Era Uma Outra Vez...

29 Eu vou matar você!


Notas iniciais
"Todos os seus defeitos e todos os meus defeitos estão expostos um por um. Veja a maravilhosa bagunça que nós fizemos... Nós nos vemos arruinados." Ahãm... Não há o que esconder, ele sabe exatamente o que ela é. Será isso um problema ou a solução? Divididos entre os sentidos, atraídos pelo desejo, tudo pode acontecer. Mas quando acontecer, será apenas por um motivo. "Todos os seus defeitos e todos os meus defeitos... Quando estiverem exumados veremos que precisamos deles para sermos quem somos. Sem eles estaríamos condenados." Vejam a maravilhosa bagunça que eu fiz com esses dois! *-*

– Eu peço, por favor, uma nova chance para provar o quanto eu gosto de você! – Falou antes de dar um selinho nela.

– Mas o quê? – Sofia tentou se afastar, mas Serguei passou um dos braços a sua volta mantendo-a onde estava.

– Desculpe, irmã Carmem, eu sei que é contra as regras, mas acho que a senhora entende, não é?

“Nossa, ela deve ser a única, porque eu não sei mais nada de nada!” Pensou Sofia com um gemido preso na garganta. Ela havia sido pega na armadilha que havia preparado, e só podia lamentar-se por isso. Aquela foi uma estúpida ideia, e agora ela entendia muito bem a expressão ‘provar do próprio veneno’ e Serguei não a livraria de engolir cada gota.

– Claro! – Concordou a freira com um sorriso encantado. Para Sofia estava claro que a mulher adorava uma história de amor, com hábito ou não, ela era uma ‘romântica’. Poderia ficar pior? – Mas que isso não se repita, hein? – Avisou com severidade – Bem, espero que vocês tratem dos problemas do relacionamento de vocês em um local mais apropriado. O colégio é um lugar de estudo... Vamos deixar o que aconteceu aqui como uma advertência verbal, mas que não se repita, pois não poderei ser tão compreensiva uma segunda, no caso, terceira vez. Agora, vocês voltem para a aula!

– Eu vou matar você! – Ameaçou Sofia entre dentes enquanto sorria forçado para a freira.

– Cala a boca e continua andando antes que aquela megera mude de ideia! – Murmurou Serguei em seu ouvido.

A garota sentiu o corpo se retesar e prendeu a respiração quando ele segurou a sua mão na dele. Ela agora tinha uma resposta para a pergunta feita há alguns segundos: tudo poderia ficar milhões de vezes pior. E isso continuaria enquanto ela fosse obrigada a ver um sorriso falso estampado no rosto dele dando a entender que eles tinham feito às pazes. Por que ela teve que inventar aquela mentira? Por quê?!

– Tudo o que aconteceu é culpa sua, imbecil!

– Ah, é? Quem foi que teve a brilhante ideia de representar a namorada traída mesmo?

– Era isso ou ouvir a chata reclamar por horas ou até mesmo informar nossos pais! E você sabe que ela faria isso! – Defendeu-se puxando a sua mão da dele, certa de que a freira já não podia vê-los.

– Talvez sim, talvez não. Quem poderia garantir que daria certo?

– EU!

– Você? Não me diga que pode prever o futuro!

– Talvez sim, talvez não... – Ironizou – Não precisa ser nenhum gênio para saber que uma mulher, casada com Jesus ou não, adora uma historinha de amor ‘água com açúcar’. Me admira muito você, que convive há anos com a ‘rainha da ilusão’, não tenha se dado conta disso.

– Por que você sempre envolve a Anita em seus comentários, hein?

– Eu não faço isso! – Negou com a voz esganiçada. Por que ele sempre envolvia Anita na conversa dos dois? Ela preferiu calar-se – Foi só... Foi somente uma colocação. Não quer dizer nada, assim como o que eu disse sobre você e eu sermos namorados também não significou coisa alguma.

– E você odiaria isso, não? Mas ainda assim preferiu dizer que é apaixonada por mim... Se bem, que talvez exista um fundo de verdade nisso. A forma como você adora me provocar ou falar que a Anita não é para mim, o beijo que você me deu. Confessa que tá apaixonada por mim! – Falou mordaz. Sofia endireitou os ombros ofendida.

– Háháhá... Muito engraçada essa piada. Já pensou na carreira de comediante, Serguei? – Ironizou – Eu apaixonada por você? Nem na próxima vida, meu querido!

– E eu por você? Nem em dez reencarnações!

– ÓTIMO!

– ÓTIMO!

– Concordo plenamente! – Esbravejou ela com raiva – Agora faz o favor de sumir da minha frente, caso contrário, eu vou te dar o chute que você tá merecendo!

Sofia saiu andando apressada pelo corredor ouvindo a risada do ruivo logo atrás. Eles estavam numa área afastada das salas de aula, e ela sentia que poderia matá-lo a qualquer momento sem precisar se preocupar com testemunhas. Matá-lo lenta e dolorosamente ou pelo menos causar-lhe bastante dor. Tudo estava errado, ela estava errada. Tudo em sua vida estava fora do lugar.

– O que é isso? Ameaça ‘mozão’? Cuidado com a lei Maria da Penha! – Zombou Serguei não resistindo aquela ultima implicância.

Sofia parou abruptamente e voltou-se para ele com os olhos chispando de raiva. Certo, ele tinha ido longe demais, pensou o ruivo recuando alguns passos quando ela avançou sobre ele.

– Eu vou matar você! – Falou antes de empurrá-lo contra a parede e começar a dar tapas nos seus ombros e rosto – Seu imbecil!

– Calma, mulher!

Sofia estava fora de controle. Ela batia e xingava Serguei sem parar sendo preciso que ele a segurasse pelos braços mantendo-a imóvel antes que ela cometesse um homicídio, no caso, o dele. Ela se debateu presa por ele, o rosto vermelho de raiva, e o que o ruivo não esperou foi que ela usasse as pernas para atacá-lo. Com um chute certeiro na canela do garoto, os dois acabaram se desequilibrado e caindo no chão. Serguei tentou usar as mãos para remediar o impacto, mas acabou caindo sobre Sofia que gemeu ao atingir o chão e receber o peso do corpo dele em cima do seu. Ela fechou os olhos por alguns segundos e quando voltou a abri-los viu Serguei a fitando intensamente, os rostos muito próximos. Como eles ficaram assim? Perguntou-se desesperada sentindo a respiração acelerada dele tocando sua bochecha, a sua própria respiração entrecortada. A boca dele estava entreaberta a centímetros da sua, ela podia sentir o coração bater descompassado com a visão dos lábios dele sem se aproximar ou recuar, como se ainda não tivesse certeza do que deveria fazer a seguir.

Ele ainda a segurava pelas mãos prendendo-as lado a lado da sua cabeça, uma das pernas entre as suas tornando-a consciente do calor do seu corpo tocando o dela, mesmo ambos usando jeans. Era loucura, não? O que estava acontecendo com ela? Por que ela não se afastava? Sofia não se sentia mais dona de si nem movia mais o corpo por sua vontade. Sofia não sabia o que queria, se acabar com a distancia ou... Não, ela não queria pensar! Estava perplexa demais, agitada demais, furiosa de menos. E isso, em se tratando dela, não era bom. Sofia reagia bem à raiva, a dor, a sentimentos negativos, mas não a fragilidade. E ele, que já teve a oportunidade de ver esse lado seu, sabia exatamente que ela estava perturbada e amedrontada também. Com medo dele ou da sua própria reação? Será que Serguei se sentia tão perturbado quanto ela? Por que ele não fazia nada?

Foram minutos tensos naquela posição sem saber o que dizer ou o que fazer, nem mesmo desviar o olhar. Era como se travassem um duelo mudo para ver quem cederia primeiro. Sofia desistiu.

– Você pode sair de cima de mim, por favor? – Foi um apelo arrancado do fundo da garganta.

– Claro... – Respondeu levantando-se automaticamente. Serguei sentou no chão recostado a parede sem fitá-la – Eu te machuquei?

– Não... – Falou timidamente sentindo as batidas do coração normalizarem – Aliás, essa era a minha intenção lembra? – Ela também se sentou de frente para ele.

– Como poderia esquecer se tá doendo até agora?

– Eu... Droga, eu não faço esse tipo de coisa!

– Não? Pra uma amadora você até que bate muito bem!

– Eu não estou falando disso... É sobre perder a cabeça desse jeito. Eu sou uma lady não uma barraqueira baixo nível criada na favela descendo ate o chão ao som do ‘pancadão’. Se alguém tivesse nos visto, nem todo dinheiro do mundo iria apagar esse estigma horroroso da minha imagem! – Lamentou com um suspiro. O que havia dado nela?

– Bom, não seria o fim do mundo. E eu tive a minha parcela de culpa afinal, não seria só você que seria conhecido como barraqueiro. O que no meu caso é pior, já que ser cabeleireiro já me trás uma fama nada agradável.

– Até parece que é a mesma coisa! Eu tenho status, Serguei, você só tem um salão. Não dá nem para comparar!

– Atá, desculpe-me por esse equivoco!

– O que é isso? Você admitindo que pode errar? Incrível!

– Vamos recomeçar? – Serguei tentou fazer graça.

– Não! – Ela ficou de pé e recolheu a bolsa que havia jogado no chão – Eu tenho mais o que fazer do que ficar rolando que nem uma retardada pelo chão sujo com você. Obrigada!

Serguei também ficou de pé pondo as mãos nos bolsos da calça. Ele fitou Sofia nos olhos.

– Essa também não é minha melhor escolha de entretenimento.

– Aposto que não... O que seria então?

– Não sei, muitas coisas me atraem. Acho que a resposta é garotas em geral.

– Uau! Pena que seu gosto seja tão pouco seletivo, não é? Beijar a Amanda, amar a Anita... Acho que você tem uma noção distorcida do que é atração. Sua vida deve ser uma droga!

– Pelo contrario, ela é bem divertida... – Ele riu – Principalmente em dias que eu sou obrigado a conviver com você, ainda mais te beijar.

– Eu tenho certeza que sim! Se for por falta de adeus... – Ela deu-lhe as costas e saiu caminhando calmamente como se nada do que aconteceu entre os dois tivesse mexido com ela.

Serguei se encostou à parede e suspirou tendo certeza que nada que acontecesse naquele dia poderia ser tão bizarro quanto o que viveu naquela hora com Sofia.

– X –

– Eu sei, deveria estar na aula... Mas eu me atrasei e o professor não vai me deixar entrar, então vim continuar aquela conversa.

– Certo, mas só essa vez. Não adianta nada você conversar comigo e perder aulas. Você pode se prejudicar por causa disso.

– Tá, foi mal... Prometo ser uma boa menina! – Sofia riu descontraída.

Gostava de Raissa, da companhia dela, e precisava da calma que ela lhe passava quando estavam juntas. Decidida a dar um tempo de todos depois do que aconteceu com Serguei, a única pessoa que lhe veio à cabeça foi a orientadora, e agora que ela recebia o carinho da mulher, ela sentia que tinha feito a escolha certa.

– E eu fiz o que você me pediu! Ficou um pouco grande, mas enfim... Aqui está!

A garota entregou a orientada o caderno onde havia anotado todas as coisas que lhe passavam pela cabeça, ruins e boas, como uma forma de analisar melhor o que ela sentia. Ela havia achado uma tremenda besteira no inicio, mas à medida que ia escrevendo era como se tudo fosse ficando mais claro.

– Fico feliz que tenha seguido minha sugestão.

– Eu tava com um tempo livre, então decidi ocupá-lo com alguma coisa.

– Eu estou vendo que você está disposta e isso é muito bom.

– Valeu... – Falou sem jeito mexendo numa mecha do cabelo.

– Você escreveu muitas coisas sobre sua mãe. – Disse Raissa lendo por alto o que ela tinha escrito – Pelo visto ela é muito importante.

– Claro, é a minha mãe! – Riu como se fosse obvio – A gente tá meio afastada agora, porque eu to morando na Barra, mas eu sinto muito a falta dela. A dona Vera é... Incrível.

– Qual foi a ultima vez que você falou com ela?

– Antes de deixar o casarão... – Sofia recordou-se da tristeza da mãe e da sua própria tristeza. Daria tudo para não ter ido embora e o dobro para não ficar – Eu vi umas ligações dela no meu celular, mas eu não sei se quero retonar.

– Por quê? – Questionou Raissa, interessada.

– Porque tudo o que nós temos feito é brigar... Eu brigo com ela por nada. Eu não quero continuar com a mesma rotina de discussões.

– Por isso está ignorando sua mãe? Fugir não vai fazer nada mudar. Você não quer brigar, certo? – Sofia acenou que sim – Então, não brigue. Fale com ela, retorne as ligações... Não precisa ficar apreensiva com o que ela pode pensar. Aposto como tudo o que ela quer é ouvir a sua voz, saber que você está bem.

– Droga, você tem razão... Acontece que quando eu estou com ela eu não consigo deixar de lado ideia de que a gente não tem nada a ver. Sei lá, eu nunca me senti assim com ela, mas desde que soube da adoção é como se fossemos duas estranhas.

– Mas você não se sentia assim antes. E o amor que você sente ainda é o mesmo, não é? Ou isso também mudou?

– Não... – Sofia virou o rosto para o lado para esconder a lágrima que caiu. Raissa estava certa, ela amava a mãe, mas doía pensar que Vera e ela não tinham o mesmo sangue, uma ligação real – Parece errado, ela e eu... Eu não sei, é confuso. Quando eu to longe, tudo o que mais quero é tá perto dela, mas quando nós estamos juntas eu só consigo pensar na mentira que foi a minha vida. Fico duvidando do amor dela, do meu amor... Se eu soubesse antes, não sei, talvez fosse menos doloroso. Às vezes, eu penso que seria melhor nunca ter descoberto nada. Viver na escuridão seria bem melhor do que saber a verdade.

– Você tem curiosidade em saber mais sobre o seu passado? – Raissa não queria ser tão direta, mas precisava saber ate onde podia ir com ela – Acha que isso ajudaria a entender o que você sente? Conhecer sua mãe?

– NÂO! – Disse a menina categórica. Sofia tinha sido abandonada, era tudo o que ela precisava saber. Sua vida já estava complicada o suficiente, para do nada ela procurar por uma pessoa que não valia a pena – Seja lá quem for essa pessoa, eu não tenho o mínimo interesse em saber nada dela. Eu já tenho uma mãe, um pai, uma família... Pode não ser um bom momento agora, mas eu tenho tudo o que eu preciso. Não há espaço na minha vida para mais ninguém, muito menos para alguém que não pensou duas vezes antes de me virar as costas.

Raissa engoliu em seco a dor pelas palavras amargas da menina. Sofia estava tão retraída que era difícil para ela se aproximar, mesmo como profissional. O quão perdida ela estaria se soubesse quem Raissa era? Como seria a reação da menina se ela soubesse que a mulher a sua frente era a pessoa que lhe ‘virou as costas’?

– X –

‘ – Alô?

– Oi, mãe!

– Sofia? Filha!

Sofia riu baixinho com o entusiasmo de Vera ao telefone. Depois de duas tentativas e algumas dúvidas, ela tinha aceitado o conselho de Raissa e ligado para a mãe. Só de ouvir a voz da mulher ela sentia suas reservas se dissiparem e a visão nublar com lágrimas. Era tão bom ser amada, pensou, dando-se conta de que independente de qualquer ligação biológica, Vera e ela eram unidas, primeiro, pelo amor.

– Uhum... Como você está?

– Morrendo de saudades! Eu liguei para você, mas você não me atendeu. Eu precisava falar com você, saber se estava bem... Como andam as coisas com o seu pai, a Bernadete?

– Legais... Você sabe, o papai é daquele jeitão dele e a Bernadete é muito chata quando quer, mas dá para levar... Desculpa não ter ligado antes, mas é que com a mudança eu quis tirar um tempo para me instalar melhor. Sem falar que a Flaviana tá me deixando louca com uns assuntos dela. Sério, desculpa!

– É somente isso ou também tem a ver com o rapaz com quem você saiu?

– Rapaz?

– Sim... A Giovanna nos mostrou as fotos. É seu namorado? Há quanto tempo vocês se conhecem?

–Ele não é meu namorado, mãe... – “Giovanna! Intromedita como sempre!” Pensou Sofia apertando o celular com força. Ela mordeu o lábio inferior para conter a raiva – O Otávio é primo da Flaviana e nos convidou para jantar, mas ela não quis ir. E como eu não ia o deixar passar a ultima noite sozinho, nós dois fomos. As fotos não querem dizer nada, eu não estou namorando ninguém.

– Bom, mas se estivesse não seria ruim, não é? Você está na idade de se apaixonar, filha.

“Você não faz ideia, mãe.”

– Talvez... Não seria nada ruim encontrar o príncipe gato e rico dos meus sonhos. Mas não foi para isso que eu liguei na verdade. Eu queria dizer que eu vou aí amanhã, passar um tempo com a senhora e o Pedrinho. Tudo bem?

– Eu adoraria! E o Pedro também. Ele não para de falar de você, perguntar por você, me pede para ir te visitar.

– Ele é um fofo! Eu preciso desligar agora... Eu te amo, dona Vera.

– Eu também te amo.

Sofia desligou, mas ainda ficou um tempo olhando para o telefone sem conseguir disfarçar a alegria que sentia. Não tinha sido tão difícil, afinal. Ela só precisou dizer como se sente, como Raissa havia aconselhado. A cada momento que passava, ela gostava mais da orientadora.

– Era o namorado ao telefone?

– Oi? Namorado?

– O playboy milionário com quem você saiu e que te beijou na entrada do colégio.

– Ah... É isso! – Sofia fez de desentendida. Como era possível num minuto se sentir tão bem e no outro mudar só porque Benjamim aparecia a sua frente? – Ele não é meu namorado.

– Não? Curioso, já que seu grande objetivo na vida é encontrar um cara rico. O que aconteceu, seu charme não foi suficiente para ele se apaixonar por você? – Perguntou Ben com desdém. Sofia queria muito socar-lhe a cara, mas se manteve calma. Ele não merecia que ela perdesse a cabeça e fizesse uma cena em frente aos alunos que estavam na área externa do colégio.

– Bom, talvez eu deva corrigi-lo num ponto. Eu disse que o Otávio não é meu namorado, o que não significa que ele não venha a ser. Eu particularmente não tenho interesse em um compromisso tão sério, mas ele é tão persistente... Quem sabe o que o futuro nos reserva? Pois é Benjamim, não se preocupe, eu convidarei você para o casamento.

– Isso se ele não se der conta do tipo de pessoa que você é antes de subir ao altar!

– Ele já sabe, na verdade. E aceita cada detalhe meu, porque, olha que impressionante, ele tá pouco ligando para as coisas que você considera crimes hediondos. Ele é um amor, você deveria conhecê-lo... Se bem que não, de maneira nenhuma vou querer meu futuro maridinho sendo assediado por você sobre os motivos pelos quais eu sou uma péssima pessoa. E por falar em finais felizes, cadê a Anita? Ela te deu permissão para falar comigo ou minha irmã nem faz ideia do quanto você está interessado na minha vida amorosa? Cuidado, porque ela pode pensar o pior da gente hein? E ela tem razões para isso já que o nosso passado nos condena, por assim dizer.

Sofia soltou uma risadinha travessa enquanto bebericava o suco sem vontade. Qualquer coisa para não encará-lo e deixar escapar o quanto a proximidade dele mexia com ela. Benjamim era a sua cruz, e o namoro dele com Anita o seu calvário. Quando ela estaria livre de todas as penitencias?

– Mais alguma pergunta ou por hoje chega?

– Eu não sei por que eu ainda tento... – Ben lançou um olhar resignado à garota.

– Eu sei, mas não seria correto dizer em voz alta. Por isso, pode voltar para o lado da Anita e me deixar aqui, sozinha e carente, já que meu ‘namorado’ tá longe... Triste vida! Mas não me importaria se você quisesse relembrar os velhos tempos. Sabe, acho que eu me esqueci de como é bom beijar você!

– Atrapalho? – Sofia olhou para trás e deu de cara com Serguei e seu olhar intimidador. Ele havia escutado sua ultima frase e, pelo visto, achava que ela estava seduzindo o namorado da sua irmã: tão típico! – Ben, a Anita está te procurando! – Disse com uma voz neutra, sem tirar os olhos de Sofia.

– Você ouviu o cara, Ben: sua namorada te espera! – Debochou sentindo os olhos arderem com lágrimas – Eu já falei para a Anita que não é bom sufocar o namorado, mas ela não me escuta. Se eu fosse sua namorada eu não seria tão dependente. Mas cada um tem o amor próprio que acha que merece não é?

– Como se você soubesse o que é amor! – Ben cuspiu as palavras antes de dar meia volta por onde veio.

Sofia engoliu em seco o bolo que se formou na garganta enquanto segurava as lágrimas com esforço repetindo para si a promessa que havia feito de ‘nunca mais gostar tanto de alguém’. Certamente, ela só gostou ‘tanto’ dele e isso não significou nada, apenas dor.

– O que você queria com ele? – Perguntou Serguei tirando Sofia do torpor que as palavras de Ben a colocaram. Ela havia esquecido que o ruivo estava ali.

Notas finais
*-* Ai meu heart que é tão pequenino que não se contem com essas coisas. Serguei, Bentonto... A Sofia quase não tem sorte, né? Gostaram? 0/ Sugestões, criticas, elogios, tijoladas, aqui embaixo tem um espaço em branco para mandarem reviews e aquecer meu coração! Beijos e até a próxima que eu espero que seja logo! Mais beijocas 'praocês'!