Era Uma Outra Vez...
28 Apaixonados?!
Notas iniciais
– Então, o que você quer? Não vai me dizer que me trouxe aqui para fazer um dueto, né? Sei lá, nunca me vi cantando, mas eu até que gosto... Que tal ‘Flaws’ do Bastille? Eu adoro essa música! – Debochou Sofia andando pelo estúdio de música vazio.
Ela não facilitaria em nada a vida dele, e se Serguei queria conversar, teria que ser segundo as regras dela. Serguei suspirou com cansaço antecipado pela batalha que seria ficar ao menos dez minutos perto daquela megera loira de olhos verdes. Ainda que os olhos fossem realmente lindos, pensou. Droga, por que nada era fácil em se tratando de Sofia? Por que ele tinha que deixá-la interferir em sua vida, em seus pensamentos? Tudo era mais simples quando ele a via apenas como a irmã invejosa da Anita. Era um papel que ela representava bem. Balançado a cabeça para espantar as dúvidas, ele fitou a loira e começou a falar.
– Sem piadinhas, por favor.
– Estamos sérios?
– Não, mas pelo visto você já está recuperada.
Sofia desviou o olhar de Serguei e focalizou um ponto qualquer, a ironia sendo esquecida. “Estou ótima, seu estúpido!” Disse para si mesma antes de sentar-se no pequeno palco que havia no local. Ela esticou as pernas e inclinou-se para trás apoiando o peso do corpo nos braços.
– Ontem... Foi um dia anormal. – Falou seca – Mas como eu disse antes... O que viemos fazer aqui?
– Conversar... – Falou ele indo sentar-se ao lado dela – O estúdio fica vazio há essa hora, e como você e eu deveríamos estar em nossas respectivas aulas, pelo menos, não corremos o risco de sermos pegos.
– Por que a preocupação? Não estamos fazendo nada demais... – Disse Sofia entediada – Ah, claro! Desculpe-me, esqueci que o simples fato de escapar de uma aula para pessoas como você é um pecado só reparável com o apedrejamento.
– Pessoas como eu?
– Os politicamente corretos... Vulgos, certinhos chatos pra caralho, cujo lema é “Abrace uma árvore e alimente um mendigo: Salve o mundo!”.
– Eu não sou assim! – Falou Serguei aumentando o tom de voz, o rosto assumindo um tom avermelhado. Ele não era assim, era? Questionou-se. Sofia caiu na gargalhada – Você tá tirando uma com a minha cara? – Ignorando sua indignação, Sofia continuou a rir, os olhos semicerrados e as mãos em volta da barriga.
Serguei a olhou exasperado enquanto ela se debatia entre risos em nada lembrando a figura frágil do dia anterior. Por um breve momento, ele começou a pensar o quanto ela era diferente. Todas as vezes que acreditava ter um conceito formado sobre ela, Sofia fazia ou dizia algo que derrubava por terra sua opinião, sempre se refazendo perante seus olhos. Era como se a cada encontro, ela fosse uma diferente ou todas ao mesmo tempo. Qual era a verdadeira ele não sabia dizer.
– Acabou? – Perguntou Serguei de braços cruzados enquanto a olhava de relance. Sofia endireitou o corpo, enxugou as lágrimas dos olhos e respirou fundo.
– Sim... Ok, prometo me controlar.
– Sobre ontem... – Começou ele de novo – Eu queria pedir desculpas.
– Você me pedindo desculpas?
– Por que a surpresa?
– Não... É que – Ela balançou a cabeça – Esquece. Tudo bem, se era só isso...
– Não... Sobre aquele outro assunto, você e o Otávio.
– Meu ‘romancezinho mentiroso’, segundo palavras suas.
– Isso... Não exatamente dessa maneira, que fique claro.
– Perfeitamente... – Falou Sofia ácida lançando um olhar de relance para Serguei – Não existe namoro ou ‘romancezinho’ – Admitiu com um suspiro – Não que seja da sua conta, mas acontece que isso vai muito além de mim e não é justo que a raiva que você sente de mim alcance outras pessoas.
– Raiva?
– Sim, raiva. Por qual outro motivo você iria ameaçar falar sobre o Otávio? – Perguntou mais para si mesma do que para ele – O que me deixa de mãos atadas – Continuou pensativa – Sim, ele é gay. Sim, eu sei. Sim, não é da sua conta. Ok... Mas ele e eu somos amigos. As fotos, o que ele fez não significam nada. Nada! Você não precisa usar isso para me atingir.
– É o que você acha que eu iria fazer?
– Seria o que eu faria se eu estivesse no seu lugar. Depois do que aconteceu com a irmã Carmem... – Por algum motivo, Sofia não conseguiu falar do beijo – Você devia estar uma fera comigo.
– Eu estou! Eu quase fui expulso!
– Por causa de um beijo? – Quase gritou para então se calar. Droga, ela não devia ter dito isso – A irmã Carmem é tão dramática quando quer.
– E bem intimidadora também! – Falou Serguei ao recorda-se de como a freira estava empenhada em vê-lo longe do colégio.
– Eu que sei! Uma vez ela mandou chamar minha mãe só porque eu estava com uma camiseta escrita “Aluga-se” sobre os meus... – Ela indicou o busto com as mãos – Ela disse que era um tipo de apologia a safadeza... – Falou Sofia revirando os olhos. Serguei riu e ela deu um tapinha no seu ombro com raiva, mas acabou rindo também.
Ele não era tão idiota, não tanto quanto era quando estava defendendo Anita das ‘suas maldades’. Sofia conhecia Serguei há anos, mas nunca foram próximos, porque entre eles existia a irmã, e como Sofia e Anita não eram as irmãs mais ligadas do mundo, ele teve que escolher um lado. Em outras palavras, ele foi fazer parte do ‘mundo cor de rosa’ de Anita.
Um silêncio se abateu sobre os dois depois que o riso acabou. Nem mesmo uma trégua dura para sempre, conclui Sofia com um suspiro. Ela sempre seria a ‘Irmonstra’ e ele sempre seria o melhor amigo de Anita. Não existia uma forma de eles serem amigos também. E afinal, quem disse que ela queria isso?
– Você não disse como descobriu sobre o Otávio. Não é como se estivesse escrito na testa dele a palavra “Gay”! – Sofia perdeu toda a alegria que tinha. Tudo o que queria era acabar logo com aquela conversa e se afastar dele.
– Ele é primo da Flaviana... – Falou Serguei alheio ao desconforto dela – Ela nos apresentou uma vez. Ele puxou papo comigo e eu falei sobre o que eu fazia, que era cabeleireiro e ele concluiu que eu fosse...
– Gay... – Completou Sofia compreendendo tudo.
– E me deu uma cantada quando a Flaviana se afastou.
– Você não foi rude com ele, foi? – Perguntou imediatamente. Serguei a olhou confuso. Que importância tinha isso?
– Não, lógico que não. Eu disse que não tinha nada contra, mas que eu era hetero. Ele ficou muito constrangido, evidente, e deu uma desculpa qualquer e foi embora.
– Imagino... Ele morre de medo que alguém descubra. Nem todos entendem, nem mesmo a família. Portanto, tudo o que foi dito aqui, morre aqui entendeu? – Disse muito séria ficando de pé – Já que acertamos esse assunto é melhor cada um ficar na sua. Não me leve a mal, mas você e eu sendo vistos por ai juntos é o tipo de situação que eu não desejo que se repita! – Terminou mantendo o olhar fixo num ponto sobre o ombro dele.
Serguei não falou nada e permaneceu parado quando ela pegou a bolsa que deixou largada ao lado dele. Curiosamente, ele tomou conhecimento da curta distancia que ela ficou durante exatos três segundos. Ele não soube dizer como, mas foi como se tivesse acontecido em câmera lenta, o cabelo dela caindo pelo rosto, o aroma do perfume que ela usava chegando até ele, o instante em que seus olhares se encontraram. Sua mente havia trabalhado muito rápido para guardar aqueles detalhes. Como se não soubesse o que acontecia, Sofia caminhou para a saída e Serguei a seguiu logo atrás numa distancia muito curta. Ao passar pela porta, ela parou abruptamente e ele acabou esbarrando nas suas costas tendo que segurá-la pela cintura com as duas mãos.
– Mas o quê... – Porém, antes que ele pudesse falar qualquer coisa ouviu a voz enérgica de uma terceira pessoa.
– O que vocês dois estavam fazendo dentro dessa sala?
– X –
– Como eu dizia... A história da guerra fria é mais complexa do que parece. Se por um lado, tanto Estados Unidos quanto União Soviética...
– Anita! – Chamou Júlia disfarçadamente enquanto o professor Virgilio dava sua aula de história – Você sabe onde tá o Serguei?
– Não... Por quê?
– Eu o deixei guardando umas apostilas no armário e vim para a sala. E ele disse que viria depois, mas até agora nada.
– Estranho... – Disse Anita fitando a amiga – Ele não é de se atrasar.
– Eu sei! Acontece que... – Júlia se interrompeu. Anita a olhou desconfiada a espera que continuasse.
– Acontece que o quê, Júlia? – Perguntou – Não é de hoje que eu noto que ele tá estranho, que se afastou de mim. Pensei que foi por causa do meu namoro, mas parece que tem mais nessa história, não é?
– Anita, esquece isso. Eu é que to vendo coisa onde não tem.
– Nada de esquecer, agora que começou: termina! O que é que você sabe que eu não sei?
– Bom... – Júlia suspirou culpada por quebrar a promessa que fez a Serguei, mas dizia a si mesma que era para o bem dele. Ele lhe perdoaria, garantia em silêncio embora não tivesse tanta certeza – Certo, eu sei de uma coisa.
– Por que eu to tendo um mau pressentimento? – Sussurrou a si mesma como se já soubesse a resposta da amiga. Júlia se aproximou mais da garota e inclinou a cabeça para que somente Anita ouvisse.
– Porque talvez você já saiba que tudo de ruim que acontece tem um dedo da sua irmã.
– Sofia... – Deixou escapar o nome pelos lábios.
– Algum problema meninas? – Questionou Virgilio interrompendo a explicação.
– Não! – Falou Anita corada sentido o olhar de Ben sobre si.
– X –
– Então, qual dos dois vai começar a falar?
– Irmã, não precisa disso... Não aconteceu nada demais!
– Nada demais? – Esbravejou irmã Carmem – Não é nada demais vocês terem fugido da aula para se encontrarem furtivamente no estúdio de música? Não é nada demais eu flagrá-los saindo de lá juntos, sendo que há dois dias a senhorita mesmo acusava o seu colega de tê-la beijada a força? Por Deus!
– Isso é loucura! – Exclamou Sofia perdendo a paciência.
– Melhor você se controlar... – Murmurou Serguei para a garota que o fitou irada.
A culpa de eles estarem levando sermão da chata da Carmem era dele. Ele quem teve a brilhante ideia de conversar no estúdio, ele, ele e ele era o único que tinha que responder por qualquer coisa. Será que ele não previu que a freira era uma intrometida que fazia inspeção por todas as salas vazias a procura de casais de namorados? Droga, eles nem se encaixavam na categoria casal!
– Ok... Irmã, não aconteceu nada! – Retomou a explicação – Ele passou mal – Disse a primeira coisa que veio a cabeça – Eu parei para socorrê-lo e só! Eu devia ser parabenizada, não repreendida por isso!
– Passou mal? – Perguntou a mulher desconfiada.
– Sim! – Falou Sofia!
– Não! – Respondeu Serguei. Eles se entreolharam numa forma de encontrar uma saída.
– Sim ou não? – Questionou a freira no limite da paciência.
– Não... – Falou Sofia após uma pausa – A senhora está certa irmã, o Serguei não passou mal, assim como, ele também não me beijou a força.
– Não? – A irmã a encarou descrente.
– Sim! – Falou Serguei surpreso – Quer dizer... Não! Eu disse, eu não a beijei.
– Você me beijou sim! – Disse Sofia o fuzilando com o olhar. Como assim não a beijou? Voltando-se para irmã, ela pôs no rosto a melhor expressão inocente que tinha – Só que não contra a minha vontade.
– Quer dizer que você mentiu? Sabe o que isso pode lhe render Sofia?
– Espera irmã, também não foi assim... – Interviu Serguei sem saber direito qual a intenção de Sofia. Ela não estava com peso na consciência estava? Certamente choveria canivetes em sua cabeça se a resposta fosse sim.
Sofia fitou Serguei sem entender a tentativa de livrá-la de uma repreensão ainda maior por parte da ‘mala sem alça’ da irmã Carmem. Desde quando ele virou seu protetor? Com os olhos marejados ela encarou a irmã e pôs em prática a ideia surgida no calor do momento para tentar amenizar a situação. Serguei a mataria, mas se desse certo, pelo menos, ela não morreria expulsa. E daria certo, ela sabia que sim.
– Não Serguei, por favor – Pediu segurando em seu braço cravando as unhas com força num claro sinal de que era para ele calar a maldita boca – A irmã tem razão, a culpa é só minha... – Ela olhou para cima e fungou emocionada – É que é tão difícil, sabe... Ninguém faz ideia e já faz tanto tempo que isso tá me sufocando... – Ela tremeu a voz propositadamente – Desculpa, desculpa!
– Oh, criança... – Abrandou-se a mulher condoída com a tristeza da menina – Não pode ser tão grave, não é? Pode falar qual o problema. É sobre seus pais? Alguma doença na família?
“Isso não está acontecendo!” Pensou Serguei olhando para Sofia e em seguida para a irmã Carmem voltando a fitar Sofia e o seu choro falso. Ou ele estava tenho um sonho muito estranho ou aquilo estava realmente acontecendo, e por hora Serguei não saberia dizer nada sobre a cena bizarra que ocorria na sua frente.
– Eu não posso! – Falou Sofia pondo o rosto entre as mãos.
– Sofia, o que você pensa que tá fazendo? – Perguntou ele perturbado pressentido que nada de bom viria a seguir. Ela voltou a olhá-lo e por um breve momento, ele viu um brilho de ironia passar por seus olhos.
– Falando a verdade... – Ela sorriu com graça adorando cada segundo. Flaviana estava certa quando disse que ela era ótima sendo má – E a verdade é que eu sou apaixonada por você.
– X –
– O que você e a Júlia tanto falavam durante a aula?
– Nada, Príncipe! Err... – Anita pigarreou – É que amanhã é aniversário dela e ela falou que não queria uma festa, mas eu não concordo. Eu pensei em pedir para a mamãe fazer um bolo e a gente comemorar lá em casa, só com as pessoas mais próximas.
– É uma boa ideia... Vai convidar a Sofia? – A pergunta saiu sem querer e Ben se recriminou por isso – Quer dizer, seria uma boa chance para a sua mãe passar um tempo com ela, não?
– Sim... – Concordou triste por ele ter tocado no nome da irmã. Seu namoro não estava sendo nada do que ela esperava. Ben prometeu um recomeço, mas eles ainda estavam presos a Sofia e tudo o que ela representou – Talvez eu a convide, mas não acho que ela aceite participar de uma festinha no Grajaú. Agora com toda essa confusão de morar na Barra, o suposto namorado... Duvido muito que ela perca o seu precioso tempo conosco. – Ela levantou uma das mãos e ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha. Então tentou sorrir sem muito sucesso.
– Nunca se sabe.
– É... – Anita pensou nas palavras que ele usou – Nunca se sabe! – Repetiu com um gosto amargo na boca.
Suas certezas começavam a ruir e mais duvidas surgiam em sua cabeça. Eram questões que a mantinha acordada durante as ultimas noites, minando até sua capacidade de concentração nos estudos e nos planos que havia feito para o futuro. E como Anita não estava disposta a esquecer, ela era lembrada constantemente de que tinha de fazer uma escolha... Logo. Decidir entre ser magoada ou superar um sentimento tão forte que fazia seu coração se apertar. É, ela não imaginou que recomeçar seria tão doloroso.
– Então, qual é mesmo a sua dúvida? – Mudou de assunto rapidamente. Já podia sentir as lágrimas ameaçando cair assim como o amor que ela sentia ameaçava ir embora.
“Por que Ben? Por que a Sofia quer tirar você de mim?”
– X –
– Apaixonada?
Sofia se recompôs antes de enfrentar o olhar fixo de Serguei. “Maravilha!” Ironizou mentalmente sem acreditar que ela tinha dito aquilo. Mas o que ele queria? Melhor, o que ela esperava com aquilo? Ela já tinha tido ideias loucas, muitas sem nexo, mas essa era de longe a mais surreal de todas. “Ok, talvez eu tenha exagerando...” Sofia admitiu sem conseguir manter mais a postura de antes. Ela estava realmente numa enrascada e era melhor ela virar aquele jogo antes que sua consciência pusesse tudo a perder. Consciência... Desde quando ela sabia o que era isso?
– Eu sei que é confuso...
– Confuso? – Ironizou Serguei com uma sobrancelha arqueada. Droga, ele estava adorando aquilo!
– Confuso. É, essa é a palavra: confuso! – Sofia mirou a irmã Carmem que a fitava surpresa e muda, algo raro de se acontecer – Foi por isso que eu o beijei. Mas eu estava com raiva e fiz parecer que ele tinha me forçado. Ele é um galinha irmã, essa é que é a verdade!
– Galinha? – A Freira aprumou o corpo e elevou o queixo – E você mentiu, acusou o rapaz por ele ser um ‘galinha’?
– Que coisa feia Sofia! – Falou Serguei sarcástico. Ela deu uma cotovelada nas costelas dele. Ele queria brincar? Ótimo, ela ia brincar junto!
– Galinha sim! Irmã... – Ela choramingou manhosa – Ele sabe que eu gosto dele, que eu sou apaixonada há anos por ele e sabe o que esse garoto fez? Ficou com a minha melhor amiga! Acredita?! E ainda teve a cara de pau de dizer que a culpa é minha, porque eu sou melosa e grudenta... – Sofia fez um biquinho – E agora ele disse que ama minha irmã, sendo que ela tem namorado e que ele e eu, bem, nos envolvemos. Ele é um galinha, cafajeste, mas eu não posso evitar... Eu o amo! – Sofia abanou o rosto com as mãos – Isso é tão ruim! Se pelo menos ele me entendesse... Era isso que a gente tava fazendo na sala: conversando! Já que no colégio ele não pode fugir de mim. E eu dei um ultimato: ou ele muda ou acabou! Eu sei que foi errado, mas eu já fui tão humilhada que se alguém nos visse discutindo, eu nem sei se suportaria... – Lamentou-se.
– Não tem vergonha de tratar a sua namorada assim, Serguei? – A freira estava quase à beira das lágrimas devido à atuação de Sofia.
Serguei não sabia se ria ou chorava, se esganava o pescoço da garota agora ou se devia esperar para quando não houvesse testemunhas. Sofia tinha feito um ótimo trabalho bancando a ‘namorada traída’ e o pintando como o maior cafajeste de todos. E agora a irmã Carmem ia massacra-lo por um código estúpido de união feminina que devia valer até para freiras quarentonas e garotas do ensino médio. Ele, um pobre homem, seria arrasado pelas duas. A não ser que ele jogasse a seu favor.
– Tem razão... – Falou pegando a loira de surpresa – Eu sinto muito Sofia. Eu fiz tudo errado, mas é porque eu não sabia como admitir para mim mesmo que a garota mais linda do mundo podia gostar de mim... – Serguei deu um sorriso de canto de boca enquanto Sofia corava até a raiz dos cabelos – De hoje em diante eu prometo que nunca mais você vai ter motivos para duvidar do que eu sinto. É uma promessa que eu faço diante de você e tem a senhora por testemunha, irmã! – Ele segurou uma das mãos de Sofia e elevou até a sua boca depositando um beijo sobre ela. A menina o fitou espantada sem saber o que dizer desconfiando que estivesse dormindo e que aquele era o pesadelo mais aterrorizante que já teve – Eu peço, por favor, uma nova chance para provar o quanto eu gosto de você! – Completou antes de dar um selinho nela.
E por algum motivo que ela não compreendeu o pesadelo não acabou.
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