Era Uma Outra Vez...
41 Impossível
Notas iniciais
– Pessoal, eu avaliei os trabalhos e dei as notas. Fiquei feliz por notar o esforço de todos e posso dizer que alguns me surpreenderam. Um em especial, que diz o seguinte: "Bentinho não soube amar Capitu. Envenenou o amor que sentia com ciúme e a condenou por um crime que existia em sua cabeça. Não deu oportunidade de defesa a quem dizia amar, nem possibilitou que houvessem testemunhas que confirmassem ou derrubassem por terra suas suspeitas. Um covarde não quer a verdade, ele se faz na mentira e abre mão da felicidade que já era sua. O covarde Bentinho não confiou nos seus sentimentos, afundou nas lembranças e colheu solidão. Solidão foi o que se tornou sua vida."
Diva ainda teceu mais alguns elogios ao seu trabalho, mas Sofia não notou. Faltava alguns minutos para o fim da aula e tudo o que ela queria era poder voltar para casa, mas ainda tinha mais uma aula de educação física e outra aula com o insuportável João Luís antes de poder escapar.
Amanhã seria o seu aniversário e ela não tinha motivos para comemorar.
Há semanas que não falava com a mãe ou Pedro. Eles ainda estavam magoados e ela não os culpava. A culpa era sua. Sua crença estúpida em um sentimento que se provou frágil como o cristal. O lado bom é que quase não via Ben, com exceção de quando se cruzavam nos corredores da escola sem dizerem nenhuma palavra. O hipócrita a condenava pelos problemas que tinha com a AINDA namorada Anita. Também não pensava muito na irmã. No início quis vingar-se dela, mas logo desistiu da ideia. Sofrer pelo idiota do Ben já era castigo suficiente para a 'Princesa'.
O assunto do vídeo da sua briga com Júlia havia morrido por outra fofoca qualquer. O hematoma desapareceu e ela não precisava mais escondê-lo com maquiagem. Para o bem ou para o mal, tudo voltou ao normal. Exceto por um detalhe: Serguei. Desde a fatídica manhã em que estiveram juntos, ela o evitava ao máximo. Ele, ao contrário do que esperava, tentava a todo custo falar com ela, mas Sofia escapava sempre que possível. Usava qualquer desculpa para não ter que encará-lo.
Lembrava-se do horror que sentiu quando ele foi ao seu apartamento e ela praticamente implorou a Soraia que o dispensasse. Pensou que ele entenderia o recado, que a deixaria em paz, mas não. Ele estava cada vez mais empenhado em tirar sua tranquilidade abordando-a nos momentos mais inoportunos. Até Flaviana que era um pouco desligada estava estranhando a perseguição do ruivo a amiga.
Sua cabeça e coração nunca estiveram tão confusos.
– Terra chamando Sofia!
– Oi? – Ela despertou dos devaneios ao ouvir a voz da amiga.
Uma das últimas pessoas que ainda lhe restava.
– O sinal tocou, precisamos ir para a piscina.
– Piscina? Mas a gente não tem aula?
– A aula de educação física hoje é na piscina. Esqueceu? – Flaviana tentou controlar a preocupação que sentia por Sofia.
Há muitos dias a sua amiga estava estranha. Sofia nunca se encaixou em padrões, mas a mudança de comportamento era visível. Quase não falava sobre a mãe, o Grajaú ou qualquer outra coisa. Flaviana tentava animá-la, mas nada do que fez pareceu funcionar. Ela até pesquisou na internet sobre depressão por medo da amiga estar passando por esse problema, mas também não era isso. E sem uma resposta para a questão, tentava ao máximo não desanimar. No entanto, estava cada vez mais difícil lidar com o problema.
– Você tá estranha.
– Valeu!
– Ah, não sei mais o que fazer! Sério, acho que vou enlouquecer com essa tua apatia! Cadê aquela garota corajosa e ousada que tanto me orgulha?
– Tirou férias! – Sofia riu da cara chateada de Flaviana. – Eu tô bem! Então, usa essa cabecinha pra pensar em coisas mais importantes tá? Como por exemplo ir para a aula antes que nós duas ganhemos uma bela suspensão.
Mesmo contrariada, Flaviana se calou. As duas foram para o vestiário onde outras garotas da sala trocavam de roupa. Sofia vestiu um maiô preto, simples, que aderia perfeitamente ao seu corpo e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo. Flaviana optou por um maiô azul com algumas miçangas bordadas.
As duas foram as últimas a chegarem na área da piscina.
– Que bom que as senhoritas resolveram se juntar a nós. – Repreendeu a professora. – Todos fazendo alongamento!
– Olha quem tá ali... – Flaviana falou baixinho para a professora não perceber.
Sofia olhou para onde a amiga indicava e viu Alguns alunos do 3º, entre eles Serguei. Ele ainda não a tinha visto, e se aproveitando disso, ela ficou por trás dos outros alunos.
– Tá rídiculo esse jogo de gato e rato de vocês dois!
– D-Do que você tá falando, Flaviana?
– De você e do Ben.
– Ben? – Sofia ficou confusa. Até notar Ben e Anita no grupo de alunos. Por um minuto, ela pensou que Flaviana tinha sacado que ela queria se esconder de Serguei.
– Claro! Não é dele que você tá se escondendo?
– Não... Sim, quer dizer, eu não tô me escondendo.
– Certo... – Flaviana não pareceu convencida, mas não insistiu mais.
A aula continuou. Os garotos foram separados das garotas. O grupo dos meninos foi o primeiro a usar a piscina, depois foram dispensados. As garotas ficaram por último.
– Sacanagem os garotos serem dispensados! – Reclamou Amanda.
Sofia e Flaviana se olharam, cada uma com cara de desgosto e acabaram rindo.
– Posso saber o que é tão engraçado? – Questionou a garota.
Sofia limitou-se a olhá-la de cima abaixo fazendo com que Amanda bufasse de raiva. Já Flaviana foi mais direta na resposta.
– Querida, eu poderia dizer que é você e o seu desespero, mas pra quê falar de algo que é tão óbvio?
Humilhada, a garota cerrou os punhos com raiva.
– Olha aqui, sua vaca... – Ela avançou contra Flaviana. Sofia se pôs na frente da amiga.
– Olha aqui você. Experimenta dá mais um passo para ver o que te acontece!
– Posso saber o que tá acontecendo aqui? – Interviu a professora.
– A Sofia está me ameaçado, professora! – Acusou Amanda se fazendo de vítima. – Disse que me jogaria na piscina e me afogaria!
– Isso é verdade, Sofia?
– Claro que não! – Protestou a loira com raiva. – Eu não ameaço, eu cumpro!
Sofia sabia que não deveria ter dito aquilo e a expressão da professora era prova disso. Por trás dela, Amanda sorria satisfeita.
– Já que você tem tanta disposição, eu quero dez voltas na piscina agora!
– Mas... – Tentou argumentar, mas ela já tinha perdido aquela batalha.
Antes de mergulhar, prometeu a si mesma acabar com a raça de Amanda. A professora acabou se afastando do local e as outras alunas também se dispersaram. Somente Flaviana e Amanda continuavam próximas à piscina, vendo Sofia cruzar de uma ponta a outra. Na sexta volta, a loira sentiu uma fisgada na perna direita e não conseguiu mais nadar. Flaviana que não era boa nadadora não entendeu bem ao ver a amiga afundar, mas Amanda sim e fez questão de ir distrair a professora para que esta não se inteirasse do incidente. Não até o que ela desejava acontecer.
Sofia tentou submergir, mas a dor era muito forte e ela acabava indo para o fundo a cada nova tentativa. A câimbra tinha sido muito forte e como já começava a se desesperar, acabou gastando a sua energia física muito rápido.
– Professora! – Chamou Flaviana angustiada. – Professora! A Sofia tá afundando!
– X –
– Professora!
Serguei ouviu a voz de Flaviana e interrompeu a conversa que tinha com dois amigos. Olhou em direção a garota e notou que ela olhava fixamente para a piscina.
– Professora! A Sofia tá afundando! – Gritou Flaviana.
Sentindo uma descarga de adrenalina pelo corpo, ele correu em direção a piscina. Viu Sofia no fundo, quase sem forças, e sem ao menos tirar o celular do bolso, mergulhou. Alcançou-a em poucos segundos. Agarrando-a por trás na altura da cintura, submergiu com a garota e nadou até a beirada da piscina. Com a ajuda de Flaviana e outros alunos que se aproximaram para ver o que acontecia, tiraram Sofia desacordada da água.
Agindo rápido, o ruivo fez respiração boca a boca na garota. Internamente, rezava para que as malditas lições de primeiros socorros que fez lhe valessem de alguma coisa, pois só de imaginar Sofia morta seu peito se apertava. Nas primeiras tentativas, ela não reagiu, mas na quarta, acabou cuspindo água para fora. Meio desnorteada, ela tentou sentar-se.
– Nem pense nisso! – Impediu Serguei agachado ao lado da loira, muito preocupado.
Só após se certificar que ela estava completamente lúcida, o ruivo respirou aliviado.
Se recuperando um pouco, Sofia levou alguns instantes para dar-se conta do que havia se passado com ela. Entre tantos rostos, se concentrou no de Serguei bem próximo ao seu. Notou que ele estava completamente encharcado e que uma rodinha de alunos tinha se formado a sua volta.
– O que aconteceu? – Quis saber o ruivo.
– Câimbra. – Sofia tossiu e cuspiu mais um pouco de água.
A essa altura a professora já tinha chegado para controlar a situação.
– Sofia, você tá bem? – Sem dar tempo para a garota responder, ela dispensou os alunos e ordenou que a loira fosse para a enfermaria.
– Não precisa... – Protestou.
Mas Serguei não quis saber e ajudou-a a se levantar.
– É melhor não discutir. Você quase morreu, sabia? – Falou ríspido.
– Que pena pra você que não aconteceu! – Rebateu Sofia com raiva.
– Ai, Sofia... Faz o que eles tão mandando, por favor! – Pediu Flaviana perto de uma crise de choro. Para poupar a amiga, a garota resolveu ceder.
– OK... – Relutante, ela aceitou a ajuda de Serguei para conseguir andar.
Ao deixar a área da piscina, viu Anita com lágrimas nos olhos e Ben tentando acalmá-la. Sentiu certa comoção pela preocupação da irmã, mas logo imaginou que caso acontecesse o pior, ela não se importaria tanto em ter o caminho livre para viver seu conto de fadas. Benjamim seria outro que ficaria aliviado caso ela fosse dessa para uma melhor.
– X –
– Pena que ela não se afogou! – Comentou Giovanna ácida.
Júlia lançou um olhar repreensor para a menina que a ignorou e saiu andando. Ela não era fã n° 1 de Sofia, mas nem ela ia desejar que tal tragédia acontecesse com a garota. Anita, apesar de muito magoada com a irmã, pensava o mesmo.
– Mas ela tá mesmo bem? – Perguntou mais uma vez aflita pela irmã caçula.
– Está, Anita. Foi só um susto. – Quis acalmá-la Ben, mas foi inútil e mais uma vez ela caiu no choro.
Ben estava tão ao mais aflito que a namorada, mas sabia que não deveria procurá-la, ainda que fosse para saber sobre seu estado. Ele havia jurado a Anita e a si mesmo que não mais se aproximaria de Sofia. E embora se sentisse mal pela loira, entendia que a distância era a única forma de se manter a salvo dela e dos seus sentimentos.
– X –
– Ao que parece, foi só um susto.
– Menos mal... – Falou Sofia displicente. Serguei que insistiu em ficar ao seu lado durante a avaliação da enfermeira bufou irritado.
– Ela quase morre e tudo que diz é 'menos mal'.
– Talvez seja o choque. – Reconheceu a enfermeira fazendo algumas anotações. – E quanto a você, herói, é melhor trocar essa roupa antes que pegue uma pneumonia. Eu volto já!
Dito isso, a enfermeira deixou os dois a sós.
Sofia suspirou chateada por ser obrigada a permanecer mais tempo na companhia de Serguei. Estava grata por ele ter salvo sua vida, feliz por esse não ter morrido por causa de uma armação de uma vagabunda como Amanda, mas era o suficiente. Ela não desistiu da sua decisão de ignorá-lo. O ruivo por sua vez, não parecia incomodado em estar perto dela. Estava tão à vontade que começou a tirar a camisa, para desespero da garota.
– O que você tá fazendo?! – Exclamou horrorizada.
A expressão dela quase o fez cair no riso. Aproveitou pra provocá-la.
– Você ouviu o que a enfermeira disse.
– Ouvi, porque não sou surda! Mas você precisa fazer isso aqui?
– Qual o problema? Não gosta do que vê?
A garota calou-se. Completamente vermelha de constrangimento preferiu o silêncio ao risco de dizer algo estúpido que a deixasse ainda mais vulnerável. Serguei sorriu ao livrar-se da camisa. Ele estava adorando, ela podia sentir a satisfação dele em cada gesto.
Sofia tentou não olhar para o peitoral, o abdômen definido, mas era impossível. Seu olhar era constantemente atraído para a imagem de Serguei sem camisa e com a calça jeans completamente colada as pernas, coxas e outra parte na qual ela temia pensar agora. Para sua vergonha, lembrava-se nitidamente como era tocar cada parte daquele corpo. Uma em especial.
– Você não ficou constrangida da última vez que me viu com bem menos roupa.
Ele tirou o celular do bolso fingindo tranquilidade. Descartou o aparelho completamente estragado sobre a mesa da enfermeira de quem eu nem lembrava o nome. Me irritei ao me lembrar mais uma vez que devia minha vida a ele.
– Eu apaguei completamente essa imagem da minha memória!
– Verdade? – Serguei venceu a curta distância que os separava.
Com um sorriso travesso, segurou-a pela cintura com as duas mãos e a desceu da maca onde estava sentada. Sofia sentia-se completamente exposta no maiô que usava.
– Que tal tirarmos a prova?
Atordoada pelo toque das mãos de Serguei, Sofia não previu a intenção do ruivo antes que ele a beijasse. Foi só isso acontecer para ela esquecer tudo. As razões pelas quais deveria manter-se distante já não importavam. O desejo adormecido que sentia reacendeu como uma chama, e completamente entregue as próprias necessidades ela colou-se ao seu corpo sentindo uma estranha saudade daquela situação. Usando apenas um maiô que não representava o mínimo obstáculo, deixou que ele descesse uma das alças da peça. Era uma questão de pele, de toque... Era errado. Sentiu os seios pesados sob a malha enquanto ele a apertava mais forte. Ainda era errado. Mas como algo tão errado poderia ser tão bom? Sofia agarrou-se aos ombros de Serguei para não perder o equilíbrio, já que o seu controle tinha ido pro espaço muito antes dele beijá-la.
Aquilo era loucura. Uma loucura deliciosamente perigosa. Os dois estavam na enfermaria e a qualquer momento alguém poderia entrar e flagrá-los naquela situação comprometedora. E se acontecesse... Então, o que eles diriam? Que ela estava em choque e que Serguei resolveu continuar a respiração boca a boca? Nem a pessoa mais ingênua do mundo acreditaria nisso.
– Para... Para, Serguei!
O último pingo de sanidade a fez recobrar a consciência.
Foi com muito esforço que Sofia se afastou. Ajeitando a alça do maiô, respirou fundo pra recuperar o fôlego. Quase se afogar não era quase nada comparado a aquilo.
– Já pensou no que aconteceria se alguém nos visse?
– Confesso que não me importei muito com isso.
– Você parece não se importar com muitas coisas. – Acusou irritada. Deu as costas a Serguei para evitar que ele visse a sua mágoa. – Não se importou com a minha escolha de não falar com você. Não se importou com a possibilidade da minha melhor amiga descobrir o que houve entre a gente... O que você quer de mim? – Questionou voltando a encará-lo. – Não vai me deixar esquecer nunca a burrice que eu fiz?
– Não foi burrice. Você estava bem ciente de até onde queria ir.
– Eu estava? Como pode saber? Eu tinha brigado com minha mãe, passado uma das maiores humilhações da minha vida... Você estava lá, você viu. Quem pode me culpar por querer esquecer?
– Foi isso o que eu representei? Uma fuga temporária?
Era a sua chance de acabar com tudo. Tinha a possibilidade de afastá-lo completamente, mas a ideia disso acontecer a afligia. Há algum tempo ele perguntou porque eles sempre acabavam assim. Ela queria acabar?
– Não. – Respondeu sincera. – Não vou ser hipócrita e te culpar por algo que também foi minha responsabilidade. O máximo que posso fazer é culpar essa maldita atração que existe entre nós.
Sofia não poderia continuar negando algo que era tão óbvio para ambos. Do que adiantaria? Ela já estava ferrada mesmo, o melhor seria tirar o melhor que pudesse daquela história
– Maldita atração... – Ele sorriu sarcástico. – Tão maldita que tá fora de controle.
– Só por que você tá dizendo?
– Não, porque é a verdade. Caso contrário, você não se esforçaria tanto para fugir de mim.
– Eu não tô fugindo... Droga, eu não sei como isso aconteceu!
Ele não era o primeiro cara por quem se sentia atraída, mas com certeza foi o que mais mexeu com ela. E a garota sabia que também mexia com ele e que nenhum dos dois estava feliz com isso.
– Eu estava feliz em somente te detestar. – Falou Serguei passando a mão pelos cabelos, nervoso.
Sofia não quis, mas não pode evitar a mágoa que a confissão provocou. Não era exatamente uma novidade, mas depois do que rolou entre eles... O quê? Sentimentalismo não era pra ela.
– Bem, já que é um consenso, não vejo outra solução pra esse empasse que não seja a gente ficar longe. Garanto que essa atração vai acabar tão rápido quanto começou.
– Acredita nisso? – Serguei a olhou nos olhos, em desafio.
Estava claro que pra ele, aquela 'atração' se assim ela preferisse chamar, só pioraria. Sofia não podia se render e deixá-lo pensar que a afetava mais do que o necessário.
– Acredito sim. E tenho certeza que é só uma questão de tempo.
Agora foi a vez de Serguei ficar calado.
– Desculpem a demora, mas eu precisei falar com o diretor. A Raissa não veio hoje, então não tinha mais ninguém a quem me reportar. – A enfermeira retornou e não notou o clima tenso entre os dois jovens. – Você está dispensada, Sofia. Depois do que aconteceu, é melhor você ir pra casa e descansar. E quanto a você, herói, não vai poder assistir à aula completamente encharcado. Não se preocupem, os professores serão informados sobre a ausência.
Após isso os dois foram dispensados.
– X –
– Flaviana, é verdade o que andam dizendo?
– O quê? Que seu gosto pra se vestir é digno de um mendigo?
Sidney se irritou pela brincadeira, mas preferiu focar em Sofia e no que supostamente aconteceu a sua 'amiga'. Pra ele ainda era estranho pensar nela dessa forma.
– Haha... Engraçadão! É sério ou não que a Sofia quase foi pra terra dos pés juntos?
– Incrível como você é tosco!
– Ô patricinha, não enrola. É simples: Sim ou não?
– Sim. – Admitiu Flaviana muito a contra gosto.
Por mais que Sofia houvesse pedido, ela ainda não simpatizava com Sidney. Mas a loira era sua melhor amiga e não poderia dizer não. Nem negar-se a aturá-lo toda vez que ele cercava Sofia como um cão sem dono. E o pior é que por causa disso ela teve que convidá-lo para sua exclusiva festa de aniversário, pela a amiga é claro. Caso contrário, nunca que aquele aprendiz de operário frequentaria sua casa.
– Mas ela tá bem? – Quis saber Sidney.
A verdade é que Flaviana não sabia. Sofia parecia bem quando entrou na enfermaria com Serguei, mas ela ainda não tinha reencontrado a amiga para ter certeza disso. E ainda seria obrigada a ver a aula de João Luís antes que pudesse procurar pela amiga.
– Espero que sim.
– X –
– Belo desempenho hoje na piscina!
– Acho que foi.
A voz melodiosa enojou Sofia. Ela voltava do vestiário, onde se vestiu e seguiu para a saída, mas no corredor avistou Serguei no seu armário. Vacilou ao vê-lo e tentou se esconder, mas desistiu assim que viu Amanda se aproximar do ruivo. Se existisse um concurso de maior piranha do mundo, Amanda com certeza ganharia. Para a loira, era incrível a capacidade da outra garota em ser vulgar. E sua opinião não tinha nada a ver com o fato de Amanda estar muito próxima de Serguei ou o fato de ele ainda não tê-la dispensado.
Afastada, ela observava os dois sentindo-se em um d'javú. E ela sabia qual era o final. Não dessa vez, pensou com raiva.
– Não se fala em outra coisa aqui no colégio. Você foi um verdadeiro herói.
Serguei sorriu a ouvir a palavra herói mais uma vez. Ele não sentia-se como um herói. A verdade é que sentia-se miserável depois da conversa que teve com Sofia. Chegou a acreditar que ela admitiria que sentia algo a mais? Bom, ele não diria que não. No entanto, contra suas expectativas, o que ganhou foi um discurso sobre atração indesejável. Ele não era um herói. Um herói fica com a donzela, ele recebeu um belo pé na bunda sendo que nem existia nada entre ele e Sofia.
– As pessoas exageram. – Desconversou.
Estava molhado, irritado e sem a mínima paciência para os joguinhos de sedução de Amanda.
– Eu não acho. A forma como você agiu hoje só comprova a minha opinião sobre o cara incrível que você é, Serguei. – Amanda se aproximou do ruivo ficando a poucos centímetros. Pousou uma mão no ombro dele. – Pena que o alvo da sua boa ação foi a nojenta da Sofia. Você teria feito um bem a humanidade se deixasse aquela garota se afogar.
– Talvez eu faça um bem a humanidade acabando com a sua raça, vaca!
Serguei virou-se e viu Sofia transtornada de raiva.
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