Notas iniciais
O início. Quero muito saber o que vocês vão achar da fanfic. Espero que seja um bom entretenimento.

Bem vindo a minha história. Chamo-me Humberto Camargo, mas todos me chamam de Beto. Vou começar a contar sobre algumas fases da minha vida. Especificamente irei falar de todos os relacionamentos que passei para encontrar o verdadeiro amor, como também de todos os perrengues em que estive para me realizar como profissional.

Tudo começa no maior caos. Terceiro ano do ensino médio. Sabe como é a pressão, não é mesmo? Pois então, eu estava enlouquecendo, sendo que o ano estava no início. Só de pensar que o futuro pesava em minhas costas e que toda a minha vida iria mudar a partir dali, nossa... Acredito que isso é comum, mas eu estava tão assustado.

Até que conheci alguém que me fez jogar tudo pro alto. E quando falo de tudo, foi tudo mesmo. Entreguei-me leve para o vento me levar para o mais longe. Vou tentar contar tudo com riqueza de detalhes, mas como minha memória infelizmente não é fotográfica, algumas coisas eu terei que inventar. Mas o principal é bastante real. É inesquecível.

Parte 1 – Escapando pelas mãos

Já era a quarta semana de aula. Aqui estava eu, na aula de matemática que eu considero muito, apesar de não me considerar de exatas. Acho que o professor me vê como um prodígio diante dos outros alunos. Isso aumenta minha autoestima, mas quando penso que é ano de vestibular e nesse exato momento milhares de pessoas estão se matando de estudar... Bom, isso me deixa inseguro.

Senti um pé acertar um chute de leve na minha perna e virei para trás. Carolina estava com uma cara de quem tinha algo para contar e não podia segurar. Como o professor tinha passado um exercício e eu já tinha feito, poderíamos conversar a vontade.

— Eu não consigo. – ela disse, bufando logo depois.

— O que foi agora?

— Já viu quem está na porta? – olhei para a porta e na mesma hora Diego olhou em minha direção. Virei rapidamente o rosto e a olhei novamente.

— Você tá apaixonada mesmo hein? Cadê a minha amiga puta? – praticamente sussurrei essa última parte para que ninguém mais ouvisse.

— Estou odiando isso. Tem tanto garoto atrás de mim e eu me apaixonei por esse idiota.

— Que bom que está percebendo que é sempre você que toma a iniciativa. Desculpe falar, mas não vejo o que viu nele.

— Tão lindo o glúteo. Mas eu vou conseguir superar. O que acha do Alex?

— Desde que ele te mandou aquele nude eu te disse pra você investir. Só precisa tomar um pouco de cuidado porque você vai acabar toda arrombada depois de sentar naquilo.

— Deus me ajude.

— Bom, já deu tempo de responderem o exercício. Vamos corrigir.

O professor corrigiu o exercício e nos liberou. Como era a última aula, me despedi de Carolina e fui para casa. Vamos a alguns detalhes sobre mim. Tenho dezessete anos e moro no Rio de Janeiro. Estudo pela manhã e faço cursinho de preparatório pro vestibular pela tarde. Digamos que moro perto da escola, por isso vou a pé. Se você considerar andar por trinta minutos perto, é claro. Como o cursinho fica mais longe, eu pego um ônibus.

Minha mãe sabe que eu sou gay, mas nunca apresentei ninguém a ela, até porque nunca namorei sério. Meu pai mora em outro estado, ele e minha mãe se separaram quando eu tinha cinco anos. Ainda nos vemos quando eu vou visita-los nas férias ou ele vem aqui a negócios.

Já que estou falando da minha família... Minha mãe trabalha num escritório de advocacia como assistente de um advogado aí. Meu pai é gerente de um supermercado que tem algumas franquias pelo país, inclusive aqui no Rio. Por isso ele viaja a negócios às vezes.

Acredito que já dei informações o suficiente, o resto se vai descobrindo. Sem enrolações, foi naquele mesmo dia, voltando do cursinho, que minha vida deu um giro.

Desci do ônibus no ponto que ficava a dois quarteirões da minha casa. Segurava o livro do cursinho e um caderno. O celular no bolso junto com duas canetas e a chave de casa. Não sei de onde, mas um garoto apareceu na minha frente. Tomei um baita susto, enquanto ele dizia pra eu passar o que tinha. Ele parecia ser mais velho, uns 23 anos. O cara então levantou a camisa, deixando a vista o que parecia um canivete preso a sua cueca.

Eu já estava pegando o meu celular no bolso, quando uma moto parou ao nosso lado. O cara da moto tirou o capacete da cabeça. Pensei que era cúmplice do que estava na minha frente e tremi mais do que já estava.

— O quê que tá acontecendo aqui?

— Você também, passa tudo.

O cara saltou da moto no mesmo instante enquanto o ladrão pegou o canivete. Afastei-me para que não acabasse sobrando pra mim. O mais sensato seria eu correr pedindo ajuda ou pra chegar logo em casa. E era o que eu queria fazer, mas não conseguia. Parecia que meus pés estavam presos ao chão com o susto. Sim, eu sou muito corajoso na hora de ver séries e filmes de terror, mas assalto é outra coisa.

O motoqueiro acertou um soco em cheio e arrancou o canivete do outro. Continuo a bater, e meu Deus, como ele era forte. Eu estava impressionado e assustado com a cena. Pensei que ele o espancaria até a morte.

— Vaza daqui seu lixinho. – acertou o último chute e o sujeito tentou correr, cambaleando. – Você tá bem? – virou-se para mim que ainda estava em choque.

— Não. Quer dizer, sim. Obrigado por...

— Tudo bem. Quer uma carona pra casa? Eu acho melhor você não ir andando.

— Aceito a carona. – tentei abrir um sorriso, mas acredito que foi um desastre. – Meu nome é Humberto, mas me chamam de Beto.

— Claro. Eu sou o Gustavo. – ele subiu na moto e fui logo atrás dele. Foi um pouco difícil me equilibrar por causa do livro e do caderno, mas consegui e Gustavo também foi devagar.

Falei onde ficava minha casa e não demoramos mais que três minutos para chegar. Desci da moto e Gustavo fez o mesmo. Não entendi essa última ação, pois pensava que ele iria embora no mesmo momento. Pude então perceber que ele era bonito. Cabelos castanhos escuros, assim como os olhos, pele amorenada, alto e certamente se dedicava a academia.

— Como vai me retribuir então?

— Ah, eu não tô com dinheiro aqui, mas posso ir pegar lá dentro bem rápido. Você deve ter gastado gasolina ou sei lá.

— Não é disso que estou falando. – fiquei bastante surpreso com sua resposta. Isso foi uma cantada ou eu tô pirando total?

— Então do que é?

— Eu sei onde você faz cursinho. Qualquer dia desses eu apareço por lá. Tchau, Beto. – juro que a maneira como ele disse o meu nome me fez arrepiar todo.

Gustavo subiu na moto, colocou o capacete e sumiu mais rápido que quando apareceu. Ou ele era gay, bi, ou ele era um “hétero” curioso que só queria me comer. Seja o que for realmente mexeu comigo.

Entrei em casa e me joguei no sofá. Não foi a primeira vez que fui assaltado. Uma vez aconteceu no ônibus e o cara estava armado. Fiquei sem celular por quase seis meses e agora que faz pouco tempo que ganhei um novo, quase o perdi. Acho que não posso mais andá-lo por aí. Merda de segurança que se tem aqui.

O celular apitou e várias mensagens de Carolina chegaram. Ela tinha se esbarrado com Alex e falava das belas pernas que ele tinha. Contei pra ela tudo o que me aconteceu e ela me gritou dando vários gritos. Disse que eu precisava pesquisar o nome dele no Facebook e ver se encontrava o motoqueiro.

— Eu nem vou me iludir. Aposto que ele vai sumir e eu nunca mais o verei. – falei, mesmo sabendo que eu já estava me iludindo pra caralho sim.

— Ai, para. Ele vai aparecer mesmo e eu já tô shippando muito. Já, já eu digo o nome do shipp.

— Já te disse que odeio física hoje? O professor do cursinho faz cada resumo que praticamente não rende nada.

— Pelo amor de Lady Gaga, você vai mesmo falar de estudo? Isso a gente conversa amanhã. Pesquisa logo o nome do boy e me manda mensagem se encontrar.

— Okay sua safada. Continue investindo no Alex que eu também vou inventar o nome do shipp.

Abri o Facebook e procurei pelos Gustavo’s. Juro que abri uns trinta perfis, mas não o achei. Avisei a Carol que não tinha achado e dei todas as características, por ordem dela, pra que ela mesma procurasse. Tomei um rápido banho e cai em sono profundo.

Então se passaram quatro dias. Era sexta e ele ainda não tinha aparecido como disse. Sei que eu disse que não estava me iludindo, mas era mentira. Claro que eu estava pensando na próxima vez em que nos encontraríamos e tudo que iria acontecer. Desde um encontro romântico até uma foda selvagem se passavam pela minha cabeça. Fala sério... Todos os outros crushs foram apenas coisa da minha imaginação, mas esse motoqueiro do caralho me deixou reais esperanças.

Sai do curso após uma aula maravilhosa de história. Além de amar a professora, eu amo a matéria e essa junção é o canto dos anjos pra mim. Estava indo em direção ao ponto quando uma moto parou do meu lado.

— Sobe aí. – era ele mesmo. Ainda mais bonito do que eu me lembrava.

— Pra onde?

— Só vai descobrir se subir.

— Preciso de mais informações. Quem você acha que sou para subir na garupa de qualquer um? – ele riu.

— Essa é a minha proposta. Eu sei que você estava esperando eu aparecer. Agora estou aqui, vai me deixar ir?

— Não.

Tá bom, talvez eu esteja fazendo uma merda, mas um grito de confiança eclodiu dentro de mim. Arriscar um pouco não faz mal né? Espero que não!

Notas finais
Anseio pelos comentários de vocês. Dependendo do desenho, já planejo postar o próximo capítulo na sexta. Até mais!