Episódios Da Vida A Dois
4 SUFOCANDO??
Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo para vocês se divertirem, espero que gostem e obrigada por todos os reviews, eles me motivam a continuar...
Beijos...
Boa leitura!
Sara e Nick entraram na sala de Grissom, ele estava concentrado em alguns papéis. Ela o olhou com atenção, parecia cansado, preocupado. Havia alguns dias que o trabalho estava em um ritmo frenético, ele mal tinha tempo de ir até em casa tomar banho, comer alguma coisa e dormir por algumas horas. E era por isso que eles mal haviam se visto nos últimos dias, eles tentaram, mas assim que pensavam em trocar um beijo mais profundo, que poderia leva-los a algo mais, o telefone dele tocava e interrompia o momento. O motivo era sempre o mesmo, Ecklie. Na última vez ele se irritara.
- Mas que droga! Será que eles não podem se virar sem mim por pelo menos um dia?
Ela se assustara com a reação dele, mas ficara feliz também, afinal o homem que vivia para o trabalho estava com raiva por ter uma folga e tudo por causa dela. Então ele se despediu e se foi controlando-se para não esganar Ecklie quando chegasse ao laboratório.
- Hei Grissom – Nick chamou-o. – Viemos trazer o relatório do caso.
Gil olhou para eles distraído.
- Ah, sim. Obrigado – disse pegando os papéis que o rapaz lhe estendia.
- Então, nós vamos todos tomar café no Frank’s. Você quer ir com agente? – perguntou Nick.
- Não Nick. Obrigado – olhou de relance para Sara. – Ainda tenho que ficar aqui por mais um tempo.
- Tudo bem, então nós estamos indo.
Despediram-se e Grissom os viu desaparecer além da porta. Sara e Nick haviam chegado à saída do laboratório quando ela ouviu seu celular tocando.
- Me dá licença um minuto Nick – ela pegou o celular e esperou ele se afastar. – Oi Griss – atendeu.
- Oi, você vai com o pessoal para a lanchonete?
- Sim, você está ocupado, por isso resolvi acompanha-los. Por quê? Algum problema?
- Não, Claro que não. É só que eu estava pensando que talvez pudéssemos tomar café juntos, sozinhos.
- Tem certeza? Não vai atrapalhar você?
- Você nunca me atrapalha, Sara. E eu estou com saudades – falou tímido.
- Ok. Então espero você no meu apartamento. Vou preparar o café para nós.
- Estarei lá em uma hora, pode ser?
- Ótimo, tenho que passar no supermercado. Até mais.
- Até querida.
Sara desligou o celular e foi em direção a Nick, que a aguardava mais adiante. Ele a viu se aproximar.
- Vamos Sara.
- Ah Nick, me desculpe, mas vou ter que cancelar minha presença nesse café – disse em tom de pesar, embora estivesse radiante por passar um tempo com seu namorado.
- Mas por quê?
- Acabei de ser lembrada de um compromisso muito importante.
- Ah sei – disse ele desconfiado. – Tudo bem Sara, vá ficar com seu namorado, mas não se esqueça dos amigos. Ok?
Sem esperar resposta ele atravessou a rua, deixando Sara perplexa na calçada com os pensamentos conflitantes. Será que ele sabia de alguma coisa? — pensava. Mas nós somos tão discretos. É claro que eles desconfiavam que ela estivesse saindo com alguém, pois desde que começou a namorar com Grissom, ela sutilmente recusava todos os convites dos meninos para sair. Era natural que eles desconfiassem, mas daí a imaginar um relacionamento entre ela e Gil havia uma grande distancia.
Sara afastou esses pensamentos, entrou no carro e deu a partida. Meia hora depois ela entrou em casa, havia passado no supermercado e comprado algumas coisas como queijo, presunto, manteiga, frutas, pão integral e biscoitos. Largou as sacolas no balcão, foi até a cafeteira colocou água e pó de café e ligou-a. Depois fez suco de laranja e salada de frutas, dispôs os biscoitos em pequenas tigelas e arrumou tudo sobre a mesa, enquanto colocava fatias de pão na torradeira. Quando as últimas fatias de pão ficaram prontas ela ouviu a porta sendo aberta.
Ele havia chegado. No mês anterior, Quando completaram seis meses de namoro, Sara dera de presente para ele uma cópia das chaves de sua casa. O que eles não sabiam, na ocasião, é que Grissom tivera a mesma ideia e lhe presenteou com uma cópia das chaves da casa dele. Aquela sincronia em seus pensamentos lhes rendeu muitas brincadeiras e momentos de amor.
- Oi querido, que bom que já chegou. Nosso café está pronto...
Assim que se virou para ele foi agarrada por um par de braços fortes e sua boca foi tomada em um beijo quente e apaixonado, cortando suas palavras. Gil só interrompeu o beijo para tomarem ar e mudar seu foco para o pescoço esguio dela.
- Senti tantas saudades, querida.
- Eu também, amor. Mas o nosso café vai esfriar – disse com a voz rouca de desejo.
- Não importa tudo o que eu quero agora é você.
Entre beijos e caricias eles foram para o quarto, se livrando das roupas pelo caminho. Seus corpos caíram entrelaçados sobre a cama e Grissom capturou seus seios com a boca, suas mãos deslizavam por toda a extensão do corpo dela em caricias enlouquecedoras. Sara gemia e se contorcia debaixo dele.
- Querida eu não consigo mais resistir...
— Não resista Gil. Venha para mim.
Grissom se acomodou entre as pernas dela e em uma única e forte estocada a penetrou. Sara deslizou suas mãos até suas nádegas e apertou-as puxando-o mais para dentro de si. Os movimentos cada vez mais profundos os levaram à beira do êxtase total. Capturou seus lábios mais uma vez. Estar dentro dela era maravilhoso, o melhor lugar do mundo para ele. Sentia-se completo, realizado e muito feliz. Não demorou para que ele sentisse as contrações dela em torno de si e deixou-se levar para aquele mundo magnífico que só conhecia com ela.
Ele rolou para o lado e trouxe-a para seus braços, enquanto suas respirações voltavam ao normal ele fazia uma leve caricia em suas costas. Minutos depois ele quebrou o silêncio.
- Sara, você quer morar comigo? – perguntou olhando para o teto.
Ela ficou muito quieta, até sua respiração parecia suspensa, então se soltou de seu abraço e levantou-se, pegou o roupão na poltrona ao lado da cama e vestiu-o. Quando se virou para ele, viu-o sentado na cama, o lençol cobrindo sua nudez, o cabelo desalinhado e um sorriso apreensivo no rosto.
- Você ouviu o que eu disse? – insistiu.
- Gil, eu... eu não sei o que dizer...
- Sim. Seria uma boa resposta.
Ela abriu a boca para dar aquela resposta, mas não conseguiu algo naquela proposta a estava incomodando, só não sabia o que era. Tentou novamente.
- Olha querido, eu... não acho que seja o melhor momento para isso...
- Como assim? – interrompeu-a.
- Eu não sei explicar, só acho que... se fizermos isso agora nós... vamos acabar nos... sufocando e sufocando o amor que existe entre nós. Entende?
- Não, eu não entendo. Sufocando? Sara que história é essa? – disse bravo. Na última semana nós mal nos vimos, morarmos juntos é a melhor solução para passarmos mais tempo juntos e resolvermos esse problema.
Pronto, ali estava o motivo de seu incomodo em relação àquela proposta, ele queria morar com ela para resolver um problema e não porque queria dividir sua vida de uma forma mais completa com ela. Agora só precisava explicar isso a ele sem magoá-lo.
- Gil, olha só... – neste momento o celular dele tocou insistente. – É melhor você atender – disse quando notou que ele não esboçava nenhuma reação neste sentido.
Levantando-se da cama ele pegou sua boxe no chão e vestiu-a, depois foi para a sala pegar o telefone no bolso de sua jaqueta. Sara ficou ali, perdida em pensamentos, ouvindo ele murmurar alguma coisa ao telefone. Minutos depois ele voltou completamente vestido, parou na porta do quarto e olhou-a.
- Eu tenho que ir. Ecklie precisa de mim no laboratório.
A mágoa em seu olhar era evidente e Sara se sentiu mal por ser a causadora daquele sentimento. Aproximou-se dele e segurou sua mão.
- Tudo bem. Eu estou de folga hoje você sabe, passa aqui mais tarde para conversarmos melhor, por favor.
- Não sei se vai ser possível. Eu ligo para você – ele lhe deu um beijo rápido na testa e saiu.
Ela sentiu as lágrimas arderem em seus olhos, mas não choraria, na se deixaria sucumbir à tristeza. Decidiu sair para correr, precisava arejar a mente, ocupá-la com algo que não fosse aquela proposta ou os motivos que o lavaram a fazê-la. Ela correu por um longo tempo, depois parou em um parque perto de seu prédio, sentou em um banco e ficou observando as pessoas ao seu redor.
O dia ensolarado trouxera muitas famílias ao local, crianças de todas as idades brincavam por toda a parte enquanto seus pais, sentados sobre a grama ou em bancos como ela, conversavam alegremente. Sara queria aquilo também, queria formar um família com Grissom e Hank, queria dividir sua vida, seus sonhos e desejos com eles. Mas queria isso pelos motivos certos, queria que ele quisesse pelos mesmos motivos que ela e não para resolver um problema de tempo.
Concordava com ele a respeito de terem que passar mais tempo juntos, mas isso era uma questão de dar prioridade ao relacionamento deles mais que ao trabalho. Seria difícil? Sim, seria. Mas não impossível, não se eles realmente quisessem fazer isso. Se fossem morar juntos agora ela tinha certeza de que nada mudaria, a não ser o fato de dividirem a mesma casa.
Levantando-se foi para casa, sua mente ainda tentando encontrar uma forma de fazer Gil entender suas dúvidas e medos. Em casa, tomou banho e vestiu uma roupa confortável, depois tirou o intocado café da manhã da mesa. Imaginara partilhar o café da manhã com ele, depois fariam amor e então adormeceriam um nos braços do outro. Droga! Dera tudo errado. Não podia passar o dia o dia todo só remoendo isso. Assim, começou uma faxina em seu apartamento, limpou cada cômodo minuciosamente.
Quando por fim se deu por satisfeita, já havia anoitecido e ela estava exausta, foi para o banheiro e encheu a banheira, adicionou sais na água e entrou em um banho relaxante, só saiu quando a água já estava quase fria. Foi para o chuveiro tirou o excesso de espuma do corpo lavou os cabelos, depois os secou com o secador, vestiu sua camisola e foi para cama. Grissom disse que ligaria para ela e isso ainda não havia acontecido, pensou frustrada, pouco antes de adormecer profundamente.
Sara acordou com o toque insistente do celular, a luz clara do sol entrava pelas frestas das cortinas, pegou o telefone e atendeu.
- Alô.
- Sara? Oi, é a Catherine.
- Oi Cath, aconteceu alguma coisa? – perguntou sonolenta.
- Nós temos uma cena de crime.
- Estou de folga, Cath. Esqueceu?
- Eu sei, mas Grissom quer todos aqui – disse ela estranhando o fato de Sara estar reclamando de ser incomodada em sua folga.
- Tudo bem – bufou. Dê-me um tempo que eu vou me arrumar e...
- Certo. Você poderia passar na delegacia e pegar o Nick e o Warrick? Eles estão finalizando um caso.
- Ok Cath. Deixe comigo.
Quarenta minutos depois os três chegaram ao local do crime. Uma casa bonita em um bairro de classe média alta. Warrick cumprimentou Greg, que recolhia as botas de dois paramédicos do lado de fora.
- Oi, escadas dos fundos, e é melhor seguir as paredes – indicou Greg.
Eles foram para lá e encontram Catherine e Grissom que os colou a par do acontecido e distribuiu as tarefas. Sara iria começar a analisar pela escada da frente em direção a dos fundos onde estava a vítima. Não encontrou nada, junto com Grissom e Catherine fez algumas considerações sobre o caso. Notou que a mágoa nos olhos de seu namorado não tinha diminuído, embora ele tentasse disfarçar. Ela continuou a analisar o restante da casa. Estava no quarto da vítima quando ele a encontrou.
- Oi – ela disse surpresa por vê-lo ali, se recompôs rapidamente e começou a falar do caso. – O marido dormia no outro quarto, os óculos de leitura estão na mesa, as roupas dele estão na cômoda.
- Que estranho. Um homem e uma mulher que não dividem o mesmo quarto, planejam uma noite sozinhos, deixam a filha com um parente, vão jantar, tomam drinks à beira da piscina, mas dormem em quartos separados.
- Talvez... um deles ronque, ou tenha insônia, ou talvez trabalhe à noite – disse olhando-o nos olhos.
- Ou talvez estivessem se sufocando e ele não conseguia respirar – disparou ainda magoado com a recusa dela à sua proposta de morarem juntos.
Sara o olhou em silêncio, aquelas palavras haviam-na machucado. Tentou disfarçar, continuando sua busca. Abriu a gaveta do criado mudo e encontrou um frasco de lubrificante sexual. Hora de dar o troco, pensou.
- Lubrificante sexual, está pela metade e grudento – olhou para ele. – Quer saber, não é preciso dormir na mesma cama para ter sexo, ou ter... romance – disse ela inocente, desviando o olhar quando percebeu que havia atingido o alvo.
Grissom ficou pensativo por alguns instantes. Bom, ele pedira por aquilo, afinal ele quem começara com as insinuações mordazes.
- Eu vou falar com o médico – disse com uma cara engraçada.
- Vou revistar a casa – replicou ela disfarçando um sorriso, enquanto ele saia.
Grissom estava em sua sala, o turno já havia acabado, todos já haviam ido embora, mas ele ficara para fazer as últimas anotações nos relatórios que teria que entregar no turno seguinte. Terminando recostou-se na cadeira e seus pensamentos se voltaram para Sara, depois daquela troca de indiretas na cena do crime eles não haviam mais se encontrado e ela fora embora sem se despedir.
Eles tinham que conversar, Grissom tinha que saber o real motivo de ela não querer morar com ele. Será que ainda duvidava de seu amor? Ela teria razão sobre ainda ser muito cedo para se adaptarem às manias e a presença constante um do outro? Seria possível que ele se sentissem sufocados? Tantas perguntas e ele só tinha uma certeza, amava Sara como nunca amou e nem amaria outra mulher em sua vida. Estava na hora de conversarem e resolver aquele impasse. Quinze minutos depois ele batia à porta dela.
- Oi – ela disse ao abrir a porta, não parecia surpresa.
- Oi. Podemos conversar?
- Claro, entre.
Ele se acomodou no sofá, esperando que ela fosse se acomodar a seu lado, mas ela continuou de pé no outro lado da sala. Se olharam em silêncio por alguns instantes.
- Sara, eu só quero entender por que você não aceitou minha proposta.
- Eu só acho que isso não vai resolver nada. Eu quero morar com você, Grissom. Acho que nós três, você, eu e o Hank, podemos ser uma família. Mas esse não é o momento certo para isso e também não é pelo motivo certo.
- Motivo certo? – perguntou confuso.
Ela foi sentar ao lado dele e pegou suas mãos.
- Querido eu amo você. Quero dividir minha vida, meus sonhos e meus desejos com você, mas acho que você não está pronto e eu também não estou. Não podemos decidir morar juntos para resolver um problema de tempo, não daria certo, acabaríamos como dois colegas de quarto que moram juntos, mas mal se veem – ela fez uma pausa avaliando a reação dele à suas palavras. – Eu pensei muito desde ontem e acho que a melhor solução para nós é dar um pouco mais de prioridade ao nosso relacionamento. Sei que é difícil, devido as circunstancias, mas podemos tentar, não é?
Ele refletiu as palavras dela por um longo momento. A pouco, quando ela dissera que tinha achado uma solução par o problema deles, achou que ia terminar o namoro e só aquele pensamento o fez fica sem ar e com o coração disparado de medo. Ela estava certa, estava agindo sem pensar e acabaria destruindo o amor deles assim. E isso ele não suportaria.
- Você esta certa. Desculpe-me eu me precipitei, agi sem pensar nas consequências que isso poderia acarretar. Que tal fazermos um acordo? Deixaremos assim por enquanto, nós vamos nos esforçar para priorizar mais nosso namoro e ver como as coisas acontecem, mas voltaremos a falar sobre isso em um futuro próximo.
- Eu aceito o acordo, assim poderemos planejar tudo com mais calma. Agora, o que você acha de, finalmente, tomarmos aquele café da manhã que acabamos deixando de lado ontem?
- É uma ótima ideia, mas primeiro, vem cá – puxou-a ao encontro de seu corpo – ainda não ganhei meu beijo de bom dia.
Tomou a boca dela em um beijo quente e profundo, mas antes que conseguisse deita-la no sofá ela se afastou dele.
- Pode parar mocinho. Ontem nós começamos assim e acabamos não tomando nosso café – ela disse sorrindo e indo em direção à cozinha.
- Ok. Eu preciso de um banho, será que posso...
- Claro amor. Sabe onde estão as toalhas e suas roupas, não é?
Ela se virou para a pia e começou a preparar o café, distraída não o viu se aproximar. Gil agarrou a cintura dela e beijou-lhe o pescoço. Sara soltou um gritinho de susto.
— A propósito, eu amo você Sara – sussurrou em seu ouvido deixando-a arrepiada.
- Pára Gil. Eu também amo você, mas não vai me levar para cama agora. Vá para seu banho – ralhou com ele e livrou-se de seu abraço, rindo.
Ele foi em direção ao quarto assoviando e ela continuou preparando a refeição com um sorriso nos lábios. Tudo estava resolvido, por enquanto, ainda bem. Não suportava ficar brigada com ele. Quando estava tudo pronto ela ergueu a cabeça e o viu parado no corredor, olhando-a com um sorriso encantador. Olhando em seus olhos ela viu seu futuro estampado naquela imensidão azul, eles juntos como uma família, muito em breve.
Notas finais
Até a próxima...
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