Entrelaços
7 Milk And Toast And Honey.
Notas iniciais
P.s: Tem um pouco de Orange nesse capítulo.
ISABELLA
Já se passava do meio dia quando consegui despertar de meu sono, minha cabeça doía e parecia que um caminhão tinha passado por cima do meu corpo. Olhei pra o lado instantaneamente ao lembrar de que Manuela também havia dormido ali, porém, tudo o que encontrei foi um espaço vazio do lado da cama. Estava pronta para me levantar e ir em busca do paradeiro da Manu quando senti um cheiro forte e delicioso de café que partia da cozinha, caminhei até lá e a cena que eu vi foi digna de ser apreciada. Manuela estava com os cabelos presos em coque improvisado, andando de um lado pra o outro da cozinha preparando o café da "manhã". Não tinha reparado na noite anterior que as roupas que eu lhe cedi eram tão justas, "Ótimo" pensei, pra logo em seguida me repreender mentalmente por estar observando ela daquela forma.
Noite anterior, a maldita noite anterior, lá estava eu lembrando do ocorrido na boate. Aquela Bianca metida se aproveitando da minha Manu! Mas que droga, eu tenho que parar com essa coisa obsessiva de "minha", ela não é minha e nunca foi. Foco! Ela é a minha amiga e eu só pirei com a cena de ontem porque eu pensei que ela tinha mentido pra mim. "Mas que droga Isabella! Tu é mesmo uma lerda, isso não justifica droga nenhuma, só te faz parecer uma louca." pensei. Fiquei tão perdida nesse meu raciocínio que nem percebi que agora era a Manu que tinha passado a me observar, não, eu não gostava daquele olhar de repreensão dela, mas, aqueles braços cruzados e carinha de brava era quase que pedir pra ser beijada.
– Bonito dona Isabella, muito bonito! — Falou Manuela.
– O que? Não me olha assim, o que eu fiz? — Questionei sem controlar a risada.
– Você me vê fazendo tudo sozinha e nem pra ajudar? — Fingiu birra.
– Oun, claro que eu ia te ajudar, é que eu achei tão bonitinho você cozinhando que não consegui não ficar te olhando. — Respondi, sem pensar muito, e logo me arrependi do que disse.
– Bem, agora já está pronto, não preciso mais de ajuda. — Falou pegando um copo de agua, alguma coisa dentro da bolsa e estendendo a mão me oferecendo. — Toma isso, você deve tá com uma ressaca daquelas!
– Obrigada, estou mesmo! — Agradeci.
Tomei o comprimido e me aproximei mais dela que estava de costas para mim. Impulsivamente eu a envolvi em um abraço e depositei um leve beijo na sua nuca exposta.
– Bom dia pra você também Isa! — Falou colocando as mão sobre as minhas que acariciavam sua barriga.
– Acho que te abraçar foi o que mais me fez falta! — Revelei.
Em seguida, Manu se soltou dos meus braços, virou-se e depositou um beijo terno em meu rosto.
– Vamos comer! — Disse.
Sentamos à mesa e eu me servi das panquecas e omeletes, apesar de sempre tomar suco pela manhã, não pude resistir a aquele café, e como suspeitei, tudo estava delicioso.
– Caraca Manu! Isso tá ótimo. — Falei.
– Obrigada! Digamos que eu tive muita pratica na cozinha nos últimos 6 anos. — Explicou.
Continuamos a comer em silencio e em meio a sorrisos cumplices, até que o barulho da porta do apartamento sendo aberta interrompeu o momento. Só podia ser uma pessoa, e não, ela não podia ter chegado logo agora.
– Amor, trouxe comida chinesa pra nós! — Ouviu-se a voz de Fernanda acompanhada do barulho do salto.
Manuela me olhou confusa e constrangida, eu levantei da mesa e dei de cara com uma Fernanda também confusa.
– Fê, não sabia que você vinha hoje aqui. — Falei tentando manter um sorriso.
– Tinha que ver como você estava depois de ontem! — Explicou.
– Sei, não se preocupe eu já me resolvi com a Manu. Não é? — Falei direcionando o olhar para uma Manuela ainda mais constrangida.
– Claro, foi tudo um mal entendido. — Disse Manuela.
– Então quer dizer que aquela revolta toda foi por sua causa? — Questionou Fernanda, dirigindo-se a Manuela.
– Bem, não, não sei. A Isa viu a Bianca me beijando e jogou bebida nela. Foi muito rápido, como eu disse, um mal entendido, já foi resolvido! — Explicou.
– Ah, ótimo! E depois disso vocês fizeram as pazes e vieram pra o ninho de amor! — Falou uma Fernanda irritada.
– O que? Não, não viaja Fê, eu e a Isa não temos nada! — Defendeu Manuela.
– Exato, eu só tive uns problemas com a Bianca no passado e não controlei a raiva quando vi ela novamente. — Menti.
– Oh, desculpem, é que meio que pareceu que.. Bem, isso foi estranho! — Disse Fernanda se aproximando de mim.
MANUELA
Aquela sem dúvidas era uma situação muito desconfortável, se até as vezes eu estranhava a minha relação com Isabella, imagina a Fê. Eu amava a Isa, é claro que amava e confesso já ter suspeitado ter estado apaixonada por ela, mas isso tinha sido a muito tempo atrás. Era errado gostar de outra garota, pelo menos era o que todos diziam, e eu realmente acho que só estava confundindo tudo, é normal confundir uma amizade forte com outro sentimento. Depois que voltei eu já tinha até esquecido desse episódio da minha vida.
– Desculpa amor, tudo bem? — Disse Fernanda, dando um beijo demorado em Isabella.
Não sei, não sei mesmo o que aconteceu comigo a observar essa cena. Juro, parecia que o mundo tinha virado de ponta a cabeça, era surreal, aquele embrulho horrível no estômago, minha vontade era de sair correndo daquele lugar. Oh droga! Isso não podia estar acontecendo de novo.
– Bem, acho que já passou da minha hora! — Falei me levantando.
– Não Manu, não vai, eu acabei de chegar! — Pediu Fernanda.
– Desculpa, mais eu realmente tenho que ir. — Fui evasiva.
Caminhei até o quarto de Isabella, vesti a roupa da noite anterior e peguei minhas coisas. Antes que eu pudesse sair do quarto, Isabella entrou e começou a falar.
– Obrigada pela comida, eu realmente quero que você fique mais tempo.
Ela me encarou com aquele olhar lindo e oceânico e por um minuto eu pensei em ficar, mas, pra quê? Ver ela e a Fernanda se pegando.
– Não, muito obrigada! Não tenho vocação pra castiçal. — Respondi fria.
– Ah Manu! Nem vem com essa, eu e a Fê nem estamos namorando nem nada. — Retrucou.
– Então aproveita e pede ela em namoro, ela até já te chama de "amor"! — Debochei.
– Eu não acredito que você tá com ciúmes da Fernanda! — Falou sem conter a gargalhada.
– Ora, não seja convencida Isabella! Eu nunca que teria ciúmes de você! — Me defendi irritada.
– Calma Manuzinha, você nunca vai perder o seu posto de melhor amiga pra nenhuma namorada minha, mas você tem que dividir ele com a Amanda. — Falou me puxando pra um abraço.
– Eu não quero te dividir com ninguém! — Confessei, a abraçando com força.
– Sério, vocês são tão fofas, eu juro que tenho uma invejinha boa da amizade de vocês. — Pronunciou Fernanda nos observando da porta do quarto.
Ela era minha amiga, mas a Fê sabia mesmo como cortar o meu barato.
– Acho melhor eu ir agora, se não vocês não me deixam mais sair. — Falei.
– Quer que eu te leve em casa? — Questionou Isabella.
– Não preciso, eu pego um taxi. — Respondi.
Despedi-me das duas com um forte abraço e desci em busca de um taxi, 20 minutos de percurso e eu estaria em casa, sã e salva.
ISABELLA
– Fê, dá um tempo, eu não estou com clima pra isso agora! — Falei me livrando dos braços da loira.
– Já fiquei na vontade ontem, não faz isso comigo não. — Sussurrou baixinho em meu ouvido.
– P-para Fê! — Disse ofegante.
Fernanda colou nossos corpos e em seguida me jogou com força na cama. Ela era linda, sensual e provavelmente a melhor garota que eu já tinha tido na cama, mas de alguma forma eu não consegui querer aquilo agora.
– Não vou insistir, vai tomar um banho e depois a gente conversa. — Falou saindo do quarto.
Fiz exatamente o que ela disse, entrei no banheiro e tomei um logo banho. A única coisa que eu conseguia pensar era quando será que eu ia ver a Manu novamente, ela ia viajar e não tinha falado quando voltava de viagem, ficar longe dela não era uma coisa que me parecia justa. Saí do banheiro e pude ter uma visão privilegiada de uma Fernanda completamente nua deitada na minha cama.
– E agora, já tá com clima? — Questionou com um tom de voz sensual.
Como eu não sou de ferro nem nada, é claro que eu não ia negar aquele monumento deitado a minha cama. Ela se levantou, veio em minha direção e arrancou a toalha de meu corpo.
– Bem melhor agora. — Sussurrou.
Eliminei qualquer distancia que ainda havia ente os nossos corpos e tomei os lábios de Fernanda com ferocidade. Minhas mãos passeavam pelas costas e quadril dela, enquanto ela tinha ambas as mãos depositadas em minha nuca. O beijo não dava sinais de que seria encerrado e eu a conduzi até ambas caíssemos na cama. Nossos corpos se moviam freneticamente um contra o outro e só aquele contato poderia me levar ao ápice, mordi forte o lábio inferior dela e a minha posição me permitiu segurar os braços dela acima de sua cabeça. Eu estava no controle.
– Hoje não! — Falou enquanto tratava de inverter nossas posições.
Agora Fernanda estava no controle, mantinha cada perna de um lado do meu corpo e mordicava o meu pescoço de leve. Segurei firme sua cintura e subi um pouco seu corpo para que pudesse abocanhar seu seio direito, o meu ato a provocou um gemido delicioso e eu continuei a suga-la. Fernanda se afastou um pouco, voltou a me beijar passou a contornar meu corpo com os lábios, desceu para os meus seios e mordicou o esquerdo enquanto massageava o esquerdo com sua mão. Eu que já estava ofegante, só precisava de um pouco mais de contato para que perdesse totalmente o controle, fechei os olhos e agarrei forte as cobertas da cama, Fernanda descia devagar pelo meu corpo depositando beijos na barriga, até que em um movimento súbito e inesperado ela abocanhou minha intimidade. Emiti um gemido alto e a partir dai a tendência era aumentar, ela continuava a mover a língua freneticamente dentro e fora de mim, os movimentos de vai e vem aumentaram e ficaram mais precisos, meus gemidos já tinham ficado cada vez mais auditíveis no ambiente, eu agarrava as cobertas com força enquanto implorava por mais contato, já estava a poucos segundos do meu ápice. Até que se ouviram as batidas na porta.
Fernanda se levantou bruscamente e assim como eu, praguejou aos quatro ventos a maldita pessoa que tinha nos interrompido. Ela envolveu a toalha em seu corpo e foi atender a porta, definitivamente eu não estava em condições de me levantar dali.
MANUELA
A poucos quarteirões de casa eu percebi que tinha esquecido o meu celular na casa da Isa, como ele tinha ficado sem bateria eu o conectei no carregador dela e na pressa de ir embora acabei esquecendo. Pedi que o motorista fizesse o retorno, uns 15 minutos depois eu cheguei a prédio da Isa e subi até o apartamento, bati algumas vezes na porta, e em poucos minutos a porta foi aberta, pra minha surpresa por uma Fernanda só de toalha e de cabelos bagunçado. Fiquei tão atônita ao imaginar o que eu tinha interrompido que não consegui formular nenhuma frase.
– Manu! Tá tudo bem? Esqueceu alguma coisa? — Questionou.
– A-ah , sim, cl-claro. Meu celular ficou aqui. — Respondi tentando me manter firme.
– Só um minuto, vou pedir pra Isa pegar. — Falou.
Parecia que o meu peito tinha se partido ao meio naquele momento, mas eu não iria ceder, precisava agir normalmente. Pude avistar Isabella indo até a cozinha coberta por um lençol e entregando o celular a Fernanda, que lhe tomou os lábios. Nossos olhares se cruzaram por alguns poucos segundos que antecederam a chegada da Fê até mim, novamente aquela imensidão azul tentava me fazer refém, seu olhar estava escuro e eu não consegui decifrar o que eles me transmitiam, não ouve uma conexão, não ouve a cumplicidade que nos era habitual. Apenas fixei meu olhar ao dela sem nenhuma pretensão de lhe transmitir qualquer coisa que fosse.
Fernanda me entregou o aparelho e eu retribui com um sorriso forçado, desci, entrei no taxi e fui torturada durante todo o percurso pelos meus próprios pensamentos. Imaginei tantas coisas, criei tantas cenas, e no final eu só quis desmoronar. Como já era esperado, ninguém em casa, subi até o meu quarto e me despi. Observei meu corpo diante do espelho por alguns minutos, acho que naquele momento eu me permiti enxergar tudo, eu estava despida de corpo e alma, reparei que o cheiro da Isabella ainda estava infiltrado na minha pele e fui de prontidão para o banheiro. Eu só quis que aquele banho tivesse levado embora tudo o que me afligia, mas, invés disso uma certeza absurda de algo que antes era improvável se instalou no meu peito. Peguei o celular e liguei para Arthur.
– Alô, Manu? — Falou a voz grossa do outro lado da linha.
– Você tinha razão, voltar não foi uma boa ideia! — Falei sem conseguir conter os soluços provocados pelo choro.
– Calma Manu, o que foi? — Questionou preocupado.
– Foi um erro Arthur! Eu não vou mais continuar aqui, eu só quero sair dessa cidade e nunca mais voltar.
Notas finais
Quanto mais reviews o capítulo receber, mais cedo eu posto o próximo! Então, me falem o que acharam. *-*
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