Era Uma Outra Vez...

27 Como ela está?


Notas iniciais
Já falei que estou adorando postar tantos caps, tantas emoções... Bem, se você já chegou até aqui já deve ter notado que eu estou formando novos rumos, casais, experiências. Muita coisa ainda vai acontecer, mas enquanto isso vamos ao cap!

– Fala baixo, Flaviana! – Pediu Serguei ignorando a ira refletida no olhar da garota.

Sua preocupação agora, por incrível que pareça, era Sofia. Ela não mentiu, e ele estava aflito sem saber o que fazer enquanto a via chorar de dor. Serguei lembrava-se de Anita já ter dito que a irmã, às vezes, tinha crises de enxaquecas, mas ele nunca imaginou que seriam daquela forma. Erroneamente, julgou que tudo não passava de chantagem emocional da garota para conseguir alguma coisa da mãe ou pai. Curiosamente, ele pensou que talvez outros conceitos seus sobre ela também pudessem ser equivocados.

– O que você fez? – Indagou novamente Flaviana, mais contida, passando uma mão nos cabelos de Sofia.

– Nada... Ela disse que a cabeça doía e começou a chorar! – Falou Serguei ficando de pé. Quando que ele sonhou em ficar na posição de carrasco de Sofia?

– Droga, ela não devia ter vindo à escola! Ela reclamou de dor assim que acordou... – Flaviana olhou penalizada para o rosto da amiga. Estava pálido e molhado por lágrimas o que significava que a dor era insuportável, já que a conhecendo tão bem, Flaviana poria a mão no fogo como a loira jamais desabaria diante de Serguei ou outra pessoa.

– Não é melhor levar ela para um hospital, sei lá? – Opinou Sidney também preocupado.

– Não... É melhor a gente ir para casa. Ela tem um remédio receitado, mas se recusa a tomar porque a derruba por horas. – Explicou Flaviana – Ela acha que algumas aspirinas são suficientes, mas nem sempre funcionam. Só que ela raramente tem crises, acontece quando está muito nervosa ou de ressaca... O que nos leva de volta a pergunta: o que foi que você fez?

– Que tal a gente deixar as perguntas para uma outra hora e nos concentramos em tirá-la daqui? – Interviu Sidney lançado um olhar nada amistoso para Serguei. Porém, não era hora para discussões – Você consegue andar? – Perguntou com carinho para Sofia. Ela balbuciou um não quase inaudível.

– Ai, por que você não usa suas qualidades de homem das cavernas e a leva no colo? – Questionou Flaviana sem nenhum humor.

Apesar da rispidez, Sidney não rebateu o que ela disse, e seguindo a recomendação pegou Sofia no colo, passando os braços dela com cuidado em volta do seu pescoço. Sofia afundou o rosto no seu ombro e manteve os olhos fechados enquanto Sidney a levava para fora da cantina. Flaviana pegou a bolsa da amiga e os óculos e foi logo em seguida, mas não antes de olhar uma ultima vez para Serguei e dizer.

– Isso não acabou, OK?!

Serguei hesitou por alguns segundos indeciso entre em ir com eles ou permanecer onde estava. mas o que ele poderia fazer além de piorar a situação? Nada lhe tirava da cabeça que ele e seu ataque foram a razão pela qual Sofia ficou daquele jeito. Droga, porque ele não percebeu antes que ela não estava bem? Perguntou-se enquanto caminhava a passos lentos pelo corredor do colégio.

– X –

– Como ela está?

– Dormindo... E não vai acordar pelas próximas horas. – Informou Bernadete a Flaviana que esperava na sala ansiosa por noticias da amiga. Apesar da preocupação, não conseguiu fazer nada e deixou a cargo de Bernadete e de Soraia os cuidados com a loira – Ela tomou um banho, o remédio e se Deus quiser, não acorda tão cedo!

– Ai Bernadete não precisa falar assim! – Flaviana olhou torto para a namorada de Caetano que se sentiu penalizada.

– Ok, desculpa! É que eu não lido bem com doenças e o Caetano não atende o celular, não sei se ligo para a Vera ou não... Ai, eu não sei o que fazer!

– Seja adulta, oras! – Falou Flaviana – E quanto à tia Vera... Tudo o que a Sofia não ia querer nesse momento era a mãe preocupada ao lado da cama dela.

– A Sofia? Tem certeza que não tá falando da Anita? Ela sim se importa com a mãe!

– Será que nem agora você deixa essa sua preferência pela Anita de lado? – Indagou com raiva – Não me admira a Sofia não gostar nem um pouquinho de você. E quer saber, pelo visto, eu também não gosto! Eu não gosto de quem trata mal a minha amiga!

Tremendamente irritada, Flaviana seguiu para a porta e saiu do apartamento. Como era possível que a Bernadete fosse tão insensível daquele jeito? Como era possível que todos fossem? Será que nem quando Sofia precisava de carinho as pessoas não baixavam as armas? Perguntava-se ao fechar a porta.

– Ela vai ficar bem?

Flaviana surpreendeu-se com Sidney logo atrás dela. Apesar de ela ter o mandado embora, ele havia ficado esperando por noticias. Embora quisesse muito brigar com ele, não tinha forças para isso.

– Vai... – Flaviana suspirou pesadamente – Quando ela não fica? – Perguntou com os olhos marejados. Depois de tudo, ela é quem precisava de cuidados.

– E você? Vai ficar bem também? – Perguntou Sidney carinhoso notando os sinais de cansaço no rosto dela.

– O que é isso? Está preocupado comigo, tosco? – Brincou Flaviana enxugando uma lágrima que escorreu dos olhos azuis. Ela não era igual Sofia, ela era tremendamente emotiva e chorava por qualquer coisa, mas não chegava a ser uma ‘Anita chorona’ da vida.

– Por que a surpresa? – Ele deu de ombros – Você pode ser mandona e controladora, mas não é de ferro. Eu vi o quanto você estava preocupada com a ela.

– Eu sei... Você também estava e mesmo assim eu mandei você vazar. É que ela é minha amiga, a pessoa mais forte que eu conheço.

– E vê-la daquele jeito abalou sua crença nisso?

– Não! De jeito nenhum... – Garantiu – É que às vezes eu esqueço que ela é humana. E ela tem passado por tanta coisa... Acho que o que aconteceu foi resultado de tudo. Eu devia ter previsto, prestado mais atenção nela.

– Não é culpa sua, Flaviana.

– Não importa, eu sinto que é! Se eu tivesse feito mais, se aquele garçom psicopata não fosse tão cego ou se... – Flaviana perdeu a voz embargada pelas lágrimas. Ela sentia-se tão mal por Sofia que chegava a doer – Droga, será que é pedir demais que ele não a tratasse como lixo? Aquele idiota... Eu o odeio! – Completou antes de ser cair em pranto e ser imediatamente abraçada por Sidney.

– X –

– Você tem noticias da Sofia, Anita?

– Não mãe... Por quê?

– Eu ligo para o celular dela e nada, ninguém atende.! Hoje no colégio, você notou se ela estava com algum problema? – Perguntou Vera aflita.

A falta de comunicação com a menina e um aperto que ela sentia no coração não a permitiu se concentrar em nenhuma das suas tarefas do dia. Ela quase havia queimado um bolo, estragou parte do almoço e a cozinha estava uma bagunça, e ela não poderia fazer nada até falar com Sofia e certificar-se que sua filha estava bem. Coração de mãe não se engana e o seu dizia, não, gritava, que Sofia precisava dela.

– Mãe, fica calma! Não aconteceu nada. – Garantiu Anita tentando acalmar Vera. Após dar um abraço na mãe, ela foi até o quarto de Ben.

– Oi, Príncipe! – Falou dando um selinho nele.

– Oi! – Ben deixou o livro que lia de lado – Algum problema? – Perguntou ao notar a testa franzida de Anita.

– Não... Sim, não sei!

– Como assim? Vamos lá, me conta!

Anita respirou fundo soltando o ar devagar. Não queria conversar com Ben sobre Sofia, mas também não queria ver a mãe preocupada. Custava sua irmã atender o celular? Pensou com raiva.

– É a Sofia... A mamãe tá preocupada porque não consegue falar com ela.

– Não consegue?

– Sim... Ela já telefonou várias vezes, mas a minha irmãzinha tá dando um gelo nela. Eu não sei por que isso, já que ela deveria está muito agradecida por finalmente a mamãe ter realizado o seu sonho de viver na Barra.

– Talvez tenha acontecido alguma coisa...

– O quê? – Perguntou elevando o tom de voz – Uma liquidação importantíssima no shopping? Ou talvez ela esteja com o novo namorado rico em algum lugar exclusivo demais para pensar em nós, por isso se esqueceu de que tem uma mãe e que ela se preocupa.

Ben preferiu manter-se calado, embora tivesse que concordar com a namorada. Sofia devia estar muito ocupada com sua nova vida na Barra. O que ele esperava? Aquele sempre foi o objetivo dela, e agora que o havia alcançando, nem tão cedo ele a veria de novo. Não que ele quisesse, garantiu a si mesmo, ele só estava pensando em Vera e no quanto a sua madrasta deveria estar magoada com a insensibilidade da filha.

– Que tal a gente esquecer isso e namorar um pouco?

– Eu estava pensando exatamente nisso! – Falou Ben ao puxar Anita para a cama e começar depositar beijos leves pelo rosto dela.

– X –

– Então, foi isso... Você está me ouvindo Serguei?

– Eu estou, claro... Não, desculpa. O que foi que você falou?

– Ah... Esquece! – Falou Júlia exasperada – O que tá acontecendo com você, hein?

– Do que você tá falando? Eu estou normal!

– Não tá não! – Disse Vanessa, a assistente de Serguei interrompendo a conversa dos jovens – Há dias que ele está esquisito, e de ontem para hoje foi que piorou. Já errou duas tinturas, cortou o cabelo de uma cliente que não era para cortar e ela só não armou um escândalo porque adorou o resultado.

– Intrometida como sempre, não? – Disse Serguei fitando a funcionária repreensor – Acho que tá na hora de lavar o cabelo da cliente. Será que pode fazer isso, Vanessa?

– Além de esquisito, você está chaaato! – Reclamou a mulher voltando ao trabalho.

Júlia tinha ouvido mais do que precisava, e por isso puxou o amigo para um canto afastado e resolveu por toda aquela história em panos limpos.

– Eu não trabalho para você, por isso nem vem com ordens para cima de mim. Pode falar o que tá acontecendo! Você vive no mundo da lua, tá estranho, tratando as pessoas com rispidez... Você não é assim, Serguei.

– Eu sei... – Falou Serguei passando a mão pelos cabelos ruivos – Foi mal, é que eu não estou em mim mesmo.

– Isso é por causa da Sofia?

– De certa forma... – Admitiu desviando o olhar. “Como ela está?” Perguntou-se ao pensar na ultima vez que a viu. Todo o seu dia tinha sido terrível, porque ele apenas não conseguia apagar da cabeça a lembrança de Sofia frágil.

– De certa forma! – Repetiu Júlia com escárnio – Vai falar ou não o que ela te fez?

– Eu já disse Jujuba, é assunto meu.

– Ah... Claro! Desculpe-me se eu me preocupo com você, é que eu sou sua amiga há quanto tempo? Sei lá... A VIDA TODA!

– Calma, Julinha! – Pediu Serguei segurando a garota pelos ombros. Ela se desvencilhou dele e seguiu para a saída do salão.

– Esquece a minha promessa de não fazer nada!

– O que você vai fazer, Júlia? – Perguntou Serguei, mas Júlia já tinha ido embora.

– X –

POV Sofia

Eu abri meus olhos devagar enquanto ainda estava deitada na cama. O quarto estava na penumbra, só o abajur do lado estava aceso. Era noite, eu não tinha certeza, mas a casa estava silenciosa demais para não ser. Então, lembrei-me que eu não estava mais no Grajaú, e que diferente dos moradores do casarão, no apartamento do meu pai, as pessoas, com exceção da Bernadete, agiam com civilidade.

Levantei devagar, a camisola que eu não lembro ter vestido, grudada a meu corpo suado. Pus os pés para fora da cama tocando o chão frio. Estava meio zonza e enjoada, sentia como se tivessem passado com um trator sobre mim. Tateei com as mãos o caminho até o banheiro, esbarrando numa maldita poltrona ate chegar lá. Não estava tão escuro, mas não conseguia abrir os olhos completamente. Já lá, fui até a pia e lavei o rosto e me olhei no espelho. Deus, eu estava horrível! O cabelo em total desordem, o rosto branco como papel sem nenhuma maquiagem e gotas de suor escorriam pela minha testa. Se alguém me visse assim... Alguém quem? Não Ben, Otávio, Sidney, Antônio... ECA! Nunca aquele garoto! Só falta agora eu pensar no... Serguei! Serguei?! Ótimo, estou ficando louca!

Balancei a cabeça com força e resultado: tive uma vertigem! Segurei no balcão da pia até minha coordenação motora voltar o normal assim como meus pensamentos. Não me lembrava de nada, todo o dia tinha sido como um borrão, só recordava de Flaviana muito alegre, Otávio... Ele me beijou? Droga, ele me beijou! Será que tudo ainda pode ficar mais confuso? Me perguntei ao jogar um pouco de água no rosto, mas ainda não era o suficiente. Tirei a camisola e entrei no boxe do banheiro. Liguei o chuveiro e entrei embaixo sentindo a água lavar o corpo e o calor que sentia. Enquanto colocava xampu nos meus cabelos, repassei mentalmente o meu dia. Em pouco tempo, lembrei-me de tudo: Flaviana, Otávio, aulas chatas, água e aspirinas, e por fim, mas bem mais irritante... Serguei e seu arzinho de ‘dono da razão’. AFF... Esperar o quê do cara que é melhor amigo da Anita? A parte da enxaqueca eu preferia esquecer, mas como já tinha lembrado tudo mesmo foi impossível. Pelo menos não havia mais a dor lancinante. Nunca tive uma crise como aquela e a culpa foi daquele ruivo de farmácia... Ok, a cor é natural, mas ele ainda é um FDP! Como ele pode ameaçar contar a verdade sobre o Otávio? E como foi que ele descobriu? Essa era uma pergunta para a qual eu precisava encontrar uma resposta. E rápido, antes que o Serguei coloque tudo a perder. Agora, como eu vou fazer isso já é outra história.

Após o banho, voltei para o quarto enrolada numa toalha. Vesti um sutiã e uma calcinha-short, peguei o único pijama que tinha no closet. Sim eu tenho um pijama presente da Anita, aquela sonsa, mas que era o que eu precisava agora: conforto. Nada de camisolas extravagantes e curtinhas, até porque não tem ninguém por perto para eu seduzir. Vendo por esse ângulo, até que as peças não eram tão horrorosas. Infantis ao extremo, mas na verdade... Era até bonitinho o desenho do Bob esponja na camisa branca larga de mangas curta. A calça também era folgada, mas era gostosa de sentir na pele. O que não aliviava era a cor amarela. OK, nada de estresse Sofia! Você não quer ter dor de cabeça, não é? Certo, certo... Penteei os cabelos e os deixei soltos. Olhei no relógio e vi que já eram quase três da manhã. OK, dormi demais. Culpa do remédio, mas era isso ou morrer de dor. Descalça eu fui até a cozinha procurar alguma coisa para comer já que minha barriga roncava de fome. O problema de quando você passa muito tempo sem comer, é que quando você vai finalmente comer acaba colocando tudo para dentro. E foi exatamente isso que eu fiz com a fatia de lasanha que eu achei na geladeira e esquentei no micro-ondas, o pedaço de bolo de coco – Eu amo bolo de coco – a fatia de pizza, o copo de suco de maracujá e por fim, uma barra de chocolate que encontrei escondida na gaveta de talheres. Soraia com certeza vai me agradecer por eu livrá-la dessas calorias extras... Rsrsrsrs! No fim, estava satisfeita e sem nenhum peso na consciência. Eu merecia um dia de folga da dieta e das preocupações com o corpo. Atacar a geladeira à noite e comer tudo o que tem direito... Quem nunca?

Voltei para o quarto, escovei os dentes, deitei na cama e liguei a TV para ver o que passava de bom, mas nada atraiu minha atenção. Ainda um pouco sob o efeito do remédio, acabei adormecendo.

– X –

– OI!

– Oi, Flaviana!

– Porque não me esperou para vir pro colégio? – Questionou Flaviana sentando-se ao lado de Sofia.

– Meu pai me deu uma carona. Depois de ontem, ele queria ter certeza que eu estava bem e se por acaso eu desse um ‘piu’ ele me levaria para o hospital imediatamente. Olha que coisa linda que ele me deu! – Sofia mostrou a pulseira de ouro branco com a qual o pai havia a presenteado mais cedo – Ele disse que era um presente de boas vindas, mas como não falou comigo ontem, me deu hoje.

– E o que a Bernadete falou disso? – Perguntou Flaviana perspicaz já fazendo ideia da opinião da madrasta de Sofia.

– Adivinha! – Sofia revirou os olhos lembrando o incomodo de Bernadete – Falou que não era preciso, que todo mundo fica doente, que eu estava lá porque minha mãe não tinha controle sobre mim, que meu pai é muito complacente comigo... E blábláblá! Aposto que se fosse um presente para a queridinha dela, ela não teria dito um ‘ai’!

– Esquece aquela brega!

– Brega? O que foi que te deu, hein? Você nunca falou assim da Bernadete!

– Exatamente... Nunca acabou quando ela falou mal de você! – Explicou Flaviana – É um absurdo que sua mãe e seu pai já não a tenha posto no lugar dela. Ela se encaixa perfeitamente no papel de ‘madrasta má’ quando o assunto é você. Quando ela te comparou a Anita eu quase... Quase a mandei se fu... Tomar banho!

– Awn... MINHA DIVA! – Gritou Sofia abraçando a amiga e derrubando ambas no gramado. Flaviana e Sofia riram cúmplices e voltaram a sentar-se.

Após isso, Flaviana relatou à amiga tudo o que tinha se passado e confidenciou que Sidney tinha sido de muita ajuda e que jamais imaginou que fosse dizer isso, mas que foi bom ele estar com ela. O que a morena omitiu foi o abraço que ele havia dado nela e o quanto tinha sido estranho. Mesmo tendo o empurrado, instantes depois, e ido para a sua cobertura, ela não conseguiu tirar da mente o quanto ele tinha sido legal com ela. As pessoas raramente eram legais com ela sem esperar nada em troca, e saber que Sidney não se encaixava na categoria de ‘bajuladores’ não a agradava. Já tinha uma visão definida sobre ele: um perfeito tosco. E não estava afim de mudar nada sobre isso.

– E quanto à reunião das Micas? – Questionou Sofia por alto.

– Adiada até segunda ordem. Uma reunião sem você nada mais seria do que o encontro de um bando de garotas com dor de cotovelo e pouca experiência em praticar o mal.

– Isso é um elogio?

– Um grande elogio, fique sabendo. Você é ótima sendo má! Não sei por que quer apagar isso, mas sendo assim... Que tal hoje à noite na sua casa? Eu me encarrego de avisar as meninas.

– Certo... – Hesitou um instante antes de aceitar. Enfim, ela tinha prometido a Flaviana, era tarde demais para voltar atrás – O papai e a Bernadete têm um jantar importante com uns sócios dele hoje a noite, o que nos deixa com o apartamento livre.

O sinal que indicava o início das aulas tocou e as duas caminharam em direção à sala do 1º ano. Antes de chegar lá, Serguei parou na frente das duas.

– Posso falar com você? – Perguntou sem jeito fitando a loira. Sofia pensou em maneiras divertidas de mandá-lo pastar, mas ouviu a si mesma dizer sim.

– Sim... – Repetiu incerta de ter dito a resposta.

– Sofia! – Exclamou Flaviana – Um minuto, fofo! – Falou para Serguei antes de arrastar a amiga para longe do fluxo de alunos que seguiam para as salas – O que pensa que tá fazendo? – Perguntou irritada.

– Salvando as nossas peles! – Ela olhou em direção a Serguei – Olha, eu preciso ter um papo a sós com o seu ex-ficante, OK? Eu juro que tenho motivos, mas se isso for um problema... – Sofia fitou Flaviana maliciosa – Se você ainda gostar dele... – Insinuou vendo a morena corar.

– Não é nada disso!

– Não? – Pressionou com um sorriso cínico.

– Não, poxa! É, é que... Nós temos aula! Você não pode simplesmente sumir do nada. E se perguntarem por você?

– Você inventa uma desculpa... Cólicas, dor de cabeça. Você é boa nisso, lembra? – Flaviana não teve argumentos para rebater Sofia. E aproveitando-se da mudez da amiga, a loira deu um beijo no rosto de Flaviana e foi em direção a Serguei – Eu sabia que podia contar com você! – Disse para Flaviana antes de se afastar com o ruivo.

Notas finais
Gostaram? Criticas, sugestões, afagos... Existe um espaço aí embaixo para isso tudo! Bem, por hoje é só. Espero que tenham gostado. Ps: Tenho algumas más notícias. Primeiro, não tenho mais previsão de quando postarei mais caps. O que quer dizer que a Fic entrará em Hiatus indefinido. Não é que eu queira abandonar a história ou vocês, isso não, mas estou num momento da minha vida que eu preciso escolher as minhas prioridades. Espero que me entendam. Beijos e qualquer novidade me procura no twitter: @Hebe_LiDinha.