Entre suas asas

16 Sou Bonnie Bennet, posso entrar?


Notas iniciais
Até tu, brutos? A Vee tá meio estranha, o que será que aconteceu? D: PS: Não sei se vão gostar do capítulo, mas eu gostei de escrever! Espero que curtam, mas né... >.< HUE HUE HUE

Uma semana se passara desde que eu fiquei sabendo que vivo em um mundo de conto de fadas ao avesso. E estava ha uma semana tentando falar com a minha melhor amiga, sem sucesso. Matou aula escancaradamente. Fui até a sua casa, mas a dona Elizabeth não quis me dar muitas informações ao seu respeito...parecia pouco à vontade na minha presença, apenas disse que ela ainda estava na casa dos avós.

Passei o final de semana inteiro com o celular na mão tentando me comunicar com Vee, mas aparentemente o seu aparelho estava sem sinal. Pelo o que me lembrava, o lugar onde fora passar esses dias era cercado por algumas ávores, mas aqui na minha casa também, e nem por isso deixava de pegar a internet ou sinal de telefone.

Desci as escadas e me joguei em cima do sofá. Disquei o número de Vee mais uma vez naquela manhã e, finalmente, seu celular começou a tocar.

Chamou, chamou e chamou, mas ninguém atendeu.

Será que havia acontecido alguma coisa com ela? Tipo, quando foi que Vee ficou incomunicável dessa maneira? Estava sempre como celular na mão.

Mamãe tinha viajado com o Hugo a negócios ontem e disse que voltaria no mesmo dia, mas não chegou, parece que houve um imprevisto e que eles chegariam hoje de noite. Bom, já era quase meio dia. Meu estomago roncou.

Torci para ela ter deixado algo a mais do que arroz pronto na geladeira.

Ok, ok. Eu não sei cozinhar, e a mãe ainda não tinha feito o rancho do mês...Me levantei preguiçosamente e me dirigi até a cozinha, abri todos os armários, mas não tinha um biscoitinho sequer...abri a geladeira, mas não tinha comida pronta...a não ser o tal arroz. Argh, mamãe me abandonou.

Tá, exagerei, mas né.

Estava procurando alguma coisa fácil de fazer no livro de receita que estava na gaveta, quando ouvi o meu telefone tocar da sala. Larguei o livrinho na pia e saí em disparada.

Podia ser Vee!

Atendi, meio afobada.

–Vee?- Perguntei. Havia esquecido de olhar o identificador de chamadas.

–Hm, se você quiser posso fingir ser a Vee- disse Patch do outro lado da linha. Seu sorriso estava implicito.

Mordi o lábio inferior e sorri.

–Não, serve ser você mesmo- eu disse.

Ele riu.

–Sabia que ia dizer isso- falou.

–Convencido.

–Se eu posso, por quê não seria?

Revirei os olhos. Estava com uma resposta mal criada na ponta da língua, mas ele continuou:

–Quem não seria convencido, tendo uma garota como você do lado, anjo?

Eu não tinha resposta pra isso.

–Nora, volte a respirar- murmurou, sorrindo.

Corei as bochechas, mesmo estando completamente sozinha em casa.

–Eu estava respirando- minha voz saiu um tanto baixa demais.

–Você é uma péssima mentirosa.

–E você é ótimo nesse quesito- retruquei.

–Não só nesse quesito, mas em vários outros também- gabou-se ele, a malicia era óbvia.

–Patch!- O repreendi, mas sentia que minha pele havia esquentado.

Patch gargalhou.

–Está sozinha ainda?

–Aham.

–Não está mais.

Assim que ele pronunciou essas palavras a ligação caiu. Rapidamente me virei em direção ao Hall de entrada, dando de cara com um Patch sorridente, de calças escuras, camisa de manga longa azul marinho e botinas bem lustradas e negras.

Arqueei uma sobrancelha e cruzei os braços.

–Você não bateu na porta- eu disse.

Patch sorriu de lado, pondo as mãos na nuca. Eu não sabia se amava ou odiava essa postura indiferente e relaxada que ele muitas vezes mostrava.

–Estava aberta- murmurou, como se isso fosse uma baita explicação.

–Mesmo assim- ergui o nariz.

Ele revirou os olhos.

–Porra, pensei que ficaria feliz em me ver- falou, apesar de estar com a expressão debochada, senti que isso o incomodou um pouco.

Caminhei o espaço entre nós e entrelacei minhas mãos no seu pescoço.

–Eu senti, e muito.

Fiquei a semana toda praticamente sem vê-lo. Scott e Patch estavam, milagrosamente, trabalhando juntos em busca de evidências de quem poderia estar ajudando Damon e Elena, e o que eles realmente queriam com a tal Cura.

Ergueu as sobrancelhas e deixou as mãos quentes e macias na minha cintura, abaixo da camiseta que eu usava.

–Só não queria perder o costume de te incomodar- concluí, lhe dando uma piscadela.

Patch sorriu abertamente.

–Amo seu jeito.

Naquele momento eu queria que o nosso relacionamento fosse normal, comum. Que ele fosse um garoto normal, de 20 anos, sexy e irreverente.

Mas não, ele não era. Queria que minha família fosse normal e comum, mas não, ela não era. Patch me fitou com intensidade.

–No que está pensando?- Perguntou, franzindo levemente as sobrancelhas.

–Em como eu estou com fome- respondi, dando a ele somente uma partezinha da verdade.

Ele me analisou atentamente. Se conseguiu ver alguma coisa a mais no meu rosto, eu não sabia. Me levou pela a mão até a cozinha, puxou uma cadeira para que eu sentasse. Parou diante da geladeira, e me olhou de soslaio, com aquele sorriso cafajeste brincando pelo seu rosto.

–Posso?

Gesticulei com a mão para que continuasse.

–Fique à vontade- falei, sorrindo.

Patch era extremamente habilidoso na cozinha, parecia já conhecer o lugar de tudo, apesar de ter resmungado um pouco pela a falta de coisas que, segundo ele, são essencias para fazer algo saboroso e decente. Uma hora depois, estávamos sentados frente a frente, degustando um arroz cremoso. Era simples, cheiroso e muito, mas muito bom!

Comi três servidas cheias.

–Você come igual a um pedreiro- murmurou ele, enquanto me observava a comer.

O fuzilei com os olhos e dei de ombros.

–Tem medo que eu engorde, é?- Eu quis saber, colocando o prato de lado e cruzando os braços.

Patch coçou o queixo, apoiou o cotovelo no tampo de madeira escura da mesa e a cabeça no punho.

–Não consigo te imaginar menos bonita do que você é. — Seus olhos escuros focaram nos meus. — Você seria linda pra mim de qualquer forma.

Senti borboletas no estômago.

–Duvido- eu disse, mas a verdade é que eu me encontrava em júbilo.

–Tudo o que eu falo que diz respeito a você é verdade.

–E o restante?- Eu quis saber.

Ele deu de ombros.

–Não exija muito de mim, anjo. Ainda estou aprendendo a ser decente- ele piscou para mim.

Juro que eu não queria sorrir, queria dar uma de boa samaritana, mas não consegui. Retribui o sorriso.

–Patch...- eu disse depois de um momento de silêncio, corando o rosto todo. Ele arqueou as sobrancelhas, curioso.

–Sim?

–Então...ér...sabe...- olhei para a torneira estragada que estava pingando dentro da pia. Pigarreei.- Sabe, só queria dizer que eu...gosto muito de você, sei lá.

Não tive coragem de voltar a olhar para o seu rosto por um bom tempo, mas como ele ainda não havia respondido nada, nem sequer um "que se dane", me obriguei a fita-lo novamente.

–Só gosta?- Ele quis saber.

–Adoro.

Ele sorriu, parecia ter gostado do que eu disse.

–Só adora?

–Ai, Patch, para...nem deveria ter entrado nesse assunto.

Patch riu de leve.

–Você me ama?- Indagou-me.

AI MEU DEUS, AI MEU DEUS. Era muito cedo pra eu confessar isso?

–Tipo...é muito cedo ainda...

–Confessa- ordenou.

Olhei para o seu rosto, piscando feito uma idiota. Vermelha como um tomate.

–Tá...sim, eu acho.

Ele ponderou por um segundo.

–Pois eu tenho certeza do que eu sinto por você.

–E o que você sente?- Perguntei, meu coração batendo forte dentro do peito.

–Começa com A e termina com R-debochou, sorrindo de um jeito que me dava nos nervos.

–Você é idiota.

–Eu te amo, e tenho certeza disso. Pensei que já soubesse.

–Mas eu sou tão...normal...tipo, humana...sem graça.

–Você é humana, linda, generosa, mal criada, brava, linda, linda, linda e consegue sentir algo de bom por um cara como eu.

–Você não é tão ruim quanto acha que é.

Patch sorriu e estendeu a mão pra mim. A peguei e ele entrelaçou nossos dedos. Parecia algo simples, mas sabia que aquele gesto significava que estavámos realmente juntos. Não tinha mais volta.

–Que bom que você me conhece melhor do que eu mesmo.

–Sério Patch, você é melhor do que pensa. Você não me matou...pelo o contrário, você está me protegendo.

–Talvez. Mas não quero que você crie falsas expectativas quanto a mim e quanto ao que eu posso ou não ser. A todo dia, toda hora, corro o risco de te magoar pelo simples fato de ser quem eu sou.

Engoli em seco.

–Tudo bem, posso superar isso.

Sorriu para mim.

–É tudo o que eu mais quero.

Nesse instante, Patch já havia se levantado, me puxado para si.

–Quero só ficar com você, assim, pra sempre- murmurei baixinho.

Ele não respondeu, apenas me beijou com intensidade, com as mãos já conhecidas vagando e apertando o meu corpo. Era uma das melhores sensações que já havia experimentado na vida.

O clima começava a esquentar e meu cerébro parar de funcionar com racionalidade. Meus instintos tomavam conta de mim, e Patch também.

Porém, felizmente, a compainha começou a soar urgente, nervosa, exigente.

–Você trancou a porta quando entrou?- Perguntei, passando a mão discretamente nos lábios.

Se for a mãe...ela vai me xingar eternamente.

Patch parecia um pouco irritado com a interrupção do nosso amasso que a qualquer momento poderia nos deixar sem roupas.

–Fechei.

–Já vai!- Gritei.- Fique aí! Se for a mãe e o Hugo se esconde...sei lá, voe pela a janela.

Patch me olhou incrédulo.

–Você não acha mesmo que eu voo, né?- Perguntou.

Eu ri.

–Não, tava só de brinks- disse. Mas a verdade é que eu achei mesmo.

Ele me fitou descrente, sabia que eu tinha falado sério, então abriu um sorriso zombeteiro.

–Claro.

Saí em disparada até a porta, a destranquei, me deparando com uma Vee de cenho franzido e uma moça morena e de grandes olhos cor de mel. Fitei as duas, e uma sensação esquisita tomou conta de mim.

–O que aconteceu? Tentei falar com você a semana inteira!- Acusei-a, incapaz de esconder a magoa por ter sido esquecida dessa forma.

–Nora, precisamos conversar.- Murmurou, passando por mim para entrar dentro de casa. A menina olhou para mim, mas não sorriu.

–Sou Bonnie Bennet, posso entrar?

–Claro...

Alguma coisa estava muito errada, nunca tinha a visto tão séria assim.

Fechei a porta, seguindo-as até o interior da sala. Olhei ao redor, mas Patch parecia não estar mais ali.

–O que houve?

Continua...

Notas finais
Curtiram ou não curtiram?!! õ/