Notas iniciais
LEO
Ele estava atordoado demais para se mover, mas Calipso se ergueu.
— Depressa!
Ela correu pela praia, pegou alguns sacos de suprimentos e levou-os até a jangada.
— Não sei quanto tempo ficará aqui!
— Mas...
Leo se levantou. Suas pernas pareciam ter se tornado pedra. Acabara de se convencer de que tinha mais uma semana em Ogígia. Agora, não tinha nem tempo para terminar o jantar.
— Essa é a jangada mágica?
— Dã! — gritou Calipso. — Talvez funcione como deve e o leve para onde quer ir. Mas não podemos ter certeza. A magia da ilha obviamente está instável. Você deve levar o seu dispositivo de orientação para navegar.
Ela pegou o console e correu em direção à jangada, o que fez Leo se mover. Ele a ajudou a prendê-lo à jangada e passar os fios até o pequeno leme na popa. A jangada já era equipada com um mastro, de modo que Leo e Calipso arrastaram a vela para bordo e começaram a trabalhar no cordame.
Trabalharam lado a lado em perfeita harmonia. Nem mesmo entre os campistas de Hefesto, Leo trabalhara com alguém tão intuitiva como aquela jardineira imortal. Em pouco tempo, puseram a vela no lugar e todos os suprimentos a bordo. Leo apertou os botões na esfera de Arquimedes, murmurou uma prece ao seu pai, Hefesto, e o console de bronze celestial ganhou vida. O cordame se esticou. A vela se voltou. A jangada começou a se arrastar pela areia, forcejando para alcançar as ondas.
— Vá — disse Calipso.
Leo virou. Ela estava tão perto que ele não conseguia suportar. Calipso cheirava a canela e a lenha queimada, e achou que nunca voltaria a sentir um aroma tão bom.
— A jangada finalmente chegou — disse ele.
Calipso bufou. Seus olhos podiam estar vermelhos, mas era difícil dizer ao luar.
— Você notou?
— Mas se ela só aparece para os caras de quem você gosta...
— Não abuse da sorte, Leo Valdez. Eu ainda o odeio.
— Tudo bem.
— E você não voltará — insistiu Calipso — então não me faça promessas vazias.
— Que tal uma promessa cheia? — disse ele. — Porque eu, definitivamente...
Ela agarrou o rosto de Leo e puxou-o para um beijo, o que efetivamente o calou.
Apesar de todas as suas brincadeiras e flertes, Leo nunca beijara uma garota antes. Bem, já dera beijinhos fraternais no rosto de Piper, mas aquilo não contava. Aquele era um beijo verdadeiro, de língua. Se Leo tivesse engrenagens e fios em seu cérebro, teriam entrado em curto-circuito.
Calipso o afastou.
— Você me beijou... — ele falou aquilo como se ainda não acreditasse no que acabara de acontecer. Sua mão tocava os lábios ainda úmidos pelo beijo de Calipso. — Você... Você me beijou?
— Isso foi um erro. — disse a deusa de quinze anos enquanto fitava a areia. — Agora vá embora.
As ondas inquietas lutavam para retirar a jangada dele, mas Leo segurava as cordas determinado a ganhar mais tempo com a garota.
— Você... gosta de mim? — Leo nunca se sentira tão atordoado em toda a sua vida. Não conseguia nem mesmo usar sarcasmo, nem pensar em nenhuma piadinha para dizer. Só conseguia tentar, inutilmente, interpretar os pensamentos da garota.
— Não. — ela falou desviando os olhos do seu, talvez para tentar fazer a mentira sair mais convincente. — Não seja idiota, Leo Valdez. Só fiz isso para impedi-lo de me fazer promessas vazias... Não quero ser enganada de novo. Não suportaria outra desilusão...
Leo se surpreendia com o tamanho da determinação de Calipso, pois sentia que a deusa lutava para manter as lágrimas dentro de seus olhos, mesmo que aquela não parecesse uma tarefa fácil.
— Não chame minhas promessas de vazias... — ele falou irritado pela falta de fé que a deusa depositava nele. —Se eu digo que venho te buscar, eu venho te buscar... E eu, definitivamente, digo que...
—Não fale! — interrompeu a jovem.
— Digo, não... Prometo. — ele concertou, ignorando a advertência dela, a jangada lutando para se livrar de sua mão e desaparecer no oceano. A essa altura, ele já não sabia se aquilo seria tão ruim. Claro, ainda tinha que encontrar seus amigos e derrotar Gaia, mas a ideia de ficar eternamente numa ilha paradisíaca com Calipso não lhe parecia mais tão detestável quanto antes. — Eu, Leo Valdez...
— Não faça isso... — Calipso agora estava quase implorando.
— ... prometo à você, Calipso, que retornarei montado em meu dragão, Festus, e lhe resgatarei de Ogígia. Tem a minha palavra.
A luta acabou naquele momento e as lagrimas venceram a deusa por fim. Gotas salgadas escorreram de seus olhos amendoados, mas ela não parecia exatamente triste. Na verdade, estava mais feliz do que Leo já tinha a visto. Um sorriso ameaçou se formar no canto de seus lábios. E seu rosto se enchia de esperança.
O que você fez?!, Leo pensou imediatamente. Ao ver a garota sorrir, mesmo que tentando não o fazer, percebeu o quão idiota ele tinha sido. E se ele morresse antes que conseguisse retornar para salvá-la? E se fosse esmagado por um gigante, dilacerado por um monstro ou morto pela própria Gaia? Morreria sabendo que falhara com a deusa. Calipso ficaria ali, esperando por ele eternamente até que seu coração percebesse que, mais uma vez, tinham lhe enganado.
O pensamento fez o seu sangue gelar.
— Não devia ter falado isso, Leo. — a garota tentou soar decepcionada, mas a severidade de sua voz que normalmente aparecia quando ela falava com ele estava agora desaparecendo. — Agora vá. Não sabemos quanto tempo essa jangada vai ficar aqui. Vá ao encontro de seus amigos, Leo Valdez.
Leo já tinha até se esquecido da jangada. O barco de madeira chacoalhava entre as ondas, a corda que ele segurava começava a queimar sua mão. Quando ele tornou a olhar a praia, viu que Calipso se afastava dele, indo na direção do centro da ilha.
Poderia ter ido embora ali, naquele momento. Se subisse na jangada, provavelmente iria de encontro aos seus amigos, mas ao ver a deusa se afastar, hesitou. Quando teria a chance de vê-la novamente? Até mesmo ele começava a duvidar que conseguiria cumprir sua promessa. E se fosse morto na missão? Não iria poder suportar ter seus últimos pensamentos baseados no “Como seria?”. Como seria se ele não tivesse ido embora naquele momento?
Então fez algo impulsivo, perigoso e muito, muito idiota, mas ele era Leo Valder. Idiota era o seu nome do meio... Arriscou perder sua carona para casa, mas puxou a corda da jangada mais próxima da areia, retirou algumas ferramentas de seu cinto, junto com alguns pinos e pedaços de ferro e improvisou um gancho, o que não lhe custou mais do que um minuto para fazer. Depois atou o equipamento à corda e ancorou a jangada à uma pedra enterrada na areia, possivelmente um coral. Com um pouco de sorte, coisa que ele nunca tinha, o ancora iria aguentar um pouco mais. Precisava fazer uma coisa antes de sair.
Leo deixou a jangada e correu pela praia, sua calça jeans molhada pesando suas pernas, mas ele não parou de correr. Calipso estava mais a frente, ainda de costas, quase desaparecendo entre as arvores. Devia estar tão envolvida em seus próprios pensamentos que ela nem percebeu a aproximação do garoto. Quando Leo a alcançou, tocou o seu braço e a garota virou rapidamente, seus olhos amendoados e grandes espantados, como se ela pensasse O que diabos está fazendo aqui, garoto? Mas se ela fosse lhe perguntar isso, Leo não lhe deu tempo para tanto. A puxou para próximo dele e a beijou. Calipso nem mesmo pensou em resistir. Passou as mãos por seus cabelos encaracolados enquanto suas línguas se envolviam. Leo a abraçava na cintura. Não sabia o que estava fazendo. Não tinha ideia, na verdade. Nem mesmo conseguia acreditar que alguém tão bonita, tão perfeita, estava deixando-o beijá-la sem lhe empurrar para longe e lhe xingar depois. Não. Calipso estava realmente lhe retribuindo o beijo com gosto.
— Isso não é uma boa idéia. — disse ela parando para respirar.
—Eu sei. — disse Leo. — É uma excelente idéia.
Voltaram a se beijar. Dessa vez Calipso fez algo que ele não esperava, embora interrompê-la não tivesse passado por sua mente. Ela puxou sua camisa para cima e revelou seu peito magro, envolto por cicatrizes de trabalho. Suas bochechas coraram em nervosismo. Estavam realmente prestes a fazer “isso”?
Em reflexo, sem pensar exatamente no que estava fazendo, Leo imitou a deusa e puxou a camisa branca que esta vestia. Se algum dia ele quisesse deixar a ilha, não deveria tê-lo feito, pois a beleza da garota poderia lhe hipnotizar pela eternidade. Ele simplesmente parou de pensar e a fitou encantado. Ela usava um sutiã também branco, que quase não aparecia quando em contraste com sua pele clara como leite. Nem mesmo conseguia ver muito do seu corpo e já sentia uma pressão aumentando na parte da frente de sua calça.
— O que? — Calipso perguntou, notando que ele estava parado como uma estatua fazendo uma expressão de idiota.
— Você... é... LINDA.
Calipso sorriu. Um sorriso capaz de transformar a noite em dia e fazer duma ilha remota e afastada do mundo, o mais belo paraíso. Ela se aproximou e voltou a beijá-lo. A tensão entre os dois, palavras de deboche e respostas ignorantes já haviam desaparecido. Nenhum deles estava mais disposto a ocultar o que sentiam. Para Leo, quem costumava a usar sarcasmo para se defender, estando sempre na defensiva, aquela situação era, mesmo que maravilhosa, apavorante. Ele mal conseguia acreditar que a deusa realmente gostava dele. Mas ela estava fazendo um ótimo trabalho para convencê-lo.
A garota soltou os cabelos castanhos claros, que logo começaram a oscilar com o vento refrescante, e desabotoou a calça que Leo vestia. Novamente, suas bochechas queimaram. Ela começou a abaixar o tecido Jeans, molhado e sujo de areia, até removê-lo por completo, deixando apenas uma cueca azul no lugar. Mais uma vez, ele repetiu seus movimentos e tratou de despi-la também. A medida em que a calça descia, podia sentir sua coxa macia sob suas mãos. Arriscou beijá-la acima do joelho, e olhou para ela para ver se fizera mal, mas Calipso lhe deu um olhar de incentivo. Beijou de novo, e de novo, enquanto ela afagava seus cabelos. Sempre que descia a calça um pouco e revelava uma nova porção de pele, ele a beijava, sentindo o gosto salgado do mar que ela possuía.
Em fim, os dois estavam apenas com roupas intimas. Leo olhou para trás e notou que, não muito longe dali, a jangada ainda lutava contra a corda que a prendia, como se os deuses estivessem furiosos por ele estar quebrando o acordo de abandonar a deusa e deixa-la novamente miserável e com o coração partido.
Ele tornou a fitar a beleza da jovem ao seu lado. Não conseguia pensar em nenhuma palavra que conseguisse descrevê-la adequadamente. Nem mesmo PERFEITA era justa o suficiente. Pois Calipso com certeza era mais que perfeita. E olha que Leo era bom com palavras, ao menos normalmente.
A garota se abaixou o seu lado e fez um gesto para que ele se aproximasse. Depois o fez se deitar na areia macia, mas não tanto quanto a pele da própria jovem. Depois, Calipso fez algo inesperado, que o fez delirar de prazer. Passou a mão por cima do volume em sua cueca e começou a massageá-lo.
Nenhum dos dois falava nada. Era como se as palavras tivessem perdido completamente a importância, e os gestos fossem tudo o que importassem. Leo gemeu quando sentiu a mão da deusa tocar diretamente em seu pênis ereto, masturbando-o cada vez mais rápido. Depois, ela se livrou completamente de sua cueca, deixando-o exposto, porém delirante. Foi preciso mais determinação do que ele sabia que possuía para interrompê-la, mas se a deixasse continuar, terminaria muito rápido. Leo se colocou por cima de Calipso e removeu seu sutiã. A garota também deu um gemido quando ele a beijou num dos seios, depois a lambeu, fazendo seu mamilo dançar com sua língua. Com a mão, Leo removia sua calcinha e acariciava sua intimidade, inicialmente com delicadeza, mas depois com certa voracidade. Calipso gemeu mais alto e recomeçou a masturbá-lo. Leo também sufocava alguns gritos, suando enquanto roçava o seu corpo no dela. Ele se colocou numa posição em que o seu membro ficou há alguns centímetros de sua vagina, mas, em fim, a garota o interrompeu.
— Leo... Não.
—Ah... Desculpe. — ele se afastou atordoado. Estavam indo tão bem. Por que ela decidiria parar agora?
—Não é que eu não queira... Eu quero muito. Mas...
Ele fitou seus olhos castanhos e profundos e se deitou ao seu lado na areia.
— Mas o que?
— Eu não posso... — ela falou como se odiasse por precisar dizer aquilo. — Se eu me entregar por completo, a despedida será quase impossível para eu suportar. Já vai ser bem difícil agora, mas não podemos ir adiante.
Ele entendeu. Na verdade, se sentia da mesma forma. Mesmo que não gostasse da ideia mais do que Calipso gostava, os dois teriam que concordar não passar muito dos limites.
— Pode vir comigo... — ele sugeriu esperançoso.
—Já falamos sobre isso, Leo. Não posso. A jangada não vai me levar a lugar algum... —ela parou de falar e tornou a fitar o seu pênis ainda duro. Tornou a apalpá-lo e Leo perdeu a vontade de argumentar. Calipso fazia movimentos incríveis, que nem mesmo ele conseguira fazer quando se escondia nas cobertas de seu chalé, enquanto todos dormiam (ou ao menos fingiam), nem em seus aposentos do Argo II. Ela se moveu por cima de seu corpo e, para fazê-lo delirar mais, colocou seu membro na boca. Leo urrou de prazer tão alto que não se surpreenderia se seus amigos no Argo II, onde quer que estivessem, tivessem escutado-o.
Infelizmente, em poucos segundos, Leo não conseguiu se segurar e gozou...
Alguns momentos depois, os dois estavam deitados na areia, lado a lado, ofegantes enquanto um fitava os olhos do outro.
Leo temeu que não conseguisse mais ir embora. Não sabia se conseguiria deixar a garota para trás. Se ela lhe pedisse para ficar, como fizera com os outros, temia que ele não conseguiria negar. Não tinha tanta determinação quanto Percy. Não tinha força de vontade para priorizar a missão. Entendia agora o que Calipso quisera dizer a respeito do seguirem em frente. Se tivessem tranzado de verdade, deixar a ilha estaria fora de questão.
— Calipso... — ele falou ofegante. — Eu... Eu acho que... Eu te...
Imediatamente, uma fúria incontrolável brilhou nos olhos dela. Ela tapou sua boca antes que ele pudesse terminar a frase.
— Não se atreva a me dizer isso antes de me deixar, Leo Valdez. —dessa vez ela soou como a mesma garota que ele conhecera quando chegou, irritada e nervosa, porem incrivelmente bonita (diferente da vez em que ele chegou, agora ela estava completamente nua).
Ela se levantou e o puxou pelo braço, levando-o rumo a jangada, carregando suas roupas com a outra mão. Leo entendia o quão difícil era para ela se apaixonar, estando sempre condenada a ver o amor de sua vida se afastar e nunca mais voltar, mas não esperava que ela reagisse daquela forma a um “Eu te...”.
Ela atirou suas roupas no interior da jangada que lutava desesperada para abandonar a ilha de Ogígia e em seguida, teria atirado Leo também, mas ele entrou voluntariamente, ainda aturdido com o que acontecera. No entanto, estava feliz por ela estar o forçando-o a entrar naquele barco, pois não o conseguiria fazer por conta própria. Ele a fitou uma ultima vez, os olhos dos dois envolvidos em lagrimas e, por um breve momento, os olhos de Calipso brilharam ao encontrar os dele. Ela o beijou de novo e, novamente, o empurrou para trás.
— Isso não aconteceu(Ela se referia ao beijo, ao sexo, ou aos dois?).
— Tudo bem.
A voz de Leo soou mais aguda que o habitual.
— Saia daqui.
— Tudo bem.
Ela deu as costas enxugando os olhos furiosamente e saiu correndo pela areia, a brisa despenteando seu cabelo , seu corpo perfeito e despido parecia encolher a medida em que ela se afastava.
Leo desejou chamá-la, mas a vela se inflou e a jangada deixou a praia. Ele se dedicou a alinhar o console de orientação. Quando voltou a olhar para trás, a ilha de Ogígia era uma linha escura ao longe, a fogueira pulsando como um pequeno coração cor de laranja.
Seus lábios ainda formigavam pelo beijo(Seu corpo tremulava pelo o que fizeram. Era difícil acreditar que no mesmo dia em que dera seu primeiro beijo, quase perdera sua virgindade também...) .
Isso não aconteceu, disse para si mesmo. Não posso estar apaixonado por uma menina imortal.
Ela definitivamente não pode estar apaixonada por mim. Não é possível.
Enquanto a jangada deslizava sobre a água, levando-o de volta ao mundo mortal, entendeu melhor um verso da profecia: Um juramento a manter com um alento final.
Entendeu quão perigosos podem ser os juramentos. Mas Leo não se importava.
— Voltarei para você, Calipso — disse ele ao vento da noite. — Juro pelo Rio Estige.
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