Notas iniciais
É isso aí pessoal. Penultimo capítulo dessa fic. Preparados?

ANNABETH

Annabeth e Percy se sentaram numa pedra, dentro do que parecia uma toca de minhoca gigante, felizmente desabitada. O local cheirava a lama, vômito e estrume, mas ao menos era um bom esconderijo. Poderiam descansar mesmo que por pouco tempo, antes de retomarem sua cruzada pelo Tártaro. Com sorte, o fedor do lugar iria mascarar o cheiro de semideuses que tinham, caso algum monstro passasse pelas proximidades.

Bob ficara de vigia do lado de fora, primeiro por ser muito grande para caber naquele buraco, segundo porque, sozinho, não seria caçado por ninguém. Não procuravam pelo titã, mas sim pelos garotos. Mesmo assim, ele estava com a vassoura mortal a postos e uma expressão de determinação inabalável. Annabeth se sentia bem por tê-lo por perto... Algo que nunca pensou ser possível até ter ido para o Tártaro. Onde estaria com a cabeça? Um titã lhe trazia conforto e estavam prestes a comer o lanche preparado por um gigante... O mundo era mais simples quando ela simplesmente matava os monstros...

Percy abriu a mochila e apanhou um punhado da carne do Drakonm lhe passando um pedaço...

— É como em Paris... — ele começou tentando soar bem humorado. —Só que um pouco mais escuro. Mas ainda da para ser um bom lugar turístico...

Annabeth riu. O humor de Percy era a única coisa que ainda conseguia animá-la ali dentro. O mundo lá era sombrio e destorcido. O medo e o sofrimento eram as únicas palavras que a maior parte das criaturas ali dentro conheciam, mas para ela, bastava ouvir um dos comentários sarcásticos de Percy que até mesmo o Tártaro se tornava suportável.

—É. Quem precisa da Torre Eiffel quando se tem... isso aqui? Uma toca fedorenta e mal iluminada.

Aquilo lhe fez mais bem do que imaginou. Havia sido uma piada, claro, e uma bem sem graça, por sinal, mas fazer gozação do Tártaro e compará-lo com Paris era uma forma diferente de enxergar a realidade em que estavam. Uma forma menos terrível de encarar a verdade, como se pudessem moldá-la por apenas aqueles instantes.

Percy riu do seu comentário e deu uma abocanhada na carne do Drakon. Sua roupa estava chamuscada, rasgada e imunda, seus cabelos bagunçados como se ele tivesse dormido de cabeça para baixo por um mês e seus lábios e peles estavam ressecados, mas o sorriso destacava seus olhos verdes vivos.

— Não vai comer? — ele perguntou fitando sua comida ainda intocada. Annabeth imediatamente deu uma mordida no pedaço de carne e voltou a fitá-lo.

Viu que Percy a olhava, mas seus olhos não miravam os seus olhos. Estavam focados mais embaixo...

— Está olhando para os meus seios? — ela perguntou incrédula. Não pela atitude dele, mas sim pela ideia de que, até do jeito em que se encontrava, suja, ferida e exausta, como se tivesse ficado os últimos meses deitada sobre uma manada de elefantes, o namorado ainda pudesse acha-la atraente. Percy desviou o olhar e deu um sorriso com o canto da boca.

— Não...

— Estava sim. — ela insistiu divertida.

— Não estava não. — ele negou, mesmo que provavelmente já soubesse que nunca a convenceria.

— Estava olhando para onde, então?

Ele gaguejou...

— É... Para...

— Viu? Não consegue nem inventar uma desculpa. Estava olhando para os meus seios.

— Prove. — ele desafiou com um sorriso sarcástico no rosto.

Ela não falou nada, mas um pouco depois viu o garoto admira-la mais uma vez.

— Você fez de novo...

Ele se aproximou dela e envolveu o braço em seu corpo.

— Ta certo. Me pegou. É que sua beleza me hipnotiza as vezes...

Ela riu.

— Que bom que a deixei na superfície. Ficar babando pela namorada no Tártaro parece ótimo para quem quer ter uma morte instantânea.

—Ao menos morrerei com uma boa visão. — ele devolveu. — E o que quer dizer com “Que bom que a deixei na superfície”? Você está linda como sempre.

Annabeth fingiu indignação com o comentário.

—É assim que me vê sempre? Como um caco coberto de lama?

Percy deu risada...

— Não foi isso o que quis dizer... O que mais odeio aqui é ter que ficar do seu lado sem ter energia para não... fazer nada.

Annabeth compreendia o sentimento. Não suportava ver Percy em seu estado mais vulnerável. Ambos mal conseguiam se arrastar para sobreviver, ter momentos de namorados e se beijarem e andarem de mãos dadas era simplesmente impossível.

— Serio? Beber fogo, lutar com monstros todos os dias e viver na constante incerteza se iremos algum dia voltar para casa e o que você mais odeia é ficar aqui sem poder fazer nada em relação a “minha beleza”?

— É. — ele disse simplesmente e ela riu.

— Vou te dizer uma coisa, então... — ela teve uma ideia. Algo que serviria como combustível para sua determinação de saírem dali. Teriam ao menos um bom momento para mirar. — Sabe qual é a primeira coisa que vou fazer quando sair daqui?

Percy franziu as sobrancelhas.

—Tomar um banho? Dormir?

Ela sorriu.

— Certo. Acho que a primeira será tomar um banho, mas a segunda será... — ela se aproximou de Percy e murmurou em seu ouvido. Pôde literalmente sentir o coração dele acelerar em seu interior e quando se afastou para fitá-lo, viu que suas bochechas haviam corado. As dela também, na verdade.

—É sério? — ele perguntou sem acreditar.

Ela fez que sim com a cabeça cansada.

— Bom... Percy sorriu sugestivamente. — Porque a segunda coisa que vou fazer quando chegar lá é ...

Dessa vez foi ele que murmurou as palavras em seu ouvido. Annabeth sentiu o seu coração palpitar. Algo que pensou não ser possível ali.

Um rugido penetrou a pequena gruta e a preocupação voltou imediatamente a suas faces.

— É hora de irmos. — falou Bob colocando a cabeça para dentro. —Estão se aproximando.

Notas finais
Digam o que acharam nas reviews. O próximo e último capítulo será postado no dia 18 as 12:05.