Equilibrium

47 Capítulo 47 - A Quebra


Uma das máximas da ciência é que sobrevive quem melhor se adaptar ao meio. E até em universos onde existem deuses, pássaros gigantes e defuntos andando por aí, essa regra é verdade.

Muita gente diz que inteligência é tirar notas altas, ser bom em matemática ou saber lidar com as pessoas. Mas a inteligência de verdade é saber usar os recursos que tem para se virar nas situações mais improváveis.

E lá estava eu, ajoelhada no meio de areia constituída de ossos de trouxas, depois de todo aquele esforço. Tudo aquilo para nada. Tínhamos acabado de realizar o feito histórico do milênio dos descentes de deuses e para que aquilo nos servia? Para nada.

Sem a segunda adaga, sem o maldito colar, com Trivia andando por aí com um exército.

Vamos morrer, Vanessa pensou.

Sim, e deixar essa vaca ronronando de satisfação igual um gatinho, com tudo o que ela quer.

Obviamente, era um cenário que eu não podia permitir. Então, ali, totalmente desiludida, mortal, sem poderes e totalmente quebrada, comecei a ter uma ideia. Torci o pingente do meu colar, feita de uma vértebra de um deus. Não iria ser uma semideusa que iria acabar comigo.

— Vanessa, querida – falei – Vamos chegar na entrada da balança antes dela.

O que não seria muito difícil, contando que ela estava indo a pé com um exército em marcha e Vanesa conseguia jatinhos facilmente. Enfim, a mesma história do Montanha e do cara de Dorne, nunca demore demais pra fazer uma coisa.



4 horas antes da Quebra:



A verdade é que eu esperava um monumento de ouro, alguma pirâmide estrondosa ou templo de arquitetura grega. Mas a entrada para a Balança, que gerenciava os portais entre as dimensões e gerava tanto inferno entre os primordiais, era modesta. Um templinho meia boca, eu diria.

Era feito de grandes blocos de organizados em círculos e pontuados por grandes pilares de cerca de uns cinco metros de altura. Ocasionalmente, tinha algumas estátuas de animais em calcário e desenhos em alto relevo nas pedras. Uma cobra dando voltas em si mesma (o primeiro ouroboros?), uma raposa, lobos, jaguares. Me afastei ligeiramente da parede quando encontrei algo parecido com um crânio coroado.

Inicialmente, pensei: uai, que coisa louca, o treco são pedras a céu aberto, pra quê precisa de adagas pra abrir a porta? Que porta?

Então, no centro dos círculos, havia uma escada entrando no meio do solo. Era escuro demais pra ver, mas em algum ponto devia ter uma porta. O que me preocupava era que as escadas tinham a mesma textura de osso que o meu pingente.

Alguma coisa bem grande morreu aqui, pensei.

Se eu fosse esperta de verdade, esse pensamento devia acender todos os meus sinais vermelhos e eu iria matar Trivia e dar no pé, deixando os deuses com as encrencas deles. Mas não, meu ladinho pragmático pensou: Ah, já tá morto mesmo, que se dane.

Enquanto Alec arrumava as coisas, fiquei estudando as paredes, tentando imaginar de onde vinha aquela arquitetura. Parecia muito mais antiga que a egípcia. Praticamente pré-histórica? Me lembrei de ter visto alguma coisa parecida em algum site sobre a Turquia, acho.

Uma hora, vi um mural e comecei a ter um déjà vu. O mesmo crânio coroado, algo alado de um lado e algo lupino de outro. Abaixo desses desenhos, uma serpente caída. Porém, só comecei a ficar preocupada quando me aproximei e vi que a coisa lupina (uma raposa, um lobo, um cão?) tinha os olhos tingidos com tintura vermelha.



3 horas antes da Quebra



Outra coisa sobre aquele local: Me fazia ficar profundamente filosófica. O primeiro portal que atravessei, meu primeiro contato com magia, era em uma queda do topo de rochas para o mar. Lá, perto da entrada para a Balança, também tinha rochedos. E eles pareciam tão malditamente iguais que me fazia pensar se não existiam lugares gêmeos entre as dimensões.

É claro, eu ficaria mais filosófica se Vanessa não estivesse na ponta de um dos rochedos, pensando em pular.

Vocês sabem que tenho um lado maligno. Ele tava gritando: para de enrolar e pula logo, porta, não me faz perder meu tempo. Só que tinha aquele probleminha básico, se ela morresse, eu ia junto.

Me arrependi de não ter trazido Idia comigo, pensei que talvez ela pulasse de vez quando predisse que iria fazer Idia prender ela no chão.

Me sentei do lado da criatura, que estava encarando o oceano abaixo. O cabelo vermelho dela estava flutuando no vento forte, e ela olhava para o mar igual uma Andrômeda esperando um monstro marinho. Parecia uma cena muito dramática. Puxei um pacote de amendoim do bolso e comecei a comer, fazendo o máximo de estralo possível, só pra arruinar a cena dela.

— Fraca – Zombei.

Não tinha como tentar ser suave, ela sabia o que se passava na minha mente. Aliás, esse era o problema, assim que ela leu um pensamento em particular, Vanessa correu para um penhasco.

— Não ouse falar comigo.

— Se vou morrer por causa do suicídio de uma idiota, posso muito bem conversar com vossa majestade antes.

Ofereci o saco de amendoim pra ela.

— Servida?

Ela recusou. Provavelmente não queria chegar com casca de amendoim no pós-vida.

— Vai mesmo fazer isso? – questionei – Se matar antes dos 20 por causa de lendas?

— Você dirá que são lendas porque é um cenário mais conveniente para você.

Passei a mão pelo cabelo.

— Por tudo que é sagrado, isso ocorreu há milênios atrás. As histórias exageram tudo, só tem praticamente relatos orais disso e algumas pinturas por aí. Ninguém tem certeza de porra nenhuma e o lado vencedor sempre escreve a história a sua maneira.

Vanessa me encarou e naquele momento, pude ver pela mente dela exatamente como ela me enxergava: Uma garota aparentemente indefesa, mas meus olhos tinham um brilho vermelho toda vez que o sol incidia no ângulo certo. O monstro do mar tentando ludibriar a Andrômeda para pular em algo bem pior que o oceano.

Sorri, mostrando meus dentes afiados.

— Meu nome vai ficar gravado na história porque impedi você.

Não resisti, acabei rindo.

— E vai continuar morta, do mesmo jeito. Bom, pela lógica nórdica, para um Valhala você não vai. Na grega, talvez dê para garantir um Elísios – olhei bem nos olhos dela – Com tantas versões sobre pós-vida, será que uma está certa? Ou será que você vai virar só pó?

Estava aí, a primeira vacilada. Todo ser vivo tem medo da morte, não importa quanta fé tenha em algo, quando o avião começa a cair, geral grita.

— E se ninguém souber? Nada de reverências e marcação na história. Você pode voltar correndo para conta para o seu irmão, vou dizer que tantos portais afetou sua cabeça e vou fazer mamãe te prender em algum lugar onde você seja inofensiva para mim.

Era baixo? Ah, era. Mas você apela para tudo quando o risco da morte é iminente.

Então, dei minha última cartada.

— Ele vai ficar feliz e impune enquanto você vira comida de peixe. Provavelmente vai estourar champagne. Os juízes continuarão lá. Me diga, Vanessa, eu sou pior do que eles?

No fim, ela não pula.



2 horas antes da Quebra



Eu fiquei sozinha, olhando as ondas se quebrarem nas rochas. Depois da raiva inicial, comecei a fica triste. Vanessa me conhecia desde que éramos crianças e iria pular de um penhasco porque acreditava que eu era um monstro. Iria se matar para garantir minha morte.

Acho que me magoava um pouco.

Posso dizer com certeza que nunca fui a criatura mais santa do mundo. Mas um monstro? Talvez todas as pessoas tenham potencial para virarem um quando a situação exija. Em algum momento, a Christine que ficou horrorizada vendo um garoto sendo torturado virou a Christine que estava planejando um homicídio em massa.

O mais pasmante é que eu não sabia definir quando exatamente essa mudança ocorreu. Provavelmente quando a necessidade de sobreviver gritou mais alto que a moral.

Em algum momento, Alec sentou do meu lado. Quase dei um pulo e cai nas rochas, maldita criatura sorrateira.

— Como você está?

— Cardiacamente bem, creio.

Ele estreitou os olhos, me observando pensativamente. Raspei a ponta das unhas nas rochas, desconfortável em estar sendo analisada.

— Você está me encarando como se eu estivesse a ponto de surtar.

— Você está? – Ele deu um sorriso de lado.

Depois de tudo, não seria agora.

— Estou conformada. Isso dá certo ou eu morro e c'est la vie. Você já fez sua parte, devia estar correndo igual o papa-léguas para longe daqui.

Alexander se esticou igual um lagarto tomando sol nas rochas.

— Já parou para pensar que eu gostaria de enfrentar Trivia em campo aberto?

Eu comecei a rir igual uma hiena. Senti dó de Alec, ele não sabia de nada.

— Não sei se seria sábio. Tenho certeza que ela é muito mais esperta que você – suspirei.

— Consigo incinerar até almas, meu anjo.

Particularmente, acho que não tinha sobrado nada muito angelical em mim naquela altura do campeonato.

— Acho que ouvi dizer que ela era resistente a poderes de outros descendentes de deuses.

Ele fez um gesto de desdém com a mão.

— Nah, essa era Diana.

— Ah – falei.

Ele ficou quieto por um tempo, provavelmente cogitando se tocou em um assunto sensível.

— Você está bem, realmente? – ele me encarou de novo.

Cogitei falar a verdade: Não, estou me sentindo malditamente sozinha. Acabei de abrir de abrir do golpe de morte de Trivia porque era o mais racional e benéfico para todos. Minha queridissima mãe me vê como uma peça em um tabuleiro de xadrez. Layla está morta. Sua irmã quer me matar porque está convicta que sou um monstro. Vou passar o resto da minha vida fingindo ser o que não sou e vou rezar toda noite para o nada pedindo para que ninguém descubra e me mande para uma guilhotina. Mesmo que tudo isso acabe hoje, um machado sempre vai ficar pairando na minha cabeça. Eu não posso confiar em ninguém. Estou absolutamente sozinha no mundo, ninguém me vê como um ser humano ou me ama, sou apenas ferramenta útil por enquanto.

— Estou ok.

Ele não parecia minimamente convencido.

— Estou te enchendo o saco, né? – A criatura teve a decência de perguntar.

— Aham.

Eu sempre fui sincera.

Ele começou a se levantar para ir embora e finalmente me deixar refletindo em paz.

— Alec? – Chamei quando ele estava se virando.

— Sim?

— Promete que não vai decidir me trair e enfiar uma faca na minha garganta daqui uns tempos? – perguntei.

O que era uma pergunta bem tosca, o meu lado racional me dizia que seria exatamente isso que ele tentaria fazer daqui uns anos e minhas tentativas de burlar uma profecia iriam ir para o ralo.

— Prometo – e ele se abaixar para dar um beijo na minha bochecha.

Por dois segundos, me sinto até melhor, com os lábios dele pressionados contra minha pele. Depois, começo a me lembrar que alguns traidores costumam beijar antes de dar o bote.

E como sempre, toda a sensação agradável se esvai.



1 hora antes da Quebra

Fiquei sentada na entrada do templo, só esperando, com meus protetores de ouvido posicionados. Alec, de alguma forma, conseguiu se empoleirar em um dos blocos de pedra e ficava balançando os pés toda hora. Deuses, como eu estava feliz pelos protetores de ouvido. Mas eu era a última pessoa com moral para julgar a manifestação da ansiedade de alguém, visto que arranquei a grama de todo o meu redor pela raiz e comecei a picotar com as unhas.

Por alguns instantes, comecei a lembrar de um exercício em uma competição de biologia. Nele, tinha que macerar algumas plantas e depois colocar uma coluna de um papel específico que separava a clorofila de outros corantes da folha. Como eu tinha saudades daquela época.

E meu momento nostálgico foi cortado lindamente quando o exército de Trivia começou a surgir no horizonte. Voltei a me sentir como antes: amargurada, frustrada e um pouquinho ansiosa e assustada. Se desse errado, eu estaria morta. Uma morte lenta e agonizante.

Ela estava liderando a frente do exército em um cavalo cinza escuro, quase preto. Eu sabia que aquela mulher era ela por causa da coroa prateada e a lua na armadura. Olhei para Alec, tentando decidir se ele havia percebido algo, mas ele permanecia com a mesma expressão impassível. Observei a forma original dela: pele negra, olhos prateados e um cabelo com mechas grisalhas que contrastava com o rosto jovem. Uma parte de mim admirava a coragem de ir na frente de todos, sem nenhum medo de armadilhas.

A aparência dela mudou em pouco tempo. Assim que me viu, ela mudou para a aparência de Layla.

Cravei minhas unhas na palma da minha mão e aguardei.

E aguardei.

No momento que ela e o exército estavam no ponto certo, ergui minha mão – O sinal que eu e Alec combinamos, já que falar não adiantaria por causa dos protetores auditivos. Observei os dedos dele apertarem o botão – O golpe de morte que era meu direito. Tentei não deixar o rancor me comer viva – e logo em seguida, a explosão.

Em um segundo, havia um exército. E no outro, só chamas, carne carbonizada e destroços.

Tinha dado certo. Quando vi que o colar não estava lá, fiquei desesperada. Uma hora, o desespero passou e reparei nas bombas programadas feitas por descendentes de Hefesto e trazidas em uma tentativa de derrubar o domo. Os donos já estavam mortos, que mal faria tentar? Ela estava trazendo um exército, não foi difícil chegar antes dela.

E então, deixei Alec controlar os explosivos. Forçar a profecia que ele mataria uma rainha para que a rainha não fosse eu. Um meio de evitar passar o resto da minha vida traçando meios de arrancar a cabeça dele. E evitar o choro de Vanessa pela eternidade também. E como podem ver, eu ainda era o monstro.

Me estiquei no chão gramado e olhei para o céu. Me permiti alguns minutos para me sentir aliviada.

Ela está morta. Morta. Carvão, pensei.

Não me senti consolada. Eu queria e esperava mais. Queria estralhaçar ela, torturar, arrancar as unhas fora e então os dedos… Não queria matar ela à distância, queria algo memorável e que doesse muito, que me fizesse sentir vingada. E nem fui que apertei o botão. Era frustrante, nem parecia que ela estava morta mesmo.

— Você está bem? – vi Alec pairando sobre mim.

— O que está acontecendo com você para ficar só fazendo perguntas idiotas hoje?

Era óbvio que eu não estava bem. Gritantemente óbvio.

— Vou te deixar em paz e procurar a adaga lá – Lá, no caso, se referia no meio dos destroços da explosão, um aglomerado de carne carbonizada, chamas e metais – Você não está bem. Não fez nenhuma piadinha sobre cheiro de galinha queimada.

Cobri meus olhos com meu braço.

— Estou sem criatividade.

— Vou tentar trazer o crânio dela de presente para você.

Sorri.

— Se você achar.

Talvez eu deixasse de enfeite na minha prateleira ou fizesse uma taça – revestida com metal na parte onde ficaria líquidos, é claro, não sou um monstro nojento. Seria meio brega, mas consolador. Um lembrete que ela estava morta e não voltaria atrás de mim.



Alguns minutos antes da Quebra.

Fiquei deitada no chão por tanto tempo que acabei cochilando. Quando senti uma presença perto de mim, acordei em um pulo e quase acertei o pobre Alec com um soco.

Ele estava fedendo horrivelmente –

um dos danos colaterais de ficar procurando adagas no meio de cadáveres queimados –, mas tinha a bendita adaga na mão.

Ele me entregou as duas adagas. Uma coberta de cinzas – Felizmente não explodida, embora duvidasse que isso pudesse ocorrer porque tinha visto a resistência da outra, eu estava um pouco apreensiva. As coisas tendem a dar errado para mim – e a outra parcialmente desgastada. Talvez funcionasse.

Peguei as lâminas e fui na direção das escadas que desciam até um lugar que não dava para ver. Alec me seguia igual uma sombra e pela primeira vez na minha vida, fiquei feliz por isso. Tudo o que me faltava era algum monstro saltando do escuro e cortando minha garganta.

Por fim, quando minhas pernas estavam doendo, quando não dava para ver um palmo na minha frente – Naquela altura, meu medo não era um monstro, mas sim dar um tropeçada e sair rolando pela eternidade naquelas escadas infernais. Quebrar o pescoço também era um medo –, quase bati a cara em uma parede de pedra. Realmente, eu devia ter trazido o meu celular, mas o bendito estava sem carga.

Alec soltou um risinho. Provavelmente a coisa tinha visão noturna, com aqueles olhos brilhantes esquisitos. Suprimi a vontade de dar uma rasteira nele.

— Tem alguma porta nessa merda? – perguntei.

— Não.

— Animador.

— Algum encaixe, ilustração, alto relevo? – Enfim, algo útil?

— Nada.

Como sempre, nada era fácil para mim. Palpei a parede, tentando achar algo que a mula sagrada não tinha visto. Nada.

É claro que bloqueariam a entrada com pedra.

— Queima essa merda.

— A estrutura vai cair na nossa cabeça.

— Queime antes que caia.

Ouvi o barulho dele encostando a mão na pedra e vi o leve contorno das chamas negras se espalhando.

— Christine?

— Hm?

— Não está funcionando.

Ah, que beleza. Parecia que as chamas infernais dele nunca funcionavam quando eu precisava. Me senti tentada a colocar a mão no fogo para ver se minha alma ia ser consumida mesmo ou se aquilo era só marketing.

— Quer tentar socar a pedra? – sugeri. Não é tão idiota, se você considerar a força de vrykolakas.

— Eu gosto muito das minhas mãos, e você também, devo acrescentar, para arruiná-las.

— Eu devia ter trazido a Idia – refleti em voz alta. Saudades da gata.

Peguei as adagas e apoiei na parede. Nenhuma luz, nenhum portal ou barulho. Ou a desgastada estava quebrada ou estava fazendo errado. Aí decidi enfiar as lâminas na parede, era uma ideia meio blé, eu estava bem descrente que iria funcionar, mas, miraculosamente, as lâminas atravessaram a pedra igual manteiga.

— Acho que funcionou – Comemorei, criatura inocente que sou.

Aí a estrutura começou a tremer. O chão também, igual um terremoto. Então fiquei muito horrorizada porque nunca tinha estado em algo semelhante a um terremoto.

Que lindo, sobrevivi a Trivia e vou morrer soterrada.

Então, quando senti que a pedra rachou e se afastou no ponto que enfiei as adagas, fornecendo uma passagem, não demorei muito para correr naquela direção. Me arrependi da escolha quando senti o pior cheiro da minha vida naquele lugar. Como estava escuro, não dava para ver nada, mas eu tinha uma leve suspeita que aquilo vinha de um defunto.

Então, tropecei em alguma coisa. A coisa soltou um som de treco esmagado. Foi naquele segundo que torci para que tivesse tropeçado na defunta.

— Ah, Christine… – Alec parecia horrorizado.

— O que? – perguntei, com os olhos fechados, já sabendo o que ele iria dizer.

— Você acabou de esmagar a Balança.