Entretenha-me, Sebastian
10 Zehn
Notas iniciais
Uma semana após o incidente do Visconde, Ciel estava cumprimentando Irene Diaz pelo seu aniversário. Sebastian ao seu lado estava alheio a tudo na festa, já que soube sobre a aparição de Druitt. Seria melhor manter-se o máximo de aproximação de Ciel antes que aquele loiro metido a sedutor voltasse a atacar. Caso ocorra novamente, a pele sedosa do Visconde não seria perdoada.
— Desculpe, mas terei de receber os convidados, fique a vontade Conde. — saiu graciosamente em direção a enorme porta do salão e já cumprimentando seus amigos.
— Algum sinal dele? — Ciel sussurrou — Espero que não ponha os pés aqui, mesmo sabendo que seria difícil isso acontecer.
— Ainda não. Mas não se preocupe jovem Mestre, estarei aqui do seu lado. Não deixarei nada e nem ninguém poderá tocá-lo sem a sua permissão.
Sorriu ligeiramente. Serviu-se de alguns doces que um dos empregados oferecia-lhe, fuzilava com o olhar as garotas que vinham até Sebastian.
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O moreno fora buscar uma bebida para o garoto, este tinha reclamado que os doces tinham lhe dado sede.
— Olha quem eu encontro.
Ciel quase gritou por Sebastian assim que viu o homem de cabelos loiros trajando uma riquíssima roupa cheia de detalhes. Segurava uma rosa vermelha.
— Que fazes aqui? Achei que Sebastian tinha cuidado disso. — suspirou.
— Aquele seu mordomo é estranho, ao menos estás sozinho. — pegou-lhe pelo braço — Podemos conversar sobre isso em um local mais reservado, que achas?
— Não acho necessidade. — puxou seu braço — Felizmente já estou de saída, podes ficar com suas dúvidas. Adeus.
Ciel fora agarrado novamente, desta vez pela cintura. Um arrepio subiu-lhe pela espinha, o mesmo toque eu usara no dia em que teve de por aquele pesado vestido rosa.
— Já disse que não quero conversar sobre nada.
Abriu a boca para dizer algo, mas sentiu uma mão em seu ombro, e logo percebeu de quem se tratava ao ver o sorriso satisfeito de Ciel. Viu a luva branca do mordomo e sentiu algo parecido o que sentira naquela noite após o jantar de negócios com o Conde. Largou o braço do garoto e afastou-se, bateu com as costas e quase sumiu em meio ao volumoso tecido de uma cortina. A movimentação acontecia na sacada onde estavam meio que ocultos pela porta que fora entreaberta.
— Boa noite Visconde. — sorriu na cara de pau — Estavam conversando? Perdoem-me pela interrupção, mas eu fora buscar uma bebida para o jovem Mestre. — estendeu uma taça com ponche de frutas para o garoto ao seu lado.
— Sempre acabando com meus momentos. — recompôs-se do susto e arrumou seus cabelos — Mas eu posso lhe perdoar desta vez.
—Vejo que… — os olhos do moreno fora para o braço que Ciel usava para manter a taça, retirou-lhe o objeto das mãos, sobre protesto do garoto, e lhe verificou — Que foi isto? — sentia seus olhos quererem mudar de cor.
— Nada de mais.
— Ele me puxou até aqui. Mas só agora eu pude ver.
Os olhos de Sebastian mudaram, e Druitt sentiu a mesma sensação daquela noite. Tentou recuar mais, mas a parede em suas costas era o limite. Um passo fora dado em sua direção; as pernas começavam a falhar. Outro passo; sentia o pavor correr-lhe os ossos. O terceiro passo; seus joelhos cederam e foram de encontro ao chão.
— Sebastian!
O moreno olhou rapidamente o garoto, este segurava o braço dolorido, seus olhos já lhe diziam tudo.
— Vamos embora, deixe-o remoendo o que fez. Será o castigo dele por ousar tocar-me. — virou e foi em até a porta, desaparecendo do campo de visão do mordomo.
— Espero que desta vez o aviso seja definitivo.
Um vulto rapidamente foi em sua direção, teve tempo apenas de fechar os olhos e esperar a dor lhe invadir. O baque no lado direito de seu corpo fora sentido. A bengala de Ciel estava empunhada por Sebastian, havia sido fincada a ponta dela na parede.
— Que tipo de demônio tu és?
— Oh? — levou o indicador ao queixo — Apenas sou um mordomo e tanto. — curvou-se — Tenha uma boa noite, Visconde. — sorriu.
A se ver sozinho, a visão de Druitt ficou turva. Desmaiou.
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Estendeu a xícara de leite com mel ao garoto. Estava cansado e aquele líquido morno o faria dormir bem, seu corpo exausto precisava de longas horas de sono. Sentado em sua cama, prestes a dormir e já de banho tomado, Ciel levantou seu braço para que o mordomo pudesse analisar.
— Ele apenas apertou demais. — passou o dedo pela mancha um pouco arroxeada — Amanhã mesmo ela estará menor, ou sumirá de vez.
— Ao menos aquele conquistador barato fora alertado adequadamente.
— Desculpe-me por não ter estado perto do jovem Mestre. — ajoelhou-se.
— Basta! — deixou o pires com a xícara vazia em seu criado mudo, ao lado do candelabro — Preciso dormir Sebastian, fique aqui até que eu adormeça.
Deitou-se. Sebastian puxou o pesado lençol até que o cobrisse um pouco acima dos ombros. Sentou ao seu lado e acariciou seus cabelos.
— Não precisas entreter-me hoje, dormirei em alguns segundos. — fechou os olhos e segurou uma das mãos de Sebastian — Eu… — os olhos pesados finalmente se fecharam, iniciando assim um sonho em uma realidade paralela, usava-a para despistar os pesadelos que por tempos fora frequente.
— Boa noite… jovem Mestre.
Selou os lábios nos dele após Ciel dormir.
— Pele macia, rosto inocente, mas um interior tão sombrio quanto. Pequeno amo… és tão especial quanto tua alma. — os olhos vermelhos brilhavam fortemente — Na hora certa essa ela me pertencerá.
Levantou-se já empunhando o candelabro. Olhou para Ciel uma última vez e saiu, sorria.
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Após o almoço, Ciel teria aula de pintura. Segurava o pincel e nem sabia como começar. Analisou de várias formas diferentes o vaso de lírios a sua frente, mas faltava algo para inspira-lo.
— Algum problema jovem mestre?
— Eu estou apenas ob… — pôde ouvir um estrondo no andar de baixo, suspirou ao imaginar o que seria — Veja o que aqueles três estão aprontando antes que ponham esta mansão abaixo.
— Sim, jovem Mestre.
Assim que Sebastian saiu ele largou o pincel e olhou mais de perto o vaso. Aqueles empregados não tomam jeito mesmo. Dirigiu-se até seu escritório e verificou as listas dos lucros da empresa raiz quando o telefone tocou.
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— Francamente.
Sebastian acabara de repor a parede que fora destruída, e como havia se atrasado em vinte minutos para o término da aula do jovem Mestre decidiu que iria preparar logo o chá do garoto. Ergueu as mangas e arrumou as luvas.
— Meirin, traga-me a menta e as laranjas. — batia com cuidado a massa do bolo.
— Aqui. — a ruiva entregou-lhe o que fora pedido, atrás dela aparecia Snake. Em seu ombro Freya dormia relaxada — Por favor, não coma ela.
— Não iremos comê-la, disse Wilde. Apenas estávamos conversando disse Keats.
— Que bom que estão tendo uma relação amigável. — Sebastian sorriu; sua preciosa Freya dormindo era uma tentação para o mordomo.
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— Sebastian!
A porta fora aberta no segundo seguinte, o mordomo entrou já com a bandeja. Ciel estava sentado em sua cadeira e olhava para um dos muitos papéis da pilha em frente, parecia cansado de tanto ler. Sebastian sorriu e preparou a xícara do chá e a fatia de bolo de laranja com menta.
— Sebastian, um amigo seu ligou. — olhou-o sério — E nos convidou para passar alguns dias em sua casa. Diga-me como é essa pessoa?
— Amigo? Mas eu não tenho amigos e…
— Não foi o que esse Héracles Karpusi disse.
Algo no mordomo despertou a curiosidade do garoto, aquele sorriso bobo dele não era normal, só quando estavam a sós.
— Quem é?
— É o nosso principal fornecedor de azeite de oliva da Grécia e dos melhores peixes do Mar Mediterrâneo. — estendeu a xícara de chá e o bolo.
— Lembro que já dissestes isso uma vez.
— Sim jovem Mestre. — pôs o dedo no queixo — Mas parece que para ele querer nos convidar assim deve ter algum motivo em especial.
— Esqueça, não iremos, tenho trabalho demais para lidar aqui e não temos tempo para sair em viagem. — bebericou de seu chá.
— Mas jovem Mestre…
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Ciel andava emburrado pelas ruas de Atenas a dois metros a frente do mordomo que vinha logo atrás com duas malas. Seu sorriso estava relativamente maior, sorriso de vencedor.
— Não acredito que usastes daquilo para me convencer, maldito. — resmungou, mas óbvio que Sebastian tinha escutado. Seu sorriso aumentou.
— Mas jovem Mestre…
Ciel cruzou os braços e virou a cadeira. Sebastian ficou de frente para o garoto e pegou-lhe pelo rosto.
— Acho que poderias reconsiderar.
Beijou-lhe. Estavam perto demais da janela e os empregados poderiam ver tudo o que se passava lá de baixo. Ciel tentou se desvencilhar dos braços dele e puxar a cortina, mas fora parado; Sebastian era infinitamente mais forte.
— Sebas…
— Fique quieto.
— Os empregados…
— Só lhe largarei assim que reconsiderares.
— Isso, por acaso, é algum tipo de intimação? É isso que pretendes?
De repente pôde ver Finny montado em Pluto, estavam voltando de um passeio. O desespero do garoto aumentou e passou a se debater mais ainda, mas os beijos do mordomo não cessavam.
— Nós vamos! — praticamente gritou.
Então antes que o jardineiro pudesse erguer o olhar e ver o mordomo e seu Mestre aos beijos, a cortina vermelha fora puxada de forma que os encobrisse em um tipo esquisito de casulo.
— Obrigado, agora vamos aproveitar um pouco desse perigo.
Voltou a beija-lo.
Assim que seus passos cessaram, o mordomo apenas o alcançou, parando ao seu lado.
— Espero que ele não demore.
— Não vai.
O nariz de Ciel começou a coçar e ficar vermelho; espirrou e correu para longe do outro, retirou um lenço do bolso de seu casaco e tampou o nariz.
— Não vamos leva-la.
Freya estava no ombro de Sebastian, dormia tranquilamente.
— Mas jovem Mestre…
— Disse para ficares longe! — gritou.
— Desculpe, mas se tratando de Héracles… eu não podia simplesmente deixar ela em casa.
Duas orelhinhas pretas apareceram no ombro direito de Sebastian, logo os olhinhos cor de âmbar brilhavam. Um miado foi o suficiente para que o moreno pudesse pega-la no colo e começar a sorrir bobamente, apertava as patinhas dela. Ciel virou-se irado, vontade de comer aquela gata, tinha e muita, mas a tinha deixado em poder dele… fazer o que…
— Suas patinhas estão mais rosadas que antes. — os olhos de Sebastian brilhavam como nunca — Digna de uma gata da mansão Phantomhive. — abraçou a felina.
— Espero não tê-los feito esperar o bastante.
Um homem da altura do mordomo apareceu detrás de um muro, ligeiramente despreocupado e com os cabelos castanhos desarrumados. Os olhos verdes foram logo para a gata no colo de Sebastian.
— Está é Freya.
— Vejo que trouxestes mais amigos, Sebastian. — apertou-lhe a mão e logo apertou a pata da gata — Bem-vindos à minha casa, Sebastian, Conde Phantomhive e Freya. Vamos entrar, podemos conversar melhor.
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Ciel tomava um chá enquanto mantinha o lenço no nariz. Se soubesse que a casa do grego era cheia de gatos assim teria resistido em sua resposta final. Restava-lhe resmungar pelos cantos.
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