Entre os Garotos
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Sempre há coisas que nos alegram, algo que nos faz saber que estamos vivos. Estar com meu melhor amigo é uma dessas coisas. Me encontrei sorrindo para o vazio, Thomas e os outros ainda estavam dormindo, não os culpo. Pela luminosidade do quarto deveria ser madrugada, perto do amanhecer. Depois de me espreguiçar-me em minha cadeira e fui até o lado de fora da casa. O céu roxo criava um contraste com a paisagem negra, porém, no topo das montanhas, o sol conseguia tocar. Ainda que fraco, ele marcava sua presença. Me locomovi até o local de antes, vendo a paisagem cuidadosamente esculpida pela natureza.
— Você gostou do lugar? — André perguntou, se aproximando de mim.
— Sim, gostei muito. Essa paisagem é linda. — respondi a ele.
— Com certeza, o que eu mais achei legal e o lago. Poderíamos nadar com a galera mais tarde, certo? — ele sugeriu, se acanhando um pouco.
— O que foi? — perguntei.
— Esqueci que... cadeirantes não podem nadar. — ele falou, um pouco tímido.
— Pode sim, ué. Dá pra nadar, mas eu não sou muito fã de água. — eu ri com a cena boba que foi criada atoa.
— Vivendo e aprendendo. — ele voltou o olhar para o as montanhas.
— Vou voltar para dentro, fazer um café da manhã. — me despedi dele e então comecei a caminhar de volta à casa.
— Pode fazer para mim também? — André perguntou a mim.
— Certo, irei. — entrei na sala, indo até a cozinha.
–-xXx--
O sol do meio dia brilhava no topo do céu, todos nós estávamos fazendo uma trilha até o topo de uma montanha. Sentir o vento que refrescava o calor do sol que se acumulava era realmente bom. O farfalhar das folhas ao longo do percurso e o som dos passos no barro eram como algo que eu nunca tinha escutado antes. Talvez eu nunca tinha me sentido tão vivo até agora. Fernando e André iam na frente, seguidos de Ana e Rebeca. Por últimos, Thomas e eu. Uma das coisas que eu mais gosto é passear, mas não quando está fazendo calor. O melhor momento é, especialmente, quando está frio e o céu bem nublado, porém o risco de tomar uma chuva é bem grande. Não que isso realmente importe, já que podemos levar guarda-chuva.
Engraçado, olhando do fundo, todos eles pareciam como uma família. Exceto Rebeca e Fernando, incesto não é uma coisa muito legal. Apesar de ser um fetiche bem comum. Os passos dados na trilha provocavam um dos poucos ruídos na montanha, os outros eram os pássaros, o vento, talvez uns animais.
— Como esse lugar é bonito... — Falou Ana, espreguiçando-se.
— Nem me fale, o mais legal é que poupa as escadas. Odeio ficar subindo e descendo os malditos degraus. — Rebeca falou enquanto apoiava-se numa árvore. Todos paramos de nos movimentar e demos uma pausa.
— Quanta motivação, querida. — Disse Fernando, indo até Rebeca e dando um beijo nela. Eu virei o olhar, pois não era obrigado a focar minha visão neles num momento desses.
— Eu acho que nosso amigo Jean pode aproveitar muito bem essas férias. — Thomas deu uma indireta bem direta a mim.
— Não sei nada sobre isso. — Protestei, fingindo não saber sobre o que ele falava.
— Oh, sim! Tenho certeza que você sabe! — Thomas olhou para mim de uma forma extremamente maliciosa e óbvia.
— Vamos deixar de piadas internas e vamos focar em nós. — André interrompeu Thomas, ainda bem.
— Acho que devemos ir para o lago amanhã, o que vocês acham? — Rebeca sugeriu.
— Tive essa ideia hoje de manhã, enquanto falava com o Jean. — Disse André, um pouco animado.
— O lago é assim tão legal? — perguntei.
— Legal? Cara, ele é lindo. Como uma visão poética que você tem após assistir algo muito bom. Só que essa visão é palpável. — André respondeu, eu não sabia se ele estava falando sério ou apenas brincando. Nunca tive contato com ele antes, então não dei quando ele está brincando ou falando sério.
— Ele quis dizer que o lago é muito bonito. — Thomas revirou os olhos após a comparação de André. Será que o lago era realmente tudo isso? Sempre fui fã de paisagens bonitas e sentir a água gelada na pele é algo ótimo. Quer dizer, eu não gosto de lagos e praias, mas realmente é uma inspiradora.
— Então, o que vocês acham? Topam? — Rebeca chamou nossa atenção, que já estava se perdendo em um debate sobre a beleza do lago.
— Sim, eu topo. — Todos disseram, claro que com algumas alterações, mas quem liga? No final o significado é o mesmo.
— Você quer ir, J? — Thomas me perguntou a mim. Ele me perguntou com um carinho especial, sua voz soava diferente. Eu não sei explicar.
— Claro, vou tentar. Apesar de não gostar muito. — falei, Thomas começou a empurrar minha cadeira.
— Ei, nem ligue para isso. A gente não vai ficar nadando o tempo todo. — Fernando falou, os outros começaram a andar junto com ele. Thomas e eu íamos na frente, acompanhados dos outros atrás.
— Muito bem, você vai sair pela primeira vez com uma galera um tanto psicopata. Já já vai dar seu primeiro beijo. — Thomas brincou comigo, os outros não ouviram devido a conversa animada que se passava lá atrás.
— Talvez, eu não sei se gosto de alguém ainda. — Falei com um tom inocente na voz.
— Conta outra. Tenho certeza que você gosta de alguém. — Thomas falou com um tom malicioso na voz.
— Tom, se quiser eu posso prosseguir sozinho a partir daqui. — Sugeri a ele, mudando de assunto.
— Eu gosto de empurrar sua cadeira. — Thomas falou próximo ao meu ouvido, como se isso fosse um segredo. Talvez os outros achassem essa resposta estranha, porém eu achei muito legal da parte dele. Continuamos a trilha com um bate-papo animado, voltamos para casa quando o sol começou a ficar com um tom alaranjado forte.
–-xXx--
Todos nós estávamos bastante felizes naquela noite, todos estávamos reunidos na sala. Com bebidas e petiscos, conversávamos sobre vários assuntos. Thomas e eu fomos os últimos a tomar banho. Eu poderia ter tomado antes, no banheiro adaptado, já ele resolveu esperar os outros saírem do melhor banheiro. Fazia uns 20 minutos que eu não o via, talvez ele estivesse dando uma volta por aí.
— Ana, viu o Thomas? — perguntei a ela. Ana estava comendo um chocolate, ela repartiu um pouco comigo.
— Obrigado, vou voltar a procurar ele. — continuei minha jornada pelo alojamento, perguntando a todos. O chocolate acabou, deixando meus dedos grudentos. Fui até a pia mais próxima, a do banheiro padrão, e abri a porta.
O chuveiro estava ligado, porém fraco. A água escorria de seus cabelos até suas costas, descendo até sua bunda. Era o Thomas? Sim, era o Thomas. Nossa, eu estou vendo meu melhor amigo tomar banho. Thomas pareceu me notar. Ele puxou a toalha rapidamente e a amarrou na cintura. Ele parecia estar muito nervoso, assim como eu me sinto embaraçado com tudo isso.
— Tom, foi mal. — sussurrei, bastante nervoso.
— Não foi nada. — Senti ele fechar os punhos de vergonha. Me senti muito mal por causa disso, se eu não abrisse essa porta... esquece. O estrago foi feito.
— Você está irritado comigo? Foi sem querer. — Ele saiu do banheiro, eu baixei o rosto e olhei ao redor. Os corredores estavam vazios, ninguém viu nada.
— Relaxa com isso. Eu só... eu preciso me vestir. — ele falou em baixo tom, nossa... ele parecia tão desconfortável com isso. O que será que mudou nele?
— Me desculpa... — Eu sentia meu rosto corar, o que estava acontecendo de errado comigo?
— É... até depois. — ele andou rapidamente até nosso quarto. Deslizei minha mão até meu peito, sentindo meu coração acelerado. Merda, o que fez meu coração acelerar desse jeito? Fiquei um tempo parado, refletindo sobre o acontecimento.
— Ei, Jean. — Ana me chamou, indicando a sala. — Vem pra sala. Não fique aí, sozinho. — ela veio até mim.
— Irei sim. — acompanhei ela até a sala. Me acomodei próximo a eles, alguns sentados no sofá, outros sentados no chão.
— O que vocês acham sobre nos apresentarmos ao Jean? — perguntou Fernando.
— Pode me chamar de J. — falei.
— Acho uma ótima ideia. — Ana respondeu, sentando próximo dele André. Todos concordaram com a ideia.
— Certo, Jean. Meu nome é Fernando, como você já sabe, tenho 17. Fiz esse ano. Nasci e cresci naquele bairro vizinho ao seu. — Disse Fernando.
— Você já sabe meu nome, eu tenho 17 também. Sou da rua do Thomas. — respondeu Rebeca.
— Ah, já te vi antes. Você realmente se parece familiar. — lembrei das vezes que vi ela quando ia na casa do Thomas, porém ela sempre estava dentro de casa. Estudando ou ajudando em algo.
— Sou o André, 17. Também sou o melhor amigo de Thomas. Depois de você, claro. — ele sorriu. Rebeca ia responder, porém ele cortou a fala dela.
— Ana, 17. Mas faço 18 dia 23 de Janeiro. — ela disse enquanto estendia a mão em um cumprimento. Achei um pouco estranho toda essa formalidade, porém apertei sua mão sem demora.
— E eu sou Thomas, seu melhor amigo. Moro dois quarteirões de distância e tenho 17 anos. — ele apertou meu ombro, levemente, enquanto se dirigia até o sofá. Apesar dele estar vestido, eu ainda o imaginava nu. Todas as vezes que nós tomávamos banho, nunca encaramos o membro do outro, nem os membros alheios. Acho que foi apenas algo desconcertante e estou remoendo isso, melhor parar.
— E eu sou Jean, tenho 16. Vim parar aqui quando tinha 8 anos. Aviso: Tomem cuidado em suas casa da árvore, a queda é impiedosa. — falei a eles, tentando mudar a imagem que se passava em minha mente. — Vou na cozinha. — Me dirigi até lá rapidamente, ignorando o que eles pediam ou diziam. Apalpei o volume entre minhas calças, sentindo algo ereto. Estou tendo uma ereção por causa de Thomas? Isso está errado. Passado alguns minutos, a ereção acabou. Voltei para a sala, todos me olhavam estranho.
— Jean, que merda você fez? — Rebeca perguntou.
— A merda não está no que eu fiz, mas sim no que eu pensei. — respondi, olhando todos eles. Os olhares foram recíprocos.
— J... nem vou perguntar, com certeza foi merda. — Disse Tom, quebrando o silêncio que se formou.
–-xXx--
Com o passar do tempo, o assunto morreu. Depois de uma noite de conversas, todos resolvemos ir para nossas camas. Todos saíram da sala, porém Thomas e eu continuamos lá. Ele me olhou, com uma cara de curiosidade e vergonha.
— J, o que você quis dizer com aquilo? — ele me perguntou, se aproximando de mim. Eu abri a boca várias vezes, não consegui falar e nem me ver falando isso para ele. Porra, o que eu deveria fazer? Eu o olhei e eu juro, caso eu pudesse, minhas pernas estariam bambas e tremendo.
— Tom... eu acho que nunca vou querer falar disso com você. — respondi, estava um pouco desconcertado.
— Defina se foi vergonhoso de 1 a 10. — ele sugeriu.
— 10. — respondi sem dar uma pausa a ele.
— Certo, se você não quer falar, não irei forçar. Apenas sentarei no meu cantinho e chorarei. — Thomas fingiu um choro cínico e exagerado.
— Nossa... nunca mais faça isso novamente. — impliquei com ele, na verdade foi algo aterrorizante esse choro falso dele. Tom não nasceu para ser ator, definitivamente não.
— Vamos dormir. — Tom empurrou minha cadeira até o quarto.
— Eu sei me locomover sozinho. — falei a ele, cruzando os braços. Ele entrou no quarto comigo e se jogou na cama, me deixando sozinho. Fui até minha cama e então fechei os olhos. Eu realmente tive pensamentos eróticos com Thomas? O que isso quer dizer? Nessas horas o contato com a perversão faz falta. Minha mente é um pouco inocente. Acho que nem tanto, depois de hoje já posso me classificar como um pervertido por estar pensando em meu melhor amigo nu. Enviei uma mensagem para minha mãe, dizendo um pouco sobre a galera daqui.
Fale com o autor