Entretenha-me, Sebastian
5 Fünf
Notas iniciais
— Vamos, Sebastian, eu estou cansado. — Ciel resmungou assim que deixara o local após concluir mais um dos trabalhos a mando da Rainha — Odeio sair de casa para vir à Londres.
Sem dizer uma só palavra, o moreno foi até a carruagem e abriu a porta para que seu amo pudesse entrar, entrou em seguida para que o cocheiro pudesse seguir viagem.
— Acho que tem algo de errado comigo esses dias. — ele olhava para a janela, seus olhos semicerrados fitavam a rua movimentada de Londres.
— Por que achas isso?
— Tenho tido sono frequentemente, caso não tenha percebido.
— Claro jovem Mestre, mas achei que era natural.
— Pois não é.
Resmungou mais alguma coisa que saiu como um simples emaranhado de palavras indecifráveis para o mordomo, e apoiou-se em seu ombro. Como estavam sozinhos no veículo, Sebastian tratou de puxar a cortina e fechar a janela. Puxou mais para perto o garoto e deu-lhe um beijo na testa após acomoda-lo melhor em sua posição.
— Humanos… sempre tão frágeis como vidro, já crianças são como bolhas de sabão. — os dedos sentiam os fios macios e sedosos, mesmo com a mão enluvada — O que seria de um mordomo Phantomhive se não pudesse lhe confortar e proteger sempre que necessitas? — sorriu.
.x.
Durante todo o trajeto, Ciel permaneceu adormecido nos braços do moreno. Ao chegarem à mansão, tomou todo o cuidado ao leva-lo até o quarto sem que o acordasse. Era tarde ainda e pelo que se via no céu uma chuva torrencial se aproximava rapidamente. Como o dia de trabalho para o jovem já tinha terminado, tratou de apenas deixa-lo descansando, afinal, merecia depois de cinco dias procurando incansavelmente um misterioso assassino. No final, acabou que teve de cuidar de dois ou três ferimentos superficiais e uma luxação no ombro, resultado de um baque violento contra a parede, mas isso fora contornado.
— Mas ainda é cedo. — reagiu ao ver a xícara com leite e mel em suas mãos — Nem ao menos é começo de noite, aliás.
— Mas estás cansado, não posso deixa-lo se forçar demais no trabalho. — estendeu novamente a xícara — E além de que, não tem mais compromissos para hoje, então podes tratar de tomar o leite e dormir. Isso lhe fará bem.
Suspirou e tomou um gole.
— Bote um pouco mais de mel. — fez um bico — Não está doce o suficiente.
Sebastian estranhou um pouco, sabia a medida do mel minuciosamente, mas não disse nada, devia ser apenas para adoçar mais ainda. Um leve sorriso estampou em seus lábios. Ao botar mais uma dose generosa de mel, o garoto novamente provou o líquido morno.
— Agora está bom.
— Jovem Mestre…
O olhar do garoto levantou e analisou a face enigmática de Sebastian. Um leve selinho para provar o doce dos lábios de Ciel fora o estopim para que começasse uma série de carinhos. Retirou as luvas brancas do mordomo e aproximou-se mais dele, a mão com a marca do contrato subiu a nuca do pequeno começando a brincar com seus fios sedosos. A xícara fora retirada calmamente de sua posse e colocada de volta no carrinho ao lado da cama.
— Achei que eu deveria dormir mais cedo.
— Apenas reivindicando o que é meu apenas por uns instantes… — afastou-se um pouco — Mas se queres dormir, eu farei isso. — levantou e pegou de volta as luvas, arrumou o fraque levemente amassado.
Em um impulso só, Ciel pulou no colo do moreno, este o pegou rapidamente em um ótimo reflexo.
— Esqueceste-te de quem dá as ordens por aqui? — sorriu — Só sairás se eu ordenar, demônio.
Voltou a arrastar Sebastian para seu lado na cama.
.x.
Após o chá das cinco, Ciel resolveu dar uma volta pela estufa para apreciar as novas flores que Sebastian tinha encomendado da Holanda, eram tulipas das mais diversas cores. Retirou sua luva de seda preta e tocou algumas pétalas, eram macias e aveludadas; percebeu que olhava o anel com o rubi, o presente que ganhara de Sebastian.
— Não se preocupe amigo, um dia tu encontraras uma garota que não rejeitará e ambos serão muito felizes.
Era a voz de Bard, e estava muito perto de onde estava. Cautelosamente foi até a fonte da voz. Ele ficou escondido entre enormes vasos de plantas, os ramos o ocultavam perfeitamente. O que dava para se ver era o cozinheiro agachado que conversava com Snake, este segurava uma revista e mantinha as bochechas muito coradas. “O que será que estão vendo?” perguntou-se em mente.
— Acho que sim…
Ao descobrir o conteúdo da revista, após ler a capa, sentiu as suas bochechas vermelhas. Como é que aquele loiro foi comprar uma revista desse tipo? Lentamente saiu de seu esconderijo e voltou para seus aposentos o mais rápido possível.
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— Sebastian!
A porta se abriu e o mordomo entrou em seu traje impecável, a bandeja de prata com um pedaço de bolo de maçã.
— Sim, jovem Mestre?
— Bard tem comprado aquelas revistas de novo e agora está compartilhando com Snake. — deu ume curta pausa — Eu nunca vi revistas assim com casais homo… como nós dois.
— Jovem Mestre! — franziu a testa — Esse tipo de revista não é adequado para uma criança ler.
— Não me chame de criança, mordomo. — irritou-se.
— Ainda és muito inocente para saber sobre isso. — estendeu o prato de porcelana branca com o bolo.
— Eu queria saber por que não existem revistas assim.
— Não é que não existam… eu apenas faço o possível para que meu jovem amo não tenha contato com elas.
— Sebastian! — ele levantou-se — Eu quero saber sim, quero saber se esse nosso tipo de relação é mais comum do que parece.
— E o que custa perguntar isso a mim?
— É, percebesse que fazes de tudo para que eu saiba o mínimo possível. — sorriu magoado.
— Apenas entenda que faço o suficiente porque és novo demais para saber.
— Mas e a nossa relação? Será mesmo que fizeste o suficiente para que esse “nós” não existisse?
Os olhos do mordomo mudaram de cor, o vermelho brilhou intensamente o que fez Ciel tomar ideia da dimensão que a discussão estava tomando. Mas ele era Ciel Phantomhive, lógico que não iria recuar com tanta facilidade.
— Então se achas isso, esse “nós” pode terminar aqui e agora. — endireitou-se e deixou o prato na mesa — Com sua licença, eu estou retornando à cozinha.
Assim que a porta se fechou, o garoto socou a mesa com toda a sua raiva, teria noção de que ficaria roxo, mas não ligaria. Perdeu o controle da discussão e acabou que “perdeu” seu mordomo. Não queria chorar. Não podia, tinha um nome a zelar, um orgulho a manter. E não seria Sebastian que o desmontaria. Seria?
Mas naquela tarde, ele chorou em silêncio.
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