Entrelaços
16 Storm.
Notas iniciais
ISABELLA
Se alguém merecia o troféu de pessoa mais inconveniente do planeta, esse alguém era Bianca! Ela só podia tá de sacanagem comigo. Se eu já estava a ponto de ter um ataque de fúria quando ela chegou, imagina como eu fiquei quando soube que ela trouxe a Fernanda junto! Eu só podia ter sido alguém muito ruim, mas, muito ruim mesmo em outra vida. Nem me consegui me dar ao trabalho de cumprimentar a dupla, segui ainda meio desnorteada para dentro da casa. Todos estavam lá fora conversando e eu fui direto para a cozinha tomar um copo de agua, a fim de me acalmar. Sentei na cadeira perto do balcão e afundei o rosto em minhas mãos.
Notei que alguém entrava na cozinha e logo percebi que era Manuela. Me levantei e ela me olhou com aqueles olhos esverdeados repletos de preocupação.
— Eu sei, você não pode, não é? Se você veio até aqui repetir coisas que eu já sei, nem se dê ao trabalho. Eu vou tratar de esquecer o que aconteceu, nem precisa pedir. Só não se aproxima daquele jeito de no..- Falava quando senti os lábios da loira tomarem os meus. Foi um beijo rápido, porém, repleto de carinho.
— Eu amo você Isabella! Não vou te perder de novo de jeito nenhum. – Sussurrou segurando o meu rosto para que a encarasse. Ouvimos passos aproximando-se e nos separamos com certa relutância.
— Manuela, a Bianca quer conversar com você antes de ir embora. – Avisou Arthur.
— Mas, ela não acabou de chegar? – Questionou Manuela.
— Ela está apenas de passagem, melhor ela mesma te explicar isso. – Falou um pouco constrangido.
— Amém! Deus atendeu minhas preces. – Comentei sorridente.
— Isabella! – Repreendeu-me Manuela.
— Vai logo falar com ela Manu, anda! – Pedi.
— Tudo bem, já estou indo. – Falou enquanto caminhava em direção à sala.
— Tá rolando alguma coisa entre vocês mesmo ou é a minha vontade que isso aconteça que está me confundindo? – Questionou divertido.
— É Arthur, tenho a sensação que dessa vez as coisas vão se resolver. – Respondi com um largo sorriso.
MANUELA
Fui ao encontro de Bianca que estava na sala, e antes mesmo que eu pudesse dizer alguma coisa, ela indagou:
— Não foi uma ideia muito boa vir aqui, não é?
— Bianca, que bobagem. Você devia ter vindo hoje cedo comigo! Mas, me fala, o Arthur me disse que você está apenas de passagem, porque não fica? – Sugeri.
— Manuela, eu não posso competir com a Isabella, e a Fê, bem, ela não tá bem. Vou levar a Fernanda pra uma chácara perto daqui, ela precisa se distrair um pouco, assim como eu. – Explicou Bianca, segurando minha mão em seguida.
— Bi, eu não queria que as coisas fossem assim, você sabe, eu gosto muito de você! – Falei a envolvendo em meus braços.
— Eu sei, só que eu.. eu te amo Manuela! – Retrucou com voz falha, tomando meus lábios em seguida.
Aquele beijo definitivamente não devia estar acontecendo, só que eu não conseguia de desvencilhar dos braços de Bianca, era como se eu devesse aquilo a ela. Senti que lágrimas começavam a escorrer pelo seu rosto e ela aprofundou o beijo, o qual eu correspondi de maneira carinhosa.
Ouvimos o som de passos se aproximando e o beijo foi cessado, Fernanda entrara no cômodo, e pra minha surpresa, acompanhada de uma Isabella furiosa.
— Desculpem-nos pela interrupção, é que a eu estava um pouco apressada, mas não se incomodem comigo, eu espero no carro, Bianca! – Falou Fernanda, constrangida.
Bianca apenas assentiu com a cabeça e Fernanda se retirou. Isabella saiu sem falar palavra alguma, afastei Bianca de mim em seguida, o olhar fulminante da morena, não saia da minha cabeça. Só que aquele beijo não havia significado nada, era uma espécie de despedida que eu achava que devia a Bianca. Não era ela que eu amava, era a Isa, a minha Isa.
— Manu, me desculpa. – Disse a ruiva, voltando a chorar.
— Ei, tudo bem, você não tem de que se desculpar! – Expliquei enquanto a abraçava.
— Eu acho que é melhor eu ir embora, se cuida, tá bem? – Falou, depositando um beijo casto em minha testa.
Acompanhei Bianca até fora da casa, onde se encontravam todos, exceto Isabella. Fernanda abraçava Filipe e Amanda a fuzilava com o olhar, deixando a situação no mínimo engraçada. Bianca se despedia do Tavinho e eu me aproximei de onde Léo e Arthur estavam, a fim de saber onde havia se metido a Isabella.
— Vocês sabem onde a Isa se meteu? – Perguntei em tom baixo, para que apenas os dois ouvissem.
Ambos fizeram sinal negativo com a cabeça, Arthur dava sinal de que ia falar alguma coisa, quando ouvimos o barulho derivado da garagem, e em seguida vimos o carro de Isabella saindo em disparada.
— Onde diabos aquela idiota tá indo? – Indagou uma Amanda furiosa.
Todos estavam confusos e assustados com a atitude da Isa, inclusive eu.
— Eu vou atrás dela. Me passa as chaves, Léo! – Falei.
— Você tá louca, Manu? Você não vai dirigir nesse estado, eu vou com você. Não sabe o perigo que é pegar essa estrada à noite, nem é a estrada principal, você não vai pra esse fim de mundo sozinha. – Retrucou.
— Arthur, fica com o Otávio! E quanto a vocês, seria melhor que passassem a noite por aqui. – Disse sem conter meu nervosismo.
Entramos no veículo, e Filipe nos acompanhou. Seguimos o mesmo caminho que Isabella havia tomado e o meu coração acelerava a cada curva.
— O que foi que foi que deu na Isa? Vocês brigaram ou algo do tipo? – Questionava Leonardo, sem tirar os olhos da estrada.
— Eu não sei o que deu nela, eu falei com ela antes, mas ai a Bi me beijou, e ela deve ter pensado algo errado. Eu só, não sei. Ela não devia ter feito isso. – Explicava sem conter as lágrimas.
— Se acalma Manu! Aquela destrambelhada não deve ter ido muito longe. – Exclamou Filipe.
Eu queria não estar tendo aquela sensação, mas ela estava ali, aquela angustia tinha tomado o meu peito por inteiro. Era como a reprise de um filme de terror que eu pensei nunca se repetir.
— Ah meu Deus! – Exclamou Leonardo, freando bruscamente.
E a cena que eu vi em seguida, dilacerou o meu peito de uma forma que nunca o fizera antes. Saí do carro correndo em direção ao veículo de Isabella, que estava completamente preso ao tronco daquela árvore.
O meu choro tomou dimensões tão maiores, e eu pensei naquele instante que aconteceria tudo novamente. A visão do corpo inerte de Isabella, coberto de sangue, fez com que eu caísse de joelhos e implorasse com todas as forças que me restavam, que não a tirassem de mim. Senti o abraço forte de Filipe me envolvendo, e suas lagrimas e soluços tão incontidos quanto os meus. Todos os meus sentidos estavam perdendo intensidade, a voz de Leonardo, meio que distorcida, explicava sobre um acidente e dava as nossas coordenadas, deixei meu corpo cair sobre o de Filipe e me entreguei à dor que eu sentia. Se alguma coisa viesse a acontecer com a Isabella, eu não suportaria. Eu não suportaria outra perda.
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