Era Uma Outra Vez...
2 \"Encanto\"
Notas iniciais
– Sofia? – Ben acordou quando a garota entrou no seu ‘quarto garagem’ – O que tá fazendo aqui?
Ela não falou nada, apenas andou nas pontas dos pés para não fazer barulho e sentou-se na cama dele. Ben também sentou e a olhou acusador. O que ela queria àquela hora da noite? Ele ficou alerta para o que ela estava planejando indo no seu quarto durante a madrugada.
– O que você quer?
– O mesmo que você – Ela sorriu irônica e segurou no seu ombro. Ben sentiu um arrepio pelo toque da mão dela, mas não a impediu de prosseguir – Você queria me beijar, não queria? Pois aqui estou eu realizando o seu desejo. Acha que não percebi a forma como me olhou durante o jantar? A minha pobre irmãzinha nem notou que o namorado dela estava quase me devorando com olhos.
– Isso não é verdade! Eu amo a Anita, nunca que eu iria pensar em você dessa maneira.
– Não? Tem certeza disso, Ben? Então, prove.
– Sofia... – Ele a advertiu, mas ela não ligou para o tom de perigo dele. Continuou a tocá-lo nos ombros, as mãos escorregando pelo seu peito desnudo. Ben segurou seus braços, ela riu – Sofia!
– É Sofia pare ou Sofia continue?
Ben ficou sem reação. Ele não tinha uma resposta para a pergunta, e embora sua consciência dissesse para mandá-la embora, seu corpo pedia por Sofia. Ela sorriu da sua luta interna e o empurrou contra o colchão macio. Ben deixou-se ser dominado enquanto ela deitou sobre ele beijando sua boca.
– Seu coração está batendo rápido – Brincou sentindo o ritmo acelerado sob a mão.
Ele tentou resistir, mas era como se ela fosse uma feiticeira que o prendeu em seu encanto. Ele nunca tinha sentido isso por ninguém, nem com Anita, a quem ele jurava amar. Sofia era a ultima garota por quem esperou sentir aquele desejo avassalador. Perdendo qualquer razão, ele a apertou entre os braços procurando por sua boca, ávido por um beijo. Ben já havia a beijado uma vez, mas nada comparado ao que fazia agora. Ela se encaixava perfeitamente no seu corpo, como se fosse feita para estar ali.
– Você me quer.
– Quero – Balbuciou debilmente. Ele a queria mais do que qualquer coisa. Ele desejava tocar a pele de Sofia, beijar-lhe a boca, conhecer seu corpo. Ben queria fazê-la sua, ali, naquele momento. E saber que o pai, a madrasta, os irmãos e a namorada dormiam próximo de onde estavam não serviu para aplacar sua ânsia por ela – Quero você, Sofia.
Ele a puxou para o colchão e se pôs sobre ela. Sofia riu, extasiada, o que só aumentou sua paixão. Ele subiu a fina camisola que ela vestia e contemplou o corpo que vira mais cedo apenas de calcinha e sutiã. Ela era linda, mais que isso, Sofia era maravilhosa. Ele voltou a beija-la, depositando beijos pelo rosto, descendo pelo colo dela. Sofia segurou suas mãos e deu um selinho de leve nele.
– Benjamim... – Ela sorriu. Ben ficou confuso pelo ar de tristeza que havia no semblante da garota – Você é tão bom... Esqueceu que eu sou a irmã má? A sua princesa é a Anita. É com ela que você vai viver um conto de fadas.
– Não, eu quero você! Eu amo...
– Shhh... – Ela colocou dois dedos sobre os lábios dele – Não diga nada, Ben. Eu sou a bruxa. Príncipes ficam com as princesas nos finais felizes. Você vai ter o seu também, eu sei. É o que você merece. Eu vou ficar bem, acredite. É a sua história, o seu ‘Felizes para sempre’... Eu não pertenço ao seu sonho – Ela o beijou docemente. Foi um beijo carinhoso com gosto amargo que ficou gravado nele como brasa.
E como por um encanto ela desapareceu. Foi apenas uma ilusão, um sonho secreto que ele teve durante a noite sobre uma linda feiticeira.
Ben acordou, sem fôlego, puxando ar para os pulmões com dificuldade, sua mente e corpo atordoados. Estava completamente soado, o coração acelerado e a boca seca pelo o que havia vivenciado. Aquele certamente tinha sido o sonho mais intenso e impactante que já tinha tido na vida e foi justamente com ela: Sofia. A garota linda que ele tinha visto sentada no saguão de um hotel e que o surpreendeu de tantas formas. E por quem ele chegou a acreditar estar apaixonado. Ela, egoísta e fútil, com todas as características que detestava numa garota havia lhe roubado mais que uma noite de sono... Mas ele não queria refletir sobre isso. Se o fizesse, acabaria destruindo sua família.
– X –
– Acordem meninas!
– Só mais cinco minutos. – Gemeu Sofia se cobrindo com o lençol – Será que ninguém pode dormir nessa casa?
– Deixa de ser chata e levanta, Sofia! A gente tem escola e não pode se atrasar.
– AFF, esquece essa mala aí! Garanto como ela não vai fazer falta.
– E você vai ‘projeto de cantora’? – Rebateu Sofia – Cresce e aparece pirralha!
– Olha aqui, sua patricinha... – Giovanna foi ate ela, mas Anita se pôs entre as duas – Essa garota besta tá pensando que é quem?
– Gio, por favor, sem confusão logo de manhã! ‘Vamo’, a Sofia daqui a pouco desce.
As duas deixaram o quarto. Ainda morta de sono, Sofia foi ate o banheiro, lavou o rosto e escovou os dentes. De volta ao quarto, escolheu uma camisa de alfaiataria e uma calça jeans. Calçou uma bota de cano baixo, penteou o cabelo, fez uma maquiagem leve e desceu. Anita, Giovanna e Vitor já haviam saído.
– Anda, Sofia! Você vai se atrasar.
– Tá, tá... Eu só vou pegar minha apostila.
– Leva seu irmão ate a escola, por favor.
– Uhum.... Cadê ele?
– Tá lá no quintal. Pedro! – Chamou Vera ocupada em tirar a mesa. O menino apareceu ao lado de Ben. Sofia imaginou que ele tivesse acompanhado a irmã – AH... Aí está você! Vem, a Sofia vai te levar.
– O Ben também se ofereceu.
– Ótimo, vão os dois então! Depressa, antes que fique tarde.
Pedro correu ate a irmã e segurou a sua mão. Sofia ficou parada por alguns instantes, constrangida pela presença de Ben. O rapaz também estava afetado pela garota, ainda mais depois do sonho que teve noite passada.
– X –
– Cadê o namorado?
– Ele vem depois. Vim antes para adiantar um trabalho de classe.
– Hum... Estranhei, vocês estão sempre juntos – Observou Júlia. Anita sorriu, contrariada.
– Da forma que você fala até parece que eu vivo grudada nele!
– Não é isso amiga, mas é sempre bom deixar o parceiro ter um espaço. Sabe? Sentir um pouco de saudades.
– Bom dia, meninas!
– Bom dia, Serguei! – Cumprimentou Anita e Júlia ao mesmo tempo.
– Cadê o namorado?
– Até você, Serguei?! – Exclamou Anita revirando os olhos.
– X –
– Pedro! Não corre!
– Posso falar com você?
– Você já está falando, não tá? – Sofia desviou o olhar, constrangida. Suas bochechas estavam bastantes rosadas devido à proximidade dele. – O que foi Ben? O mundo tá entrando em guerra ou quê? Será quem nem na maldita escola eu tenho paz?!
– Hey, fica calma!
– Então, para de me encher com assuntos que não valem a pena! Você namora minha irmã, e mesmo que ninguém acredite, eu nunca faria nada para magoá-la. Me esquece e esquece o que rolou ontem. Eu já fiz isso.
– E seu eu não puder? E se eu não quiser?
– Você vai ter que querer... – Perto da entrada do colégio, ela apressou os passos – Pedro, eu já disse para você não correr! – Falou para o irmão que disparou ate a escola. Ela suspirou pesadamente quando ele sumiu dentro do lugar. – Eu vou contar para a mamãe!
– SOFIA! – Chamou Ben, andando atrás dela. Eles tinham muito que conversar e se ela pensava que ele a deixaria fugir novamente, ela estava muito enganada.
Sofia viu Ben vindo em sua direção e andou mais depressa, mas seu salto prendeu num buraco e a fez perder o equilíbrio. E ela teria caído no chão se não fosse os braços e corpo de Ben a ampará-la. Ben ergueu a garota e a abraçou, sem falar nada. E como na tarde anterior, seus olhares se encontraram.
– Você não devia estar fazendo isso.
– Fazendo o quê? Te impedindo de dar com a cara no chão?
– Você sabe do que eu estou falando.
– Sei?
Ele baixou o rosto ate o dela e a beijou. Foi um beijo leve e calmo no inicio, mas que se tornou voraz logo depois. Sofia teve que se segurar nele para não cair, seus joelhos momentaneamente fracos. Ben respirava com dificuldade, mas não pensava em largar a garota para trazer ar para os pulmões. Era um momento mágico onde só havia eles no mundo, e o resto das pessoas e dos problemas ficaram em outro plano. Sofia sucumbia ao magnetismo dele e Ben, por sua vez, buscava mais e mais por ela. Eles estavam tão envolvidos um no outro que não notaram a aproximação de uma terceira pessoa.
– Sofia?!
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