Entre os Garotos

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Hohohoho, voltei. Foi até rápido escrever esse capítulo. Tou com saudades dos capítulos de 2000 palavras, mas é o que temos para hoje...

Mais da metade das férias já se passaram, o Natal estava ficando próximo. Ok, tudo bem que ainda era 8 de Dezembro, continuava perto. Thomas parou de chorar, ele ficou um pouco frio comigo. Parou de querer saber o porquê de eu não ter transado com ele naquele dia. Apesar de ser um alívio não precisar confessar que eu não sei transar, realmente me preocupa o desinteresse repentino.

— Ei, hoje eles saíram para ver o cachorro e passear por aí. Eu só vi ele e voltei para cá. — Thomas falou, sentado na cama, olhando para mim. Acordei recebendo falas, que novidade.

— Bem... ok. Eu acho. — Falei, gemendo enquanto esticava os braços.

— Eles ainda estão fora. — Thomas falou, olhando fixamente para mim.

— Olha, vou abrir o jogo. Eu não consigo passar do básico com você porque eu não sei como e eu tenho medo de algo dar errado. — Falei, esperando a reação dele.

— Obviamente vai dar, você é virgem. — Ele me olhou friamente, enquanto falava.

— Você está diferente, que merda está acontecendo com você? — Perguntei, irritado.

— Me desculpa, sério. É que eu não consigo pensar em nada entre a gente com a minha família sem saber. — Thomas se levantou. Agora que eu estava realmente desperto, percebi que ele estava sem camisa e com um short preto folgado. Aqueles músculos despertaram um lado que raramente toma posse de meu corpo e senti meu pênis ficar ereto.

— Puta que pariu! Você vem desse jeito, só nós dois aqui, nada para atrapalhar, e não me dá nem um beijo? — Perguntei, atirando um travesseiro nele.

— Isso mesmo. — Ele sorriu, dessa vez mais calorosamente, atirou de volta o travesseiro. Bateu direto em meu rosto, fazendo-me sentir cada centímetro de minha face ser atingida.

— Um dia você pagará, Tom. — Gritei, pois ele já estava na sala.

–-xXx--

— Bem, nem um beijo? — Perguntei, transferindo-me para o sofá, ficando ao lado dele.

— Não consigo me conter, quero muito te beijar, mas não consigo fazer isso sem me sentir culpado pra caramba. — Thomas falou, contornando meus ombros com um braço.

— Essa culpa é boa, de certa forma. Um dia você vai rir disso tudo, estaremos juntos. — Beijei sua bochecha. Thomas virou seu rosto e me beijou. O beijo, inicialmente calmo, rapidamente se intensificou. De repente veio um pensamento em minha mente: "Eu beijo bem?". Me desconcentrei por um tempo, Thomas pareceu notar, parou o beijo e me encarou. Depois de recobrar a noção do que se passava, o puxei junto ao meu corpo pelas costas e me deitei no sofá, sentindo seu peitoral encostado em mim. Apoiei-me em meus braços e dei um beijo em seu pescoço, abraçando ele. Em seguida, fui até seus lábios e os beijei novamente, dessa vez com mais gosto. Thomas tirou minha blusa. Uma sensação de vergonha me invadiu, meu físico não era dos melhores, um pouco magro até.

— Você me dá um tesão enorme. — Disse ele. Acho que Thomas entendeu meu olhar. Seu sorriso envergonhado foi o suficiente para eu entender que ele estava tentando lidar com a imensa culpa que carregava nas costas. Thomas colocou a boca em meu mamilo e causou um arrepio que nunca senti antes. Às vezes esqueço que eu estou lidando com Thomas, o garoto popular que as meninas adoram. A personificação do meu oposto. Não que eu seja um nerd deslocado. Eu apenas não me encaixo no padrão que os "bons" exigem.

Senti-me desprotegido, psicológica e fisicamente. Senti-me pronto para transar com ele. Fechei meus olhos enquanto ele explorava meu corpo, causando arrepios no mesmo. Coisas que eu não sabia que iria sentir um dia. Thomas passou a mão na borda de minha calça, descendo ela. Ele encarou meu membro coberto pela roupa íntima. Será que ele está julgando o tamanho? Ele passou a mão por cima de minha cueca, sentindo meu corpo.

— Que porra é que vocês estão fazendo? — Ouvi a voz de Ana. Olhei rapidamente e a vi parada na porta. Thomas subiu minha calça e caiu para trás, batendo as costas no chão. Ele jogou a camiseta para mim. Ana esboçou um sorriso maligno no olhar.

— Eu não sei se fico muito puta ou se abraço vocês. Mano do céu, meus amigos são gays. Eu não sou um lixo, eu não fui rejeitada atoa. — Ana riu, sentando no outro sofá.

— Ferrou, como eu fui acreditar que isso não ia dar merda? — Thomas sentou no chão e começou a se desesperar. Me ajeitei no sofá, agora arrumado e pronto para ser inocentado de toda cena.

— Tom, eu não vou contar. Relaxa, somos melhores amigos, lembra? Desde que comecei a estudar lá, sempre estive ao seu lado. Não é agora que vou fazer merda. — Ela sorriu, indo até Thomas e o abraçando.

— Ana, você é fujoshi? — Perguntei, vendo-a corar.

— Totalmente, estou surtando por dentro, inclusive. — Ela realmente estava se exaltando agora.

— Então você entende o motivo de eu ter dado um fora você? — Perguntei, começando a ver lucro.

— Totalmente. Estou vivendo um yaoi. — Ela riu.

— Para de me comparar a essas histórias de doido. Meus pais vão me matar. — Thomas falou, indo até o quarto.

— Droga, esqueci que os pais de Thomas são homofóbicos. — Ana sentou ao meu lado.

— Como assim? — Perguntei. Vendo-a olhar para ele com pena.

— Um dia eu estava na casa dele. Uma reportagem sobre uns gays que foram assassinados estava passando na tevê, os pais de Thomas disseram que foi o certo, para a doença não se espalhar. — Ela sussurrou, olhando para mim.

— Eu... cara, isso é uma merda. — Falei, abaixando a cabeça e sentindo cada palavra que ele me disse antes, sobre os pais não o aceitarem.

— Se isso sair do controle, darei um jeito. — Falei, determinado a salvar sua felicidade.

— J, eu não quero ‘shippar’ um casal que acabem na merda. — Ela pegou minha mão. — Vai tomar um banho, você está com o cheiro de Thomas, eles vão notar fácil.

Senti uma vergonha imensa, fui apressado tomar banho para tirar o cheiro dele de mim. Não que fosse ruim, mas não posso entregar o jogo logo agora. Aliás, adoro o cheiro de seu perfume masculino.

Ao voltar, Thomas estava em outro sofá, ao lado de Ana.

–-xXx--

— A gente passou num restaurante lindo no caminho da volta, devemos ir antes das férias acabarem. — Rebeca entrou na casa, vendo Thomas, Ana e eu parados e a encarando, envergonhados.

— Jean estava contando como se escreve um hentai. — Ana mentiu, levantando-se.

— Isso explica o climão estranho. — Rebeca falou, sentando no sofá.

— Cara, aquele filme é insano. Não sei como você não gosta dele. — Fernando falou, entrando na sala com André e sentando ao lado de Rebeca.

— Um filme onde só tem morte por motivos estranhos não é legal. — André sentou-se no chão, encostando-se na parede.

— Mas os motivos não são tão estranhos. Você é estranho e eu não reclamo. — Fernando falou, enquanto ria.

— Parece uma criança de três anos. — André retrucou, embora soasse amigável.

— Jean, até hoje eu espero você pegar alguém na cidade ou aqui. Ana está disponível. — Brincou André, pareceu um pouco invasivo, mas esse é o jeito defeituoso dele.

— Bem... é complicado. — Comecei a rir ao perceber a ironia do momento. Ana riu comigo, depois Thomas.

— Filho da mãe. Você já... — Disse Fernando, sendo interrompido por mim.

— É complicado. — Falei, tentando me acalmar e parar de rir, mas Ana continuava rindo. Thomas já tinha parado faz alguns segundos.

— Ok, vou fingir não ter percebido nada. — Rebeca falou, depois de um tempo quieta.

— O que você percebeu? — Thomas perguntou, olhando-a de forma curiosa.

— Eu? Nada. Só a química entre Ana e Jean. — Ela maliciou a frase, olhando para Fernando.

— Parece que o Q.I. Médio caiu pela metade aqui. — Thomas foi para a cozinha.

— Bora assistir um filme. — Disse André, pegando o controle da TV.

–-xXx--

— O que foi aquilo? — Perguntei para Thomas, percebendo que todos já foram se deitar. Ana foi a última a ir, tenho a impressão de que ela está espreitando a gente.

— Aquilo o quê? — Ele perguntou, parecendo não ter entendido.

— Você estava com o papo de culpa e família, então começou a me beijar...

— Eu estava pensando e percebi uma coisa: Não preciso me esconder atoa. Acho que estou me aceitando como gay. — Ele sorriu, olhando em meus olhos

— Isso realmente é bom. — Falei, Thomas se levantou e sentou ao meu lado. Abraçando-me.

— Olha, eu sei que sou um maluco, pé no saco e um pouco safado, mas eu te amo. E eu sei que sou gay, agora sei. E se eu não for gay, sou bissexual. Antes eu já sabia, mas eu não conseguia ver uma luz nisso, como se fosse perdição. — Ele falou, mantendo o tom humorado de sempre.

— Eu gosto de você, foda-se caso somos gays. É problema nosso.

— Eu não consigo tirar seu corpo de minha mente. — Ele deu um beijo em meu pescoço, se afastando.

— Thomas... aquilo foi muito bom. Eu realmente pensei em terminar tudo, dessa vez. — Sorri, percebendo que nossa conversa tinha perdido o rumo rapidamente.

— Vamos dormir, tá tarde. — Thomas falou, levantando-se e indo até o quarto. De repente veio uma imensa vontade de sentir aquele corpo em meus braços. Essa é a melhor féria que eu já tive.

— Boa noite.

Notas finais
O que acharam da Ana Fujoshi desmascarada? E a pequena cena hot que é uma prévia do que acontecerá já já? Bem, as tensões estão dando lugar para um Thomas mais solto, que começou a tentar ver o lado positivo nessa relação.