Entregando a vida a Cristo
3 Capítulo 3
E então chegou o domingo.
Quando Ana Lúcia acordou, sua irmã Luíza estava fazendo uma visita com o sobrinho.
Como sempre, Lúcia fez suas orações, foi ao banheiro e depois tomou café.
Em seguida, voltou para o quarto, pegou o celular e se deitou.
Ao abrir as redes sociais, viu que havia mensagens de Josias:
> “Senti vontade de compartilhar com você um pouco da minha missão.”
Ele havia enviado um vídeo.
Aquele dia, Josias também compartilhou seu testemunho do amor de Deus com Lúcia — contou como o Senhor havia estado ao lado dele em todos os momentos difíceis.
— Muito obrigada por compartilhar comigo — respondeu Ana Lúcia, emocionada com o testemunho dele.
Mais tarde, mesmo com o celular apresentando falhas, ela deu um jeito e abriu o vídeo.
Era uma filmagem de um avião voando bem alto, e ao fundo tocava uma música sobre sonhos.
Lúcia então refletiu consigo mesma:
Quantas vezes havia deixado de sonhar por se preocupar demais com os sonhos dos outros?
Quantas vezes se afastou dos próprios planos só para passar horas nas redes sociais?
Seus sonhos eram tudo o que ainda carregava no coração.
Pensou na missão de Josias e sentiu vontade de se inspirar nele — mas ainda não sabia por onde começar.
Ela também não se dava bem com a irmã Luíza.
Sentia que ela a julgava com o olhar, e isso a magoava.
Por isso, passou o dia todo no quarto, tentando evitar o incômodo da visita.
Quando a noite chegou e Luíza já havia ido embora com o sobrinho, Ana Lúcia tomou banho, jantou e voltou para o quarto.
Pegou o caderno e começou a escrever:
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19/10 – Domingo, 7h41 p.m.
— Teve visita esses dias — meu tio e minha irmã.
Mas acontece que quase todo fim de semana eu fico com a cara amarrada.
A Luíza, às vezes, tem atitudes completamente desnecessárias, o que me irrita demais.
Pois é, né?
Passei o dia no quarto, até porque fim de semana não tem absolutamente nada pra fazer.
Hoje não teve quase nenhuma mensagem, só do Josias.
Ele me enviou um vídeo incrível.
Quando a Luíza foi embora, acho que quis se despedir de mim, mas desistiu.
Eu só queria ficar na minha, nada mais.
Mesmo assim, senti uma pontada de tristeza — não sei por quê.
Foi algo estranho, uma sensação rara.
Ana Lúcia parou, respirou fundo.
Falar da irmã sempre era difícil.
Mas então segurou firme a caneta e continuou:
— Estou sem vontade de falar com ninguém.
Por isso, prefiro focar em outras coisas.
Quer saber? Já decidi: não vou mais perder tempo com ninguém.
Vou focar na minha escrita.
Por enquanto, minha rotina antiga voltou, e mesmo que seja difícil, é isso.
Eu preciso focar no meu talento.
E enquanto não posso realizar meus sonhos, vou anotá-los.
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E assim fez.
Pegou sua agenda e começou a anotar cada um deles.
Alguns pareciam grandes demais, até impossíveis, mas mesmo assim ela escreveu, porque acreditava que com Deus, nada era impossível.
Depois leu um pouco de Razão e Sensibilidade.
Quando terminou, o celular já havia carregado.
Olhou as redes sociais — nenhuma mensagem.
Mais tarde, uma notificação chamou sua atenção:
sua amiga Raquel havia escrito uma nota que dizia:
> “Estou brava. Agora não penso em te responder nada.”
Lúcia franziu a testa.
Será que era pra ela?
Sentiu o coração acelerar.
Não sabia o que havia feito, e passou um tempo pensando no que poderia ter acontecido.
Raquel não respondeu nada naquele dia.
Lúcia, então, preferiu não perguntar, apenas respeitar o momento dela.
Antes de dormir, fez uma oração:
— Senhor, me faça entender se a Raquel está brava comigo ou não.
Se estiver, que ela entenda.
E se não for comigo, acalma o coração dela. Amém.
E então pensou melhor:
> “Se ela estiver brava comigo, eu vou enfrentar.
Mas se não for comigo, eu vou aconselhar.”
Ana Lúcia se deitou e adormeceu, tentando não pensar muito nisso.
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