Entretenha-me, Sebastian
15 Fünfzehn
Notas iniciais
Sebastian olhava preocupado para a carta a sua frente.
— O jeito será contratar um novo professor de história.
O antigo professor de Ciel havia sido morto por envenenamento em um baile, o suspeito seria o amante de sua esposa. Um de seus filhos, que era professor de inglês, havia mandado a carta contando o triste fato ao Conde Phantomhive assim como o porquê de ter de partir com toda a sua família de Londres para Roma, abandonando a mãe. Agora, o mordomo tinha a tarefa de contratar um bom professor o mais rápido possível.
— Bem, teremos de ver mais isso. — suspirou.
.x.
— Snake!
O mordomo passava pelo jardim e o encontrara junto de Finny, ambos podavam as árvores mais baixas. Pluto estava dormindo à sombra de uma das plantas, todo preguiçoso. Freya esta por ali com Betty.
— Estamos saindo para Londres, venha conosco, seus serviços serão necessários. — virou-se para o jardineiro — Finny, assim que terminar entre para a preparação do jantar. Agni cuidará desta parte enquanto estivermos fora.
— Sim!
— Sim!… disse Bronte.
.x.
Ciel olhava a movimentação na loja que vendia os brinquedos de sua empresa. Dois garotos saíam com seus pais dela e com um enorme coelho negro. Suspirou, ainda sentia saudades de seus pais, e sabia que isso ele não poderia deixar de lado, tanto que ainda mantém forte o desejo de encontrar com seus assassinos. Olhou para o lado e viu Sebastian conversando sobre as compras que foram feitas; mesmo na dolorosa ausência dos pais, Ciel sentia que podia ser feliz ao lado do mordomo. Só não poderia dizer o mesmo após seu maior desejo ser cumprido, já que o contrato com o demônio era por sua alma como o preço de seu poder.
— Jovem Mestre?
Despertou de seus pensamentos, Sebastian o olhava curioso.
— Aconteceu algo?
— Nada, estava apenas pensando. — virou para Snake — Então… agora só falta passar na loja de cristais. A encomenda deve estar pronta.
Andaram alguns metros e após virar a esquina chegaram ao local. Era a última parada e seria rápida. Então Sebastian pediu a Snake que ficasse do lado de fora que voltariam logo.
— Nunca tive essa visão de Londres, disse Dahn.
Distraído com a movimentação e um pouco envergonhado com os olhares que ganhava das moças que passavam — devido à sua pele — deu um passo para trás; ouviu a voz de Ciel e achou que já estavam voltando da loja. Virou-se e acabou colidindo com um homem que acabava de virar a esquina. Ambos foram ao chão. Assustado e nervoso, Snake pôs-se de pé o mais rápido possível e estendeu a mão para o outro.
— Obrigado! — ele aceitou, mas o primeiro contato fora estranho devido à estranha pele dele. Sorriu e pegou a mão sem qualquer reação de repulsa — Desculpe-me, eu andava distraído e…
Snake estranhou aquele sorriso, normalmente as pessoas sentem nojo de sua estranha pele e procuram se afastar o máximo possível dele. O único carinho que havia recebido fora dos membros do circo… Mas essa página foi virada em sua vida. Agora tinha um emprego decente, moradia e amigos — além de um ambiente ideal para suas cobras na estufa da mansão.
— Não, a culpa foi minha e… — envergonhou-se.
— Então no caso ambos são culpados, não? — sorriu — Não precisa se sentir assim, acidentes acontecem. — olhou-o mais de perto e lhe tocou o rosto — É estranho… sua pele é exótica igual de uma cobra.
— Eu… — a voz do coitado simplesmente não saía, era tímido demais e não sabia o que falar para evitar que fosse olhado como aberração.
— O meu nome é Petrus e qual seu nome?
— Snake… — disse baixo, a última parte — disse Dhan.
Ciel andava ao lado de Sebastian, este vinha carregando um pacote. Ao saírem do estabelecimento, viram Snake conversando com Petrus. Por alguns instantes ficaram ali parados observando a cena com curiosidade. O homem era dois palmos mais alto que o empregado a sua frente. Os cabelos em um tom de castanho bem claro, era curto e levemente bagunçado para o lado esquerdo. Algumas de suas mechas mais rebeldes caíam-lhe pela lateral do rosto. Os olhos azuis analisavam Snake cuidadosamente.
— Bem, eu não conheço muito desta cidade, eu trabalho para Smile e é raro eu vir por aqui, disse Dhan.
— Que interessante.
Snake tomou um susto ao ver que o outro tinha notado a sua pequena cobra perto de sua orelha. Com a mão direita, enluvada, tocou a cabecinha minúscula do animal.
— Minha mãe era uma bióloga que amava estudar sobre cobras. Bem… — afastou-se — Obrigado de qualquer forma, eu irei verificar os melhores hotéis aqui por perto. — ele sorriu gentilmente ao outro.
Sebastian deu um passo à frente e se manifestou.
— Boa tarde, vejo que nosso empregado não conseguiu lhe dar à informação. — curvou-se — Gostariam que eu pudesse ajuda-lo?
— Sim, obrigado. — Petrus apresentou-se e fez o mesmo com o irmão — Chamo-me Petrus Siegman. Eu sou da Alemanha e resolvi vir para Londres a fim de morar aqui. Mas preciso hospedar-me. O senhor conhece algum hotel por perto? — disse sorridente.
— Entendo… se o Senhor quiser uma lista dos melhores, eu posso providenciar.
— Não será necessário, um aqui por perto já está ótimo. — disse Petrus, a mão foi ao ombro a fim de massageá-lo — A viagem me foi cansativa e há uns dias não durmo direito, tive de dar aulas para uma jovem antes de viajar. Então não me importo de ficar em qualquer hotel ou casa de pensão.
Ciel aproximou-se para melhor ouvir o diálogo.
— Desculpe-nos a intromissão, mas… o senhor és professor? — analisou o homem de mais perto.
— Sim, de história geral.
Uma pequena troca de olhares do garoto e o mordomo foi o suficiente.
.x.
Fechou o livro e o deixou junto de outros dois em cima da mesa. Estavam na biblioteca desde as três, então não demoraria a que Sebastian chegasse com o chá da tarde.
— Vejo que estamos tendo resultado. — disse o mordomo assim que apareceu com o carrinho — Ainda bem que coincidimos com o senhor, caso contrário teríamos atrasado com as aulas. — suspirou.
— Não tem problemas, o conde aprende rápido o assunto.
.x.
Ciel havia hospedado o alemão na mansão assim que foi decidido por Sebastian que seria o novo professor do garoto, além de ganhar seu próprio quarto ainda receberia salário. Petrus adorava gatos assim como Sebastian e disse que fazia questão de cuidar de Freya e Pluto em suas horas vagas — já que os empregados não podiam tomar conta de todos, pois tinham seus próprios afazeres / destruir cozinha / paredes / ou meia mansão — e ainda tomaria conta da estufa junto de Finny.
— Ainda não entendi por que insistiu que ele more conosco.
O garoto ainda não entendia, já que Petrus afirmou que poderiam estar hospedados e vir três vezes por semana para as aulas, mas o mordomo veio com a ideia de ele poder morar na mansão. Resolveu perguntar após a saída do professor.
— Como o mordomo da mansão Phantomhive, é meu dever testar antes os novos empregados. E de acordo com os resultados eu o classifico em uma posição de acordo com seu trabalho mostrado. — sorriu-lhe.
— Sim, mas o que viste de tão especial neles para merecerem seu respeito?
— O jovem Mestre logo saberá.
— Quê?
Sebastian estendeu a bandeja, a carta da Rainha estava ali.
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