Quando ela acordou, fez suas orações como sempre. Depois foi fazer suas higienes, tomou café e voltou para o quarto. Como o celular ainda estava carregando, pegou o caderno e começou a escrever:


20/10 — Segunda, 12:43 PM


> “A Raquel escreveu algo assim: ‘Com raiva, agora não penso em te responder nada.’

Não sei pra quem ela mandou isso, mas, se for pra mim, eu sei muito bem o que responder.

Porém, se for por algo que aconteceu com ela, vou esperar pra dar um conselho.”




Ela passou horas escrevendo uma história, depois foi almoçar — mas ainda estava preocupada com Raquel.


Após o almoço, dormiu um pouquinho. Quando acordou, foi tomar banho, assistiu TV e ficou um tempo online.


Mais tarde, foi lavar roupas e, quando terminou, leu a Bíblia.


Já à noite, abriu as redes sociais e viu que, na verdade, Raquel havia feito uma brincadeira. Ela tinha colocado na nota:


> “Esqueçam, eu já me casei com meu amor.”




Raquel respondeu as mensagens de Ana Lúcia pela metade, como se não se importasse — como se Lúcia fosse apenas uma segunda opção. Aquilo a magoou, mas, mesmo assim, respondeu às mensagens.


Depois foi jantar. Era sua comida preferida: arroz, feijão e peixe cozido.


Quando a novela terminou, pegou o caderno e começou a escrever novamente:


08:37 PM


> “Na verdade, o que a Raquel estava fazendo era só uma brincadeira sem graça.

Pelo menos ela está bem, e isso é o que importa.

Hoje não deu pra eu ver os vídeos cristãos, mas pelo menos li a Bíblia.

Estou me cansando do Raul... Tenho muita coisa pra fazer ainda, e estou sentindo umas pontadas no peito, muito estranhas.

Sei lá... pelo menos estou bem agora, graças a Deus.”




Ela parou de escrever, guardou o caderno e foi tomar banho. Vestiu um vestido simples e passou o resto da noite escrevendo suas histórias.


Nos últimos dias, percebeu que sua família estava enfrentando dificuldades. Então decidiu agir — queria usar o seu talento para ajudar em casa.

Lembrou do que Raquel havia feito e pensou que não queria mais ser a “opção B”.


Os pensamentos negativos vinham com força, mas, de repente, ela lembrou do que tinha dito recentemente:


> “Eu quero espalhar o evangelho.”




Sabia que não era uma missão fácil, mas respirou fundo, abriu um vídeo no YouTube e escreveu um comentário falando sobre o amor de Deus.


Depois voltou a escrever suas histórias. Tentava uma segunda chance de publicar seu livro — quem sabe assim poderia ajudar sua família.


Em seguida, guardou o celular, foi até a cômoda vermelho-vinho e se ajoelhou.

Sentia-se como Rachel, do filme “Uma Vida com Propósito”: solitária, rejeitada, mas com fé.


Ana Lúcia era católica, mas se via naquela jovem do filme — uma garota que tinha perdido amigos, enfrentado dificuldades, mas continuava firme na fé.


Juntou as mãos e orou em silêncio:


> “Senhor, me levante mais uma vez, porque estou me sentindo destruída.

Me dê forças novamente, Pai.

Sei que tenho errado muitas vezes… me ajude a mudar, Senhor.

Muda a minha mente, purifica meu coração.

Amém.”




Depois disso, ela foi dormir.

Aquela noite foi silenciosa.

Raquel ainda não havia respondido.