minha vida se tornou um desastre! – Flaviana se desvencilhou do loiro. Direcionava a sua raiva contra ele por ser a única pessoa por perto. – Maldito o dia que eu te conheci!

— Você acha que eu tô feliz com o que aconteceu?! – Gritou o loiro tão alterado quanto ela. – Se eu soubesse onde tava me metendo, eu tinha vazado do seu apartamento na primeira oportunidade!

— E por que não fez isso?!

— Porque eu senti pena de você!

Flaviana calou-se diante daquela resposta, a raiva se esvaindo e dando lugar a vergonha. Desde muito cedo, aquele era o único sentimento que ela despertava nas pessoas. Os empregados que a toleravam por perto por sentirem pena da menina solitária. As secretárias do pai com respostas gentis quando ele se negava a atende-la por estar muito ocupado ou por não sentir vontade. E agora, Sidney, a quem ela sempre tratou com desprezo sentia exatamente a mesma coisa por ela.

— Não preciso da sua pena! – Falou segurando as lágrimas. – Não quero sua ajuda! Não quero nada que venha de você!

Deu as costas ao loiro e continuou andando.

— X —

— Você gosta dela?

Benjamim desviou os olhos da namorada. Anita o fazia sentir-se a pessoa mais miserável do mundo naquele momento. E ele admitia que ele era. Por todos os erros que havia cometido com ela, as promessas quebradas, por um amor que não sentia. Ela era uma pessoa muito melhor do que ele jamais seria.

— Eu só quero a verdade, Ben. – Anita falou com a voz embargada.

Com dificuldade, ele a encarou sem alternativa. Estava cansado de ser covarde e reprimir os seus sentimentos. E embora soubesse que a magoaria profundamente, devia-lhe sinceridade mesmo que fosse o fim para os dois. No entanto, antes que seus lábios formassem a difícil resposta, eles ouviram um grito vindo da sala. Eles entreolharam-se atordoados antes de correrem para o interior do casarão. Ao chegarem a sala, os dois encontraram Giovana recostada contra a parede com a mão sobre a cabeça ensanguentada.

— Meu deus, Gio! – Exclamou Anita assustada. – O que aconteceu?

— Eu estava subindo as escadas, mas perdi o equilíbrio e caí. – Choramingou com a mão sobre o ferimento. – Tá doendo!

Prontamente, Benjamim foi até a irmã fazendo-a sentar no sofá. Pelo que podia perceber, o corte na testa era superficial, mas como tratava-se de uma pancada na cabeça era preciso todo cuidado.

— Preciso levar ela para o hospital. – Falou para Anita.

— Eu vou com você! – Se prontificou a garota.

— Não, você fica aqui e avisa ao meu pai e a Vera. – Pegou Giovana no colo e se encaminhou para a saída. – Eu aviso quando chegar lá.

Anita observou Ben sair com a irmã nos braços, esquecendo-se da difícil conversa de alguns minutos atrás. Ela teria que esperar, embora já pressentisse qual a resposta do ainda namorado. Por enquanto, pedia a Deus para que Giovana ficasse bem.

— X —

— Alô?

— Oi, Docinho!

Sofia sorriu ao escutar a voz do amigo. Com cuidado, se desvencilhou de Pedro que voltou a dormir, e caminhou até a janela. A forte chuva havia dado lugar a uma garoa fina embora nuvens escuras ainda dominassem o céu.

— Eu estava preocupada. Serguei me falou que você teve que viajar para São Paulo. Tá tudo bem?

— Mais ou menos... – Desconversou o rapaz. – Eu liguei porque o problema é outro. A Flaviana saiu de casa.

— Como assim saiu?

— Eu não sei a história toda, mas ao que parece ela e a nojenta da minha tia tiveram uma briga feia. E por causa disso ela foi embora do apartamento com um cara.

— Que cara? – Sofia fechou os olhos, preocupada. Flaviana dificilmente enfrentava a mãe e se aquilo que Otávio lhe dizia fosse verdade, sua amiga devia estar arrasada. – Onde ela tá?

— Essa é a questão: eu não sei! – Otávio suspirou cansado. Uma verdadeira batalha familiar tinha eclodido em poucas horas. – Eu soube da história pelo mordomo. Ele me contou apenas sobre a discussão e que a Rosana está possessa por causa disso. Alfredo está preocupado com a Flaviana, por ela não estar sozinha.

— O pai dela sabe disso?

— Dificilmente... – Falou com raiva. – E mesmo que saiba, duvido que vá demonstrar muito interesse. Ele vive para os negócios.

Sofia sentiu a raiva subir até a cabeça. Sabia de boa parte da história familiar de Flaviana, principalmente, sobre o descaso com que era tratada pelos pais. Muito da carência afetiva que a amiga enfrentava era consequência do abandono emocional. E nesse momento, quando a morena mais precisava dela, ela não podia ajudá-la.

— Eu tô no Grajaú com meu irmão. Ele está doente. – Explicou a loira. – Eu vou tentar ligar pra ela, não sei... tudo que eu queria é que ela me procurasse, mas depois de ontem eu acho difícil.

— Eu vou ver se consigo alguma informação também.

— Se você tiver qualquer notícia, por favor, me avisa.

— X —

— Não preciso da sua pena! Não quero sua ajuda! Não quero nada que venha de você!

Sidney observou Flaviana se afastar com um misto de fúria e impaciência pela infantilidade dela. Ela o tinha levado até o limite e tudo o que mais queria era dar as costas e ir embora, deixá-la virar-se sozinha. Se a garota queria arriscar o lindo pescoço andando sem destino pela cidade, era problema dela. Se Flaviana era orgulhosa demais para se preocupar com a própria integridade, não seria Sidney a convencê-la do contrário.

— Beleza, vá se ferrar! – Ele gritou seguindo pelo caminho contrário. – Maluca!

Flaviana era exatamente como ele a conhecia: mimada, egoísta e detestável. Um problema com P maiúsculo do qual acabara de se livrar. Não importava que tenha se preocupado com ela ou sentido empatia por sua condição. Ele tinha consciência de que quanto mais tempo ficassem juntos, mais perigoso seria para seu equilíbrio emocional. Principalmente quando o simples fato de olhá-la vestindo apenas aquele maldito pijama rosa tenha provocado reações nada bem-vindas ao seu corpo. Ele sentia raiva na mesma intensidade que desejava beijá-la até que ela parasse de discutir com ele. Talvez ele estivesse ficando louco, admitiu.

— X –

Anita olhava pela janela, apreensiva. O tempo havia mudado e nuvens carregadas encobriam o céu. Fazia uma hora desde que Ben saiu com Giovana para o hospital. Como prometido, ela avisou Ronaldo e Vera sobre a queda de Giovana. Ambos ficaram bastante preocupados saíram rapidamente para o hospital. E agora ela estava ali, sem nenhuma notícia.

Pegou o celular e ligou para Júlia.

— Oi, Anita! – Falou a morena ao atender.

— Julinha, você pode vir aqui em casa? – Pediu nervosa. – A Gio sofreu um acidente e eu não tô muito legal.

— Claro, Anita! – Prontificou-se a amiga. – Mas é grave? Ela tá bem?

— Eu não sei, o Ben levou ela para o hospital. Minha mãe e o Ronaldo já foram para lá.

— Entendo... – Júlia falou com alguém. – Amiga, eu estou com o Serguei no salão. Nós dois estamos indo para aí.

— Tudo bem, eu espero vocês.

— X —

Foi uma péssima ideia desde o início, recriminou-se Flaviana abraçando o próprio corpo. Seu propósito de afasta-se de Sidney recusando sua compaixão idiota serviu apenas para deixa-la sozinha num ponto desconhecido da cidade. E se isso já não fosse o suficiente, uma forte chuva caía sobre sua cabeça a encharcando até a alma. Poderia ser a lei de murphy agindo sobre a sua vida ou mesmo o início do seu inferno astral, mas quem se importava? A garota poderia gritar, chorar e parecer mais patética do que já estava ou poderia voltar e tentar encontrar Sidney. No entanto, sabia que o inferno congelaria antes que aceitasse a pena de um ogro idiota.

— O que eu faço agora? – Perguntou-se caminhando por mais alguns metros.

A morena parou abruptamente ao ver dois caras mal-encarados vindo em sua direção. O medo a fez ficar paralisada alguns segundos antes de olhar em volta. Era uma rua sem saída e não havia mais ninguém por perto. Se tentasse correr não conseguiria ir longe e gritar por socorro talvez irritasse os dois. Um grito de desespero se formou em sua garganta ao dar-se conta de não tinha escapatória. Rendendo-se, Flaviana fechou os olhos e esperou pelo pior.

— Fica quieta. – Uma voz conhecida sussurrou em seu ouvido. Flaviana abriu novamente os olhos para encontrar Sidney ao seu lado, um braço envolto em sua cintura. – Eu cuido disso.

— E aí, o casal tá perdido? – Perguntou um dos caras. – Vocês não são aqui da quebrada, são?

— Não. – Sidney sorriu, confiante. – Eu e minha mina estávamos apenas procurando um ponto de ônibus.

— E vocês são de onde? – Perguntou o outro homem de semblante mais fechado fazendo Flaviana se encolher contra Sidney.

— Grajaú.

Os dois ficaram alguns segundos encarando Sidney e Flaviana como se decidindo o que fazer a seguir. O rapaz tentou aparentar tranquilidade para não assustar a garota, mas estava tão apreensivo quanto ela. Os dois homens se entreolharam mais uma vez antes de encarar os dois.

— Tem um ponto de ônibus na rua de baixo virando à direita.

— Ah... valeu! – Agradeceu Sidney. – A gente vai nessa, então.

— Só cuidado quando tiverem dando rolê por aí... nem todo mundo é firmeza como nós.

Sidney acenou para os homens antes de se afastar com Flaviana. Ao virarem a esquina, o loiro apressou o passo certo de que não estavam sendo seguidos. Por sorte, um táxi passava na hora e parou quando ele deu sinal.

— Eita que a chuva pegou vocês de jeito, hein! – Falou o motorista assim que eles entraram. – Pra onde, parceiro?

— Grajaú.

Flaviana soltou o ar dos pulmões devagar somente quando o carro estava em movimento.

— X —

— Oi, amiga!

Júlia abraçou Anita para confortá-la. Era tudo o que a garota precisava naquele momento de angústia. Após se separarem, a garota notou Serguei próximo e inevitavelmente lembrou-se da conversa pendente entre os dois. Não era o melhor momento, mas ela não queria mais adiar o inevitável. O amigo não tinha motivos para mentir, embora algo lhe dissesse em seu interior que o fato dele ter preferido seguir Sofia coloca-se a lealdade do ruivo em questão.

— É bom que você tenha vindo também. – Anita encarou o amigo de modo resoluto. – Nós temos muito o que conversar.

— Eu sei que sim. – Serguei abraçou a amiga por alguns segundos.

Apesar de tudo, ele utria um grande sentimento por Anita e não queria que a amizade dos dois fosse abalada por sua relação com Sofia. Como que pressentido o sofrimento do amigo, a garota o abraçou de volta como em muito tempo não fazia. Era mais do que apenas contato físico, o abraço que trocavam estava carregado de compreensão. No entanto, de onde estava, parada no topo da escada, Sofia não conseguia entender assim e sua reação não passou desapercebida a Júlia, embora Serguei e Anita não tivessem se dado conta antes.

— Sobre ontem... – Começou Serguei após os dois se desvencilharem. – A essa altura, você já deve saber que o motivo da briga foi a Sofia, né?

— Eu seria muito ingênua se falasse que não. – Admitiu com certo constrangimento. – O que eu não entendo é por que vocês dois... pareceu que existe algo.

— Existe... há algum tempo.

Júlia observava a conversa tentando não denunciar a presença da quarta pessoa ali com eles. A adrenalina tomou conta do corpo da morena enquanto uma ideia surgia em sua mente.

— Isso é... inesperado!

— Essa também foi minha reação. – Concordou Júlia hesitante. – Eu fui contra essa história desde o início.

— Você sabia? – Perguntou Anita encarando a amiga. – Por que não me falaram nada?

— É mais complicado do que parece. – Explicou o ruivo. – Digamos que não foi planejado.

— O que eu posso dizer? – Começou a morena, nervosa, olhando de esguelha e vendo Sofia descer as escadas calmamente. Ela precisava ser rápida. – Eu sabia que não era uma boa ideia que o Serguei se aproximasse dela mesmo tendo a intenção de te proteger.

— Me proteger?! De quê... de quem? – Espantou-se Anita. Ela fitou o amigo visivelmente perturbado. – O que isso tem a ver com minha irmã?

— Tem tudo a ver, na verdade. – Intrometeu-se mais uma vez Júlia. – Era um plano para saber se a Sofia e o Ben ainda estavam envolvidos.

Sofia parou imediatamente após descer o último degrau. Ela encarou Júlia que já não mais escondia saber que ela estava ali desde o início. Serguei e Anita, de costas para a escada não notaram o que se passava ao redor.

— Eu admito que tenha começado assim.... – Serguei disse triste decidido a esclarecer aquela história o quanto antes com Sofia. – Eu pensei que ela queria te prejudicar.

— E não queria? – Júlia lançou um olhar para Sofia. Ela permanecia a alguns passos atrás do namorado e Anita. – Por isso você se aproximou dela, não foi? Pela Anita, porque ela é sua amiga e você quis protegê-la!

— Sim, mas você já sabe disso... – Falou o ruivo confuso sem compreender o caminho daquela conversa. – Eu te falei.

— Talvez ela queira que eu saiba também.

Notas finais
Sidiana amor e ódio ♥ Como não amar esses dois? Giovana... Hum, digo nada ¬¬ AnJúlia mais de que desnecessárias! Não demorou nem um capítulo para os "obstáculos" se apresentassem para o nosso casal... ¬¬ Com amigas como essa quem precisa de inimigas, hein? Minha bebê vai comer o c* do namorado e está mais do que certa! Ps: Como tive um tempinho livre e inspirada pelos comentários maravilhosos que recebi, acabei terminando mais um capítulo que também será postado hoje *-* Sim, podem me amar! :P