Notas iniciais
Olá garotas. Primeiramente quero agradecer os maravilhosos reviews, eles me mantém escrevendo. Esse capítulo refere-se a despedida de Gil, quando ele tira suas férias sabáticas. Espero que curtam. Bjus Boa leitura...

Sara entrou em casa e foi direto para o quarto, sabia que ele já estava em casa, pois havia saído antes dela do Frank’s, onde a equipe tomara café da manhã. Ela entrou no quarto e ouviu o barulho do chuveiro, Gil estava no banho. Ótimo, adorava dividir aquele momento com ele.

Estava indo para o banheiro quando viu um papel sobre a cama. Ela não tinha o costume de ler a correspondência dele, mas algo parecia empurrá-la em direção àquela folha. Pegou o papel e começou a ler, seu coração apertou-se e falhou uma batida, quando viu o conteúdo da carta, sentou aos pés da cama, quando suas pernas ameaçaram dobrar-se sob seu peso. Seus pensamentos estavam tão confusos que nem ouviu quando ele saiu do banheiro.

– Oi querida – disse andando em direção a ela – se soubesse que chegaria cedo teria esperado você par tomarmos... – ele parou e as palavras morreram em sua garganta quando a viu com aquela carta nas mãos.

– Quando você ia me contar Grissom? – perguntou sem olhá-lo.

– Sara...

– Quando estivesse no aeroporto? – cortou ela. – Ou, quem sabe, quando chegasse lá se lembrasse de ligar e me dizer que vai ficar um mês fora de Vegas?

A mágoa em seu olhar era evidente quando o ergueu, capturando o olhar dele. Ele tentou ajoelhar-se em sua frente, mas Sara levantou-se, ignorando a mão estendida dele e indo para o outro lado do quarto.

– Sara me desculpe, eu ia contar a você...

– Cath já sabe? – interrompeu outra vez, não o deixando falar.

– Não contei para ela, ainda.

– Como pode agir assim Gil? Ela vai ficar no seu lugar, precisa saber. E quanto a mim? Sou sua namorada, a mulher que, supostamente, você deveria dividir tudo, principalmente algo como isto – mostrou a carta em suas mãos. — Há quanto tempo você recebeu essa carta?

– Três semanas – suspirou.

– Eu não acredito nisso – disse irritada. – Quando você parte?

– Amanhã à noite – sussurrou.

Ela virou-se para a janela tentando conter as lágrimas que teimavam em surgir em seus olhos.

– Sara escuta, querida. Eu ia contar antes para você, mas os dias foram passando, o trabalho nos consumiu, eu não queria estragar os poucos momentos de folga que tivemos com esse assunto e... eu comecei a pensar que... – ele suspirou. — Eu tive medo que se eu contasse antes você teria muito tempo para pensar se realmente iria querer me esperar por um mês inteiro...

– Medo??? Tudo sempre se resume aos seus medos, Grissom. E você por acaso se lembrou de que eu esperei anos até você tomar uma decisão, que apesar de todos os seus “nãos”, eu nunca desisti? Você lembrou isso? – furiosa ela passou por ele e entrou no banheiro, trancando a porta.

– Sara, por favor, vamos conversar – pediu, batendo à porta do banheiro, mas ela não respondeu e Grissom ouviu os soluços dela um tanto abafados pelo som da água do chuveiro.

..........................................

Sara tentava controlar o choro e pensar com clareza sobre tudo o que havia acontecido. Medo! Era sempre àquilo que se resumia as atitudes dele em relação às coisas importantes, como contar a ela que ficaria um mês fora da cidade. Será que ele nunca iria entender que não importava se eles ficassem distantes um mês ou cem anos, seu coração o escolhera e ela jamais deixaria de amá-lo ou o trocaria por qualquer outro.

Mas que droga, Grissom! Talvez devesse fazer o que ele tanto temia e deixa-lo, talvez isso os poupasse de muitos sofrimentos. Mas o que estava pensando? Só de imaginar que passaria um mês longe dele, seu coração já se retorcia de saudade. Imaginar sua vida inteira sem ele era impossível, doloroso demais e quase estilhaçava seu coração.

Por que ele não podia simplesmente ter contado para ela sobre aquela carta, ela não teria uma reação negativa, como ele imaginara, ao contrario, Sara o teria incentivado a ir. Sabia que ele precisava de um tempo longe do laboratório, seria bom para ele um descanso. É claro que sentiria saudades, mas estaria ali, para ele, quando voltasse. Com tantos pensamentos confusos a única certeza que ela tinha era que ele partiria na noite seguinte e talvez aquelas fossem as últimas horas, a sós, que teriam juntos, antes de sua partida.

.................................

Grissom já havia caminhado por longos minutos de um lado para o outro, dentro do quarto, pensando na besteira que fizera em não contar para ela sobre aquela carta. Desistiu de andar, afastou as cobertas da cama e deitou-se de costas com as mãos sob a cabeça, olhando para o teto.

Ele se sentia um idiota, não entendia porque, mais uma vez, deixou o medo se instalar em seu coração e atrapalhar seu relacionamento com a mulher que amava, que era sua vida. Droga, Grissom! Você a magoou mais uma vez, pensou. A porta do banheiro sendo aberta tirou-o de seus pensamentos, a viu vindo em direção à cama, vestindo apenas sua camisola, os olhos estavam vermelhos do choro recente. Sentiu seu coração se apertar diante daquela visão.

Sara sentou na beirada da cama, de costas para ele, que ergueu um pouco o corpo, apoiando-se em um cotovelo, queria toca-la, pedir perdão e afastar aquela tristeza que emanava dela.

– Sara, vamos...

– Não Grissom, eu não quero falar sobre isso agora, conversaremos sobre esse assunto quando você voltar – ela deitou na cama ao lado dele e encarou seu olhar. – Agora eu só quero que você me abrace e faça amor comigo – pediu suavemente.

Ele ficou surpreso com o pedido, mas não demonstrou e não fez perguntas, apenas abaixou a cabeça e capturou seus lábios em um beijo calmo, apaixonado e cheio de uma saudade que já sentiam, só de saber que ficariam quatro semanas longe, um do outro.

Eles fizeram amor docemente, ele beijou cada pedacinho de seu corpo, as mãos deslizavam por sua pele suavemente, dando-lhe tanto prazer que seu corpo tremia sob o dele. Grissom sussurrava em seu ouvido o quanto era linda, o quanto a amava, mas Sara não queria palavras naquele momento, queria apenas sentir o calor de seu corpo invadindo suas entranhas.

Quando ele a penetrou e iniciou seus movimentos, seus olhares se encontraram e ele notou as lágrimas que ela tentava disfarçar sem muito sucesso. O clímax chegou junto para os dois, como uma onda poderosa que arrebatou suas almas e nesse momento duas lágrimas escorreram dos olhos dela, Grissom beijou carinhosamente seus olhos e deitou-se ao lado dela.

Sara virou de costas para ele e encolheu-se na cama, tentando afastar a saudade que seu coração já sentia. Os braços dele a cercaram, encostando-se nela por trás, abraçou-a com força e assim acabaram adormecendo.

...............................

Grissom acordou sentindo um estranho peso em seu peito, tateou o outro lado da cama, mas ela não estava mais ali. Procurou-a pelo apartamento e não a encontrou, já havia saído. Sem bilhete, sem despedida. Voltou para o quarto, tomou banho, arrumou suas malas, colocando-as no canto da sala. Ele ainda tinha muitas coisas para resolver no laboratório antes de sua partida e talvez não houvesse tempo para mais nenhum momento à sós com Sara até a noite seguinte. Olhou em redor, quando voltasse ele resolveria a burrada que havia cometido com ela, fechou a porta e saiu.

Eles não se falaram durante todo aquele turno, Grissom esteve ocupado deixando tudo em ordem para sua viagem. Sara estava lidando com um caso complicado, não teve tempo nem de comer algo descente e acabou tendo que fazer horas extras. Não sabia como seria entrar no apartamento deles e não ter a perspectiva de vê-lo chegando a qualquer momento, então ficar no laboratório pareceu a melhor opção. Quando aquele turno acabou foi até o vestiário trocar de roupas e deixar algumas coisa em seu armário, foi quando ouviu ele a chamando.

– Hei, meu taxi chegou.

Ela o olhou e dobrou a jaqueta nos braços.

– E aí já está indo? – forçou um pequeno sorriso.

– Estou.

Ela procurou manter uma expressão tranquila, disfarçando a pontada de dor em seu peito, não gostava de despedidas, por isso havia saído antes dele acordar, no dia anterior.

– Eu vejo você quando voltar – ela disse.

Ele a olhou profundamente, embora as coisas estivessem meio estremecidas entre eles, ele tentava parecer “animado” com a viagem, mas vê-la se virar para o armário com o olhar tão triste, desfez qualquer traço de animação que tentasse fingir. Grissom olhou para o corredor, tomando o cuidado par que ninguém os visse naquela despedida estranha e deu um passo para dentro do vestiário. Juntou suas mãos, nervoso.

Sara notou que ele ainda estava ali e virou novamente para ele, que parecia querer dizer alguma coisa.

– Sentirei sua falta – ele disse.

Ela concordou com a cabeça e o viu sair, sentiu um nó se formar em sua garganta e as lágrimas voltarem a seus olhos.

Ela também sentiria muito sua falta.

Notas finais
Até a próxima...