Notas iniciais
Olá queridos, desculpem a demora na postagem, eu estava sem internet, de novo, ela fica de sacanagem comigo. Mas por fim hoje ela voltou e deu tempinho de revisar o texto e finalmente atualizar.

Todos os empregados perceberam o clima tenso que encobria a mansão, principalmente quando Ciel e Sebastian estavam no mesmo cômodo; seja na sala de estar, sala de jantar, estufa… até mesmo na carruagem, o que era pior. Havia passado dois dias de aquela discussão e eles não falavam mais do que o necessário, como as ordens e as refeições, apenas.

— O que será que aconteceu? — Meirin sussurrou preocupada para Bard e Finny.

— Não fazemos a mínima ideia. — resmungou o cozinheiro.

— Senhor Sebastian anda meio estressado esses dias. — o loirinho escondeu-se por trás da mesa.

Snake apenas ficava alheio à conversa, ao seu lado Freya dormia após sua generosa refeição de leite quente. Sebastian apareceu amarrando o avental e preparando as luvas para temperar a carne a sua frente.

— Poderiam retirar-se da cozinha, por favor, eu terei muito a fazer.

Sem mais palavras, todos sumiram em menos de dez segundos. Os olhos do moreno pousaram na gata que acordara e veio enroscar sua cauda em seu tornozelo. Ele suspirou.

— Só tu me entendes Freya.

A felina miou como se tivesse compreendido a frase, sentou-se aos seus pés e o observava com os olhinhos curiosos o seu dono preparar a comida.

.x.

Ciel não conseguia se concentrar no trabalho, errou seu próprio nome e suspirou, largou a caneta de pena e escondeu o rosto nas mãos. Não queria chorar novamente e resmungou algo.

— Com sua licença. — Sebastian entrou com a bandeja do chá das cinco, seu rosto expressava neutralidade. Ciel percebeu que nem mesmo o “Jovem Mestre” fora dito — A senhorita Irene Diaz o convidou para uma festa de celebração de seu aniversário. — estendeu um convite dourado ao garoto — Estou a voltar aos meus afazeres.

Ao pegar o papel e ler o destinatário, Ciel levantou os olhos para dizer algo ao mordomo, mas este já havia desaparecido. Fechou a cara novamente, aquele idiota não deixava brechas para que pudesse entendê-lo. Largou o convite separadamente dos outros papéis da empresa, levantou-se da cadeira e foi até a janela. Tocou o vidro com a mão esquerda e observou atentamente a cena lá em baixo.

Sebastian andava com a pequena Freya nos braços, sorridente, acariciava as patinhas macias e rosadas que ele tanto se derretia.

— Mal briga comigo e já corres para as patas dela, idiota. — virou e fechou as cortinas em um só puxão.

Sentiu inveja e ciúmes da gata.

.x.

Ciel acordou de repente em cima da mesa, alguns dos papéis espalhados pelo chão e o rosto “amassado”. Repreendeu-se por ter dormido em pleno trabalho, agora teria de organizar as folhas espalhadas e acelerar o passo no resto da papelada que ainda estava acumulada desde a manhã. Ao seu lado estava a célebre bandeja de prata com scones e uma fatia de torta de maçã com chocolate e raspas de limão; a sua xícara de chá também. Por quanto tempo o lanche estava ali? Não sabia… apenas deduzia que Sebastian esteve ali e não lhe acordou e nem advertiu para as outras atividades que foram programadas para a tarde.

Estava fazendo um pouco de frio.

Suspirou.

.x.

Logo anoiteceu e Ciel já tinha decidido o que faria da sua relação com Sebastian. Em silêncio eles permaneceram desde o banho até a sua acomodação na cama. Ao término de seu trabalho por ali, o mordomo virou-se para pegar o castiçal da mesinha e finalmente sair do quarto, foi quando Ciel lhe dirigiu a palavra.

— É assim que queres que se torne a nossa relação de patrão e mordomo? — em uma voz tão baixa que se não fosse a incrível audição do moreno provavelmente não passaria de um ruído despercebido. O rosto expressava certa neutralidade como uma forma de confiança em suas próprias palavras.

— Eu apenas ajo da forma que o jovem Mestre deseja. — virou-se para a cama, Ciel estava virado para o outro lado — Por acaso meu comportamento lhe incomoda?

— Não, tu estás fazendo nada mais que o teu trabalho.

— Então nada mais a se debater, com sua licença. — curvou-se e ia sair.

Fique! Só sairás quando eu ordenar! — sentou-se na cama e finalmente fitou os olhos vermelhos do mordomo, e de relance pôde ver as pontas de seus afiadíssimos caninos.

— Deseja mais alguma coisa, jovem Mestre? — o tom saiu um pouco mais baixo que o habitual, e para Ciel soou como uma forma de irritação.

Afastou o pesado lençol e pôs as pernas para fora da cama, fez um pequeno sinal para o outro a fim de que ajoelhasse a sua frente. Irritado, Sebastian o fez. As mãos que antes estavam segurando o tecido, agora seguravam firmemente o fraque, o rosto do outro bem próximo ao seu.

— Vejo que estás muito bem e não precisa de mais nada.

— Preciso sim. — apertou os dedos — Sabes muito bem do que preciso.

— É mesmo? — sorriu sarcástico — E do que precisas? De ver-me humilhado e aos teus pés como gostas de fazer?

— Resposta errada… é do teu amor. — a voz quase falhou, mas Sebastian percebeu, então continuou calado para entender do que aquele garoto estava tentado lhe falar — Nenhuma outra pessoa sabe mais de mim do que tu, então és óbvio perceberes que eu estava sentido a tua falta. — com um olhar mais carinhoso, Ciel permitiu seus dedos subirem até o rosto dele — Custava ter me dito o que eu tinha perguntado? Não era preciso discussão alguma e muito menos ter terminado comigo. — sorriu — Terminado não… aliás, só terminasse algo assim que eu desejar.

As mãos foram para a gola do fraque, puxando-os para mais perto de seu rosto. Um breve selinho, e logo vários outros para compensar o tempo perdido.

— Da próxima vez que fizeres uma cena igual àquela em meu escritório eu ordenar-te-ei passar uma semana ao lado daquela cabeça de tomate ambulante do Grell. — sorriu levemente ao sentir o demônio tremer em suas mãos — Agora volte para teu trabalho imediatamente. — largou-o.

— Sim, meu Lorde. — suspirou. Aquele pirralho não perde por esperar. Pegou novamente o castiçal para sair do quarto.

— Para onde achas que estás indo? — Ciel cruzara os braços ao ver a leve confusão que estampou o rosto do outro — Teu trabalho pode esperar, eu falei do outro “trabalho”. — sorriu maliciosamente.

Devolvendo o sorriso, Sebastian assoprou as velas e a escuridão tomou conta do quarto inteiro. Um baque baixo fora sentido por Ciel ao ser derrubado de surpresa pelo mordomo, os olhos avermelhados brilhavam sedentos de amor, logo os seus lábios estavam mais do que ocupados no momento para poder retrucar algo.

— Vejo que andaste muito carente nestes dias, jovem Mestre. — deu um pequeno risinho.

— E o que posso fazer se tenho necessidades amorosas? — abraçou-o.

— Tens razão, só não exageres demais, ainda és muito novo para certos tipos de carinho.

— Bom; isso pode ficar o teu critério, por mim, tudo bem.

— Mais que garoto safado… com quem andas aprendendo esse tipo de coisa? — deu um sorriso malicioso — Porque se for Undertaker…

— Não tem nada a ver com ele ou com qualquer pessoa, apenas tenho conhecimento sobre esse assunto a partir dos livros que eu li escondido na biblioteca da tia Angelina.

— Não sabia que ela lia histórias desse tipo.

— Também não; mas enfim, se for para acontecer contigo, que seja. — sentia o rosto arder, e o escondeu no peito do moreno — Tu serás o meu único… — a voz pareceu se perder na medida em que dizia cada palavra. Sebastian não pôde deixar de rir da situação.

— Que bom que pensa assim, jovem Mestre. — desceu um pouco a sua mão até o meio das costas do garoto — Mas preocupo-me com o futuro… acho que tenho medo de perder-te. — a última frase fora dita enquanto fitava o teto do quarto.

— A não ser que aquela sua proposta em me transformar em um demônio esteja de pé. — beijou-lhe o pescoço — Mas em nossa condição tudo se tem um jeito.

Rapidamente pensou em um Ciel demônio, realmente não teriam com o que se preocupar, a não ser por aquele tormento de vermelho, vulgo Grell, não os importunasse; até aí ambos sairiam no lucro.

— Mas ainda pensarei melhor sobre isso, por enquanto deixarei por viver mais um pouco e quem sabe… crescer mais para ficar adequado.

Ciel fechou a cara e retirou os braços para cruza-los logo em seguida; tudo isso acompanhado de um imenso bico. Deu-lhe um pontapé na canela.

— Sem piadas, demônio.

Riu. Sebastian o pegou novamente pela cintura e puxou-o de volta para si. Nada mais fofo para ele que a birra daquele garoto; a não ser gatos, claro.

.x.

Na manhã seguinte, os empregados estranharam um pouco a demora de Sebastian. Mal eles sabiam que naquele instante, Ciel acordara abraçando ao moreno, após ter alguns minutos de pura luta contra o pesado lençol que parecia sufoca-lo.

— Bom dia, jovem Mestre. — as mãos estavam sem as luvas, estas se encontravam jogadas em algum canto do criado mudo, passearam pelos cabelos do garoto. Arrumou a gola da camisa de dormir do pequeno.

— Hm… — este apenas ajeitou seu rosto no peito de Sebastian, voltando a dormir.

— Não se importaria em nada de começar o dia um pouco, digamos que uma hora, mais tarde, não Sebastian?

Notas finais
Espero que tenham gostado, e não pensem besteiras, ainda não aconteceu nada a mais...sinto que tem gente pensando que sim, mas não rsrsrs.