Entre os mundos
1 A arvore da vida...
Notas iniciais
Estava quase amanhecendo, a neblina tomava conta da floresta de forma sinistra pra quem não a conhecia, posei de forma suave sobre um galho, o grupo de cevos que se encontrava a nossa frente era perfeito. Fiz sinal com a mão para que o resto do grupo se aproximasse.
Um dos cervos, o alfa levantou as orelhas, ficando alerta, infelizmente, para ele, não alerta o suficiente. Meus olhos avaliaram a situação, em cima das arvores dava para ver o grupo todo, era um grupo grande, mais do que o suficiente para nós
- senhor quantos cervos serão? – ouvi um dos caçadores perguntar.
- apenas o necessário – murmurei, tendo a certeza que todos ouviram – não quero um cervo morto sem necessidade e não toquem nos filhotes.
Dizendo isso todos se prepararam, o alfa seria meu, isso era indiscutível, todos sabiam a quem ele pertencia.
Peguei uma flecha e mirei entre os olhos dele, indolor e rápido.
Mas algum idiota fez barulho e espantou o grupo, soltei um muxoxo baixo e comecei a pular pelos galhos, sentindo-os se tencionar em baixo dos meus pés, era incrível a velocidade em que ele se locomovia dentre a floresta, e dei graças aos deuses por ser tão rápido quanto ele, corri por cerca de meio quilômetros até finalmente conseguir encurrala-lo.
- desculpe amigo – murmurei tencionando o arco – tenho bocas para alimentar.
Para meu completo espanto, o cervo se moveu no último segundo fazendo minha flecha passar raspando entre seus chifres e se fincar na arvore atrás de si, errar não era algo que costumava acontecer, e não se repetiria.
Preparei a segunda rapidamente e dessa vez ele não teve como fugir.
Desci da arvore e peguei minha presa pelos chifres, estava prestes a comunicar aos outros que conseguira minha parte quando o chão começou a tremer violentamente e de repente estavam todos lá, meus caçadores cercaram-me como se eu tivesse feito algo.
- o que foi isso? –questionei.
- senhor – citcar apontou para a arvore em que minha flecha estava fincada.
E senti uma reviravolta no estomago.
Não era qualquer arvore, era Yav, me ajoelhei com o rosto na terra.
- perdão – murmurei – perdão, Yav, não foi minha intenção feri-la.
Um brilho sobre minhas pálpebras fizeram-me abrir os olhos, uma luz prateada estava saindo do tronco de Yav, como se a arvore se rasgasse ao meio a partir de onde minha flecha estava fincada.
Citcar se levantou do chão e foi em direção a arvore, quando notei o que ele iria fazer já era tarde demais, ele pegou na flecha e seu corpo começou a se contorcer de forma estranha, e sua expressão demonstrava dor, segundos depois ele caiu, morto.
Se eu sentisse medo, era o que estaria sentindo agora, mas tenho certeza que cheguei perto quando a fenda simplesmente continuou se abrindo até a raiz.
- Deuses – murmurei – o que eu fiz?
Notas finais
espere que gostem.
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