Notas iniciais
Bom pessoal, essa é a minha terceira fanfic, a primeira que o Justin é personagem, e como escrevi antes não sou Belieber, então não esperem tanto da personalidade dele =/. A narrativa é terceira pessoa, porem, focada na maior parte na personagem Clary. Eu juro que tentei não enrolar, mas essa fic tem narrativa extensa =/ , espero que vocês deem uma chance! O que estiver em "itálico" são pensamentos da Clary.

Perdoem os erros de ortografia,pontuação, e coerência. Boa leitura.

Os corredores decorados com armários e portas azuis ecoavam um silêncio anormal, isso era estranho já que o lugar trata-se de uma das milhares escolas localizadas no Canada. É difícil acreditar que nesse local vários alunos transitam todos os dias, os passos apressados e pesados fazendo jus a uma manada. O tom das vozes quase sempre elevados deixando o ambiente com um som constante, ensurdecedor, característico de uma multidão exaltada, quando na verdade são apenas jovens com a puberdade a todo vapor.

Porem, naquele momento o único som era de alguns papeis que deslizavam pelo chão por conta do vento que circulava pelas janelas abertas. As paredes amareladas marcadas com várias coisas imagineis até mesmo inexplicáveis eram mais um elemento para o ambiente monótono. As aulas haviam terminado uma hora atrás, a calmaria reinaria até segunda-feira de manhã que viria acompanhada de adolescentes que utilizavam toda potencia da voz para se expressar.

O som da porta da diretoria abrindo e fechando foi abafado pelo assobio do vento, nem mesmo a menina de cabelos escuros que saiu da sala foi capaz de incomodar o silêncio. A mesma deveria se dirigir pra enfermaria, mas a sala asséptica com paredes brancas lhe causava dor nos olhos, o cheiro característico de hospital seria como pedregulhos amarrados em seu corpo, a puxando pra baixo enquanto ela tenta chegar a superfície, a levando pra escuridão de memorias que ela não precisava recordar naquele momento.

Dessa forma, a garota continuou seguindo pelo corredor vazio que parecia zombar de seu interior tumultuado. Ela ignorou a poça d’agua que aumentava a cada pingo que saia do vazamento de um dos bebedouros.

Continue andando.

Ignorou uma funcionária da limpeza que passava pano em uma das janelas, seus olhos perdidos no lado de fora enquanto sua mão movimentava-se sutilmente no mesmo local há vários minutos.

Não pare, você consegue.

Não se importou com a alça da sua bolsa que escorregava a cada passo, a lembrando do peso dos livros que carregava. No painel de avisos e informações havia um desenho sobre o combate contra as drogas, nele um menino simbolizava uma vida feliz sem a substancia, mas seus olhos estavam sem foco, como se não enxergasse ninguém, como se todos fossem invisíveis.

A menina sentia-se invisível, mas só a invisibilidade não bastava, ela queria sumir.

Só mais alguns passos.

Alguém a reprendeu pela sujeira que seus pés fizeram ao longo do corredor, a voz distante foi apenas um ruído incomodo chegando aos seus ouvidos, sua cabeça latejou dando inicio a dor de cabeça.

Vamos lá, saia desse inferno e respire.

Finalmente a garota chegou ao seu destino, esticou uma das mãos tremulas e empurrou a porta pesada que lhe daria a liberdade que precisava.

Ignorou o sangue seco que decorava a palma e alguns dedos pálidos.

Do lado de fora permitiu-se respirar profundamente, aproveitou o ar circulando em seus pulmões. Com um pouco mais de energia desceu os degraus e seguiu para o estacionamento quase deserto, quanto mais longe do prédio mais rápido se acalmaria.

Não atreva-se a ter uma crise de pânico agora, Clary.

Já longe do prédio, mas ainda no estacionamento , a menina apoiou-se em um dos poucos carros que ainda estavam ali e tentou acalmar as batidas de seu coração, seu inconsciente agradeceu por ter escolhido um veiculo sem alarme. Fechando os olhos repetiu um mantra que vem usando nos últimos anos. Tudo ficaria bem, ela seguiria em frente, não havia outra escolha, ela seguiria em frente, aquilo ia passar e seria esquecido, não há motivos para pânico, ela enfrentaria as consequências, seguiria em frente, já passou por coisa pior e sobreviveu, estava fazendo um drama que não se encaixava no momento. Pensou em como seu pai ficaria decepcionado com o acontecimento, e como seria a sensação de sentir a mão dele acariciando os seus cabelos, dizendo que tudo ficaria bem a partir do momento que ela escolhesse seguir em frente.

Sentindo-se estável a garota ajeitou mais uma vez a bolsa em um dos ombros, passou a mão nos cabelos que grudavam em sua testa na tentativa de ajeitá-lo, reprimiu um gemido de dor quando seu dedo resvalou no corte oculto em sua cabeça. Aproveitando o reflexo que as janelas do carro proporcionavam, a garota encarou sua imagem, não para arrumar o penteado, mas sim para verificar os estragos causados.

O reflexo ainda mostrava uma menina de dezessete anos, estatura baixa, cabelos longos e negros, seus olhos igualmente negros estavam arregalados devido aos acontecimentos, sua expressão preocupada gerava um vinco entre suas sobrancelhas. Além de internos, os danos também apareciam do lado de fora. Sua testa assim como o lado direito do rosto continha uma arranhão vermelho, não era profundo, mas já serviam como destaque na pele branca da menina. Seus braços expostos pela regata que usava mostravam machucados parecidos, seu lábio inferior tinha um pequeno ponto dolorido, a maçã do lado esquerdo de seu rosto estava inchada, o tom roxo indicava um dos hematomas que fariam parte de seu corpo nos próximos dias, ou semanas. Seu couro cabeludo doía um pouco, mas nada grave, suas pernas pareciam intactas também, o mais marcante era seu supercilio que mesmo não precisando de pontos teimava em sangrar.

Poderia ter sido pior.

Mesmo com esse pensamento positivo os olhos negros encheram-se de agua, a menina só queria se encolher e chorar por conta de seu estado, pelo que sentia por dentro, até mesmo pela ardência que os machucados lhe provocavam. Mas ela não podia fazer isso, não agora, precisava chegar em casa e se esconder em seu refugio, onde podia desabar sem que ninguém notasse. Ajeitando os cabelos mais pra frente do rosto, no intuito de mascarar os hematomas, a menina olhou pro céu cinzento piscando os olhos repetidamente para que as lagrimas traiçoeiras soubessem que ainda não era hora de sair.

Respirando fundo pela ultima vez, a menina começou a andar novamente. Não possuía carro, teria que pegar o ônibus, ou andar trinta minutos até sua casa, ela se decidiria durante o percurso. Não queria voltar pra casa onde teria que enfrentar a sua mãe, mais tarde seus irmãos, e antes disso o castigo que lhe seria designado. Mas ela não tinha outro lugar pra ir, seu melhor amigo Nicolas estava em sua aula de dança, e a garota realmente precisava de um banho e dar um jeito naqueles machucados.

Talvez se eu tivesse mais amigos teria mais opções...

— Clary! – uma voz rouca fez a menina pular de susto. Tinha 90% de certeza que estava sozinha a não ser pelos funcionários que ainda estavam na escola. Mas aquela voz não era de nenhum funcionário isso ela tinha plena certeza. Assim que ouviu seu nome sendo chamado, a menina automaticamente lembrou-se dele.

Não pode ser! Ele sequer sabe o meu nome...

Notas finais
Obrigada por ler ^^