Entrelaços
8 Turning Tables
Notas iniciais
Boa leitura!
ISABELLA
Era manhã de Domingo, levantei mais cedo do que costume, tinha passado a noite inteira em claro pensando nos acontecimentos desse fim de semana. De alguma forma a Manuela não saia da minha cabeça, eu só pensava no quanto eu queria que fosse ela ao invés da Fernanda ali na minha cama. Eu queria o carinho dela, não o da Fê. Eu a queria. Peguei o telefone e disquei o numero da Mandy.
– Isso são horas de acordar alguém em um Domingo? — Atendeu sonolenta.
– Acho que preciso conversar sobre uma coisa. — Admiti.
– Fala logo, não quero acordar o Filipe. — Falou.
– Não posso falar sobre isso pelo telefone, além disso, a Fê ta dormindo aqui do lado também. — Expliquei.
– Eu odeio tanto você por ter me acordado, mas tudo bem, aqui em casa dentro de meia hora. — Sugeriu.
– Perfeito, mas, e o Filipe? — Questionei.
– Ele vai levantar daqui a pouco pra ajudar a Manu com alguma coisa da viagem, vem logo que eu vou fazer café da manhã pra nós.
– Tudo bem então, ótimo, já chego aí. Beijos. — Finalizei.
Tomei um longo banho, deixei um bilhete pra Fê no criado-mudo e fui até a casa da Mandy, chegando lá a cumprimentei com um forte abraço e já fomos direto para a cozinha comer alguma coisa. Poucos minutos depois sai um Filipe aparentemente preocupado do quarto.
– Aconteceu alguma coisa Lipe? — Questionou Amanda depositando-lhe um beijo.
– Não é nada meu bem, só as loucuras da Manuela. Tenho que ir, já estou atrasado. Bom dia Isa, e até mais tarde. — Respondeu olhando o relógio que marcava 08:10.
– Bom dia, espera, chama a Manu quando vier. — Sugeri.
– Creio que não vá ser possível, a louca da Manuela adiantou a viajem e vai embarcar daqui a uma hora. Eu realmente tenho que ir, tchau meninas! — Falou enquanto saía.
– Como assim ela adiantou a viagem? Eu precisava conversar com ela sobre ontem. Que droga! — Reclamei.
– Ontem? Acho que essa é a hora da conversa em que você me situa. — Falou Amanda.
– Vou resumir tudo, na sexta eu vi uma ex minha beijando a Manu e acabei surtando e jogando bebida na garota, a Fê foi embora e deixou minhas coisas com a Manuela e nós fomos juntas pra o meu apartamento, dormimos juntas, ela me preparou um café da manhã perfeito até a Fê chegar pra estragar, daí a Manu foi embora e bem, eu e Fê fomos nos divertir um pouquinho. O problema é que bem naquela hora alguém chegou, a Fê foi atender a porta e era a Manu, ela tinha esquecido o celular. É claro que eu fiquei super constrangida ao perceber quem era, não tive cara nem de ir falar com ela. — Expliquei.
– Puta merda Isa! A Manu é bi? Vocês transaram? — Questionou indignada.
– Não, nos só dormimos juntas! E aquele dia foi a primeira vez que ela beijou outra garota. — Esclareci.
– Ok, tudo bem! Então acho que já saquei o que tá rolando, mas, quero ouvir da sua boca. — Falou.
– Merda! Odeio admitir, mas acho que você tinha razão, eu nem dormi pensando nisso tudo, eu só queria que ela estivesse lá comigo. Eu me sinto como uma adolescente quando ela tá perto, e também ajo como uma! — Confessei.
– Então é oficial, você está apaixonada por ela. — Falou abrindo um largo sorriso.
– Acho que sim, e não sei o que fazer quanto a isso. — Confessei confusa.
– Simples, consiga a garota! Acho bem provável que ela sinta o mesmo.
MANUELA
– O que diabos você tá dizendo? Como assim não vai voltar? — Filipe questionava irritado.
– Não vou Filipe, só vou complicar mais a minha vida ficando aqui, não é nada bom ficar revirando o passado desse jeito. — Falei.
– Você é uma tremenda covarde sábia? Manuela, você já arrumou um emprego e um apartamento, vai desistir dos dois porque mesmo? — Voltou a questionar.
– Porque eu amo a Isabella! E não tem mais espaço na minha vida pra esse tipo de coisa, eu não quero ficar perto dela, eu não quero permitir que ela entre na minha vida dessa forma! — Confessei.
– Você não percebe que esse é um motivo pra que você fique e não pra que vá embora? Aqui é a sua casa Manu, fugir nunca resolve nada, eu amo você e quero que você fique, pensa bem no que vai fazer. Promete que vai voltar! — Falou enquanto me abraçava forte.
– Eu não sei Lipe, eu estou completamente perdida, não me sinto pronta pra enfrentar as coisas por aqui sozinha. — Falei sem conter o choro.
– Você não está sozinha, eu estou aqui, se você quiser eu até posso me mudar com você. — Sugeriu.
– Eu sei que tenho você, mas não posso deixar que você modifique a sua vida por causa dos meus problemas. Eu te amo Lipe, mas não posso prometer que vou voltar. — Disse acariciando o seu rosto.
– Você pode ao menos me passar o seu endereço? Juro que se você não voltar eu mesmo vou te buscar!
Me afastei dos braços de Filipe e mandei uma mensagem de texto com o meu endereço.
– Agora você pode me achar! — Falei enquanto caminhava para o portão de embarque.
Depois de muitas horas de voo eu finalmente tinha chegado ao meu destino. Peguei um táxi até em casa, e meu coração acelerava a cada passo que eu dava até a porta principal, eu tinha sentido tanta falta dele. Abri a porta com a minha chave e ele foi a primeira pessoa que eu avistei.
– Mamãe! — Falou o garotinho loiro correndo em minha direção.
– Meu amor! Eu pensei que ia morrer de saudades de você. — Disse enquanto o apertava forte em um abraço.
– Vem! O pai Leonardo e o pai Arthur estão na cozinha. — Falou me puxando pela mão.
E cá estava eu, em casa novamente com o Otávio, prometi a mim mesma que nunca mais ia passar mais de uma semana longe dele, era como ter parte de mim faltando. De repente me sentia completa novamente. Chegamos até a cozinha e lá estava meu casal favorito, o Arthur tirava alguma coisa do forno enquanto o Léo estava pondo a mesa. Ambos tomaram um susto ao notar minha presença, ninguém esperava que eu chegasse hoje.
– Meu amor, porque não nos avisou que vinha hoje? Nós tínhamos ido te buscar no Aeroporto. — Disse um Arthur preocupado me envolvendo em um forte abraço.
– Eu não estava me sentindo muito bem lá e resolvi vir hoje, não aguentava mais de saudades do Otávio, e de vocês é claro. — Expliquei enquanto os 3 me esmagavam em um abraço.
– Já que você sentiu minha falta mãe, quais foram os presentes que trouxe pra mim? — Questionou Otávio com os olhinhos verdes brilhando.
– Olha só esse garoto, se mostrando um interesseiro de primeira em? — Brincou Leonardo enquanto todos caíamos na gargalhada.
– Eu trouxe um monte de presentes pra você, mas tem uma condição, eu exijo um montão de beijos e abraços bem apertados antes! — Propus me abaixando para depositar um beijo terno na testa do garoto.
– É pra já! — Falou Otávio se jogando nos meus braços.
– Você faz ideia do quanto nós sentimos a sua falta, Manuela? — Indagou Leonardo.
– Acreditem, eu senti mais falta! — Retruquei. — Mas agora eu preciso tomar um bom banho e comer alguma coisa pra poder ficar apta a receber o carinho de vocês.
– Então vai logo mamãe, eu tenho um monte de coisas pra te contar e eu quero ver os meus presentes! — Falou meu filho sem conter a empolgação.
Eu estava tão feliz em estar com eles, os homens da minha vida. Não podia ir embora dali com o Otávio e deixar o Arthur e o Léo pra trás. Eles cuidaram de mim quando eu mais precisei, eram a minha família e eu estava decidida a não separa-la. No começo pareceu uma boa ideia que o Tavinho conhecesse os avós e o resto da família, ela já conhecia a Olívia minha irmã mais velha e consequentemente os primos, mas além da Olívia e o marido só a tia Lúcia sábia da existência do Otávio. A Isabella era o elo mais forte que eu tinha com o David além do nosso filho, eram as duas pessoas que eu mais amava e que mereciam saber da existência um do outro, mas aquele não era o momento.
ISABELLA
Passei horas conversando com a Mandy, vimos alguns filmes e eu até ajudei ela a fazer o jantar, passava das 21 horas e estávamos vendo TV no sofá quando fomos interrompidas pelo Filipe que chegava sério e com olhos vermelhos.
– Bem amor, ou você andou fumando uma erva, ou você estava chorando. Que cara é essa Lipe? — Questionou Amanda se aproximando do rapaz alto de cabelos negros.
– Eu não estou muito legal, a gente pode sair pra beber alguma coisa? Você vem com a gente não é Isa? — Indagou ele.
– É, eu até vou se você prometer explicar pra gente o que aconteceu. — Propus.
– Tudo bem, mas eu só explico mais tarde. — Respondeu.
Saímos poucos minutos depois e fomos pra um barzinho lá perto, era um lugar agradável, mesas bem posicionadas no ambiente fechado, música ao vivo, um lugar ótimo para levar os amigos. Sentamos em uma das mesas mais isoladas e pedimos alguns drinks.
– Pronto, já pode nos falar o que aconteceu. — Disse Amanda entrelaçando as mãos com as do rapaz.
– Hoje cedo eu fui deixar a Manu no aeroporto e ela me falou que achava que não ia mais voltar, que tinha sido um erro vir pra cidade. Eu pedi que ela pensasse melhor e me prometesse que ia voltar, mas ela veio com um papo de que não estava pronta pra enfrentar algumas coisas sozinha e falou que não podia me prometer nada. — Explicou Filipe com calma.
– Espera, como assim a Manu não quer voltar? Ela parecia tão bem com a ideia de ficar aqui, já estava tudo certo, ela disse que só ia viajar pra pegar o resto das coisas dela. O que diabos aconteceu? Será que os pais dela fizeram algo, ou os meus? — Falei preocupada.
– Não Isa, acho que não teve a ver com os pais de ninguém, é coisa dela. — Esclareceu.
– Então você tá tristinho porque não sabe se ela vai ou não voltar, é isso? — Questionou Amanda.
– Não, eu estou triste porque ela me ligou a pouco tempo falando que não ia voltar. Pediu que eu falasse com os pais dela e que ia mandar um funcionário do Leonardo pra vir pegar o carro e o resto das coisas que ficaram, mas, eu mesmo me ofereci pra ir até lá e ela concordou. — Falou cabisbaixo.
– Eu não consigo acreditar que a Manuela fez isso! E por acaso quando ela pretende me contar? Ou melhor, ela deve pretender fazer que nem da ultima vez! Eu sou mesmo uma idiota. — Disse me levantando.
– Espera Isa! Eu tenho algo pra propor a você. — Retrucou Filipe.
– Se tem relação com a Manuela você não vai poder contar comigo, eu juro que nunca mais quero ver essa garota! — Falei irritada.
– Calma Isa, ir embora é um direito dela! Eu ia justamente te pedir pra que você fosse até lá comigo, tem muitas coisas por trás dessa história, eu sei que tem e é isso que eu quero descobrir. — Insistiu ele.
– Não Filipe, ela prometeu pra mim que não ia mais me deixar e deixou! Eu não vou atrás dela, dane-se o que ela esconde, eu quero esquecer da existência dela e não descobrir mais coisas a seu respeito. — Disse com ainda mais raiva.
– Eu realmente acho que você deve ir comigo, tem muita coisa que você precisa saber. A Manu é receosa em tudo que faz, mas ela agiu de forma errada não tendo esclarecido certas coisas, mesmo que você não vá por ela, mas tem um motivo maior nisso tudo! — Falou Filipe.
– Ela já me disse tudo que tinha pra ser dito, ou melhor, quase tudo, ela falou algo sobre uma surpresa depois que voltasse de viajem! Você sabe o que é, não sabe? Diz logo Filipe, eu não vou atrás da Manuela com você! — Expliquei exaltada.
– Eu sei sim Isa, mas esse não é um segredo meu, se você quer mesmo saber vai ter que ir comigo! — Retrucou.
– Uau, essa Manuela dá trabalho mesmo! — Completou Amanda.
– Eu não quero saber, depois de hoje Manuela Monteiro morreu pra mim! Tenho que ir embora agora, depois nos falamos. — Disse saindo apressada.
Amanda ainda falou alguma coisa que não pode ser ouvida por mim devido a distancia, caminhei apressada até o carro e não pude evitar de discar o numero da Manuela. 6, 12, 17 ligações, meu limite tinha chegado, eu podia acreditar que ela tinha feito isso. Porque diabos ela tinha voltado então? Eu realmente achei que era o motivo, como eu pude ter sido tão ingênua? Ela não tinha o direito de voltar aqui e bagunçar tudo, eu já tinha me acostumado com ela sendo apenas parte do meu passado, ela não podia ter voltado pra bagunçar as coisas dentro de mim. Que droga! Eu odiei Manuela naquela momento, mas odiei ainda mais o amor que sentia por ela. Eu pude perdoar ela ter partido uma vez, mas nunca, nem em cem anos eu ia conseguir perdoar o que ela estava fazendo agora.
Juntei o que me restava de forças e dirigi até meu apartamento, por sorte Fernanda não estava mais lá, o que eu menos precisava agora era dela perto de mim. Eu só queria ficar sozinha, chorar até a magoa que sentia passar, e foi o que eu fiz, chorei, mas a magoa não passou. Eu não queria me acostumar a ficar sem ela de novo, já tinha feito uma vez e não queria ter que passar por uma segunda, e logo agora, logo quando eu percebo que por todo esse tempo eu estive procurando ela em todo mundo porque eu a amava, e ainda amo. Mas, ela escolheu ir embora, não importava o motivo, eu não queria saber, dessa vez ela escolheu me deixar. Peguei o celular e olhei fixamente pra tela, e se fosse tudo um mal entendido, e se ela ainda fosse me ligar e explicar tudo? Eram tantas coisas que passava na minha cabeça naquele momento que eu não sabia se amava ou odiava a Manu naquele momento.
MANUELA
– E então o unicórnio disse: Acredite em mim que eu acredito em você! — Li mais uma frase do livro infantil enquanto o Otávio me olhava atento.
– Não quero mais essa história. — Falou o garoto.
– Mas porque meu amor? é uma história linda. — Questionei.
– Porque essa história é de criança, e eu sou um rapaz, já tenho 6 anos! — Retrucou sorrindo.
– Eu já tenho que me preocupar com alguma namoradinha? — Questionei arqueando a sobrancelha.
– Relaxa mãe, eu já terminei com a Bia! — Respondeu divertido.
– Mas quanta pretensão! — Retruquei lhe fazendo cócegas.
O meu celular estava no criado mudo do lado da cama dele, percebi que o aparelho vibrava e o peguei, era a Isabella, será que Filipe tinha falado alguma coisa? Eu precisava falar com ela, mas não naquele momento, não queria ter aquela conversa agora.
– Mamãe, a senhora não vai atender as ligações dessa moça bonita? — Questionou Otávio vendo a foto de Isabella no visor do aparelho.
– Não meu amor, hoje não. — Respondi.
Coloquei o aparelho no silencioso e voltei minha atenção para o Otávio. Poucos minutos depois ouvi Arthur me chamando e fui ao encontro dele.
– A mamãe já volta, tá bem? — Falei depositando um beijo na testa do garoto.
ISABELLA
Já estava quase dormindo quando o toque do celular anunciava uma ligação, custei a acreditar quando olhei pra o visor e vi a foto da Manu. Pensei duas vezes, mas acabei cedendo, precisava fazer aquilo.
– Alô? — Atendi.
– Oi moça. — Disse a voz infantil do outro lado da linha.
CONTINUA...
Notas finais
Quem é que shippa o Lipe e a Mandy ai? Acho eles uma gracinha ♥3
Só lembrando que a opinião de vocês é crucial, me digam o que acharam! Acho que é só isso, beijos ;*
Fale com o autor