Notas iniciais
Perdón pelos títulos piegas, pero é que eu tô meio sem criatividade, então vamos ao que realmente importa que é o desenrolar dos acontecimentos! Hehehe! PS: Sofia e Serguei, ai meu Deus, como não amar?

– Por que não me disse que era virgem?

O encanto se partiu.

– Faz alguma diferença? – Perguntou ríspida deitando-se de costas para ele.

Não poderia encará-lo agora, não com as emoções que sentia tão evidentes.

Engraçado como o fim pode vir rápido, pensou pesarosa. Num instante a gente mal lembra o próprio nome, no outro está sendo interrogada sobre uma virgindade que nem existe mais.

– Meu hímen já rompeu, né? – Foi difícil esconder a irritação. – O fato de eu ser virgem ou muito rodada não importou para você transar comigo. Então, não vejo o porquê de você levantar essa questão agora que é tarde demais para voltar atrás.

– Foi a sua primeira vez. – Falou Serguei debilmente. – Você era virgem.

Ele tinha sido o primeiro homem da vida de Sofia. Isso era, no mínimo, perturbador. Foi o seu corpo que a preencheu da forma mais íntima, seu nome que os lábios dela sussurraram quando tirou sua virgindade. Seria seu rosto que ela lembraria quando pensasse sobre sua primeira vez.

– Ótimo, a gente sempre tem que começar em algum momento. Antes tarde do que nunca.

– Você fala como se não fosse nada demais! – Acusou ainda meio desnorteado. Sentou-se na cama e passou a mão pelos cabelos – O que espera que eu pense?

Ele transou com ela e gostou, realmente, gostou de cada detalhe. Dos beijos, de descobrir cada curva, cada suspiro e como era excitante estar dentro dela. Só que em nenhum momento entre beijá-la, despi-la e penetrá-la, pensou que talvez, para Sofia, sexo fosse algo novo. Quantos anos ela tinha? 16? 15? 15 anos. Não muito é verdade, mas ser virgem era algo que ele não imaginaria sobre ela.

– Serguei, nós transamos. OK! – Ela também sentou-se, puxando o lençol para esconder a nudez. – Não se preocupe, porque não tô te exigindo nada. O que você e eu fizemos foi de comum acordo. Pode entender isso ou tá difícil? A não ser que você esteja arrependido... – Seria um golpe e tanto na sua autoestima se ele se arrependesse.

Deveria ser ruim para o ego de qualquer garota que vê nesse momento algo especial, o que não era seu caso, sentir-se desprezada. Não que a opinião dele importasse, mas ela também não queria lembrar de ter uma DR logo após a sua primeira experiência sexual.

– Não. – Como poderia se arrepender de uma das melhores experiências da sua vida? – Você tá?

– Não, mas acho que tô começando a lamentar.

– Ter transado comigo?

– Ter te pedido para ficar, ontem à noite. Caso contrário, não precisaria estar passando por isso.

Sofia levantou da cama envolta no lençol e caminhou até o guarda roupas. Precisava se ocupar, apagar da mente as lembranças recentes. Pegou a calça jeans que achou e camiseta que usou no dia anterior e que havia posto para lavar. Não conseguiu encarar Serguei nem sua confusão. Tentava parecer calma, mas estava profundamente ressentida com o ruivo. Uma certa mortificação tomava conta de seu ser e até discutir estava se tornando uma tortura. Ela teria que por um ponto final naquela conversa e depois, só depois pensaria nas consequências de ter transado com Serguei, o melhor amigo da sua irmã e ex da sua melhor amiga.

– Acho melhor você se trocar e sair. Se não quiser ser pego aqui, é claro. – Falou recolhendo as roupas de Serguei e entregando-as a ele. – Aliás, o que tava fazendo aqui no muqui... Casarão?

– Fiquei preso por causa da chuva.

Serguei, para evitar brigar ainda mais com ela, resolveu mudar de assunto também.

– A Anita improvisou uma cama lá no sofá para eu passar a noite.

– Só que, por alguma razão, você achou que minha cama era mais confortável. – Disse irônica. – Imagina se a Anita descobre que o esforço dela em agradar não foi de muita serventia?

Ela riu um pouco debochada, fingindo descontração. Já de calças e com a camisa semi abotoada, Serguei se aproximou sem que ela percebesse.

– Vai contar a Anita o que aconteceu entre a gente? – Ele questionou de braços cruzados, não transparecendo o que pensava sobre a questão.

– E destruir a ilusão que ela tem de ser a 'garota amada por todos'? Não, nem eu seria tão má! Fica tranquilo Serguei, no que depender de mim, o seu amor platônico nunca vai saber sobre a gente. Ninguém precisa saber. Eu acho até que já estou esquecendo!

Ela nunca falaria sobre o que aconteceu com Serguei. Guardaria para si mesma a lembrança do que se passou naquele quarto, pois sabia que por mais que quisesse não apagaria o que aconteceu. E seguiria sua vida como se nada tivesse acontecido.

Deu as costas ao ruivo mais uma vez, ignorando se ele acreditava ou não no que disse. Mas foi puxada por ele, e pega desprevenida acabou colidindo nele e deixando o lençol cair.

– Não vai ser fácil esquecer o quanto você é linda. – Sussurrou sedutoramente ao ouvido dela. Ainda mantendo-a presa pelas mãos, Serguei percorreu o olhar pelo corpo nu sorrindo cinicamente. – Mesmo que eu quisesse, seria impossível esquecer a forma como seu corpo se encaixou no meu ou a forma como você falou meu nome quando eu tava dentro de você...

– PARA! – Gritou completamente vermelha de constrangimento e raiva. Se separou do ruivo e recolheu o lençol, agarrando-se nele como um escudo. – O que você pretende me dizendo essas coisas?

– Apenas que você pare de negar!

– Ah é? Pois eu nego, porque não sou obrigada a pensar no quanto você está sendo um canalha!

A acusação pareceu surtir efeito, pois Serguei se afastou.

– Desculpe, eu não quis ser rude.

– Sai do meu quarto. – Sofia pediu reunindo o pouco de dignidade que tinha.

– A nossa conversa não acabou... – Serguei tentou contornar a situação, mas ela já tinha decidido.

– Acabou pra mim! Caí fora! – Empurrou-o até a porta.

Rendendo-se, Serguei saiu.

– Eu vou, mas não quer dizer que tenha acabado entre a gente. – Alertou-a antes que ela fechasse a porta na sua cara.

Respirando fundo Sofia correu para trocar de roupa. Não podia ficar ali nem mais um minuto. Graças a Serguei nunca mais encontraria paz no seu quarto. Livrou-se do lençol e vestiu-se em tempo recorde. Pegou a bolsa, celular e tudo o que precisava para não voltar tão cedo para o casarão. Ao sentar-se na cama para calçar os sapatos, seu rosto perdeu a cor ao ver pela primeira vez a evidencia do que aconteceu naquele quarto. O lençol estava manchado de sangue. O sangue da sua virgindade culpando-a pelo seu ato impensado.

Pegou uma sacola qualquer e socou o lençol manchado dentro. Não poderia deixar que ninguém o visse. Lembrou-se de colocar um óculos escuro para esconder o hematoma do rosto. Mais um item para sua lista de coisas que ninguém poderia ver.

Perturbada, deixou o quarto e desceu devagar as escadas com receio de ser vista. Mas para sua sorte, ainda era muito cedo e todos ainda deviam estar dormindo, menos um. Só que ela não viu sinal dele. Apenas o sofá com alguns travesseiros e um edredom indicavam que ele esteve ali. Mas ele não dormiu ali, e ela sabia bem o porquê.

Já na rua, pegou o primeiro táxi que viu. Somente após avistar o prédio do pai foi que ela pode respirar aliviada.

– X –

– Estúpido!

Mais do que estúpido, Serguei sentia-se um canalha pela forma como tratou Sofia. Isso, logo após ele ter sido o primeiro homem da vida dela. Por quê? Não houve uma razão. Culpou a surpresa em descobrir que ela era virgem, o descaso com que ela tratou esse assunto e por último, culpou a sua incapacidade em identificar o que sentiu sobre o fato. Estava confuso, zangado, satisfeito e feliz... Feliz por ter estado com ela.

Mas agora Sofia devia odiá-lo.

Serguei suspirou pesadamente enquanto andava pelo seu salão vazio.

Ele teria que se redimir, pedir desculpas... Não, pediria perdão. Encontraria Sofia de novo e o quê? Continuariam de onde pararam? O ruivo desejava que sim.

– X –

Sob o jato de água fria, Sofia tentava apagar as marcas de Serguei do seu corpo. Mas por mais que usasse a esponja, jurava que podia sentir as mãos dele deslizando e tocando-a da maneira mais íntima possível. Estava desesperada, louca, completamente confusa, à beira de um abismo do qual sabia que não mais retornaria.

Depois de uma hora, envolvida num roupão felpudo, Sofia voltou para o quarto e flagrou Soraia mexendo na sacola onde colocou o lençol com sangue.

– SOLTA ISSO! – Correu e praticamente arrancou a sacola das mãos da empregada.

– Você tá maluca, Sofia?

– N-Não... É que não há nada aqui para você ver.

– Eu pensei que fosse roupa suja, mas pelo visto mais do que a roupa é a sua consciência que não parece muito limpa! – Brincou Soraia sem ter ideia do quanto aquela afirmação era verdadeira.

– Não é nada disso, eu só não gosto que mexam nas minhas coisas. Você pode sair agora. E se alguém perguntar por mim, eu não estou.

– Não vai para a escola?

– Não... – Pensou numa desculpa. – Não tô me sentindo bem. Eu vou tentar dormir um pouco, por isso não quero ser incomodada por ninguém. Entendeu, Soraia?

– Hum... Entendi, mas a Detinha não vai gostar nada, nada.

– A Detinha não é ninguém para gostar ou não.

– Você que sabe... E o que foi isso no seu rosto?

Sofia virou a cara e se encaminhou para perto da cama.

– Eu bati o rosto na porta sem querer.

Soraia a olhou desconfiada.

Resmungando, a empregada deixou o quarto. Após trancar a porta, Sofia deixou-se cair na cama. O mal-estar que tinha alegado passou a ser real e fechando os olhos ela precisou respirar fundo para controlar as emoções. Uma verdadeira tempestade de acontecimentos tinha se abatido sobre sua vida. No entanto, por enquanto não pensaria nisso. Mais tarde, disse a si mesma. Só então pensaria em como se livrar do lençol, de Serguei e do vazio que estava sentindo.

– X –

– Flaviana, cadê a Sofia?

– Pra quê quer saber? – Questionou a garota desconfiada.

Serguei passou a mão pelos cabelos, desconcertado. Pensou numa desculpa qualquer, mas não conseguiu encontrar nenhuma. Tinha passado a manhã disperso, pensando em Sofia e no que teria que dizer para se desculpar. Mas a loira parecia ter evaporado do colégio, não a encontrando em nenhum lugar. O jeito foi perguntar a melhor amiga de Sofia onde ela tinha se escondido.

– Por favor Flaviana, o assunto é sério. Onde ela tá?

– Não sei... Quando acordei hoje, ela já não tava mais no casarão. Depois da briga com a tia Vera, é até compreensivo ela ter se mandado antes de todo mundo acordar. Pensei que a encontraria no colégio, mas não. Liguei e ela não atende. Embora não seja da sua conta, eu não faço ideia de onde minha amiga possa estar.

– X –

"You calm the storms and you give me rest."

Sofia acordou com o verso de uma canção. De olhos fechados, tentou compreender porque pensou exatamente naquele verso. Talvez tivesse alguma ligação com o sonho que teve: ela estava de novo no seu quarto, lá no casarão, chorando sozinha. A sensação de abandono era tão forte que tudo o que podia fazer era ficar encolhida na cama e chorar. E ela chorou e chorou até ele aparecer. Ela não viu o seu rosto, mas sabia que podia confiar nele. E ele a abraçou e disse que não iria embora. Ela acreditou que não precisava mais ter medo, mas tudo ficou escuro e ele desapareceu. Ela estava sozinha de novo. E então acabou.

Devagar, abriu os olhos e se encolheu na cama. Apesar de espaçosa, ela não sentia-se confortável deitada ali sozinha. Não era bom como dormir na sua cama estreita do casarão abraçada por alguém. Ele soube o que era apenas dormir em paz. Um dia imaginou que esse alguém em quem encontraria paz seria Ben. Como esteve enganada.

E sem dar-se conta, notou não ter pensado em Ben em nenhum momento desde ontem.

Benjamim, o cara a quem disse amar, por quem enfrentaria sua família se provou ser o maior covarde que já teve o desprazer de conhecer. Covarde era a melhor definição para Ben. Que ele fosse pro inferno, pensou. Não sofreria por ele. Prova disso é que não pensou duas vezes antes de se entregar a Serguei no mesmo quarto em que pediu para Ben ficar com ela.

E maldosamente, imaginou qual seria a reação do 'Principe' ao saber que ela transou com outro cara debaixo do mesmo teto onde o pai, os irmãos dele e ele moravam. Com certeza seu orgulho seria ferido e Sofia teria prazer com isso, mas não falaria, porque Ben não significa mais nada pra ela. Claro que ainda doía a decepção, mas iria passar. Ela ter ido para cama com outro que não o seu 'grande amor' foi o inicio da sua cura.

– Sofia?

A garota se levantou e abriu a porta.

– O que você quer?

– Eu trouxe um chá. – Soraia entregou uma xicara a garota. – Você passou a manhã toda sem comer e como disse que não tava bem, pensei que um cházinho de erva cidreira seria bom.

– Obrigada, Soraia. – Agradeceu comovida pelo cuidado. – Não precisava. Sério, eu já tô melhor.

– Então, posso mandar o Serguei entrar?

– O que?

– Ele tá lá na sala e disse que quer ver você.

A xícara acabou escorregando das mãos de Sofia e se espatifando no chão.

Notas finais
SerFia! Comentem o que mais gostaram ou odiaram, ok? Vamos ao próximo!