Entre os mundos
7 Hoje eu sou Mayaan.
Notas iniciais
– quer que eu faça o que?
Olhei para o alvo a mais de 200 metros de distância.
Aaron acertou a primeira flecha com uma facilidade que era impressionante, e o fato de conseguir o fazia achar que eu também era capaz.
– vamos lá mikaella sulivan – ele estava sentado enquanto eu tentava em vão acertas os alvos – você consegue.
Quando ele disse a palavra “surpresa”, várias coisas me passaram pela cabeça, a maioria delas era bem erótica, mas não que ele iria querer me ensinar a caçar, nisso eu já podia ser péssima sozinha.
– me explica por que quer me ensinar a caçar?
– quanto mais rápido você conseguir ser uma elfa, mais rápido vou estar livre de você — ele deu de ombros. – já cometi erros demais esse século.
Droga, aquilo era irritante, como alguém poderia me odiar pelo meu simples existir??
Tencionei o arco, aquilo era duro, fiz força para manter a flecha na direção da arvore e a soltei, apenas para vê-la cair a vinte centímetros de distância do meu corpo.
Bufei em frustração.
E senti outa frustração acompanhar a minha.
– mikaella – ele veio por traz de mim e segurou meus braços na posição que eu tinha que estar – estique assim.
Parei de respirar, a única coisa que minha cabeça conseguia me concentrar era o fato de Aaron estar com os braços fortes em minha volta, com os dedos em cima dos meus e o fato de sua boca está colada na minha orelha.
– está prestando atenção? – ele repreendeu-me.
– ah...claro.
– mire em tudo, sinta a ponta da flecha, entenda que ela está abaixo de você e não na direção dos seus olhos. –ele falou de forma quase suave – respire fundo, acalme seu coração.
Desculpe, mas vai ser difícil com você tão perto.
Respirei, uma, duas, três vezes antes de me dar por pronta, me concentrei no alvo, então soltei a flecha, e gostaria de dizer que eu acertei o lugar e comemoramos e que nessa festança toda acabou rolando um clima que fizemos amor e que nesse momento estou deitada no ninho dele, vendo-o dormir, mas como meu destino é cruel, eu errei, pelo menos foi a primeira vez que consegui fazer a flecha ir mais longe que um metro e acertar algo, mas a arvore que acertei não era meu alvo.
– muito bom – juro que aquilo que eu vi no rosto dele era quase, quase um sorriso, mas sumiu rápido – você conseguiu.
– eu errei – bufei.
– mesmo assim está bom para uma humana.
Revirei os olhos, era uma mania horrível, mas não pude evitar diante de tal comentário.
– então me odeia tanto por eu ser uma humana?
– em parte – ele admitiu – por ser humana, por está invadindo meu território, por me desafiar, por ser tão arrogante e prepotente.
Ele deu de ombros.
– arrogante? Prepotente? – fiquei chocada – e você senhor sabe-tudo o que você pensa que é?
– como assim?
– cabeça dura, orgulhoso, sarcástico, metido só por que sabe que é o deus da gostosura, você adora mostrar aos outros o quanto você é melhor – listei – fica ai com essa cara de senhor de si, se preocupando comigo apenas para que você seja beneficiado, sinceramente achei que sua raça fosse melhor.
– ae? – ele debochou – que bom que consegui agrada-la.
– idiota – murmurei- qual sua idade mental?
– não sei – ele parecia estressado – mas acredite humana estou aqui bem antes dos seus tataravós nascerem e vou estar aqui quando seus descendentes morrerem.
– a única coisa que ouso saindo de sua boca é: sou um velho arrogante
– chega – Brisa veio de dentro da floresta – caramba eu estou ouvindo a gritaria do meu ninho? Parecem dois filhotes.
– ele me provoca – chiei – tudo o que eu faço com respeito a mim é sempre para que eu vá embora.
Aaron me olhou de uma forma mortal.
– estou indo — ele se virou para partir.
– Aaron não se esqueça da cerimonia hoje à noite – Brisa murmurou
Ele nem se deu ao trabalho de concordar.
– que cerimonia? – eu fiquei olhando-o partir.
– você precisa se tornar uma elfa para que vá embora – ela sorriu de forma doce – e para isso precisa passar pela cerimonia de aceitação, geralmente fazemos isso com os filhotes, mas você é um caso especial.
– o que devo fazer?
– apenas venha comigo.
Ela pegou minha mão e passamos a duas horas seguintes no ninho, me arrumando para a cerimônia que eu passaria, Brisa prendeu meu cabelo e me vestiu com um vestido branco de modo transparente, apenas escuro nas partes intimas, ele era realmente lindo, com várias perolas e pedras de brilhante em todo ele.
Quando saímos toda a teia estava iluminada com pequenas luzes flutuantes, a fogueira que parecia se materializar todas as noites parecia ser o centro de todas as reuniões importantes aqui, mas não essa noite, hoje eles se concentraram no lago que cortava o acampamento, ele estava iluminado de forma encantadora, Brisa me deixou sozinha no meio do seu povo e eu fiquei assustada, todos estavam de cabeça baixa, menos Enantiomorfos, ele me encarava com seus olhos negros como a noite.
– mikaella – ele pediu que eu me aproximasse.
Caminhamos para dentro da água, ela estava quente e me cobriu de forma aconchegante.
Ele pegou o que me pareceu um chifre de touro e colheu a água do rio.
– você não nasceu da arvore, não viu seus ramos crescerem com o passar dos anos, nunca chegou a ver a primavera chegar e nem primeira flores nascerem, mas mesmo assim, agora você fez parte da arvore que compõem a vida, nossas ramificações agora estão conectadas e você faz parte de quem somos.
Ele derramou a água na minha cabeça mas o que saiu de lá foi um liquido avermelhado que fez todo meu cabelo brilhar, como numa chama viva.
Dava pra sentir, a força, a vida, podia me sentir...menos humana.
Ele me ofereceu a mão.
– levante-se da água para vida, não mais como mikaella, mas sim como Mayaan – ele pegou minha mão me tirando da água — pois significa primavera, e seus cabelos me lembram as dálias vermelhas na primavera, venha minha irmã.
Sai do rio e todos me olhavam com reverencia.
– seu novo nome tem dois significados, o literal, da primavera, e o da flor, que eu julguei correto – ele beijou minhas mãos – use-os com sabedoria Mayaan.
Então todos começaram a gritar meu nome, como numa prece, agora eu tinha meu próprio nome de elfa, e de alguma forma sentia que algo havia mudado dentro de mim.
– vamos começar a festa – ouvi um dos elfos gritar.
Eles começaram a cantar e a girar em minha volta me dando as boas vindas, e eu não poderia estar mais feliz, um dos caçadores se aproximou e me deu um cantil, cheirei e o liquido me pareceu forte.
– apenas os fortes conseguem – ele disse rindo.
Com quem ele acha que está falando? Eu sou a atriz que bebeu um garrafa de vodca russa em menos de duas horas, tá certo, passei quase dois dias desacordada, mas eu bebi.
Virei i cantil e senti uma vontade enorme de cuspir, mas segurei a onda e engoli bons bocados.
– Mayaan – brisa veio para perto de mim tirando o cantil da minha mão – isso é alucinógeno, não deveria beber.
– isso é o que? – perguntei para duas brisas a minha frente.
E de repente senti uma vontade louca de dançar, comecei a dançar junto com a crise de riso que se apoderou de mim, eu ria e dançava, acho que fiz isso até ficar tonta parei um instante para tomar folego e vi Aaron encostado em uma arvore observando tudo de longe. Ele ia ver só.
– por que não veio na minha cerimonia? – me aproximei brava. – você deveria estar lá.
– não eu não deveria, era minha escolha e eu não sou obrigado a ir – ele disse indiferente.
Soquei o peito dele de modo que quase quebrei meus dedos, mas não pareceu surgir efeito nele.
– idiota- tudo estava piscando de uma forma alegre e bonita – não sacou que eu gosto de você?
– e você não percebeu que eu não te quero por perto? – ele rosnou.
– e por que não? – me aproximei tocando seu peito trabalhado – não me acha bonita?
– você é linda a sua maneira mikaella sulivan.
– não hoje – o empurrei para traz da arvore e ele me olhou questionador – hoje eu sou Mayaan, uma elfa que acabou de nascer.
Pisei em seus pés com cuidado e fiquei na ponta dos dedos aproximando nossos rostos.
Passei os dedos em seu rosto de querubim, ele não se mexia então me aproximei mais, e no ultimo instante ele me impediu, empurrando-me contra a arvore, aquilo doeu.
– você acha que sabe o que é seduzir um macho mikaella sulivan? – ele debochou – vou te mostrar como é.
Aaron me pegou pela cintura e colocou minhas pernas em volta da sua cintura, pressionando meu corpo entre o seu e a arvore, sua boca dançava pelo meu rosto me fazendo buscar por ela, mas nunca chegava, ele beijava de modo provocador meu pescoço e mordia o lóbulo da minha orelha, enquanto uma mão passeava por minha cocha e a outra provocava meus mamilos, ele mordeu meu lábio inferior.
– você não pode tentar provocar aquilo que não pode controlar – sua voz poderosa me excitava de um jeito quase glorioso.
Não consegui me controlar e o beijei brevemente, eu precisava saber o gosto dos seus lábios.
– você é patética humana – ele rio de um jeito descontraído – se acha que acabou a brincadeira, vou te mostrar o que é um beijo de verdade.
Então ele veio pra cima de mim, lindo, sensual, selvagem.
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