Episódios Da Vida A Dois
2 EU VI TUDO!
Notas iniciais
Obrigada a todas pelos comentários, é muito bom contar com o apoi de vocês.
Espero que gostem!
Boa leitura
Grissom estava sentado a sua mesa, com um monte de relatórios para terminar, mas não conseguia se concentrar. A todo o momento aquela cena voltava a sua mente.
Ele estava passando pela recepção, quando viu Sara e Greg vindo no sentido contrário. Eles usavam macacões do laboratório, mas o que chamou sua atenção e o fez parar de repente foram as palavras de Greg.
– Sara, eu só quero dizer que quando nós estávamos no chuveiro, eu não vi nada – ele disse.
“Chuveiro? Como assim, chuveiro? Do que Greg está falando?” perguntava-se Grissom alarmado. Nem teve tempo de pensar direito nas palavras dele quando ouviu a resposta de Sara, que o deixou paralisado.
– Sério?Puxa, eu vi tudo!
“O que? Não, isso tem que ter uma explicação plausível. Não é possível...” seus pensamentos foram cortados pela voz de Judy, chamando-o.
Agora ele estava ali, sentando em sua sala, uma montanha de papeis em sua mesa, relatórios e avaliações que precisavam de sua atenção. Mas não conseguia se concentrar aquela conversa entre Sara e Greg açoitando seu cérebro. Maldição! O que ela quis dizer com “eu vi tudo”?
Que tipo de banho era aquele que haviam tomado juntos? Lembranças de banhos que ele partilhara com ela, lhe vieram à mente. Os corpos molhados deslizando um no outro, suas bocas famintas se procurando, gemidos e sussurros de um prazer intenso vivido pelos dois.
Não, Sara não faria isso com ele.
Ela e Greg eram como irmãos, e ela não havia lutado tanto, para traí-lo quando ele, finalmente, se entregara a ela. Tinha uma explicação, só precisava conversar com ela e tirar essa história a limpo.
– Oi Griss – Sara apareceu de repente na sala dele, assustando-o.
– Oi. Você já está de saída? – perguntou estudando seu rosto, procurando algo, que não sabia ao certo o que era.
– Sim. Só passei para lhe entregar o relatório preliminar do caso que eu e Greg estamos investigando – colocou a pasta na mesa dele.
– Vocês já encerraram o caso?
– Não, mas faltam apenas uns poucos detalhes. Nada que não possa esperar o próximo turno – explicou ela.
– Hum. Você gostaria de tomar café da manhã comigo?
– Eu adoraria – ela deu aquele sorriso que fazia o coração de Grissom derreter.
– Na minha casa às sete.
– Estarei lá – ela observou a expressão dele, parecia cansado, preocupado. – Gil, você está bem?
– Sim – deu um meio sorriso – não se preocupe.
– Tudo bem, então. Vejo você mais tarde.
Ele assentiu, e ela se foi.
Grissom saiu do laboratório meia hora depois, passou na delicatessem que Sara sempre ia e comprou os doces que ela mais gostava para o café da manhã dos dois. Chegou em casa, pôs os pacotes sobre a mesa da cozinha e foi tomar um ducha. O banho, embora revigorante, não levou embora os pensamentos confusos que martelavam sua mente, mas o deixou mais calmo para conversar com Sara.
Foi para a cozinha e ligou a cafeteira, após adicionar água e pó de café. Fez suco de laranja, natural como Sara gostava e começou a arrumar a mesa. Fazia tudo automaticamente, pois seus pensamentos estavam longe, mais precisamente, nos comentários que Greg vivia fazendo em relação a Sara.
Outro dia, quando investigavam o caso de um homem que morrera asfixiado por uma mulher obesa que dormira em cima dele, Grissom, Sara e Greg, para provar como fora o crime, montaram na garagem do laboratório uma espécie de cama e com pesos presos em um boneco reconstituíram a cena usando Greg como cobaia. Estaria tudo bem se o garoto não resolvesse, em um comentário infeliz, dizer que já havia sonhado com Sara e ele em uma cama, só que não estavam em uma garagem e Grissom não estava olhando.
Não gostando nem um pouco das palavras dele, Grissom “acidentalmente” bateu com a mão pesada do boneco na cabeça de Greg. Sara também não gostara do que ele dissera ainda mais na frente de seu namorado, e sugerira que deixassem o boneco sobre ele por mais tempo, só de brincadeira, é claro que não fariam isso.
Hank ganiu, tirando ele de seus pensamentos, Sara estava chegando. O cachorro latiu e a campainha tocou. Era incrível a ligação entre Sara e Hank, desde que se conheceram o cão sempre sentia quando ela estava para chegar, ficava impaciente para vê-la. Ela tinha um carinho enorme por ele e mimava-o como se fosse um bebê.
Grissom foi até a porta e abriu-a, e lá estava ela. A mulher que dominava todos os seus pensamentos e sonhos. Estava linda, os cabelos presos em um rabo-de-cavalo, a calça jeans colada, uma blusa cor de rosa meia manga e uma bolsa pendurada no ombro.
Ele a puxou pela mão dando-lhe um beijo suave nos lábios levou-a para a cozinha. Hank latiu novamente. Sara ergueu a sobrancelha.
– Ele está bem, querido? – perguntou preocupada.
Hank ouviu a voz dela e ficou ainda mais agitado, batendo contra a pequena porta da área de serviço.
– Sim. Sentiu você chegar e acho que está com saudades de você. Vá vê-lo, senão, não nos deixará tomar café em paz.
Ela desvencilhou-se dele e foi até a porta que separava a área de serviço do restante da casa, onde Hank ficava. Gil havia instalado uma porta ali, na verdade uma meia porta, já que possuía apenas um metro de altura. O suficiente para conter o cão. Hank estava de pé, as patas dianteiras apoiadas na porta e olhava para Sara ansioso para receber seus carinhos.
– Olá garotão – falou Sara acariciando suas orelhas, enquanto ele lambia seu rosto. – Como você está? O papai está cuidando bem de você?
Hank latiu em resposta.
– E você está cuidando dele, como combinamos? Está mantendo as interesseiras longe dele, quando vão passear sozinhos? – sussurrou Sara.
– Eu ouvi isso – disse Gil, que estava apoiado no batente da porta da cozinha. – Eu sabia que havia alguma coisa errada, ele sempre rosna quando as mulheres se aproximam de mim.
Sara lhe lançou um olhar fulminante.
– É brincadeira, amor. Venha, vamos comer. Hank volte para sua cama.
O cão obedeceu imediatamente à ordem, afastando-se dela. Sara foi até o banheiro, lavou as mãos e o rosto e voltou para a cozinha onde Gil a esperava. Ele puxou a cadeira para ela, e começaram a comer em silêncio. Sara estava estranhando o comportamento de seu namorado. Geralmente eles não conversavam muito durante as refeições, mas sempre havia uma troca de olhares e sorrisos cúmplices.
Hoje ele parecia alheio a tudo, e apesar da brincadeira que fizera com ela sobre Hank, havia uma tristeza, uma preocupação em seu olhar, ela já havia notado isso quando foi se despedir dele no laboratório, e agora aquele silêncio. Algo estava errado e Sara precisava descobrir o que era.
Eles terminaram de comer e Gil levou os pratos para a pia. Assim que os largou na cuba, Sara puxou-o pela mão.
– Vem, amor. Vamos conversar.
Gil lançou-lhe um olhar confuso.
– Mas eu preciso...
– Deixe isso aí, depois limpamos tudo.
Ela o levou até o sofá, sentou-se ao lado dele, com uma perna dobrada em cima do sofá, de frente para ele, que se sentou igual a ela.
– E então, o que está acontecendo? Você está estranho desde que saímos do laboratório.
– Sara... eu ouvi a sua conversa com o Greg, no corredor do laboratório, hoje. Sobre um banho...
– Ah. É isso?
– Sim. Por que tomaram banho juntos?
Sara olhou-o nos olhos, havia uma tristeza profunda naquele olhar. Será que ele pensava que ela e Greg tinham algo além da amizade?
– Nós estávamos trabalhando em um caso e Dr. Robbins achou um liquido preto saindo dos olhos da nossa vitima, por isso ele mandou uma equipe para nos retirar da casa e isolar a área, então nos deram um banho para desintoxicação. Foi isso.
Gil assentiu, mas não parecia mais feliz depois de sua explicação.
– Amor, tem mais alguma coisa incomodando você?
– Você disse que viu tudo...
– Desculpa querido. Foi só uma brincadeira. Na verdade, abri os olhos por alguns segundos, mas estava olhando para o chão, tudo o que eu vi foram os dedos dos pés dele – sorriu sem graça.
– Me diz, Sara. Você gosta do Greg? Gostaria de estar com ele ao invés de estar comigo?
– De onde tirou isso? Está maluco? Acha mesmo que eu lutaria por você, pelo seu amor durante tantos anos, para quando, enfim, tê-lo comigo eu o trocasse pelo Greg?
Ele desviou o olhar e quis levantar-se do sofá, mas Sara o impediu segurando seu rosto, obrigando seus olhares a se encontrarem.
– Gil, eu amo você. Nada vai mudar isso. Você tem que confiar em mim.
– Eu confio em você — replicou ele – mas não confio no Greg. Sem contar que ele vive fazendo brincadeiras e falando coisas sobre vocês dois juntos, não gosto disso. Eu fico com ciúmes.
– Olha, eu vou conversar com ele. Vou dizer que estou namorando e que meu namorado não iria gostar nem um pouco desse tipo de brincadeira. Ok?
Ela tentou amenizar a situação, pois sabia que o ciúme era um sentimento traiçoeiro e poderia destruir a relação deles. Ela também sentia ciúmes dele, ainda mais com Sofia sempre o rondando, aquilo a deixava com muita raiva, mas estava aprendendo a lidar com isso.
– Acho que é melhor mesmo você conversar com ele e se não funcionar, eu mesmo contarei a ele sobre o seu namorado ciumento.
Sara se assustou com as palavras dele. Teria ele coragem de revelar aquele relacionamento secreto a Greg apenas por ciúme?
– Podemos esquecer esse assunto por hora? – perguntou Sara ajeitando-se sobre o corpo dele, as pernas em torno do quadril dele, as mãos acariciando sua nuca.
– Claro – concordou enlaçando sua cintura e unindo ainda mais seus corpos. – E o que você quer fazer?
Ela mexeu-se em cima dele e sussurrou em seu ouvido.
– Quero fazer amor com meu namorado ciumento.
Grissom levantou do sofá com ela encaixada em seu corpo e foi em direção ao quarto. E esquecendo seus medos e seu ciúme mostrou a ela o quanto a amava.
Notas finais
Até a próxima...
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