Epifania

5 V. Moderato


Notas iniciais
Olá meus amados! Desculpem a demora para postar hoje, mas felizmente deu certo ♥ o capítulo estava bem adiantado, mas tive uns contratempos e só consegui entrar agora para postar! Espero que estejam todos muito bem! Quais as novidades? :)) Hoje eu recebi meu volume de "Visão e Feiticeira Escarlate: Dia das Bruxas"! É uma hq que contempla o casamento da Wanda e do Visão nas HQS e o início da vida deles no subúrbio. Eu já li alguns volumes online, mas fico feliz de ter uma versão física em mãos para complementar minha coleção ♥ O capítulo da fic hoje é uma perspectiva bem diferente, muito focada no diálogo. Acho que isso vai fazer a leitura fluir melhor. Uso quase como uma cobaia para saber qual é a melhor maneira de escrever auhsuahsuh depois me contem se vocês gostaram mais com diálogos ou com um narrador que conta, assim como no capítulo 4 com o Visão! E uma boa notícia: eu estou trabalhando em uma oneshot da Wanda e do Visão! Siiim, eu vi muito romance clichê e agora me deu vontade de escrever um romance MUITO clichê. A capa já está pronta e eu tenho trabalhado bastante na história, mas não garanto ainda um dia de postagem (o quanto antes, com certeza!). O que me traz uma pergunta: vocês preferem um capítulo único bem grande, ou três capítulos menores? Por exemplo, um capítulo de 6000 palavras, ou três capítulos de 2000? Queria saber a opinião de vocês sobre isso ♥ Enfim, já falei demais! Boa leitura aushuahs

Moderato: andamento musical que não é nem rápido, nem lento.

— Certo, eu não quero enrolar muito...

— Você não está enrolando. Por favor, tome seu tempo.

— É que eu nunca sei bem como começar.

— Que tal se você me contar da sua nova rotina? As aulas retornaram ontem, não é mesmo?

— Sim. Bom, é... Estranho. Estranho e muito, muito ruim.

— Por que seria “muito, muito ruim”?

— Ninguém fala deles. Dos bebês. É como se eles nunca tivessem existido.

— E você quer que as pessoas falem dos bebês?

— De certa forma sim, de certa forma não.

— Explique.

— Eu quero que as pessoas saibam que eles existiram. Eu tinha fotos grávida nas paredes da coordenação do curso, e elas simplesmente desapareceram após o verão. Ninguém desejou condolências ou sentimentos. É como se quisessem esquecer, mesmo. Mas...

— Mas?

— ... Se disserem algo sobre os bebês, é provável que eu exploda.

— Então você não abriu espaço para as pessoas perguntarem dos bebês.

— De modo algum. Eu já cheguei ontem mudando de assunto. Então eu... Eu realmente não sei dizer por que me incomoda tanto, já que eu mesma afastei as pessoas de perto de mim.

— Aqui, tome um lenço.

— Obrigada.

— Vamos pensar na sua vida pretérita. O quanto você afastou as pessoas das suas emoções?

Uma pausa.

— Provavelmente a vida toda. Sabe, eu sou de origem romena. Meu país foi bombardeado, meus pais e meu irmão gêmeo morreram, eu fui a única sobrevivente que ficou soterrada três dias sob escombros. Grande notícia no jornal internacional, mas não me serviu de nada. Fui para um orfanato até ser adotada por uma família judia, nesses processos de adoção internacional.

— Foi assim que você veio para a América?

— Precisamente. Quando cheguei nesse lugar desconhecido, eu só queria ser diferente, me encaixar. E minha família adotiva tinha grandes expectativas em mim, que eu tentei atender, mas que, eventualmente, acabei desistindo. Em partes.

— Como assim, em partes?

— Eu tirava boas notas no ensino médio, mas ficava até mais tarde fora de casa com pessoas mais velhas que eu. Comecei a faculdade que eles queriam, contudo, durante o curso, fui morar com um músico. Não me tornei advogada, nem ao menos fiz o exame da BAR, só me dediquei à pesquisa.

— Você foi feliz com suas escolhas?

— Em grande parte, sim. Não me orgulho do período que passei fora de casa com falsos amigos, só que jamais me arrependi de escolher a área acadêmica e namorar o Vis.

— Vis... Visão... Seu marido. Pianista.

— Exato. Das inúmeras coisas que eu fiz na vida, amar ele foi, disparado, a mais fácil delas.

— Como vocês se conheceram?

— Da maneira mais clichê de filme de romance: esbarrando um no outro com pressa para a faculdade, e trocando olhares de maneira significativa. Depois eu fui atrás dele, saber o que ele fazia, onde trabalhava, até que finalmente deu certo. Acho...

Nova pausa.

— ... Acho que nós dois precisávamos de algo. Eu precisava de um amigo, e ele precisava desesperadamente de alguém.

— Você acha que isso interferiu no relacionamento?

— Acho que isso moldou nosso relacionamento. O Vis veio de uma família desestruturada, sem a mãe e com o pai alcoólatra. Eu vi o pai dele em alguns Natais, só. E eu venho de uma família adotiva carinhosa, mas que tinha grandes expectativas que não consegui alcançar, ao menos não da maneira desejada. E nós dois procuramos refúgio um no outro. Para nós, ser só nós dois bastava. Espero que não seja difícil de entender...

— Claro que não. E como você acha que está o seu relacionamento com o Visão atualmente?

Mais uma pausa.

— Uma merda.

— O que aconteceu para você pensar isso?

— Na verdade, a pergunta é “o que não aconteceu”.

— Então, o que não aconteceu?

— Eu e o Vis temos uma certa tradição que é jantarmos juntos todo início de ano letivo desde que eu comecei a lecionar. Nós jantamos juntos todos os dias, mas esse dia é especial porque a gente cozinha alguma massa e toma vinho. Às vezes, sentamos no jardim, ou ele toca piano. Enfim, era nosso primeiro jantar de ano letivo na casa nova. Acho que eu esqueci de comentar que me mudei? Isso fica pra depois. Digamos que eu estava um pouco alta e nos beijamos... Um pouco demais. Ao ponto de fazermos sexo.

— E como foi?

— Eu estava animada. Parecia que, beijando ele, e sentindo as mãos dele em mim, eu conseguia me libertar do luto, mesmo que por alguns instantes. Quando ele foi buscar um preservativo, lembrei do médico dizendo que a gente não poderia engravidar nem por acidente. Lembrei da dor, dos dias no hospital, dele deitado no sofá ao lado da maca, cansado. E aí eu tive uma crise de choro, e tudo foi por terra.

— Certo. O que isso significa para você?

— Como Wanda ou no contexto do casamento?

— Como Wanda, primeiramente.

— É... Inusitado. Eu estava bem, depois comecei a me sentir muito triste e as lágrimas vieram sem eu pensar. No início o Vis não percebeu, porém, assim que eu perdi o controle, ele parou e me abraçou. A noite toda. Eu me senti, ao mesmo tempo, envergonhada e confortada.

— O que você disse para o seu marido após esse gesto?

— Eu já acordei de manhã meio atrasada, então só fiz o café rapidamente e deixei um pedido de desculpas. Acho que deixei ele meio desanimado depois daquilo.

— Você já pensou em agradecer a ele?

— Como, doutora?

— Agradecer a companhia durante a noite. Já que você citou que se sentiu confortada, seria bom conversar com ele e agradecer o carinho. Pensou nisso?

Wanda ficou em silêncio, respirando pesadamente por algum tempo antes de dizer:

— Não, não pensei.

— Olhando as minhas anotações, você mencionou que... “Amar o Visão foi a coisa mais fácil que você já fez”. Você o deixou ciente disso?

— Não, senhora.

— E, principalmente, como tem sido a sua relação com ele, além do jantar de ontem, e com seus amigos no geral, desde o aborto?

Silêncio.

— Wanda, se você tivesse que descrever em uma palavra, qual seria?

Olhos verdes que estavam fixos na figura profissional a sua frente logo se perderam e começaram a examinar o ambiente. O consultório era pequeno, todavia, era muito aconchegante, com paredes que imitavam madeira e alguns certificados afixados na estrutura de concreto. Havia café e uma simpática mesa de centro com revistas, com uma porta colorida que dava para uma minúscula recepção. Àquela hora, não havia mais ninguém aguardando uma consulta, por já estar tarde demais e o horário comercial ter encerrado. Os ponteiros do relógio mexiam incansavelmente, apontando que aquele atendimento estava perto do fim.

Mais um longo momento de silêncio sucedeu. Wanda pensou em Natasha, a qual viera visitá-la e somente secara suas lágrimas por um longo tempo, sem nenhuma palavra trocada entre elas. Pensou em Carol, e como nem havia visto a moça na visita, só escutado ela arrastar móveis no andar de baixo com Visão. Pensou em Clint e Laura, que frequentemente ligavam e mandavam mensagens, com geralmente Visão passando o recado para ela. Pensou em Visão, e no quanto não conseguia conversar com ele desde que voltaram do hospital. Como tinha sido dolorido se abrir de maneira tão crua, ao chorar durante o primeiro ato sexual desde a descoberta da gravidez e, mesmo assim, Wanda não havia dito uma palavra.

Por isso, ela finalizou:

— Distância. – Ela respirou fundo, usando um lenço para secar pequenas lágrimas no canto dos olhos. – A palavra seria distância.

A psicóloga consultou o relógio.

— Nosso tempo está acabando, Wanda. Mas, para semana que vem... – Ela a encarou diretamente nos olhos. – ... E eu espero vê-la semana que vem... Quero que você escreva uma carta.

— Uma carta?

— Isso. Pode ser para você mesma, ou para alguma das pessoas que faz parte da sua vida, enfim, mas escreva uma carta usando a palavra que você me falou.

Wanda assentiu e se levantou da confortável poltrona de couro.

— Obrigada por conseguir esse horário para mim.

— Imagina. – A profissional a abraçou ternamente. – Fico muito feliz que tenha voltado pelos seus próprios pés. Vem, te acompanho até a porta, mas vou ficar para fechar a clínica.

Quando a porta se fechou atrás de Wanda e ela desceu no elevador para o andar da garagem, percebeu que já havia anoitecido. Se apressou em direção ao carro, abriu a porta e sentou-se no banco do motorista. Antes de dar a partida, porém, respirou fundo enquanto colocava as mãos sobre a boca, buscando um papel em brando na sua pasta de trabalho, um livro grande o suficiente para apoiar a folha, e uma caneta. Com a fraca luz do estacionamento, juntamente com a própria lâmpada do carro, começou:

Querido Vis,

Amar você provavelmente foi a coisa mais fácil que eu já fiz.

Mas resolveu parar em seguida e seguir seu caminho com o cabeçalho do papel preenchido ao seu lado no banco do passageiro.

~.~

Como o dia de Visão havia começado mais tarde, ele havia sido um tanto quanto mais enrolado que o dia anterior, principalmente porque decidira preparar seu almoço e o jantar para ele e Wanda após semanas de comida congelada com eventuais intervenções suas na cozinha. Por isso, após esquentar os waffles e comê-los com café, o homem seguiu para o mercado, a pé já que sua esposa levara o carro para trabalhar.

Ele se permitiu demorar. Caminhou pelo bairro quase como se fosse um turista, um visitante, fitando as casas quase vazias de pessoas trabalhando o dia todo. Observou especialmente a casa vizinha, quase igual à dele, porém estranhou a ausência do som de violino durante todo o dia. As demais residências da rua pareciam vazias, as cortinas fechadas e a falta de carros nas garagens somente complementando essa impressão.

Quando a noite caiu, e ele preparou uma salada para jantar junto da esposa, ele foi surpreendido por Wanda subitamente chegando em casa com a expressão abatida de quem havia chorado por certo tempo. Efeito da terapia, supôs, por isso sorriu da maneira mais amigável que conseguia para dizer:

— Bem vinda, Wanda. Como foi a consulta?

Mas ela não respondeu, somente caminhou devagar até alcançar a cozinha e sorrateiramente abraçou Visão. Wanda o apertou com carinho com os braços ao redor de sua cintura, a cabeça escondida em suas roupas e as madeixas do curto cabelo ruivo contornando os lados de seu rosto. Visão suspirou e devolveu o carinho, ao que ela sussurrou:

— Obrigada por ficar comigo na noite passada.

Visão passou alguns dedos na extensão dos fios de cabelo dela.

— Eu estou sempre aqui por você.

Mais tarde, depois que os dois haviam jantado, Visão resolveu dedilhar um pouco em seu piano. Aquela linda peça havia sido presente de casamento da família de Wanda, e o som emitido era extraordinário. Ele tentou não pensar no concerto, apenas mantendo o foco em alguma música já decorada.

Sem perceber, ele automaticamente deixara um espaço no banco, e Wanda se sentou ao seu lado, passando os braços ao redor de sua cintura de Visão enquanto ele tocava.

O mundo parecia pelo menos um pouco mais colorido.

Notas finais
O que acharam? Podem ser brutalmente honestos, já que esse capítulo foi bastante de teste! Acho que as coisas podem melhorar daqui pra frente, vamos ver asuhuahs. Às vezes nem eu tenho muita noção do caminho que tomo com as minhas histórias, mas já tenho boas ideias com essa fanfic. Lembrando que amanhã tem WANDAVISION! Viram o clipe do episódio 7? E no sábado tem atualização de O Futuro Está Aqui! Aí já trago algumas novidades da oneshot na qual estou trabalhando, e, se quiserem, falo um pouco da HQ que comprei ;) Um beijão e um abraço mega carinhoso, até logo!