Entretenha-me, Sebastian
14 Vierzehn
Notas iniciais
Após pegar uma chuva depois de correr atrás de um maníaco — sim! era mais um trabalho da Rainha — pelos campos de Londres, mesmo que o homem tenha morrido afogado em um rio por Sebastian, Ciel pegou uma gripe. O mordomo tomou todos os cuidados possíveis para evitar uma nova crise de asma, e ainda tinha de lidar com o mau humor do garoto frequentemente.
— Nem doente ele deixa a carranca de lado. — murmurou enquanto preparava um leite quente para o garoto.
— Que disseste? — o olhar duro de Ciel foi direcionado para o mordomo que estava de costas.
— Bem. — virou-se — Aqui está.
O menino suspirou e bebeu em pequenos goles o líquido morno. Sentia frio por causa da febre e a cabeça começava a doer, mesmo após a medicação que havia tomado. Sebastian virou-se para o homem que escrevia a receita médica.
— Aqui os medicamentos que ele deve tomar, é apenas uma gripe, mas todo o cuidado é pouco, ainda mais pela fragilidade que pode ter por causa da asma. — entregou o papel ao moreno — Pela noite a febre deve ter ido embora e o Conde melhorado. Se os sintomas persistirem, contate-me o quanto antes.
— Sim, muito obrigado!
Após as despedidas, Sebastian voltou ao quarto para observar seu Mestre. Ciel estava quase dormindo e olhava sonolento para o teto. Sentou-se ao seu lado e passou os dedos pelo rosto macio do garoto. Sentia-se culpado pelo seu estado atual, não deveria tê-lo deixado correr até o homem naquela tempestade. Deveria ter afogado o assassino antes de terem saído do galpão.
Suspirou. Os dedos pequenos e frágeis do garoto seguraram fortemente a mão dele.
— Não é culpa tua.
— Mas…
— Não diga nada, a culpa é minha, somente.
Uma pequena pausa entre eles foi o suficiente para surgir um sorriso do mordomo. Permitiu-se sentar ao seu lado, mas como o espaço era pouco, levantou um pouco o corpo do menino para que pudesse deitá-lo entre suas pernas. Cobriu-o, adorava estar pertinho dele, chegava a ficar bobo quando estavam a sós.
— Agora me diga por que tivemos de sair às pressas?
— Sabia que perguntaria isso. — sorriu — Grell estava vindo e seria apenas um atraso se ele avistasse-me naquele momento, já que eu prezava a tua saúde.
— Realmente.
Mais uma pausa.
— Estou sem sono.
— Apenas aprecie o momento, não é sempre que podemos ficar tão juntos assim pela tarde.
Novamente uma pausa, mas desta vez ambos ficaram em silêncio até que o garoto dormisse. Ainda bem que tinha dito aos empregados que ele cuidaria do jovem Mestre pelo resto do dia e que não se preocupassem; Sebastian confiou os assuntos restantes em Agni, já que este conseguia lidar melhor com os outros. Ainda deixou bem nítida a regra de não entrar no quarto do jovem Mestre sem sua autorização, assim poderiam ter mais privacidade. Pela manhã, Finny havia entregado uma rosa branca para o mordomo pedindo que fosse dado ao garoto, sentia que ele poderia melhorar ao ficar com a rosa que ele tanto gostava. Agradeceu com um sorriso, cumprindo o desejo do jardineiro.
Olhou para o rosto sonolento dele e lhe apertou a cintura. Esticou o braço até chegar ao criado-mudo, pegando a flor que fora deixada ali. Os espinhos foram retirados e a pousou delicadamente perto do rosto de Ciel. Um pequeno sorriso se formou no rosto infantil, virando a face em direção as pétalas.
.x.
Agni preparava seu famoso curry com a ajuda de Bard e Snake, Meirin organizava os pratos e talheres que seriam postos a mesa; faltava Finny que estava alimentando Pluto e Freya no jardim. Príncipe Soma apareceu ali e abraçou seu mordomo, choramingando.
— Eu quero ver Ciel!
— Sebastian disse para ninguém ir ao quarto de Mestre Ciel por hoje. — provou alguns ingredientes — Então se aplica ao Príncipe também.
— Mas eu estou com saudades.
— Amanhã ele estará melhor e Sebastian o deixará vê-lo.
— Mas eu quero vê-lo agora.
— Não poderei acatar seu pedido, Príncipe, são ordens do mordomo.
Emburrado, Soma saiu da cozinha pisando duro; as bochechas infladas de ar. Agni apenas suspirou, não poderia deixar de mexer na panela agora, teria de conversar com ele depois. Olhou para o relógio, quase hora do jantar e Sebastian havia aparecido apenas para preparar lanches e chá para Ciel, então não demoraria a que ele aparecesse para levar o jantar.
— Agni!
E lá estava ele, em seu impecável fraque, com um sorriso maior que o normal.
— Preparei um curry leve para ele, com os ingredientes que me passastes. — entregou a bandeja ao mordomo.
— Ótimo e obrigado, após o jantar já estão dispensados. — virou-se — E diga ao Príncipe Soma que amanhã o jovem Mestre já poderá receber visitas.
— Direi.
Retirou o avental e seguiu para a sala de jantar, onde o indiano estava. Serviu-o com o curry, todo sorridente.
— Sebastian disse que amanhã Ciel poderá lhe ver.
— Mas eu queria vê-lo hoje!
— Príncipe, entenda que o conde está doente, o mordomo está cuidando pela sua saúde, vai ficar tudo bem.
Fez um bico e concordou com o outro.
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Ciel sentia-se melhor após o jantar, as dores nos músculos que tinha sentido pela manhã já haviam passado. Sebastian percebeu que o menino o obedecia sem reclamar, até mesmo aceitando que o mordomo o alimentasse na boca.
— Então… — Sebastian olhou para a cama — O que faremos com essas rosas?
Finny desejava que o mestre ficasse bom logo, então mandou várias rosas que ele mesmo colheu. O conde quase teve um ataque só de imaginar o que o jardineiro poderia ter feito com as flores. Mas Sebastian informou que ele mesmo cuidaria desse assunto no dia seguinte, já que tinha uma leve noção.
— Estou me sentindo melhor. — esticou os braços para o alto — Então já que Finny se deu o trabalho de colhê-las, seria um desperdício deixa-las murchando no criado-mudo. Podes tirar-lhes as pétalas e as prepare em meu banho. — deitou.
— Sim, jovem Mestre.
Pegou as rosas e as levou ao banheiro. Preparou a banheira com água morna e tudo que seria usado, então em uma vasilha ele separou as pétalas que tirava uma a uma. Ao terminar, voltou ao quarto; Ciel desceu da cama e acompanhou o mordomo.
— Então quer dizer que Soma ainda ficará aqui por mais uma semana?
Sebastian arrumou as mangas de sua camisa branca e pegou uma esponja.
— Sim, Príncipe Soma está sendo teimoso novamente e quer estar ciente de que o jovem Mestre esteja bem depois dessa gripe.
— Soma não muda mesmo.
Após longos minutos de silêncio, o mordomo levantou e espalhou as pétalas de rosas pela banheira.
— O branco delas é tão puro… apenas as flores são assim. — olhou para o outro — Sinto que estou as tornando impuras só de tocá-las.
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No dia seguinte, Soma não desgrudara de Ciel, nem mesmo enquanto trabalhava. Sebastian sorria com a preocupação que o príncipe passava ao garoto, mesmo que não fosse mais preciso, já que ele estava bem melhor da gripe. Mas colocar isso na cabeça oca do indiano era o mesmo que falar com uma parede.
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