Era Uma Outra Vez...
3 MONSTRO!
Notas iniciais
– Larga o meu irmão, sua nojenta! – Gritou Giovanna puxando a loira pelos cabelos.
– OH, sua louca!
– Para, Giovanna! – Ben tirou a mais nova de cima de Sofia – Para com isso, agora!
– Para? Essa daí tava te beijando, o namorado da irmã dela, e você diz para eu ficar quieta?! AH... Mas não mesmo! Eu conheço muito bem essa patricinha, Ben! Ela quer te roubar da Anita porque ela é uma invejosa! Porque todo mundo gosta da Anita e ninguém vai com a cara dela!
– Como se por acaso eu me importasse com isso! Olha aqui sua anã de jardim, se você encostar em mim de novo eu te quebro a cara!
– SOFIA!
– Sofia o quê? Foi ela quem me atacou primeiro e se fizer de novo ela vai levar!
– Eu não vou sujar minhas mãos tocando em você, seu lixo! Eu vou é contar tudo para a Anita. Vou falar como a irmãzinha querida dela tava lhe metendo uns chifres!
– Giovanna, por favor, espera! – Interviu Ben sentindo-se mal ao pensar na decepção que causaria a Anita. Ele não podia permitir que ela soubesse pelos outros, ele mesmo teria que contar. – Você não pode fazer isso!
Sofia teria caído se o choque das palavras de Ben não a tivesse mantido estática onde estava. O pavor dele de que Giovanna contasse a Anita sobre o beijo era mais que evidente... O que só significava que ele não tinha interesse em acabar o relacionamento com sua irmã. Ele só quis brincar com ela, com seus sentimentos, e que era Anita quem ele amava. E era com quem ele ficaria no final. Ela riu fraco, tomada pelo desespero. No fim da história, todos a culpariam e isentariam ele de qualquer culpa. Ela era a criminosa, sempre foi.
– Faz isso, Giovanna! Assim você só facilitaria meu trabalho... Acha que minha irmã ficaria contra quem? Como você disse, eu sou a irmãzinha querida dela, a indefesa Sofia que foi coagida pelo Benjamim – Disse irônica, com um aperto na garganta – Pense no que minha mãe e o seu pai fariam se soubessem disso... No mínimo, seu irmão teria que voltar lá para o cafundós do Judas de onde ele nunca deveria ter saído! E eu ainda ficaria aqui e a Anita nunca me condenaria.
– Seu, seu... MONSTRO! – Gritou Giovanna temendo ter que se afastar do irmão mais velho – EU ODEIO VOCÊ!
– Háháhá... Acha que eu ligo para o que você sente por mim? – Sofia ria, sem humor. Ela sabia qual seria o desfecho e se podia evitá-lo, ela o faria... Mesmo que Ben nunca a perdoasse – Você é só uma criança idiota que não sabe nada da vida! Eu não tenho nada a perder, mas o Ben e você tem muita coisa... A ‘família feliz’ de vocês, por exemplo.
Ben olhava atônito para Sofia enquanto ela destilava o seu veneno contra sua irmã. Então, ela só queria estragar o que ele tinha com Anita? Ela não sentiu a ligação que ele sentiu ao beijá-la? No fim das contas, ela era tudo o que ele sabia. Sofia era uma pessoa horrível, e ele não poderia estar mais arrependido de ter sucumbido à atração que sentia por ela. Sofia era o que Giovanna disse... Um monstro sem nenhum sentimento e ele era um imbecil por ter traído Anita com ela.
– Chega, Giovanna! Nós já sabemos quem é a Sofia de verdade... Ela não merece que nós tenhamos nenhum sentimento por ela. Nem ódio nem amor, só indiferença. Uma pessoa que não tem caráter merece ficar sozinha.
– Você tem razão, Ben... Mas ela ainda vai me pagar por isso. Eu juro que vai!
Ben e a irmã seguiram para o colégio enquanto Sofia observava, arrasada por dentro. Ele não compreendeu que ela só quis protegê-lo, que se ela fosse a vilã Giovanna manteria segredo e ele não precisaria ir embora. Mas como todos os outros, ele só pensa o pior dela. E agora ela teria que conviver com o desprezo do cara que ela amava e que ama sua irmã. Sofia choraria se já não estivesse sangrando na alma.
– Eu amo você... Por alguma brincadeira idiota do destino, eu amo você Benjamim.
– X –
– Oi, Príncipe!
– Oi, Anita – Ben abraçou a namorada e sentou-se ao seu lado.
– Que cara é essa? Você parece preocupado.
– Não foi nada... São só uns lances que eu tenho pensado.
– É sobre a sua mãe? O Hernandez falou alguma coisa sobre o desaparecimento dela?
A mãe de Ben havia sumido há um mês e ele estava preocupado com isso, claro. Mas ele conhecia a mãe bem demais e sabia do seu temperamento difícil e embora lhe doesse, não podia mudá-la. Assim como ele não podia mudar Sofia... O sorriso de escárnio dela ainda estava muito vivo na sua mente e com Anita tão perto, ele só se sentia mais desprezível pelo o que fez a ela.
– Não... Mas pelo o que eu sei, minha mãe logo, logo aparece. Só espero que ela esteja bem.
– Ela vai estar, meu amor. Eu sei que sim. – Anita deu um selinho nele – Olha a Sofia. Sofia! – Chamou Anita. Sofia fingiu que não a escutou e seguiu para um lugar afastado dos demais alunos – Que esquisito, parece que ela me ignorou de propósito.
– Você já devia estar acostumada com a irmã que tem, Anita. A Sofia sempre foi desse jeito.
– O Serguei tem razão, amiga. Não sei por que você faz tanta questão de desculpar tudo o que ela te faz – Acrescentou Júlia. Os amigos de Anita não sabiam, mas ela tinha motivos para proteger Sofia. Ela sabia que a irmã não era má, apenas estava perdida na vida. E se um dia ela chegasse a descobrir o que ela sabia... Sofia sofreria muito. – Não acha que nós temos razão, Ben?
– O quê? – Distraído, Ben não escutou o que Júlia disse. Ele estava mais interessado em saber o que Sofia fazia nesse momento. Certamente, ela estaria se vangloriando por ter conseguido envolvê-lo mais cedo – Eu não te escutei.
– Sobre a Sofia... Não acha que a Anita a protege demais?
– É... Talvez vocês tenham razão.
– X –
– Oi, Sofia!
– O que você quer agora, Sidney? Vaza daqui!
– Que isso gatinha? Por que me trata tão mal? Eu gosto tanto de você.
– Mas acontece que eu não gosto de você. Por que não entende isso? Me deixa em paz, por favor!
– Se é isso o que você quer... – Sidney a olhou, magoado. Sofia detestava a marcação do garoto e sabia que facilitasse ele não largaria do seu pé – Se precisar de mim, é só dizer.
Ele a deixou e seguiu para perto do grupo de amigos. Sofia ficou novamente sozinha e se condenou por afastar a, talvez, única pessoa que ainda gostava dela. Ela não queria magoar Sidney, mas também não queria lhe dar falsas esperanças. Quanto mais cedo ele compreendesse que ela não o amava, melhor seria para os dois já que assim ele poderia encontrar quem o amasse de verdade.
Sofia olhou para a rodinha formada por Anita, Ben, Júlia e Serguei e pensou em se unir a eles, mas o que ela faria lá? Só Anita gostaria da sua presença, porque os demais não a suportam. E Benjamim, mais que todos, deveria odiá-la. Mas ela preferia o ódio dele a ter que pensar nele longe dela. Sofia era forte, ela já estava acostumada com o desprezo, e embora o dele a ferisse mais do que o dos outros, ela ia conseguir superar.
– Se você soubesse... Mas você não sabe.
– X –
POV Giovanna
Eu ainda não acredito que o meu irmão tava beijando aquela idiota da Sofia, cara! Como é possível que ele não tenha visto que ela só quer acabar com a nossa família? Aquela patricinha do caralho é baixa, capaz de tudo... Nem se importa com quem possa ferir. Em nenhum momento pensou na Anita ou no que ela sente pelo Ben. Eu odeio a Sofia, odeio, odeio, odeio! ODEIO aquele lixo de pessoa!
Voltei para casa depois da aula, meu sangue ainda fervendo nas veias. Mal notei o que o professor disse ou o que meus amigos falavam. Tudo o que pensei foi na cena patética do Ben beijando aquela cobra sem caráter. Não sei como ele não morreu envenenado com o veneno daquela naja... Cheguei antes de todo mundo e quando subia as escadas escutei vozes vindas do quarto do meu pai e da Vera. Me aproximei da porta entreaberta.
– Vera, meu amor, você não pode evitar que ela sofra. O que podemos fazer é apoiá-la e torcer para que ela veja a sorte que teve por ser adotada por uma mãe maravilhosa como você.
– É... Mas não é fácil. Ela é a minha filha, o bebê que eu segurei no colo e que amei desde o primeiro instante. Eu sei que deveria ter falado a verdade há muito tempo, mas é que tão duro. Sempre tive medo dela me rejeitar ou algo do tipo, a Sofia sempre foi minha bonequinha e eu a amo tanto – Vera começou a chorar. Levou um tempo para eu ligar os pontos, mas pelo o que eu entendi a cobra da Sofia não era filha da Vera e nem irmã da Anita! – Eu pedi para o Caetano vir aqui para falar com ela, mas não sei se vou ter coragem.
– Eu vou estar com você, amor. Eu vou te apoiar o tempo todo – Meu pai abraçou a Vera e a beijou, a reconfortando – A Sofia é parte dessa família tanto quanto qualquer um e não é uma gota de sangue que vai mudar isso.
– Obrigada, Ronaldo. Eu te amo tanto, obrigada por ser esse cara que você é.
Após a conversa, corri para o meu quarto com receio de ser descoberta. O que havia escutado era uma bomba prestes a explodir nas mãos e se eu fizesse bem o uso dela... Minha cabeça rodava com a informação de que Sofia é adota e não sabe que a Vera não é sua mãe. Mas isso é só questão de tempo já que minha madrasta pretendia falar a verdade... A não ser que alguém o faça primeiro. Aquela imbecil vai ter o que merece e eu terei imenso prazer em dar essa lição a ela. A Sofia vai aprender a não brincar com os sentimentos das pessoas.
POV Giovanna OFF
– X –
– SOFIA!
– Oi, Pedro! Bonito, hein? Hoje te pedi para me obedecer, mas você nem ligou – Repreendeu a loira o menino. Pedro sorriu derretendo o coração da irmã – Vem cá, pequeno – Ela o abraçou forte. Sofia amava o irmão e agradecia por tê-lo na sua vida.
– O que foi Sofia? Você parece triste.
– Não é nada, amor. Vamos para casa... Me dá a honra? – Ela estendeu o braço para ele. Pedro enganchou o próprio braço no dela e eles começaram a andar – Eu amo você.
– Eu sei e te amo também. Com todas as células do meu pequeno corpo.
– Awn... Meu pirralho inteligente! Você é tão fofo!
– Eu sou criança, estou condicionado a fofura. Espera só eu entrar na puberdade que todo esse carinho vai desaparecer.
– NUNCA! – Eles riram.
Logo Pedro e Sofia chegaram em casa. O menino correu para a cozinha e ela subiu para o quarto para trocar de roupa. Estava exausta, física e emocionalmente, e encontrar Giovanna não ajudou a melhorar seu estado. A loira ignorou a mais nova e foi ate o guarda roupa, mas pode sentir há todo momento o olhar de Giovanna sobre si.
– O que foi que tá me secando? Querida, beleza é uma coisa que se tem ou não, não se pega no ar. Então, me erra!
– É... Acho que vou ter que concordar com você. Mas me conta uma coisa, de quem você herdou toda essa ‘beleza’? Olhando bem você não se parece nem com a Vera nem com o Caetano. A Anita sim parece filha dos dois, você não.
– OI?! Tá maluca é? Desde quando a minha semelhança com a minha família é da tua conta mesmo?
– É, não é... A não ser se eles fossem realmente a sua família – Giovanna riu debochada, por essa a cobra não esperava – Eu sempre tive razão em dizer que você é um lixo... Tanto que foi de lá que a Vera te tirou!
– REPETE! Repete o que você disse se tiver coragem! – Esbravejou Sofia, mas Giovanna não se amedrontou – Por que tá falando isso? O que você sabe?!
– Sei que a Vera te adotou! Que nem sua mãe te quis e que se não fosse a Vera você estaria largada por aí. E sei também que você não merece o amor dela... Mas lógico que você não podia ser filha de uma pessoa maravilhosa como a vera nem irmã de uma garota legal como a Anita. Você fala tanto que não queria fazer parte dessa família, pois fique sabendo que você não faz! Você foi jogada fora, porque ninguém te queria... E olha que coincidência: Ninguém te quer!
Fale com o autor