Entre os mundos
6 Sendo uma elfa.
Notas iniciais
Duas semanas.
Duas drogas de semanas novas que eu estou “tentando” ser um elfo, isso entre aspas, porque não pensei que seria tão difícil ser um deles, a forma em que as elfas trabalhavam era uma coisa incrível, elas lutavam de forma graciosa e letal, dois anos de treinamento para ser praticamente aniquilada em menos de dois minutos, era realmente algo constrangedor, principalmente depois de dizer que eu era realmente boa.
Nessas duas semanas, Aaron não me deixou, nem em uma única vez, falar com ele, não me deixou pedir desculpas nem uma única vez, na verdade, nem me deixou chegar perto dele, me tratando como se eu fosse um nada, e eu não o culpo, o tratei como se fosse um fraco diante de toda a tribo dele, e mesmo que os elfos me tratassem como se me aceitassem eu sentia aquela hostilidade pelo que eu havia dito.
Mas eu estava me esforçando ao máximo para que aquilo não repercutisse de forma negativa, eu...eu sou uma droga...nunca me senti tão culpada em toda minha vida, não conseguia fazer nada, tudo o que eu tentava era considerava inferior, se eu tentasse arco e flecha, não conseguia acertar os alvos, não brinque comigo dizendo que fiz algum progresso com alguma das lutas depois de lutar com algumas delas e ainda tinha o lance de tecer cestos, subir em arvores ou até mesmo para pescar.
– merda – murmurei olhando que minhas mãos estavam sangrando de tanto tecer o que me parecia ser um certo realmente grande, não estava nem na metade e as poucas elfas que trabalhavam comigo já haviam feito várias cada uma.
– mikaella – a gramadre chamou minha atenção – por que não tenta lavar as mãos no riacho? Está sujando o cesto.
Concordei de leve e me levantei. Caminhei algumas centenas de metros até o riacho que cortava o acampamento deles.
Me agachei na borde e deixei a água lavar meus dedos inchados.
– é oficial – chiei não fui feita para trabalhar.
Ouvi um barulho na água e meu coração saltou. Não podia ser outro daqueles seres, tapei os ouvidos com força para não ouvir a canção.
Mas aquilo que saiu da água com certeza não era um mostro.
Aaron saiu do rio e estava parcialmente nu, apenas coberto por uma espécie de tanga, somente cobrindo seus sexo, seu corpo trabalhado molhado, com o cabelo pingando sobre os ombros.
Meu cérebro parou, travei na mesma posição, agachada em frente ao rio e não conseguir me mexer.
Ele notou minha presença com indiferença.
– mikaella sulivan – ele cumprimentou se vestindo.
E começou a partir.
– espera – pedi tentando me controlar – Aaron, espera.
Ele parou de costas para mim, seu cabelo dourado estava grudado no corpo e suas orelhas estavam bem acentuadas.
– eu...eu...- respirei fundo – me desculpe, de verdade, eu...só queria me desculpar.
Ele se virou para mim, a primeira vez que me olhava desde que eu o ofenderá.
– você não deve dizer aquele tipo de coisa.
– É, eu sei, agora eu sei – olhei minhas mãos, ainda estavam sangrando – me desculpe novamente.
Ele concordou de leve e pareceu notar minhas mãos.
– está ferida? – ele deu um passo na minha direção mas parou.
– não é nada – minha voz saiu num sussurro – é só a minha inutilidade sendo mostrada através de feridas.
– leve até brisa, ela cuidará de você.
Então ele partiu, nossa maior conversa até o exato momento e de alguma forma eu me senti bem por ter feito as pazes com ele.
Falei com a gramadre e ela me permitiu ir até Brisa para que ela cuidasse de meus dedos, ela estava cuidando de uma dos caçadores quando cheguei, então me sentei um pouco esperando.
– se machucou de novo? – ela pegou as coisas para cuidar dos meus dedos – deuses mikaella, você é muito delicada.
O que poderia ser dito naquele momento? Tem razão? Nunca havia trabalhando minha vida inteira, sempre havia alguém fazendo as coisas para mim, e agora eu tinha que acordar cedo, trabalhar e ainda cuidar do ninho? Não é algo que eu me acostume.
– pronto – ela a anunciou
Com minhas mãos sem nem um vestígio dos machucados.
Obrigada, pensei impressionada.
Eu a ajudei a arrumar o ninho do jeito que pude, ela foi terminar seus serviços e eu fiquei no quarto, enrolando o resto do dia, quando ela finalmente voltou, estava parecendo cansada, ela arrumou o resto das coisas e fui se deitar.
– vem deitar mikaella?
–não.
Se eu quisesse sair daqui precisaria me esforçar para conseguir, se não passaria o resto da minha eternidade aqui, literalmente.
Peguei meu cesto e caminhei lentamente até uma pedra alta na floresta, dava pra ver a lua, a arvore dos ninhos e o riacho, olhei o cesto a minha frente, não deveria ser tão difícil assim, pelo menos foi o que eu tentei pelas duas horas que se seguira.
– Se eu não reconhecesse seus cabelos de fogo estaria com uma flecha atravessada na garganta – a voz de Aaron me assustou – parece que você se mete sempre em qualquer coisa que possa te matar.
– pois é – corei, espera, eu corei? – parece que em tudo o que eu faço você tenta me matar.
– é o destino – ele viu a cesta no me colo e observou meu trabalho – isso está horrível.
– bem me desculpe por não ser uma boa elfa – bufei – mas parece que aqui não tem muita gente do sexo feminino, mas parece que as poucas que aqui habitam me odeiam.
– receio que isso é por minha causa.
– receia? – quem usa esse tipo de palavra? – por que?
– são minhas prometidas.
– o que quer dizer? – senti uma pontada no peito – vai se casar com todas elas?
Ele riu alto de forma livre e espontânea, era a primeira vez que eu o via sorrir.
– não, sabe nós elfos só nos apaixonamos uma vez – ele comentou.
– eu sei brisa disse. – murmurei – isso é lindo
– só temos um problema em toda essa beleza
– e qual é?
– quando várias fêmeas se apaixonam por um único macho.
– quer dizer que as mulheres, quer dizer elfas que aqui estão – fiquei atônica – são apaixonadas por você?
– nem todas, algumas são casadas, e outras preferiram morar aqui para ficar perto da família.
– e as solteira?
– existe um acampamento para as fêmeas – ele disse de modo cortes – para elas aprenderem a serem boas esposas e cuidarem bem de suas famílias, mas principalmente para não se apaixonarem antes do tempo.
Agora entendi o porquê das elfas me olharem de um jeito estranho, tirando Brisa e gramadre, nem uma delas falava comigo.
– está tarde – ele se levantou e eu o acompanhei –aqui está.
Ele me devolveu o cesto perfeitamente terminado.
– como fez isso? – fiquei admirada, ele estava lindo.
– qualquer elfo consegue fazer – pegou a lança – se você quer ser uma de nós tem que se esforçar.
– o que quer dizer? Que me aceita no seu povo?
– eu não a quero aqui mikaella sulivan – ele respondeu sério – mas se tem que ficar, fique, cumpra o destino que os deuses arrumaram para você.
– e qual é o lance da sua lança?
– a séculos atrás os deuses nos deram o dom da força, da coragem, e nos deram os instrumentos que canalizava nossa força para o mundo, minha lança é um deles, e cada caçador possui o seu próprio instrumento.
– eles variam?
– podem ser qualquer coisa, desde que os deuses lhe entreguem.
A pedra da sua lança começou a brilhar com força.
– exibido – murmurei.
– vá se deitar humana, tenho uma surpresa pra você amanhã.
O que?
– o que? – minha voz saiu esganiçada. – que surpresa.
– até amanhã mikaella sulivan – ele ignorou minha pergunta.
De alguma forma eu percebi que isso poderia não agradar muito o resto dos elfos, que se dane.
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