Notas iniciais
Nyah voltou! Eu queria atualizar faz uns anos. Então aqui está mais um capítulo.

As malas já estavam prontas, eu estava esperando Thomas aparecer na porta de minha casa ou algo do tipo. Eram 6:30 da manhã, será que ele atrasou? Saí até o lado de fora, no gramado da entrada. Meu pai colocou as malas do lado de fora. Estava um pouco frio nessa hora da manhã. Um carro parou perto de minha casa. Thomas abaixou o vidro da janela e acenou para mim. Ele abriu a porta, meu pai me ajudou a entrar no carro e guardou minha cadeira no porta-malas.

— Então, está pronto? — ele falou, indo para o banco de trás.

— Agora não tem como voltar, certo? — Olhei para ele como se fosse uma pergunta bastante idiota. De certa forma era.

— Certo, para onde vocês vão mesmo? — o pai de Thomas, ironicamente ele se chamava Samuel, perguntou.

— Aquelas montanhas que eu te falei ontem. Já esqueceu, pai? Fica uns 120km daqui. — Thomas indicou para ele. Eu apenas observava a janela. Samuel deu a partida no carro, a visão na janela começou a se distanciar. Thomas voltou para os bancos do fundo.

— Não estou acostumado a acordar essa hora. — ele comentou.

— Nem me fale. Poderíamos estar dormindo agora. Na cama macia. Talvez acordando daqui a umas duas horas. — Revirei o olhar, pensando se iria aguentar essa viagem sem cochilar.

— Acho que demoraremos três horas, por aí. — O pai de Thomas falou.

— Talvez mais? Ou menos? — Thomas perguntou a ele.

— Mais para menos. Isso não fica do outro lado do mundo, filho. — Samuel respondeu. Não falamos por um bom tempo, apenas alguns comentários sobre a paisagem ou como foi o ano. Thomas parecia muito sonolento, assim como eu. Ele apoiou a cabeça no banco, porém ficou revirando de um lado ao outro. Comecei a rir ao constatar o incomodo que ele sentia.

— Cara, se quiser cochilar no meu colo eu não ligo. — Falei, Thomas me olhou estranho, como se hesitasse.

— Valeu. — Ele agradeceu e deitou em meu colo, esticando os pés na janela. — Nem um pouco gay. — Disse Thomas, sorrindo de olhos fechados.

— Se você não se importar, eu não me importo. — falei, não pude evitar risos. Rapidamente ele adormeceu. Enquanto o tempo passava, eu fiquei olhando a paisagem que se movia rapidamente do lado de fora. No começo era apenas cidade, passando o tempo, árvores começaram a aparecer até estarmos vendo apenas o verde da natureza. Com o passar do tempo, pequenas casas começaram a dar sinal da civilização.

Thomas dormia profundamente. Samuel dirigia atentamente. Sempre achei que, no verão, as paisagens ficavam mais bonitas. Porém o calor quase nunca perdoava, que pena. Seria perfeito se o verão fosse frio e belo, sei que isso é impossível. Depois dos costumeiros pensamentos avoados e sem nexo, apoiei minha cabeça no vidro do carro, então dormi.

Não me lembro de ter sonhado, apenas acordei com a voz de Thomas ao meu lado.

— Você fica tão fofinho quando dorme! — ele caçoou, abrindo a porta do carro. Samuel abriu a porta do carro, me ajudando a voltar para minha cadeira. Fomos até uma casa média, com paredes de madeiras. Ela parecia bem cuidada, talvez fosse alugada.

— Gostou? — perguntou Thomas, entrando nela.

— É acessível para mim? — Foi a primeira pergunta que veio em minha mente.

— Oh, não! Vou chamar meu melhor amigo, ciente dele ser cadeirante, e pegar uma casa cheia de escadas! — ele falou, com sarcasmo. Não era um sarcasmo ofensivo, era mais do tipo “eu cuido de você, seu idiota”.

— Me desculpe se eu tenho curiosidade sobre o local que vou passar um mês. — respondi no mesmo tom. — E nem é só escadas, tem mais coisas, como a largura dos corredores, o tamanh... — Thomas me cortou, fazendo um gesto para eu me calar.

— Então, quem vai ficar aqui mesmo? Você, Jean, Rebeca, Ana, André e Gabriel, certo? — O pai de Thomas perguntou a ele.

— O nome dele não é Gabriel, é Fernando, pai. — Thomas o corrigiu.

— Ah, sim. Me lembrei melhor dele. — Samuel concordou. Eles levaram as malas para dentro, resolvi ir dar uma volta ao redor da casa, explorar um pouco. Era um lugar bastante verde, porém com caminhos pavimentados. Após uma andada a mais nos fundos do alojamento, vi uma paisagem linda. Acho que estávamos na serra que o Thomas falou. Faz tempo que não via uma vista tão bonita quanto essa, era de tirar o fôlego.

— O que você acha da vista? — Thomas se aproximou de mim, sentando num banco que possibilitava ver a paisagem mais confortável.

— Incrível, parece que este lugar foi tirado de um livro. — Eu respirei fundo, inalando o ar puro do local. — Acho que o lugar é ótimo para umas férias.

— Sim. Eu vi faz uns meses, eu e meus amigos resolvemos rachar o preço e passar as férias aqui. Claro que eu escolhi um lugar que você pudesse vir. — ele falou, se levantando e dando um soco de leve em meus ombros.

— Ei! Quem disse que você pode me deixar culpado assim? Poxa, estou aqui gratuitamente enquanto vocês pagam? — perguntei, acompanhando-o de volta à casa.

— Para com isso, eu te convidei. Já basta. — ele bagunçou meu cabelo e abriu a porta.

— Esqueci de dizer... Você fica fofo enquanto dorme. — Falei, Thomas entrou rapidamente enquanto eu estava tendo uma crise de risos.

— Deixa dessas "gayzices", por favor. — ele foi até um quarto, havia três camas nele. Em outro quarto havia uma cama de casal e no último uma única cama de solteiro. — Podemos dormir no quarto de três, sobrando uma cama pra um dos meninos, o outro dorme no quarto de solteiro e as meninas no quarto de casal. Ou, se Fernando preferir, ele pode dormir com Rebeca na cama de casal, certo?

— Toda essa administração me fez ter um curto circuito mental, mas é um bom jeito de arrumar as coisas. — Concordei com ele.

— Acho que ficou bom, vou deixar assim. — ele finalizou, anotando num bilhete.

— Vou voltar pra casa, filho. Talvez passar naquele shopping. Até mais. — ele se despediu de Thomas com um abraço e apertou minha mão. Samuel abriu a porta e foi embora.

— Você acha que eles vão gostar de mim? — perguntei a ele.

— Não sei, talvez. Eu gosto de você, eles vão gostar também. — ele deu de ombros, ajeitando as roupas.

— Talvez isso tudo saia bem. — concordei, tentei não ficar com o pensamento de passar um mês com pessoas que me odeiam, isso era assustador.

— E aí galera! — entrou um cara vestido com roupas simples, cabelos castanhos e olhos negros. A sua pele era um pouco bronzeada pelo sol. Nariz pontudo, mas no tamanho certo. Esse é o Fernando, ele tem 17 anos. Atrás dele entrou Ana, cabelos negros e olhos verdes, um pouco tímida, ela possuía um sorriso branco e dentes bem cuidados. Rebeca era negra, tinha cabelos longos cacheados e era bem bonita, de presença marcante, com um nariz mediano e com ponta arredondada e lábios carnudos. André era o mais baixo de todos, porém tinha um corpo bem cuidado, igual o de Thomas, mas ele tinha a pele parda. Isso era uma das poucas coisas que o separava de Thomas. Tinha cabelos negros e com fios finos. Todos tinham 17.

— Quero comer algo, você quer, Thomas? — André entrou na cozinha, perguntando a Thomas.

— Faz algo para todos. — Depois de uma pequena pausa, ele olhou para mim, me vendo paralizado de timidez. — Gente, conheçam o Jean, ou J. Meu melhor amigo. Ele nunca viajou comigo antes, então é bem difícil que vocês o tenham visto. — Acenei para eles, ainda envergonhado. Me imaginava num lugar menos cheio, eu não pensei em me apresentar pra tantas pessoas, se é que quatro é muito.

— Ei, prazer! — Ana me cumprimentou. Em seguida, todos vieram me cumprimentar também. Eu não conseguia falar muito, apenas sorria e acenava. Também dizia um "Oi" ou algo concordando com as pessoas. Eles faziam me sentir tímido de uma forma que eu nunca estive antes, talvez porquê eles eram muito mais legais que eu.

— Vai ficar com essa cara de merda? — Thomas me perguntou, com um sussurro ao meu lado.

— Bem... vocês já sabem aonde vão dormir, certo? — Puxei conversa com eles.

— Vou dormir com vocês. — disse André.

— Vou dormir com Rebeca. — Fernando se aproximou dela.

— Nem a pau. Eu e Rebeca, você vai pro quarto sozinho. — disse Ana. — Não quero nem a possibilidade de vocês estarem transando aqui. — Ela completou.

— Meu Deus, nem pensei nisso. — disse Thomas. — Só por ser um bom amigo, voto em Fernando ir pro quarto sozinho. Quem é a favor? — Todos levantaram a mão em concordância.

— Ok então. — Fernando fez um gesto obsceno com a mão, levantando o dedo do meio.

— É com essa mão que você segura a de Rebeca? — Thomas perguntou. Eu não conseguia pensar em nada para falar, não conseguia interagir com desconhecidos. Talvez porque eu nunca interagia com eles, não muito. Nunca fui o tipo de pessoa muito sociável, sempre fui quieto em meu canto.

— Ei, Jean, como você conheceu o Tom? — André trouxe uma bandeja com sanduíches enquanto falava.

— Então, foi bem estranho. Ele costumava me perturbar um pouco quando tínhamos uns... 8 anos. Sim, eram 8. Thomas era do tipo mais errado, digamos. Acho que eu coloquei ele no lugar quando estudávamos juntos. — Thomas sorriu para mim.

— O menino maravilha, modelo bem exemplar, já fez coisas erradas? Erradas como? — Fernando perguntou.

— Quebrar coisas na rua, maltratar animais por diversão, xingar os professores. — dei uma pequena risada, relembrando os feitos.

— Então, nunca deixe o Frodo saber disso! — Ana se referiu ao gato de Thomas, que devia ter 4 anos.

— Pense grande, o Jean deveria fazer psicologia. — Thomas falou. Ele me elogiou? Ou foi uma brincadeira?

— Comam isso logo, não vou fazer outro tão cedo. — André chamou nossa atenção para a bandeja de sanduíche que estava na mesa de centro. Thomas foi até a mesinha e pegou dois sanduíches, um para ele e o outro para mim. O gosto não era ruim, até estava bom. Rapidamente os sanduíches acabaram. Depois de um tempo batendo papo, resolvemos arrumar nossos pertences e então nos acomodar no quarto para dormir. Peguei meu celular e enviei uma mensagem para minha mãe.

–-xXx--

Eu estava na sala, todos já tinham ido deitar, apenas Thomas e eu estávamos no local.

— Você acha que eles gostaram de mim? — perguntei a Thomas.

— Com certeza, caso contrário eles já teriam falado. — ele respondeu.

— Tom? Já vou aderir. — Falei com um certo humor na voz.

— Pode, isso quita o J. — ele riu.

— Ana disse que achou você bem legal. Talvez você fique com ela, ou quem sabe algo mais. — ele sorriu maliciosamente para mim.

— Mas como... Eu nunca beijei nem nada. Eu iria desapontar ela, muito mais provável. — Comecei a ficar nervoso.

— Deixa disso. Vamos dormir logo, amanhã você pode conhecê-los melhor. — Thomas se levantou e deu um tapa em meu ombro, entrou no quarto e, pelo barulho, se jogou na cama. Me vi sozinho na sala, a melhor coisa que eu poderia fazer era dormir. Enviei um SMS para minha mãe. Fui até o quarto, me deitei na cama e apaguei depois de remoer os pensamentos.

Notas finais
Sempre que eu leio esse capítulo... ele parece tão pequeno... gr... mas o tamanho é quase o mesmo do outro. Isso não é normal. Enfim, comentem o que estão achando da estória.